24/05/10

20/05/10

Small is (still) beautiful


Nunca frequentei o cinema Turim, por isso para mim esta notícia é mais prospectiva do que saudosista. Sou acérrima defensora dos pequenos espaços culturais que vão aparecendo pela cidade e que me parecem muito mais interessantes (e úteis) do que os grandes centros culturais. Por isso, foi com muito agrado que soube da abertura do Cine-Teatro Turim, que reabriu com a peça Cães (esses mesmos, os do Tarantino).
A actriz Anabela Moreira, mentora do projecto, diz ao DN: "Era para aqui que eu vinha brincar sem me conformar com o facto de neste palco só passarem filmes. Na minha percepção infantil isto só podia servir para fazer teatro". "Fazer nascer alguma coisa a partir do nada, é isso que está a acontecer aqui e é isso que nos mobiliza, que nos faz lutar até à exaustão mental e financeira"
A não perder o texto de Anabela Dias, no Ípsilon, de que deixo um excerto (e que me insprirou para o título):

Parou no tempo e não só porque o cinema esteve fechado e algumas lojas ficaram vazias. Parou no tempo porque o Centro Comercial Turim em Benfica é de um tempo que dificilmente voltará. E como ele, dentro dele, o Cinema Turim, que hoje reabre como novo Teatro Turim. A sua época áurea, como a do centro comercial, pertence aos anos 80 e entra nos anos 90. Vai continuar na cave e, com um novo glamour e o kitsch que não se quis perder, pretende ser um espaço cultural alternativo para "dar palco aos novos criadores" e também espaço de programação infantil.

O sonho é de Anabela Moreira, actriz que aqui viu os seus filmes de infância. O pai, Afonso Moreira, era e é dono de todo o espaço. Com ele e a irmã, Anabela não perdia as matinées infantis, como tantas crianças de Benfica que ainda o recordam como "lugar predilecto" de quando eram pequenas.

A actriz percebeu, há pouco tempo, o fascínio das pessoas pelos grandes espaços, como o Colombo, que levou a que muitos pequenos espaços comerciais - e os seus cinemas - ficassem condenados ao fim ou à decadência. É a pobreza dos bairros ali perto que leva as pessoas a procurar "um mundo onde podem sonhar", diz Anabela Moreira. Nos grandes centros comerciais, "as pessoas têm acesso às luzes, a algum luxo e conforto". Ou pelo menos a ilusão deles. Mas isso não significa que já não se possa dizer "small is beautiful" e que os pequenos espaços não possam reinventar-se e sobreviver.

O Benfica precisa destes espaços e aposto que tem público.

12/05/10

A Quinta da Granja

QUINTA DA GRANJA

Em Benfica a maioria dos monumentos resulta das quintas que se espalhavam pelo território. A título de exemplo salienta-se a Quinta da Granja.

Situada na Freguesia de Benfica, entre a Av. do Uruguai, a Av. Lusíada, a Av. Do Colégio Militar e a Rua Dr. José Baptista de Sousa, a Quinta da Granja já existiria no séc. XVII.

No século XIX, sob as mãos da família Van Zeller, entregavam-se essencialmente à produção de vinha, actividade agrícola que dominava nas muitas quintas agro-pastoris que havia nesta região periférica da cidade de Lisboa. Esta produção foi abandonada na segunda metade do século XIX, altura em que a plantação foi atacada pela filoxera. A partir desta data, a cultura de cereais passou a dominar, o que ainda acontece actualmente na parte da Quinta (a Granja de Cima), que, desde 1824 pertence à família Mesquita.

Este é um dos raros exemplos de unidade de produção agrícola que ainda permanece em actividade na cidade de Lisboa.

Esta actividade pode ser observada na Quinta da Granja de Cima em duas vertentes: - Anualmente pode assistir-se à preparação da terra para a sementeira do cereal que nesta altura do ano (primavera) já começa a amarelecer. Daqui a uns tempos virá a máquina fazer a ceifa à qual se segue a separação do grão da palha. Daí a umas semanas outra máquina procederá ao seu enfardamento. Esses fardos serão transportados para outras paragens.

- A Quinta da Granja de Cima tem vários caminhos que se dirigem para a casa grande, todos eles ladeados por grandes oliveiras nas quais se processa, no Inverno, à apanha da azeitona de uma forma manual. As mantas estendem-se pelo chão ao redor das árvores, varejam-se com uma grande vara. Depois é só tirar a folhagem que caiu e ensacar as azeitonas.

O espaço da quinta também é aproveitado pelo cidadão comum para passear os cães, as crianças, e até mesmo para a prática de aeromodelismo.

Nos terrenos adjacentes (a Quinta da Granja de Baixo), de propriedade municipal, foi inaugurado em 2009 o Parque da Quinta da Granja e que é um novo espaço de lazer e de contacto com a natureza. Aparentemente ainda há muito a fazer na interligação das hortas ali existentes e o jardim propriamente dito, mas o espaço está já muito agradável.

O edifício que se pode ver no ponto mais alto de todo aquele espaço ainda se mantém em ruínas mas há a previsão de que em 2012 deixe de estar ao abandono pois prevê-se que seja ali construída pela Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (ASPA), uma residência de dois pisos destinada à formação profissional e reinserção social de 53 jovens portadores da síndrome de Asperger.

A Quinta da Granja que afinal é composta por dois espaços distintos, é um pequeno pulmão para Benfica e um óptimo espaço onde a paisagem ainda é verde.

Sílvia Souto

08/05/10

O Cinco tostões


Na realidade Chama-se Trovador. O dono não gosta do popular nome que sobrevive na memória do bairro de Benfica.
Assim o diz João E:
"Já relembrei e confirmei. O nome deve-se às mesas de matraquilhos que havia na cave e onde se jogava por 5 tostões"
E não percam os petiscos do Cinco Tostões: Arroz de pato e bifanas por exemplo...A repetir.

03/05/10

Sobre fotonovelas e livros usados














A "colaboradora interna" lá de casa (a Lurdes, que lá esteve 17 anos e ainda hoje somos amigos), também era "apanhada" de fotonovelas - e como nos dávamos bem, pedia-me para eu as ir trocar com ela (pagava-se uma quantia pequena e trocava-se por um número não lido).

Sabem onde é que fazíamos as trocas?

1º - em frente à Igreja de Benfica, no início da Grão Vasco, numa pequena barraca (que também vendia policiais usados, e muito mais ...), junto à antiga praça de táxis (que tinha um telefone dentro de caixa de ferro, pendurada num candeeiro);

2º - em plena Estrada de Benfica, do lado direito de quem vai para lá, na zona da curva antes de se chegar à Gomes Pereira. Era o r/c de uma casa de habitação, cuja entrada estada adaptada a venda de revistas usadas.

Carlos Pessoa Domingos

Fotografia: Vendedora de livros e revistas junto à estação do Rossio, 1967, Sid Kerner.