29/09/10

Mercado de Benfica na Time Out Lisboa


No numero da Time Out dedicado aos mercados de Lisboa, o Mercado de Benfica esta nos dez escolhidos como "um dos mercados da capital que conserva maior movimento dentro de portas".

Para quem não leu o artigo, aqui fica

24/09/10

As quintas de Benfica

Convidou-me a J.F para escrever umas coisas sobre Benfica. Matutei um pouco sobre o que poderia ser interessante escrever e fixei-me no motivo porque comecei a comentar os vossos posts: o revelar de histórias antigas, abrir o baú do sótão e trazer à luz pérolas esquecidas ou desconhecidas. Lembrei-me de algo que havia perto da extinta estação da Cruz da Pedra, antes de rasgarem a Radial de Benfica. Talvez nunca tenham dado por um amontoado de pedras que por aí havia, restos de uma antiga quinta senhorial sobranceira à Igreja do convento dominicano, hoje Igreja da Força Aérea, e do Palácio dos Marqueses de Fronteira. O que sabem sobre essa e outras quintas? Têm fotos desse tempo?

Cristina

Sugestões para o fim-de-semana

A Junta de freguesia de S. Domingos de Benfica propõe uma feira de artesanato e doçaria (coisas de que gostamos) no parque de estacionamento do Centro Comercial Fonte Nova.
Se passarem por la, não se esqueçam de levar a maquina para trocarmos aqui fotografias ;)

21/09/10

" O Parque "


Domingo, 23 de Setembro de 2017
Foto de João Xavier.Não há duas sem três e voltei a este "post" , por razões muito especiais; um grupo de velhos amigos re-encontraram-se cerca de trinta e cinco anos depois , amigos de infância , amigos de adolescência. Confirmámos aquilo que já sabíamos ou seja a sobrevivência das amizades mas o que descobrimos de forma muito profunda foi a consciência da importância desempenhada por cada um na formação das pessoas que somos hoje. Nos idos dos anos 60 a finais de 80 do século passado, as crianças e os jovens passavam muito tempo na rua;  a par das nossas famílias, da escola, eventualmente da igreja, a " malta " foi um  poderoso meio de socialização, o lugar das maiores traquinices, onde pisávamos o risco, mas também nos confrontávamos com os nossos limites, por nivelar  no "corpo a corpo" as ficções e a realidade das outras instâncias. Nós éramos convidados das casas um dos outros , os nossos pais conheciam os nossos amigos, as casas dispunham-se à volta do largo, os prédios com janelas e varandas permitiam comunicar , ver e ser vistos, conhecer . Na fotografia somos alguns de nós mas podemos juntar mais, de diferentes gerações, e esperamos poder fazê-lo na próxima vez, pois será sempre uma descoberta e um prazer.
Fomos protagonistas da história que podem ler abaixo e temos um orgulho enorme de o ter sido, pela minha parte, não quero nada menos do que isso!
..em 1975, vivíamos um processo intenso de participação dos cidadãos em todas as esferas da vida. Os moradores mais antigos do Largo Conde de Bonfim, consideraram que o velho jardim central ao largo, já não cumpria a sua função de espaço de lazer e certamente em comissão popular, aproveitando a dinâmica de um vizinho empresário da construção civil, resolvem dotá-lo ou transforma-lo num parque infantil com uma multiplicidade de novos atractivos, a saber, um campo de jogos com balizas e tabelas de basquetebol, uma pista para atletismo ou bicicletas, um corredor para exercício físico de inspiração militar (subida de cordas, barreiras, equilíbrios…), zona de baloiços, uma biblioteca, pontuado aqui e ali por novos espaços verdes, bancos e mesas, e até um WC. O processo de planeamento do novo parque foi concorrido, muito vivido pelos moradores, em reuniões nocturnas na loja e arrecadação de materiais do vizinho empresário, e onde a malta adolescente também se fez ouvir, representada por um de nós, mais velho, que tinha ido à guerra colonial e voltara. A malta queria colaborar, o largo também nos pertencia, era nos bancos de jardim que nos encontrávamos na nossa adolescência nocturna, estávamos como peixes na água, mas não tínhamos desafogo económico, de modo geral não recebíamos mesadas dos pais, quando um de nós recebia uma nota partilhávamos com os outros e íamos ficando por ali. Toda a gente colaborou para a construção do parque infantil, disponibilizando tempo de fim de semana; o sapateiro deu da sua loja, a electricidade para os trabalhos --- mesmo acabando por ficar com o quadro eléctrico derretido--- os moradores, a mão de obra, o empresário de construção civil o seu saber - fazer especializado e materiais e certamente muitos outros contribuíram mas não me apercebi na altura… Alguns equipamentos lúdicos foram improvisados com materiais de construção, reutilizaram-se as pedras dos bancos que já lá estavam e dispostos em novos lugares e para novos usos, plantaram-se novas árvores. Isto em consonância com a Câmara Municipal já que o novo parque seria vigiado por funcionárias municipais assim como ficaria encarregue da manutenção dos espaços verdes. A nós, adolescentes, caberia a animação desportiva e cultural do parque e foi organizado um calendário de actividades, com horários estipulados, para todas as crianças que aparecessem e delas quisessem usufruir; cada um dos adolescentes monitorizava a actividade da sua preferência, treinos de voleibol, de futebol, corridas de atletismo ( Carlos Lopes era já popular e orgulho de todos nós só batido pelo Lasso Viren em Montreal) , actividades de leitura e alfabetização ( tínhamos um bairro da lata ao lado)… E lá estivemos orgulhosos, nas nossas animações, quando se realizou, a um domingo, uma jornada de trabalho nacional!....

Agradeço ao Srº Adão, sapateiro do largo, a forma tão prestável como em Abril de 2011 cedeu a foto que tinha emoldurada na sua loja e embora já reformado volta ainda hoje ao parque onde o encontrámos neste dia de Setembro sentado num banco pronto a desfiar memórias e tecer as suas considerações e sempre "vivaço" no relacionamento.
Dedico este texto à memória dos antigos moradores.
Aos actuais moradores do largo.
E como não pode deixar de ser, à  "malta" do Largo Conde de Bonfim .

15/09/10

Qual o vosso bolo/salgado preferido?

Porque o assunto das pastelarias de Benfica é, entre outros, um dos preferidos deste Mercado de Bem-Fica e porque o Pastelinho de Benfica já foi aqui várias vezes mencionado, queremos saber qual o bolo/salgado que os nossos leitores elegem desta deliciosa pastelaria. Na fotografia, fica o papel de embrulho dos bolinhos sortidos que não ficam atrás do resto...
...toca a fazer crescer agua na boca...

12/09/10

Sport,Lisboa e Infância


Lugares de jogo da minha infância lisboeta, numa praceta , nos finais dos anos 60 e princípio dos 70, século XX." Vou para o jardim Mãe … " descia em saltos de sete degraus os lances de escada do 3º andar até ao rés do chão. Era o tempo em que o Verão tinha três meses, nas tardes de canícula, a partir das 4 e meia começava o futebol…Circundado por prédios de três andares, o jardim era o espaço mais amplo e apetecível para o futebol da malta, de solo empedrado ligeiramente inclinado mas macio, preferível ao alcatrão da estrada que circundava o jardim e que terminados os prédios confinavam com uma "quinta", lugar de duvidosa garagem, térreas barracas onde viviam pessoas, cresciam ervas por todo o lado, cascalho, cães e carreiros por onde se chegava às azinhagas .
A baliza sul era entre a pedra da bica , e a esquina do ressalto calcário que delineava o caminho de entrada e saída do jardim. Atrás, a Estrada de Benfica dos eléctricos e dos autocarros de dois andares da Carris. A baliza norte era delimitada por um dos lados de um banco quadrangular de pedra calcária, 3x3m, que circundava um canteiro com uma arvore de médio porte no interior. A criançada gostava de subir aquela árvore e lá ficar empoleirada, a salvo, provavelmente do mundo dos adultos, sítio para pensar ou apenas estar…
Nessas tardes intermináveis, os desafios, muda aos cinco acaba aos dez em regime de sessões contínuas, eram jogados por todos com entrega total, uns mais novos, outros mais velhos, e por vezes, juntava-se a nós um ou outro adulto , abrindo um parêntesis nessa sua condição. As contribuições dos crescidos que não resistiam a entrar em partidas tão renhidas eram por vezes assaz cómicas, como por exemplo o livre marcado " à Eusébio ", cheio de balanço, por um dos mais velhos que já tinha ido "às sortes" ; perante barreira assustada o remate acabava por parir um rato pois a bola voava por cima da arvore indo parar à loja do sapateiro no topo da praceta enquanto era o próprio sapato do marcador de livres a entrar na baliza improvisada. E era tudo a rir...Ou então o adulto obeso, de fato, resolve entrar na jogatana da malta, pleno de entrega, e desfaz-se em suor o que leva algum tempo para se dessedentar e recompor da camisa alagada e do pó nas calças. O jardim era nestas tardes verdadeiramente multi-usos pois enquanto a miudagem jogava à bola, nos bancos dos jardins, linhas limite de um lado e de outro do campo de jogo, avós sentavam-se com os seus netos normalmente crianças pequenas, criadas namoravam com magalas, … Por vezes a bola ressaltava na cabeça da" netinha ", iniciando o choro compulsivo da criança, a indignação da avó e as desculpas do "infractor" apressadas pela febre da refrega futebolística que urgia.
Esta actividade futebolística no jardim era pois actividade proibida . Os jogos desenrolavam-se na incerteza do aparecimento sub-reptício do encarregado da jardinagem, alcunhado como "o mau", capaz de nos subtrair a bola, de a retalhar com um canivete, aí tudo parava, escondia-se a bola "assobiava-se para o ar". Mas a cegada maior era quando aparecia a polícia, "a bófia", "os chuis", havia a possibilidade difusa de ir parar à esquadra, e aí é que era debandada da malta, em corrida desenfreada em direcção à quinta, por onde nos embrenhávamos em dias de maior aflição, ou escondendo-nos nas escadas dos prédios com portas ocasionalmente abertas.

dedico este texto à malta do " Conde de Bonfim "

04/09/10

O Jaime jornaleiro

Ardina, miradouro de São pedro de Alcântara
(imagem retirada daqui)


Há quarenta anos atrás existiam jornais vespertinos em Lisboa, o "Diário Popular", o "Diário de Lisboa", a "Capital"… Imaginemos os putos ardinas, carregados, a descerem a Calçada da Glória, desde lá de cima do Bairro Alto, onde eram impressos os jornais, a disputarem serem os primeiros a chegar com as notícias da tarde aos Restauradores. Não sei como é que os jornais chegavam do Bairro Alto à Estrada de Benfica mas sei que os podíamos comprar numa papelaria ao pé de mim; era o Srº Ferreira, que vendia para além dos artigos de papelaria diversos, os jornais e as revistas, os cromos, os jogos de tabuleiro para crianças, as brincadeiras de Carnaval na devida época e onde a um canto da loja uma senhora apanhava malhas de meias sob o foco de um candeeiro pequeno. Também se compravam jornais numa outra loja, perto da pastelaria "Colmeia", e mais tarde numa banca perto da cervejaria "Belmar". Mas os jornais também eram vendidos na rua, pelos jornaleiros de saco a tiracolo, a quem os quisesse comprar ou eram mesmo entregues ao domicílio; não sei se eram todos os jornaleiros que o faziam, mas um deles, um jovem de nome Jaime (sabia o seu nome ou vim a sabê-lo muito mais tarde quando "abriu" a "Fangela", papelaria e livraria de São Domingos de Benfica) fazia -o de um modo único, assim ; ao fim da tarde começávamos a ouvir o pregão " Popular...!!! " , “Olha o Lisboa …!” e aí vinha o Jaime jornaleiro pela Estrada de Benfica , em passo muito rápido a entrar no Largo Conde de Bonfim, concentrado, já a dobrar o jornal em forma de disco, objecto voador quadrangular, que arremessava em andamento, sem "show-off", para os fazer entrar nas varandas ( sem marquises à época) dos prédios dos clientes, com precisão igual quer se tratasse do terceiro andar, segundo ou primeiro . Raramente falhava . Depreendo agora que a maioria dos clientes pagariam à semana ou ao mês mas também me lembro de vizinhas entretanto assomadas à varanda a atirarem a moeda para o jornaleiro na rua. E lá ia o Jaime, no seu passo muito rápido de volta à estrada de Benfica!

Texto de João Carlos Xavier

03/09/10

Vizinhos (ou Dona Lurdes)


Uma das coisas que me fez vir viver para este sítio foi o facto do meu prédio não ser demasiado alto. Apenas três andares e assim todos os vizinhos se conhecem. No início disseram-nos: "é como se fossemos todos uma família" e passados quatro anos constato que há alguma razão na afirmação que, na altura, me pareceu exagerada.
O rés-do-chão com um casal novo de um lado e do outro, uns avós onde, por vezes, os netos brincam no pátio. No 1º andar, o senhor que é taxista com a mulher e duas filhas (que entretanto já saíram de casa) e a vizinha de 90 anos que foi viver com o filho. No 2º andar vive a personagem mais caricata do prédio: uma senhora que já está muito surda, mas que é muito faladora e divertida. Quando nos vê assusta-se sempre, porque não nos ouve chegar e só já nos apanha mesmo ao pé dela: "Ai que susto!" e continua: "Assustei-a não foi?" (acha que ela própria nos assusta com o susto dela!).
Também no 2º andar, mesmo por baixo de nós, a Dona Lurdes vive com o marido que já não pode sair. Têm um relógio que dá as horas, as meias-horas e os quartos e confesso que me foi difícil habituar ao princípio. Embora não seja a administradora é a Dona Lurdes que toma conta das coisas mais práticas do prédio: a senhora das escadas, o limpa-chaminés, algumas da contas necessárias. Quando chego a casa ela está à janela e, por vezes, como vê que venho carregada com o bebé e com sacos, abre-me a porta lá em baixo. Outras vezes ouve-nos subir e espera à porta para ver o Manuel e perguntar se tudo vai bem. Diz sempre: "É muito bonito!". Um dia confessou-me que tinha engravidado por duas vezes, mas os bebés nunca chegaram a nascer. Ela e a senhora que ouve mal (também é Lurdes) são chegadas e têm grandes conversas (ou monólogos) no prédio. Sei que, de manhã, alguém deixa o pão à porta da Dona Lurdes e que o Sr. Alexandrino, da mercearia, lhe vem também trazer as compras. É uma vizinha simpática.
São todos vizinhos simpáticos!

Ontem, quando vinha a chegar do emprego a Dona Lurdes não estava à janela. Quando dei o primeiro passo para entrar no prédio vinham os senhores da funerária a descer com um corpo. Recuei, subi a rua uns metros e fiquei à porta do café. Pensei que tinha sido o marido que já estava doente, mas quando saíram reparei que o corpo era demasiado pequeno. "Tão pequenina, coitadinha!", comentou alguém. Perguntei ao sr. Nunes, do café, se tinha sido a Dona Lurdes. Ele disse que sim.
Durante a noite, fui imensas vezes à janela espreitar para baixo: às vezes via-a estender a roupa ou apanhar fresco. Hoje não havia pão à porta. O relógio já não bate.

01/09/10

Livraria Números Simétricos

Apetecia-me guardar este post para Setembro. Para mim há dois principios de ano, em Janeiro, quando começa o ano oficial e Setembro quando (re)começa a vida apos dois meses de silly season...


Estas fotografias, como quase todas, foram tiradas em Maio, num dos dois sábados das minhas férias. Por ali abaixo, depois do café no Mimo de Benfica e antes da história do Arabesco. Tinha sabido pela Gilia que o Sr. Jaime tinha aberto uma livraria por detrás do cabeleireiro e estava cheia de curiosidade de vê-la. Cumprimentei a senhora que estava ao balcão e fui observando por ali adentro. A memória atraiçoa-me um bocadinho, porque já passaram alguns meses... mas assim não conto tudo para os leitores do Mercado de Bem-Fica terem vontade de lá ir espreitar.

Já devia passar do meio dia, e a livraria estava silenciosa. Depois de visitar pus-me à conversa com a senhora, pedi-lhe algumas informações suplementares sobre aquele novo espaço e perguntei-lhe se podia fotografar a loja para pôr num blog que fala sobre Benfica e São Domingos de Benfica. Ela aceitou, gentilmente, e sairam estas fotografias. Afinal, como já foi contado aqui no blog ou na pagina do Facebook foi uma antiga funcionaria do Sr. Jaime que lhe comprou o negócio e assumiu de um lado a papelaria/tabacaria e de outro a livraria. Parece que a clientela é habitual e como há muitas escolas à volta a livraria costuma ter movimento.


Apostar numa livraria de rua, nos dias que correm, é de louvar... numa cidade (para não dizer um país) em que, aos olhos da maioria das pessoas (não todas, claro) que compra livros existem praticamente duas livrarias, em que o mercado editorial foi completamente monopolizado, em que “a grande livraria portuguesa” deixou de fazer o desconto inicial que levava centenas de pessoas a comprarem ali... e em tempos em que nos apetece voltar ao comércio tradicional, poder sair à rua sem ter o sentimento de que se mora num dormitorio, é de dar valor às livrarias de bairro, com atendimento simpatico e personalizado...


Numeros Simétricos, uma livraria em São Domingos de Benfica
Estrada De Benfica, 333-B / 304-B, Lisboa, Lisboa 1500-075 Lisboa