23/10/10

Onde bem fica este lago?



Visto de cima Benfica continua a ser Benfica e a continuar a surpreender-me.
Benfica ainda esconde encantos por revelar e que lhe bem ficam.
Tirei esta foto de um lago octogonal, vazio, com aproveitamento, segundo me parece, de água no nível inferior.
Sei bem onde fica mas não sei como se designa o local onde se situa.
Quem sabe onde fica?

Caro Simone acertou em cheio!
Trata-se de facto do Lago existente na Quinta das Alfarrobeiras e do Palácio Ludovice, localizado na Rua António Saúde, no Calhariz de Benfica, atrás do Califa.

Ficam aqui mais umas imagens do sítio.




21/10/10

Os jogadores de futebol do Benfica


Até aos primeiros anos da década de setenta, o futebol era muito central na vida dos portugueses, circunscrita que estava a sua liberdade para outros assuntos mais importantes.
O Sport Lisboa e Benfica era vencedor sem grande oposição a nível nacional. Eu, com 10 ou 11 anos, pensava muitas vezes que era "especial", beliscava-me. Como é que se poderia ter tanta sorte ? Ser do clube campeão ( tantas vezes ) no país e no estrangeiro, de ter familiares tão ligados ao futebol do clube, e de viver tão perto do Estádio da Luz?
Tinha por vezes compaixão silenciosa pelo meu tio Vilas, o único sportinguista da família, que apanhava robalos nas pescarias desportivas nas marginais dos seus tempos livres e que entristecia , manso, nas discussões familiares sobre bola.
De São Domingos a Benfica estávamos no centro futebolístico da simpatia e da paixão clubista, muitos jogadores moravam lá,
como no dia em que vi entrar na sala de aulas do externato, o Cavém, bi-campeão europeu, com o filho, e o professor a perguntar se alguém sabia o nome daquele senhor e eu a saber muito bem que ele jogava com o número dois nas costas e a fazer um brilharete respondendo sem hesitação, como a mais nada, respondi na ponta da língua na escola primária,
podíamo-nos cruzar com o extremo esquerdo Simões," o rato atómico", ao pé do Califa, ainda incrédulo a tentar explicar por gestos a um amigo, as palavras não serviam, como é que na véspera , depois de se recuperar três golos ao grande "Celtic" se perdeu ingloriamente com uma moeda ao ar,
passávamos na praça Drº Nuno Pinheiro Torres a caminho da escola e olhávamos sempre embasbacados para o SAAB, amarelo canário do Eusébio,
" Passem a bola ao preto …! " era o que eu ouvia nos momentos mais difíceis dos jogos mais decisivos, a meu lado nas bancadas, quando tudo parecia perdido, a esperança da multidão condensava-se
nos seus movimentos, como uma pantera , Eusébio da Silva Ferreira,
" Passem a bola ao preto..." era um pedido e um reconhecimento, dentro do campo só não estava em pé de igualdade com os outros porque era o melhor.
Nos "furos" da escola preparatória, eu e os meus colegas iniciámos umas escapadelas ao antigo estádio da Luz para ver os treinos do "Benfica" e aproveitávamos para pedir autógrafos aos jogadores e admirar as " máquinas" em que se transportavam . Conhecíamos bem o estádio e os portões gradeados do lado do 3º anel que aos dias de semana estavam abertos e pelos quais nos esgueirávamos infiltrando-nos dentro do estádio, raramente avistando funcionários do clube, para nos instalarmos à socapa nos camarotes a assistir aos duros mas divertidos treinos ministrados pelo treinador inglês Jimmy Hagan, e às destrezas de Néne, Jordão, José Henriques , Bento e muitos outros .
Corria tudo sem problemas, excepto no dia em que os "penetras" no treino se manifestaram com pouco recato e com menor admiração pelas execuções dos craques, assobiando e apupando, o que apanhou desprevenidos os jogadores que não se sabiam observados e que estavam num curto período de resultados menos bons. E vai daí, com tamanho "stress" profissional, o Simões, na altura um dos jogadores mais veteranos, começou a lançar imprecações na nossa direcção, que àquela distância, fazia lembrar os balões sem palavras da Banda Desenhada com bombas de pavio acesso, correntes, frascos de veneno e raios o que provocou a nossa rápida retirada. A revolta dos ídolos era coisa difícil de sustentar...

19/10/10

Teatro Turim



Ja aqui falamos algumas vezes no Teatro Turim. A reabertura das suas portas foi muito bem acolhida por todas as pessoas, sobretudo pelos moradores das freguesias de Benfica e S. Domingos de Benfica. O Teatro Turim parece estar a tornar-se num verdadeiro polo de cultura e trouxe mais vida a estas duas freguesias.


Para conhecerem a programação poderão visitar o site do Teatro Turim ou aderir à pagina deles no Facebook onde descobri esta interessantissima oferta.
Espreitem, vale a pena!

17/10/10

São Domingos de Benfica ontem e hoje (6)




A primeira fotografia é de 1961 e é da autoria de Augusto de Jesus Fernandes (AML). A segunda fotografia foi tirada por mim em Maio de 2010. No dia em que a tirei lembro-me de ter pensado que nunca tinha reparado bem neste edificio, e no entanto, ele é bem visivel e muito bonito. Azulejos brancos e azuis, uma porta grande, também bonita e azul. Nunca reparei bem nele porque sempre que por aqui passava reclamava por haver sempre carros em cima do passeio. Portanto, no dia em que esta fotografia foi tirada tive uma sorte exatraordinaria, não havia ali nem um carro e fiquei alguns minutos do outro lado da estrada a admirar os azulejos e as cores. Não sei qual é a historia desta casa, não sei se pertence a particulares (ao pesquisar na internet, entre outras, encontrei esta informação), mas é mais um dos poucos edificios de outros tempos que resta em São Domingos de Benfica.

07/10/10

O bilhete " operário"




Em 1970 havia um eléctrico que vinha de Sete - Rios, provavelmente do Arco do Cego, e terminava no Calhariz de Benfica perto do local onde se viria a construir o "Califa ". Mas o que me interessava mais era o eléctrico que continuava e que seguia para as Portas de Benfica e que me levava para a Escola Pedro de Santarém. O bilhete normal custava 50 centavos. Havia uma variante desta carreira, o "operário", que se podia apanhar antes das oito horas e que permitia adquirir uns bilhetes sub-compridos que permitiam ir e voltar, por 80 centavos; poupava 20 centavos que me davam para comprar uma carteira de cromos.
Para isso tinha que me levantar mais cedo, no Inverno ainda era de noite antes das oito, às vezes com frio e chuva… custava acordar... mas havia um bónus à espera . Eu sabia que o eléctrico passava entre os 15 e os 10 minutos antes da hora certa, saía a correr de casa virava a esquina , dava uma corrida e lá vinha o eléctrico ainda com as luzes acesas do letreiro superior indicando a direcção e a desejada indicação lateral "operário". Quando não o conseguia apanhar, tinha que comprar o bilhete de tarifa normal, 50 centavos, e se queria utilizar os outros 50 centavos que me davam para os transportes, para outro fim de divertimento pessoal, " vício" coleccionista ou outro, arriscava andar "à penda". 
Entrava na porta oposta à da presença do pica bilhetes de preferência em eléctricos cheios ou de duas carruagens, sabia-se o percurso bem, os sítios onde se podia saltar com mais segurança, ou seja, onde o eléctrico não dava tanta "mecha", e saltava-se à aproximação do pica bilhetes. Para fazer o percurso inteiro, se ainda estivéssemos longe do destino, apanhava-se o próximo eléctrico , se tivéssemos sorte…se não, ia-se a pé. 
O que eu não podia saber na altura, aos solavancos, no "operário" pela estrada em direcção a Benfica , a pensar na colecção de cromos da bola ou na futebolada que iria disputar, é que na direcção oposta para Sete Rios já tinha passado há uns minutos num outro eléctrico, uma miúda que para apanhar o bilhete operário, e amealhar para, enfim, pastilhas, gelados, cromos, bolas de Berlim, se tinha levantado às 7 e trinta da matina , à revelia da mãe, para chegar à Escola Pedro de Santarém feminina, em Sete Rios, e depois esperar à porta ,meio adormecida, pela abertura do estabelecimento escolar.




Texto de João Xavier e contributo da São Marques. Foto de Goulart, AML

As séries de TV do Bairro de Santa Cruz



"Os Vingadores" foi a minha série de televisão preferida, a seguir à melhor de todos os tempos: "Danger man" .

Os Vingadores conseguiram durar de 1961 a 1969, sendo uma das séries mais longas de TV no mundo ocidental, sempre no âmbito espionagem, posteriormente com algo de ficção-científica.
Todos os anos haviam alterações, mantendo em comum o impecável John Steed (Patrick Macnee), com o seu chapéu de coco, o guarda-chuva e o fato de 3 peças de Saville Row, mais  o seu Bentley descapotável de 1924. O tema de música inconfundível também se foi mantendo, as grandes alterações foram as amigas de Mr. Steed: os nomes mais conhecidos eram a Tara King e a Mrs. Peel, sendo todas uma colaboradora colorida, atlética e destemida.

Ao longo das diferentes séries, geralmente de um ano, ia mudando o genérico e a tal amiga. A que durou mais tempo foi uma morena de cabelo curto engraçada a partir de 1967, no papel de Tara King, mas aquela que ficou no coração da malta do Bairro de S. Cruz, foi a Diana Rigg - e o seu Lotus Elan vermelhinho. Entrou em 1965 com a cor nas televisões dos países mais civilizados, quando os americanos emitiram os episódios em horário nobre, e foi mais tarde uma das celebérrimas Bond Girls (talvez a mais famosa a seguir à suíça Ursula Andrews, que saía do mar num biquíni branco molhado, e com um punhal à cintura – mas isso é outra história…).

Para se ter uma ideia da fama e simpatia dos vingadores pelo mundo inteiro, anote-se que chegaram a ser emitidos em 90 países diferentes. A série ainda entrou pelos anos de 1980, mas numa versão alargada a três intérpretes, que não teve tanto êxito.

Quanto aos genéricos, o das mãos a manipular as cartas era o que eu mais gostava....

Texto de   Carlos Pessoa Domingos

Ir para Benfica


 



Duma pequena agenda pessoal e incluída nas  indicações de utilidade, eis as carreiras de eléctricos e de autocarros de Lisboa em 1954.
Clicai na imagem e ampliai.

Ora encontrai os eléctricos que serviam Benfica.

06/10/10

Casa romana em Lisboa! Onde fica?

Sempre gostei dos termos e dos conceitos de implúvio, complúvio e peristilo.
Para muitos pensar em romanos é pensar em guerreiros, conquistadores, invasores ou, na mesma linha de pensamento, imaginam Asterix, Obelix e companhia a despachar uns quantos legionários romanos parvos.
Contudo, para mim romanos é implúvio, complúvio e peristilo. Conjugação da organização construtiva da habitação romana. A casa romana organiza-se para um pátio interior, o peristilo, onde se situa um tanque, o implúvio, que recolhe e armazena as águas que escorrem dos telhados, os quais formam a abertura de arejamento e de iluminação necessária à habitação, o complúvio. Na casa romana não existem janelas abertas para o exterior do edifício.



Dou comigo a pensar: Se a casa romana se organiza por dentro, sem janelas ou ‘montras' para o exterior, porque é que não nos organizamos assim? De dentro para fora, dando importância à nossa organização interior e minimizando a importância do que se mostra para o exterior! Bom, mas isso é outra loiça!
Estava muito bem descansadinho da vida quando dou por mim a olhar para um edifício baseado no conceito construtivo de implúvio, complúvio e peristilo! Uma casa romana em Lisboa!

Quem sabe o que é este edifício e onde fica?

03/10/10

" O Estádio "


O antigo estádio da Luz foi um local importante na geografia da minha infância, pois morava muito perto dele, num largo à estrada de benfica. Com os tempos, aprendi a "ler" os sons que vinham do estádio, como se fosse um índio a decifrar sinais de fumo na pradaria; a imagem não é completamente fílmica porque entre a minha casa e o estádio existiam quintas dedicadas à agricultura e lacticínios, campos de trigo e vacarias, ligadas por azinhagas empedradas, e que prolongavam a antiga Rua dos Soeiros, da estrada de Benfica à estrada da Luz . Mesmo que não tivesse ido à bola, perscrutava os sons desde o meu largo e interpretava-os, sabia se tinha sido golo do Benfica, qual o nível do entusiasmo das exibições e das vitórias, a irritação protestativa do público quando as coisas não corriam bem ou o silêncio barulhento dos maus resultados, os golos dos adversários nos jogos importantes. Comecei a aprender muito cedo, a primeira vez que fui ao estádio da luz em dia de jogo , tive medo, era muito pequeno, assustei-me com os gritos do público, os pés das pessoas contra o cimento das bancadas do terceiro anel, as manifestações efusivas aquando da marcação dos golos, talvez os protestos contra as decisões do árbitro e o bruáá desesperado quando a bola não entrava.
Hoje quando vou à bola no novo Estádio da Luz , já não vou pelas azinhagas de que restam apenas vestígios e já não passo pelas poucas quintas que sobrevivem mas se olhar com atenção para a direita na entrada dos Altos dos Moinhos do novo estádio sei exactamente onde se erguia o antigo Estádio da Luz.
Se "olhar com atenção", o meu avô ainda lá está a meu lado nos lugares cativos por baixo do 3º anel, nos dias e noites de jogos grandes, os vizinhos da bola a apertarem-se na bancada para o puto se puder sentar, o avô a dar joelhadas reflexas no neto, querendo muito chegar àquela bola, em movimentos inscritos no corpo de futebolista da década de trinta, enquanto mastigo rebuçados, é prá tosse otimel, é prá tosse , e o vizinho da fila de baixo à esquerda, o da voz rouca, desenrola o farnel ,
tínhamos que ir mais cedo nos jogos grandes, mesmo os sócios com lugar cativo como o meu pai e o meu avô, o estádio com sessenta mil pessoas esgotado,
farnel a sério com garrafão de 5 litros, o vizinho da voz rouca a oferecer do farnel, e a sorrir, enquanto o jogo não começava, e eu a pensar agora, que nunca lhe ofereci um rebuçado para a tosse,
nos jogos europeus a emoção era muita, era o somatório dos resultados de dois jogos, tínhamos estado em vantagem e agora já não, mas veio o terceiro golo e foi a alegria total, tudo a abraçar-se, mas o vizinho da fila de baixo à esquerda deitado com a comoção,
façam-lhe respiração boca a boca,
felizmente foi passageiro,
deixe lá o farnel e o garrafão de 5 litros,
o jogo a continuar e logo a seguir o Benfica faz 4-1 e depois a marcar o quinto, o delírio total,o vizinho ainda não estava bem recuperado, voltou a vacilar, mas nenhuma sombra passou pelo estádio…
Se fechar os olhos e me concentrar, acho que ainda posso ver o que via quando,
depois de uma soalheira tarde de bola na Luz , descendo a rua dos Soeiros com meu pai até à estrada de benfica,
fechava os olhos , ainda com as retinas impregnadas do verde do campo , das camisolas berrantes e de luz intensa e clara.