23/02/11

Post aqui



É bom, faz-nos tão bem, entrar aqui no Mercado e ver estas bancas coloridas cheias de memórias e descontraidamente apresentadas.
Que bom que é ver, ver-nos, revermo-nos nas imagens e nas histórias que aqui se postam.
Aqui vim, aqui fiquei, aqui estou! Gosto de mercadar convosco em Bem-fica
Parabéns a todos os fregueses e mercadores deste mercado.

Memórias de outros tempos

Viva!

Parabéns a todos os Mercadores de Sonhos e palavras( expressão feliz)!

Tenho vindo a recuperar as memórias da minha infância à medida que vou lendo as vossas. Tem sido fantástico este regresso ao passado. Não sou propriamente saudosista, mas gosto de lembrar o tempo em que tinha tempo, que inventava tudo e mais alguma coisa, que o meu mundo era ali, na Cecília Meireles, e os amigos eram os mais fantásticos companheiros de aventuras. Ali fui Índia e "cobóia", saltei ao eixo e à corda, aprendi a andar de bicicleta rua abaixo, escrevi alguns poemas e sonhei. Talvez, por isso, venha aqui amiúde para continuar a sonhar convosco. A sonhar com os pirilampos da mata de S. Domingos, quando aí se podia ir à noite, pela fresca, buscar água. A sonhar com o tempo das mercearias, dos gelados de máquina da Casa da Selva, com o cheiro a pão da padaria do Sr. João, com o tempo dos penduras e do chiar dos eléctricos estrada fora.
Aqui tenho sido feliz e tenho aprendido que a vida é uma grande viagem no tempo com muitas paragens e óptimos encontros.

Obrigada J. pelo convite.

Os Barbeiros de São Domingos de Benfica

Acordo cedo. Tenho encontro marcado com uma amiga. Penso que me apetece fotografar a azáfama dos sábados de manhã, mas hoje não tenho tempo.


Vou à papelaria / tabacaria “Cave” comprar o jornal e vejo as mesmas caras de sempre, no entanto, não consigo recordar-me do nome, talvez um dos senhores se chame Carlos. Sento-me no café do Sr. João, só estou eu e um casal. Peço o costume: um café, um copo com água e um bom bocado. Vou folheando o jornal. Começam a chegar clientes, todos eles habituais, porque todos trabalham do outro lado da estrada.



Entra um dos barbeiros, vem um dos senhores da Cave e chega outro barbeiro. Pedem 3 cafés ao Sr. João. Gera-se ali um pequeno conflito amigável porque todos querem pagar, mas hoje paga o Sr. Ricardo porque os outros pagaram nas manhãs anteriores. Olho para os barbeiros, conheço estas caras desde pequena, de vê-los refeltidos no espelho, compenetrados a cortarem os cabelos, ou de vê-los à porta à espera de clientes. Através da vitrina do café olho para a barbearia. Gosto do espaço, é um bocadinho à moda antiga. As cadeiras são bonitas, forradas a vermelho, os utensilios parecem-me todos vintage. Os barbeiros, que devem ter cortado cabelos às mesmas pessoas aos 10, 20, 30 e 40 anos... quem, das pessoas que vivem em S. Domingos de Benfica, nunca tera cortado o cabelo neste salão?

Penso que um dia deste os senhores se reformarão e que certamente não terão filhos que queiram perpetuar o negócio. Talvez daqui a poucos anos, nasça outra coisa no lugar do barbeiro... mas gostava que ele ficasse ali para sempre, é um lugar que esta nas minhas recordações e sempre no meu caminho quando vou para casa.

Benfica do meu coração



Desde miúda, que  a minha visão da capital passou por Benfica. Era aí que vínhamos, nas férias ou fins de semana, a casa dos meus irmãos e também foi  aí  que os meus pais compraram um apartamento por volta de 1978. Deslizava acima e abaixo, pela Avenida do Uruguai, adorava os jesuítas da Evian, os livros da Ulmeiro, comprava coisas para a casa nas lojinhas de bairro, divertia-me nos cafézinhos que rodeavam a Joaquim Manso, não dormia nos meses das Festas da cidade ao som dos Kapas e do Charquinho. Por tudo isto e pela memória cheia de afectos,de recordar a minha família toda junta alegremente a almoçar no Edmundo ou no Tonga, das animadas viagens de autocarro com os sobrinhos pela mão, dos cheiros e do sol e de tudo aquilo que é felicidade pura e também tristeza que se lhe associa, tudo isso vivi em Benfica. Foi uma zona que me acolheu, criou e me fez lisboeta.
Foi há três anos que a Joaninha me convidou para este blogue e foi com gosto que aceitei. O tempo passa, as memórias essas permanecem, inexplicavelmente porém os afectos crescem, como se a vida nos afagasse e tornasse mais amáveis. 
Parabéns pois então a nós todos, mercadores de afectos e de lembranças. Que o Mercado continue de portas abertas a todos os que desejem a nós juntar-se e muito particularmente um mimo especial à Joaninha, ideóloga deste projecto.

Fragmentos

Neste aniversário, o Mercado de Bem-Fica merece um post diferente, uma espécie de "meta-post", um post sobre os post's publicados nestes três anos, sobre os seus conteúdos , sobre o exercício de escrita, de leitura e de registo visual e os efeitos que isso tem em nós próprios e nos outros. Que me desculpe o "Mercado", por me faltar agora o engenho e a arte, mas os meus votos são o de uma longa vida em que continue a dar conta da "borbulhante sabedoria das ruas" e a despoletar recordações de pessoas, comércios e histórias ... Gosto de acreditar que para saber para onde vamos, temos de saber de onde viemos.


Nem quero acreditar quando olho para esta fotografia e passados 45 anos começo a dizer os nomes dos colegas de escola primária, que nunca mais vi. Dinis, Ramalheira, Baptista, Domingos, Carrilho, Francisco Mattoso, Luís Coelho, Fernando Paulo, Lima, Frias, Vítor, Alfredo, Roque, Diamantino... Fico espantado por me continuarem a ser tão familiares…

Lembro-me de estar com eles a jogar " à palmadinha ", nos degraus para o recreio, no quintal das traseiras, com os rectângulos de papel estampados com os jogadores de futebol, depois de comer os rebuçados lá embrulhados e que se compravam na loja, retirados de uma caixa quadrangular de folha que quando acabasse dava uma bola da "cautchú" ( "cade- chumbo" como eu dizia, por ser pesada a chutar) .

Lembro-me de nos divertirmos aos sábados de manhã, havia escola até à hora do almoço, o professor organizava corridas e saltos com canas de bambu grandes, que eram usadas como fasquias para saltos individuais e de grupo, no passeio frente ao prédio do externato.

Jogávamos ao eixo, à barra do lenço, ao "jogo do alho" , alho 1, alho 2, alho 3… ao "Senhor Barqueiro". Na época do hóquei arranjávamos umas tábuas a fazer de sticks, jogávamos à bola até com tampas plásticas, com bola não podia ser por causa dos vidros das janelas.

A escola , na Praça General Vicente de Freitas, tinha um quintal que confinava com a Rua Inácio de Sousa, onde ainda não existiam os prédios que hoje lá existem ao fundo da rua, uma ou outra vivenda .para quem vem da estrada de Benfica, só começava a haver prédios outras vez, virando à esquerda, na Rua Conde de Almoster . Para a direita, na direcção da estação de comboios de São Domingos de Benfica não existiam prédios nem estrada, apenas campo, e a linha de comboio um pouco mais ao fundo. Para um miúdo que vivia no Largo Conde de Bonfim junto à estrada de Benfica , esta zona por onde também se acedia à Mata de São Domingos de Benfica era verdadeiramente o" mundo exterior", lugar para o qual não tinha permissão de me deslocar , mas onde se jogavam partidas de futebol com os miúdos de outras ruas ou largos. Onde se jogava com a bola de cautchú e onde pontificava um craque da equipa adversária, de seu nome" Eusébio".

Post do Xavi

Pelo Mercado de Benfica (2)

Dona Elvira e Rui Miguel
Mais uma passagem pelo Mercado de Benfica, desta vez para vos apresentar a banca de peixe congelado da D. Elvira e do Rui Miguel. Ela, sempre pronta a sugerir e a explicar uma receita culinária. Ele, falando da qualidade do produto. Da cor, de onde vem, como é congelado, como se distingue se foi salgado ao sol ou na es...tufa, no caso do bacalhau, etc. Tenho aprendido bastante. A variedade é grande e vai desde a pescada do Chile, a minha preferida, passando pelas ovas, as de bacalhau e as de pescada (que são diferentes no formato), até ao espadarte e ao atum, todos eles, se for caso disso, minuciosamente cortados às postas à vontade do freguês. Visita obrigatória.

Post de J.E

Pelo Mercado de Benfica (1)

D. Amália e o Sr. António
 A primeira (na realidade são duas que consegui juntar numa só :) ) de algumas fotos que espero tirar nas minhas visitas regulares ao Mercado de Benfica. A D. Amália e o Sr. António. Batatas, cebolas, alhos, todas as variedades de feijão e além de outros produtos, alguns de origem africana, como por exemplo, a mandioca e o jindungo. A clientela é variada e fiel.

Post de J.E

20/02/11

O Mercado de Bem-Fica faz 3 anos na proxima quarta-feira!

Se, como nos, gosta de deslizar pelo bairro, se as ruas, os comercios, as pessoas, lhe trazem recordações, mesmo que sejam breves, escreva uma historia e envie-a para mercadodebemfica@gmail.com.

No dia 23 de fevereiro presentearemos o Mercado e todos os leitores com os vossos e com os nossos textos, publicando-os no blog!

"Deslizemos por Bem-Fica e deste bairro saudemos o passado, presente e futuro, duma forma colectiva e sorridente.
O seu contributo é indispensável"

06/02/11

Feira da Ladra em Benfica




Depois das compras domésticas despachadas é correr para a Livrarte. Fantásticas compras:) Agora é tempo de sofázar e saboreá-las. E não se esqueçam, a Feira da Ladra hoje é em Benfica, na Avenida do Uruguai, 13 A.