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10/09/11

Bairro do Calhau


Do Bairro do Calhau tenho poucas recordações. Lembro-me de uns amigos do tempo da escola que lá viviam. Sabia que o Bairro do Calhau ficava do outro lado da linha do comboio e, nessa altura, não havia passadeira aérea para lá se chegar mais rapidamente. Tinha que se ir até à “fonte”, onde muitos benfiqueiros faziam fila para se abastecerem de agua aos sabados de manhã (diziam que era melhor), e depois, então, voltar para trás.










Durante muito, muito tempo pensei que o Bairro do Calhau fossem aquelas casas que ficavam mesmo ao lado da antiga entrada para a Mata de S. Domingos de Benfica... alias, o que conheço desse lado de S. Domingos de Benfica descobri, de passear a olhar e com imensa pena minha por ser tão tarde, so ha coisa de 3 anos. Quando vou a Lisboa preciso de regressar sempre com imagens, na maquina fotografica, na minha cabeça, mas as fotografias, so as tiro no ultimo dia.














Peço ao meu irmão para ir comigo e peço-lhe para entrarmos por aquelas ruas pequeninas, estreitas, tão familiares. O Bairro do Calhau é um pedaço de tranquilidade na cidade, um mundo à parte... não me dissessem os meus olhos que estavamos em Benfica, não acreditava que podia existir um lugar assim. No silêncio da tarde passeamos de carro pelo bairro, tão calmo, com a roupa estendida em frente às portas, vasos pequenos a decorar as bermas das ruas, flores que se vêem por cima dos muros das casas... tudo tem cores tão doces... as casas baixinhas, umas mais modernas do que outras, pintadas de amarelo e cor de rosa, que acabam por misturar-se com o azul do céu e com a luz do sol...

















... e depois, toda a historia desta sitio... e o novo que se mistura com o antigo...

06/03/08

Palácio Fronteira

Quantas vezes passei por aqui sem saber que era o Palácio Fronteira ou Palácio dos Marqueses de Fronteira... aos fins-de-semana lá íamos nós Serra do Monsanto acima em direcção ao Parque do Alvito, o parque com os baloiços que voavam mais alto... nos dias que antecediam as férias grandes e na "rentrée" era um alarido à porta do Palácio, centenas de carros, pais e crianças, abraços, beijos e lágrimas... e eu pensava que aqui era a casa dos "pupilos do exército", aqueles rapazes sempre muito direitinhos de farda cinzenta e chapéu...
Há pouco tempo atrás recebi um mail com a informação de um debate que teria lugar precisamente neste Palácio e foi aí que comecei a olhar para ele com outros olhos... e mais tarde, no livro de José Cardoso Pires fiquei surpreendida de ver São Domingos de Benfica naquelas páginas... ele dizia assim...

"Longe, noutra Lisboa, São Domingos de Benfica, existe um bestiário-mistério guardado em palácio há mais de trezentos anos.
Está envolvido em jardins e floresta na base da Serra do Monsanto e tem um aval de marqueses ilustrados a dar-lhes majestade. Palácio Fronteira, eis o lugar. Como arquitectura, peça única: vem em capítulo maior nos tratados dos mestres e vale pelo deslumbramento com que foi concebido. Como pousada de arte, maior previlégio ainda porque a ousadia e o mito ressaltam por toda a p
arte em figuras de beleza classica ou em monstros de escárnio e de excumunhão. Pressente-se uma diabólica aliança do sagrado com o profano a conduzir o nosso olhar, estamos, não há dávida, num lugar prodigioso para conceber um bestiário perverso e dar-lhe morada eterna.

in Lisboa livro de bordo, José Cardoso Pires, Publicações Dom Quixote

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