Mostrar mensagens com a etiqueta Barbeiros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Barbeiros. Mostrar todas as mensagens

10/04/11

Acordes na barbearia

Fui surpreendido num destes sábados na Estrada da Luz, mesmo na fronteira da freguesia de São Domingos de Benfica, com uns acordes de violino que se desprendiam de uma loja de rua. Pensei para comigo, abriu aqui uma loja de instrumentos de música, mas imediatamente percebi algo de inabitual. Observo melhor o instrumentista de pé junto à porta . Os meus olhos esquadrinham o meio à procura de mais informação; por cima da loja, uma tabuleta indica "barber shop", não me chega, descortino um cadeira de barbeiro antiga, o violinista continua a tanger uns acordes, parecem-me de densidade melancólica e emprestam uma certa beleza àquela manhã, olho para o fundo da loja à procura de mais informação, tento vislumbrar profissionais ou clientes que me esclareçam que tipo de loja é aquela com um violinista a tocar.
Sim, é uma barbearia, melhor, hoje em dia é "dois em um", um barbeiro de homens e um cabeleireiro de senhoras na mesma loja . Não sei se o violinista está desempregado e encontra modo de sobreviver ou se é amigo do proprietário, se é uma estratégia de marketing --- vejo depois um cartaz a anunciar a abertura de nova loja. Gosto de pensar utopicamente que poderíamos tornar a vida na cidade em espaços de convivencialidade e de aprendizagem informal em que lojas poderiam aderir a uma rede de "objectos educacionais" como propunha Ivan Illich nos anos 70 do século passado na sua sociedade sem escolas. Gosto de pensar que poderíamos cortar o cabelo a ouvir violino e deslizarmos para o outro lado do espelho, noutro tempo noutro lugar, passando os olhos por < albuns fotográficos de figuras da música e da pop >. Gosto de pensar que em certas condições se poderia aprender o b-a-bá do corte de cabelo ou < a aplicar "henna" no cabelo >, como fazem as mulheres marroquinas.
"BarberShop" Estrada da Luz, 195- A

23/02/11

Os Barbeiros de São Domingos de Benfica

Acordo cedo. Tenho encontro marcado com uma amiga. Penso que me apetece fotografar a azáfama dos sábados de manhã, mas hoje não tenho tempo.


Vou à papelaria / tabacaria “Cave” comprar o jornal e vejo as mesmas caras de sempre, no entanto, não consigo recordar-me do nome, talvez um dos senhores se chame Carlos. Sento-me no café do Sr. João, só estou eu e um casal. Peço o costume: um café, um copo com água e um bom bocado. Vou folheando o jornal. Começam a chegar clientes, todos eles habituais, porque todos trabalham do outro lado da estrada.



Entra um dos barbeiros, vem um dos senhores da Cave e chega outro barbeiro. Pedem 3 cafés ao Sr. João. Gera-se ali um pequeno conflito amigável porque todos querem pagar, mas hoje paga o Sr. Ricardo porque os outros pagaram nas manhãs anteriores. Olho para os barbeiros, conheço estas caras desde pequena, de vê-los refeltidos no espelho, compenetrados a cortarem os cabelos, ou de vê-los à porta à espera de clientes. Através da vitrina do café olho para a barbearia. Gosto do espaço, é um bocadinho à moda antiga. As cadeiras são bonitas, forradas a vermelho, os utensilios parecem-me todos vintage. Os barbeiros, que devem ter cortado cabelos às mesmas pessoas aos 10, 20, 30 e 40 anos... quem, das pessoas que vivem em S. Domingos de Benfica, nunca tera cortado o cabelo neste salão?

Penso que um dia deste os senhores se reformarão e que certamente não terão filhos que queiram perpetuar o negócio. Talvez daqui a poucos anos, nasça outra coisa no lugar do barbeiro... mas gostava que ele ficasse ali para sempre, é um lugar que esta nas minhas recordações e sempre no meu caminho quando vou para casa.