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14/11/14

A Luz Ideal



Ha ja algum que tinha ouvido falar da Luz Ideal. Penso que a primeira vez que soube da existencia do café foi pela Time Out e fiquei muito curiosa por ser um sitio novo em S. Domingos de Benfica,  apesar de ser um bocadinho afastado so sitio onde vivo. Fui espreitar o site deles e vi que tinha fotografias muito bonitas, bolos com ar apetitoso e ideias giras, como as do cesto de piquenique. O tempo foi passando, mas como o tempo é pouco para tudo o que gostava de fazer e como também nao passo por ali a nao ser por alguma coisa especifca que tenha que fazer acabei por ir adiando a visita. Até hoje. Levantei-me cedo por compromissos e, despachando-me relativamente cedo, fui até la.

A Luz Ideal é certamente o café mais bonito de S. Domingos de Benfica. Hoje nao havia a luz que ilumina o mosaico hidraulico e o poe a brilhar, mas havia uma luz de Outono que entrava pelos vidros grandes atravessando as folhas das arvores. Fui timida e nao pedi para tirar fotografias, também por haver outras pessoas, mas é uma desculpa para la voltar. A Luz Ideal abriu ha cerca de 5 meses e fica numa esquina da Estrada da Luz. Tem uma decoraçao bonita, com cores serenas. As cadeiras e as mesas combinam com as cores do mosaico do chao. Em cima das mesas ha pequenos potes de vidro com raminhos la dentro. Pedi uma italiana e tive dificuldade em decidir-me pelos bolos e salgados que brilhavam por detras do prato transparente. Escolhi uma pequena tarte de maça e sentei-me a apreciar, enquanto esperava. Pouco depois, chegava à minha mesa um café curto com uma bolacha pequenina em forma de coraçao. A tarte de maça veio logo a seguir, acompanhada de uma colher de crème fraiche. Quando levei o primeiro pedaço à boca, quase que senti as pupilas dilatarem, de tao deliciosa que era. Saboreei tudo isto, com o palato e com os olhos enquanto passava a vista pela lista que propoe coisas que nao se encontram forçosamente nas pastelarias mais "classicas" e os preços sao verdadeiramente acessiveis. 

Faltam tantos cafés assim nos bairros de Lisboa mais afastados dos grandes pontos de movimento. Por isso, tiro o chapéu a quem tem a coragem de se lançar em projectos como este. Um café moderno num lugar antigo, que teve cuidado de conservar alguns pormenores. 

Visita obrigatoria! E aos sabados ha grandes pequenos almoços. Sabado é ja amanha! 

22/07/12

os scones do beau séjour

hoje de manha fiz scones e lembrei-me do beau séjour.



eu devia ter uns dezasseis anos e decobri o palacio, os jardins e a cafetaria do beau séjour. a cafetaria do beau séjour, na altura era completamente fora daquilo que estavamos habituados dos cafés e pastelarias portuguesas, tinha um estilo diferente e na lista tinha coisas originais. costumava passar por la depois das aulas onde me encontrava com outros amigos que viviam na zona. ficavamos sentados na esplanada nos dias de sol e la dentro nos dias de inverno. mas la dentro, as mesas eram muito pequeninas e apertadas. a cafetaria manteve sempre o mesmo aspecto, excepto no facto de recentemente ja nao ter a loiça do bordalo pinheiro em exposiçao e para venda. é isso mesmo, nos primordios da abertura da cafetaria, havia um movel no lado esquerdo, entre as duas janelas, recheado de peças do bordalo pinheiro e, la fora, nas mesas da esplanada, os cinzeiros também eram dele. a descoberta dos scones foi uma coisa maravilhosa e desde entao so tinhamos boas razoes para passar as tardes ali. este mês de maio voltei ao beau sejour. pensei que muitas vezes esquecemo-nos dos sitios bonitos que temos ao pé de casa e nao os aproveitamos. para contrariar isso, pus-me a caminho do palacio e parecia que toda a gente tinham ido de férias. os tapetes arejavam ao sol e a cafetaria estava fechada. nao sei se para férias se para sempre. quero muito acreditar que seja a primeira. fiquei parada em frente à porta a pensar "e agora" como se fosse aquele o ultimo café de benfica ou como se fosse aquele o mais bonito espaço para beber café em benfica. fiquei desorientada e pus-me numa sessao de cliques aos tapetes... aquele espaço ao mesmo tempo tao calmo e tao abandonado... e tao cheio de potencial...
vim-me embora a pensar nos dias cinzentos e na mesa junto à primeira janela, quando se entra, à equerda. quantas vezes estive ali sentada a comer scones e a ver a chuva cair la fora...

27/07/11

Chá de Rosas


Nessa tarde de domingo resolvemos ir espreitar o Chá de Rosas. Uma amiga tinha-me falado nele e queria mostrar-mo, por isso, pusemos pernas a andar, ou melhor, as rodas do carro a girar e subimos um pouco mais acima do metro do Alto dos Moinhos. O salão de chá fica por baixo das arcadas, do lado esquerdo, dos predios mais recentes de São Domingos de Benfica. Antes de entrarmos reparamos que o Chá de Rosas é muito mais do que um salão de chá, no letreiro lemos também restaurante e biblioteca. Tem uma esplanada de cores frescas que à tarde esta à sombrinha, no entanto, desta vez decidimos ficar la dentro, porque ha mais coisas para ver. Quando se entra, e apesar do site dizer que o estilo é inspirado na provence francesa, achamos que o ambiente é muito inglês. O espaço é composto por duas salas, uma primeira com mesas e cadeiras e muita leitura disponivel, sobretudo revistas, e a segunda sala, mais luminosa, onde estão o balcão, a cozinha, casa de banho e também tem algumas mesas. Nos ficamos na primeira sala, encostadas à janela. Consultamos a lista, fomos pelos chas e pelos scones, mas nessa tarde não ha scones, ha outros bolinhos muito parecidos que também se comem com manteiga e doce. Pedimos um cha e um sumo de laranja natural e ali ficamos a conversar e a folhear revistas. Chega um casal que conversa amigavelmente com a proprietaria do salão, parecem habitués. Queremos aproveitar o resto da tarde e, por isso, decidimos que é hora de ir embora. Vamos pagar ao balcão e damos dois dedos de conversa com a senhora, muito simpatica, que nos diz que o salão ja tem as portas abertas ha 3 anos e que surgiu de uma paixão pelos prazeres da vida, do gosto pela cozinha... fala-nos dos bolos frescos que faz diariamente, diferentes de dia para dia de acordo com a inspiração... que bom haver lugares assim em São Domingos de Benfica. Nos fomos pelos doces, mas o site revela pequenos pratos vegetarianos, saladas, especialidades que deixam com agua na boca e com vontade de la voltar, quando eles regressarem das férias, para experimentar os “salgados”.

O Chá de Rosas tem um site e um blog que vão ja para a nossa lista aqui ao lado.

01/01/11

Rua da Venezuela – 5 Tostões



A Rua da Venezuela, em Benfica, tem histórias por contar. A que hoje aqui deixo é bem simples, tão simples quanto a própria rua.

Certo dia entrou no café “5 Tostões”, na Rua da Venezuela, um homem integralmente vestido de branco. Os seus cabelos brancos, ligeiramente longos, o ar cordial, a sua tez escura, a roupa folgada, o calçado achinelado e o ser bom conversador, completavam a figura

Adivinhais quem é este poeta brasileiro que em finais de 70, depois do seu exílio no Chile, viveu uns anos na Rua da Venezuela e com quem, no “5 Tostões”, a juventude do bairro tanto conversou?

Foto de Fernanda Serra Azul

15/09/10

Qual o vosso bolo/salgado preferido?

Porque o assunto das pastelarias de Benfica é, entre outros, um dos preferidos deste Mercado de Bem-Fica e porque o Pastelinho de Benfica já foi aqui várias vezes mencionado, queremos saber qual o bolo/salgado que os nossos leitores elegem desta deliciosa pastelaria. Na fotografia, fica o papel de embrulho dos bolinhos sortidos que não ficam atrás do resto...
...toca a fazer crescer agua na boca...

16/07/10

A vida (também) é feita de pequenos nadas


Na esplanada e a fazer tempo para um pequeno compromisso, leio o jornal.Dentro do café, amontoam-se clientes com ar de quem vai dar início a mais um dia de trabalho: esta parte da cidade não é dada ao turismo nem se encontra ainda de férias - penso…Saboreando a generosa e rara pausa, sem preocupação com o serviço de atendimento, apetece ficar ao sol sem olhar para o relógio, evocando tempos distantes em que fazia questão de nem utilizar este "contador de tempo".Poucos minutos depois, um senhor de cabelos brancos, ar distinto e traje de executivo a não destoar da restante clientela, dirige-se-me em tom afável «como vou lá dentro pagar, posso fazer o seu pedido…». Em tempos que correm, estranha-se por uma fracção de segundos qualquer solícita e desconhecida oferta. Talvez a minha expressão traidora se tenha revelado durante o breve pensamento. Insiste então com sorriso espontâneo «não me custa nada». Apercebo-me de imediato da genuína amabilidade. Pouco depois, chega o segundo pequeno-almoço (já que o primeiro foi tomado ainda “de madrugada”). Fechado o jornal, fico a pensar em simples gestos como este, desinteressados e de uma leveza como a da manhã de hoje. São também estes pequenos nadas que melhoram, muitas vezes, o resto do dia, fazendo lembrar um refrão - «a vida (também) é feita de pequenos nadas».Acabo de ver que a esplanada ficou deserta. Todos devem ter dado início a mais uma manhã de trabalho.

Post da Teresa para o blog Dias que Voam e gentilmente oferecido ao Mercado de Bem-Fica

30/06/10

São Domingos de Benfica Ontem e Hoje (6)

Falava eu aqui no outro dia no Mimo de Benfica, o café do Sr. João, onde tudo tem uma apresentação limpissima e arrumadissima e onde são todos muito bem educados. Apetece-me voltar a falar neste café porque quando regresso a Lisboa não deixo de passar por la para beber uma italiana enquanto espero pelo autocarro. Este mês de Maio não foi excepção... é engraçado pensar que passaram 5 anos que ja não vivo em Lisboa e quando entro la dentro, apesar de apenas trocarmos um "bom dia", sei que conhecem o meu pedido, mas perguntam sempre por educação e nunca se esquecem de trazer o copo de agua que não pedi mas que queria pedir... dizia eu que em tempos aqui tinha existido uma mercearia e que não me lembrava do nome do senhor e da sua esposa. Pois também me cruzei com ele no mês de Maio e como relembrava aqui um dos nossos leitores, era a mercearia do Senhor Baltazar


Agora olho para a fotografia a preto e branco, vejo os carris do electrico e penso se nesta altura, naqueles toldos ja existiria a dita mercearia ou se existiria ali outra coisa. Em todo o caso, mesmo a preto e branco, parece uma tarde de Verão de Sabado e de Agosto, lembro-me de la irmos comprar guloseimas enquanto disfrutavamos vagarosamente dos três meses de férias...

06/06/10

Pastelaria Evian



Já por aqui se falou inúmeras vezes desta pastelaria... eu passei por lá numa manhã de Maio para ir reservar uma mesa no Edmundo que estava fechado uns dias para férias e outros tantos para remodelação. Decidi dar um giro por ali e tive que parar na Evian para beber um café. Não tive coragem para pedir para tirar fotografias e os senhores que estavam ao balcão tinham pouco tempo para conversar. Bebi um café, comi um docinho de ovos e guardei o pacote de açúcar para recordação e a pensar que voltaria dai a uns dias para fazer uma foto reportagem… mas não tive tempo...

Pouco sei desta pastelaria, mas deixo aqui uma fotografia para que conhece bem contar uma história. Temos postais “de” Benfica para oferecer.

05/06/10

Arabesco

Era um sábado também, dia 22 de Maio. As férias estavam a chegar ao fim e eu não tinha fotografias de Benfica na máquina... então saí para a rua, sem saber muito bem como fazer, queria fotografar tantas coisas e não sabia por onde começar e por outro lado queria que o meu olhar parasse em coisas que nunca tinha registado. Começar por tomar um café pareceu-me a melhor solução e fui descendo a Estrada de Benfica. Parei no Arabesco.



Pedi uma italiana, enquanto ouvia o burburinho dos clientes e da azáfama dos cafés aos sábados de manhã. E pus-me à conversa com o senhor Candido Lages, o gerente do café. Uma simpatia. Contou-me que o Arabesco abriu as suas portas pela primeira vez, como restaurante, em 1969, pelo casal Dias e Palma e que estes o venderam anos mais tarde para abrir uma camisaria, com o mesmo nome, do outro lado da estrada, onde é hoje o talho. Entretanto, o Arabesco teve várias gerências mas é a gerência dos irmão Lages, Candido e José, que ali está há mais tempo, desde o dia 21 de Maio de 1995, há 15 anos portanto.



Quem passeia pela Estrada de Benfica não pode deixar de ver o Arabesco. A pé ou de autocarro, olhamos sempre para a esplanada e para a vitrina com a deliciosa pastelaria. Quando ali se entra no Natal, os bolos, doces e especialidades, despertam a gulodice a qualquer um.


O Arabesco é uma pastelaria de fabrico próprio, o cheiro dos bolos e salgados frescos perfumam o local. Tive curiosidade em saber quais eram os mais pedidos e fiquei a saber não podemos ir ao Arabesco sem provar o salgado com o mesmo nome e as queijadas de requeijão. Na parte do restaurante parece que o arroz de pato e o bife à Arabesco são uma verdadeira delícia. A degustação de todas estas iguarias pode fazer-se todos os dias da semana excepto aos Domingos, dia de fecho para descanso.


Fico ali mais um bocadinho, olho à volta e reparo nos três grandes paineis de azulejos que decoram as paredes com as principais “atracções” da freguesia de São Domingos de Benfica: a entrada do Jardim Zoologico (porta da Estrada de Benfica), o Palacio Fronteira e o Chafariz.


Fotografo o que posso, agradeço o café gentilmente oferecido pelo Sr. Candido e continuo, de maquina na mão, Estrada de Benfica abaixo...

04/06/10

Califa, uma doce tradição

Acordamos de manhã… estava sol e eu tive uma vontade subita de ir comer bolos ao Califa. Ja la tinhamos passado na véspera, quando iamos para o cinema e uma manhã na “nova” esplanada pareceu-me um optimo programa.

Então acordei-os a todos, aliciando-os com os croquetes e dizendo queria comer uma delicia de morango. Califa, here we go. Um lugar na esplanada, estava sol e um ventinho agradavel. Havia dois pombos a comer as deliciosas migalhas (porque bolos deliciosos têm migalhas deliciosas) que foram o menos agradavel da manhã. Lançamos o pedido: 4 croquetes, uma delicia de morango, um folhado misto, varios “restaurantes” com manteiga, varios cafés, e clic clic algumas fotografias para registar esta doce manhã...


Não reconheci o empregado... mas reconheci a pastelaria ... se estivesse ali o meu pai dizia logo “isto é uma categoria”.

Parece que até têm publicidade na televisão..."Califa, uma doce tradição"

22/02/10

Mil Folhas em Benfica




A maior parte das vezes passa, apenas, os olhos pelos jornais e manda-os para dentro de um cesto de vime, que tem ao canto da sala, para leitura futura ou de nunca mais.

Quando o cesto está deitar por fora faz a limpeza e, por vezes, folheia alguns dos jornais.
É o caso do “I” de 13 de Novembro do ano passado, e só há dias reparou que falava, entre outros crimes de lesa colesterol, dos “Mil-Folhas” da “MonaLisa”.

Quase poderia garantir que das vezes que, por aqui, já falou de Benfica, sempre veio à baila a “Pastelaria Mona Lisa”. E até já colocou fotografia das bolas de Berlim..
O Texto do “I”, da autoria de Tiago Pais, fala do pecado da gula e de algumas das coisas que ao pecado conduzem: pasteis de Belém, pasteis de Cerveja, queijadas da Sapa “croissants” do Careca , cookies do Starbucks, travesseiros da Piriquita e, senhoras minhas e meus senhores: Os Mil-Folhas da Mona lisa.
Assim:
“O mil-folhas é o bolo da infância de muita gente. E o bolo que muita gente escolhe quando quer regressar à infância. Porque reúne em pouco mais de cem gramas (num cenário ideal) a proporção certa de chocolate, creme de ovos e massa folhada. O melhor de três mundos. E assumimos uma escolha sem complexos: o mil-folhas da pastelaria Mona Lisa, em Benfica, sem dúvida uma das zonas mais ricas da cidade em matéria de bolos. Chocolate verdadeiro, numa camada grossa e doce de ovos a sério, em quantidades generosas. Imbatível”

Post de Gin-Tonic para o Dias que Voam e gentilmente oferecido ao Mercado de Bem-Fica

20/02/10

O Mimo de Benfica


Não é das melhores fotografias, mas tenho que falar deste café. O Mimo de Benfica é para nós mais conhecido pelo café da paragem. Chamamos-lhe assim porque fica exactamente ao lado da paragem do autocarro. Antigamente existia aqui uma mercearia. Era escura, fresca e cheirava muito a frutas.

Comecei a frequentar o café da paragem todas as manhãs quando ia trabalhar. Enquanto bebia uma italiana, de pé, observava a vida do café. O Sr. João estava sempre ao balcão, de aparência impecável e sempre muito bem educado. A esposa, cujo nome desconheço, devia preparar o almoço na cozinha e de vez em quando apercebiamo-la. Por vezes, às horas de almoço, quando havia sempre mais movimento, ou aos fins de semana o filho vinha também dar uma ajuda.

No Mimo de Benfica, está tudo muito limpo e bem arrumado. Ainda servem os pedidos às mesas e para além da parte de café com pequena pastelaria e restauração rápida há um cantinho de especialidades regionais. A montra que fica de frente para o jardim mostra sempre sacos com bolinhos secos, caixas com queijadas e por vezes encontramos as deliciosas tortas de azeitão.

Aos dias de semana a minha passagem por aqui era rápida. Uma italiana, um copo com água e um bom bocado (bolo que começa a ser dificil de encontrar) observando tudo isto sem deixar de olhar para o relógio mesmo em frente ao balcão. Aos fins-de-semana o café tornava-se mais silencioso. Eu vinha pela manhã e instalava-me nas mesas mesmo ao lado da janela... um olho no público outro no movimento dos sábados da Estrada de Benfica... os autocarros vazios, as senhoras muito bem penteadas que regressavam do cabeleireiro a poucos metros dali, alguém que passa com um saco de compras da loja “dos indianos”, muitos carrinhos de lona, com rodinhas a transbordar de comércio tradicional, alhos franceses frescos do mercado e raminhos de salsa a espreitarem pelos cantos... e, do outro lado da estrada, o movimento de quem vai à “A Cave” comprar o jornal...

26/01/10

O Califa é ali em baixo


Descobri que Benfica era mais do que o nome do clube pelo qual o meu pai torcia quando tinha para aí uns 7 ou 8 anos. Nessa altura fazia inúmeras vezes a viagem entre a casa dos meus pais, a minha casa, e a dos meus avós, que moravam em Queluz, num Fiat 124, daqueles quadrados como os desenhos da escola, branco ...frigorífico, lindo. A segunda circular terminava ali para os lados do Fonte Nova e nós saíamos sempre antes, em direcção ao Colégio Militar, Pontinha, Vendas Novas e Amadora, até ao destino. Mais tarde o percurso alterou-se e nós seguíamos em frente, passávamos pelo estádio, pelo viaduto do centro comercial e depois havia uma descida que passava por debaixo da linha do comboio, subia, curva e contra curvas até uns semáforos. Lembro-me destes semáforos porque de vez em quando havia fila e no pára arranca o carro ia abaixo, devido à inclinação.

Num desses almoços de domingo, em casa dos meus avós, o meu avô anunciou que ia voltar a correr, agora não em pista mas em estrada, que tinha uma prova daí a não sei quantos dias ali para os lados do Califa. Surpresa, o meu avô corria? Para além das corridinhas na praia, no
verão, nunca o tinha visto sequer mostrar interesse pela coisa. Parece que afinal, quando era mais novo, tinha sido atleta de velocidade do Atlético, com propostas para outros clubes de mais prestigio, mas que o amor à camisola o obrigaram a declinar. Havia fotos e tudo a comprovar o feito, em que parecia voar, os pés sem tocar no chão, muito magro, com cabelo e sem bigode e algumas medalhas. E o Califa o que era? Um café ali em Benfica. Benfica? Mas isso não é um clube? Eu cá sou do Belenenses... Na viagem de regresso a casa o meu pai explicou-me o que era Benfica, estás a ver estes prédios aqui, e apontava com a mão direita para o lado do Fonte Nova e para o outro, o Califa é ali em baixo. Espreitei mas não vi, estiquei o pescoço e nada. Era inverno e apesar de ser cedo já estava escuro. Lembro-me dos prédios e das janelas com luz, em que se podia ver o interior das casas ou parte delas, um cortinado aberto, uma nesga da cozinha, um móvel da sala. Durante muito tempo para mim Benfica passou a ser também isto, uma estrada, prédios para os quais se podia espreitar, um café que não podia ver.

Só entrei na pastelaria Califa, e não café como me tinham ensinado, muitos anos mais tarde, já o meu avô tinha na sala uma vitrina cheia de novas medalhas, taças, salvas e pequenos troféus em loiça, já a segunda circular estava completa e ligava à estrada de Sintra. Não me demorei muito e depois disso só mais umas duas ou três vezes. Entretanto casei-me em Benfica e só não moro lá por um acaso. O meu avô foi correr para outras estradas e a pastelaria entrou em obras, e reabriu. Ainda há dias em que não a posso ver, problema meu com certeza.

Post gentilmente oferecido pelo
Nuno Cruz ao Mercado de Bem-Fica aqui e aqui

24/01/10

são domingos de cafés (4)


A Balalaika é um dos "meus" cafés de Domingo. E pequeno e familiar, por vezes da a sensação de estarmos em casa das pessoas que la trabalham. Nos dias de Verão, a esplanada esta cheia. Tem a vantagem de estar à sombra no pico do calor e, apesar de ficar à beira da Estrada de Benfica, (talvez uma das mais barulhentas de Lisboa), distrai as vistas porque vai sempre passando alguém conhecido que conta as novidades ou se vai juntando à volta da mesa. Atras das vitrines, os bolos chamam por nos, parecem sempre frescos e têm um aspecto delicioso... o sabor não fica atras... é o caso da piramide de chocolate com uma cereja cristalizada no topo que la comi recentemente. Uma delicia, e um sabor cheio de recordações... digam o que disserem sobre estas piramides e os restos de bolos do dia anterior. Deixamos o interior para os dias de chuva onde os casais idosos vêm beber o cha. La dentro é apertado, as mesas são pequenas, mas a vitrine/janela deixa ver a Estrada e enquanto conversamos olhamos la para fora...

Esta fotografia foi tirada por acaso, e apanhou uma das personagens e Benfica, "o poeta". Não sei se era "o poeta" para o nosso grupo de amigos ou se ele era assim conhecido no bairro. Frequentavamos muitas vezes os mesmos cafés e fico contente por tê-lo apahado na fotografia, neste dia que passei em frente à Balalaika. Anos depois, ha coisas que continum na mesma, pessoas que continuam nos mesmos sitios, sentadas nas mesmas esplanadas...

09/08/09

são domingos de cafés (3)


Era na esplanada da pastelaria Nova Riviera que, muitas vezes, eu e o R. nos encontravamos aos domingos de manhã... depois das saidas nocturnas ao sabado sabiamos que tinhamos encontro marcado no dia seguinte e o primeiro que acordava telefonava ao outro para um café... estranhamente, embora mesmo à beira da estrada de benfica, as manhãs aqui eram calmas e, por vezes, quase silenciosas... aos domingos de manhã, apenas se ouvia o passar das paginas do jornal de alguns habitués e o som dos passaros vindo do largo mesmo ao lado, recheado de arvores...

Quando eu chegava primeiro e não o via na esplanada procurava-o no interior... gostava tanto de entrar e sentir o cheiro do café e dos bolos acabados de fazer... depois pedia uma italiana e esperava por ele ca fora...

08/08/09

… são domingos de cafés…

Começa assim uma nova rubrica no Mercado de Bem-Fica. Sempre associei o nome da freguesia de São Domingos de Benfica a um santo chamado Domingos e que era de Benfica, mas hoje pensei neste nome de outra forma… e porque não pensar na freguesia de São Domingos de Benfica no sentido de serem domingos? e como eu sou uma rapariga de cafés, como o domingo pede sempre um café e que em São Domingos de Benfica ha muitos (e hoje, todos os posts que fiz nos outros dois blogs (um, dois) são sobre cafés) fica inaugurada a rubrica dos domingos de cafés… mas a sério a sério começa amanhã porque hoje não é Domingo…


Entretanto, ja houve referencia a uns quantos pelo Mercado!

19/11/08

são domingos de cafés (2)

... esta fotografia é para a ritar que com este post a anunciar a reabertura do califa me fez lembrar os deliciosos bolos e os magnificos tempos do grupo das escadas…


… era o fim do 9° ano, íamos para o liceu e sentíamo-nos cada vez mais crescidos. muitos de nos fomos para a mesma escola outros para escolas diferentes mas tínhamos sempre um ponto de encontro: as escadas do CIVEC.




era lá que nos encontravamos todos os dias e que punhamos a conversa em dia. era lá que fazíamos projectos para as férias, para as saídas nocturnas, era lá que passávamos os domingos ociosos antes de irmos comer caracóis ao 409 ou lanchar ao califa (olhando agora para esta fotografia parece-me uma escolha estranha para passar os dias)… mas o califa era mais de inverno, porque as escadas eram no exterior e estavam molhadas e a temperatura não ajudava. chegar ao califa à hora do lanche nos domingo de inverno é como estar em cima da ponte 25 de abril a um sábado de julho às 11h da manhã, ou como estar na rua da prata ou do ouro em qualquer dia da semana, numa tarde de chuva… enfim… aqueles bolos e salgados mereciam a espera e nos esperávamos pacientemente que alguém decidisse levantar-se da mesa para disfrutarmos daquele momento "gastronomico". às vezes desistíamos das mesas e se éramos apenas 4 nesse dia sentávamos nos bancos à volta do balcão e escolhíamos uma esquina para podermos ver-nos e conversar melhor. eu lembro-me sobretudo das tartes de morangos com chatilly, mas há quem se lembre de outras coisas… os empregados não primavam pela simpatia, havia mesmo um senhor que dizia asneiras depois de receber o pedido e ficou conhecido pelo “foda-se”… lembro-me de um senhor gordinho e simpático que enquanto esperava que escolhessemos em frente à “montra” não parava de fazer barulho com a pinça do bolos. estas idas frequentes ao califa duraram anos, até entrarmos todos para a universidade e começarmos a ter vidas diferentes... e foi assim que hoje, com esta recordação, fiquei ainda mais quentinha… e é inverno… e esta a nevar… e eu sonho com uma tarte de morangos com chantilly do califa que põe a pastelaria francesa num chinelo (…pelo menos hoje…)

ps: e não é que parece que apanhei o pasteleiro no primeiro andar?

30/09/08

O Scala

A pastelaria Scala ou "o Scala", como costumavamos chamar-lhe, fica logo a seguir às Portas de Benfica, já do lado da Venda Nova, Amadora.

Apesar de estar fora dos limites geográficos que o nome deste mercado sugere, deixo aqui algumas fotografias porque me lembro de trocar algumas palavras com a Alexa a este respeito. Não conheço a história da pastelaria em si, mas ela tem, para mim, uma "estória"...













... eu costumava ir ao Scala aos fins-de-semana, quando íamos a casa dos meus tios e primos. Lembro-me bem da época das festas, estava sempre cheio de gente e os bolos e salgados tinham muito boa fama (não consegui tirar fotografias)... na verdade já não me lembrava do Scala por dentro, parece-me que o letreiro com o nome manteve o tipo de letra que tinha anteriormente, mas tenho a impressão de que foi renovado recentemente... de qualquer modo uma coisa posso garantir, os bolos e salgados ainda são frescos e bons... e não resisti ao quadro com o "ditado"...

20/04/08

são domingos de cafés (1)

Arranjámos o computador que estava estragado e onde eu pensava ter algumas fotografias de Benfica, mas afinal só tinha esta… é a última e deixo-a no mercado porque é aqui que ela pertence e porque hoje é domingo e como em quase todos os domingos o meu primeiro café do dia era pedido aqui, no Pastelinho de Benfica: “uma italiana, por favor”

Hoje pedi-o aqui

01/03/08

Para os fregueses mais nostálgicos deste mercado…

Adega São Domingos...

Não é uma taberna, não é em Benfica mas é para sabermos que ainda há lugares assim, não precisamos de ir muito longe … as portas estão abertas, à esquerda uma fila de azulejos espreita timidamente sob uma luz que anuncia a chegada do verão… em cima uma fila de taças a decorar, ao fundo o frigorifico das bebidas (e às vezes sobremesas) e uma toalha aos quadradinhos desvendam o ambiente e deixam-nos adivinhar que o prato do dia é sardinhas com batata cozida e salada de pimentos assados...