

Esta é uma história que está muito, muito atrasada, mas às vezes sou atropelada pelas tarefas quotidianas e não há nada a fazer.
Passou-se no dia da mãe. O Domingo estava calmo, com menos barulho de autocarros e movimentações na Estrada de Benfica. (Plácidos Domingos em São Domingos de Benfica).
Felizmente a florista aqui da rua estava aberta e desci para comprar as costumeiras rosas. Enquanto esperava, com o bebé no sling, que os devidos arranjos se fizessem entrou uma jovem mulher. Era rechonchuda, cabelo curto (mesmo curto) com madeixas louras pronunciadas, t-shirt branca e um avental preto. Achei que era uma cabeleireira, tinha ar disso. Entrou rápida, espavorida, olhou para todo o lado...
- Onde é que estão...? Ah, já encontrei!
(dirige-se às jarras com flores)
- Olhe, queria três destas rosas vermelhas. São lindas não são, o que é que acha? (espera, duvida)... Não, assim se calhar é muito vermelho, ponha uma mais clarinha.
A florista diz:
- Sim, assim fica melhor. Quer um arranjo?
- Sim, um arranjo bem bonito. Pago o que for preciso! E pode por um cartão? Desses a dizer "amo-te", 'tá bem?
A florista acena que sim com a cabeça. Permanecíamos em silêncio.
- E já agora, pode entregar ali na Colmeia? Em meu nome, 'tá bem? Célia, não se esqueça. Um arranjo vistoso, mesmo que seja preciso pagar mais. Já que ninguém me oferece, ofereço eu!!
- E agora tenho de ir. Ninguém me pode ver sair daqui.
Assomou-se à porta, olhou para todos os lados e saiu, subindo a rua, no sentido contrário à Colmeia. Ficámos a sorrir, espantadas com tanto à vontade e divertimento!

