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19/10/10

Teatro Turim



Ja aqui falamos algumas vezes no Teatro Turim. A reabertura das suas portas foi muito bem acolhida por todas as pessoas, sobretudo pelos moradores das freguesias de Benfica e S. Domingos de Benfica. O Teatro Turim parece estar a tornar-se num verdadeiro polo de cultura e trouxe mais vida a estas duas freguesias.


Para conhecerem a programação poderão visitar o site do Teatro Turim ou aderir à pagina deles no Facebook onde descobri esta interessantissima oferta.
Espreitem, vale a pena!

29/09/10

Mercado de Benfica na Time Out Lisboa


No numero da Time Out dedicado aos mercados de Lisboa, o Mercado de Benfica esta nos dez escolhidos como "um dos mercados da capital que conserva maior movimento dentro de portas".

Para quem não leu o artigo, aqui fica

06/06/10

Pastelaria Evian



Já por aqui se falou inúmeras vezes desta pastelaria... eu passei por lá numa manhã de Maio para ir reservar uma mesa no Edmundo que estava fechado uns dias para férias e outros tantos para remodelação. Decidi dar um giro por ali e tive que parar na Evian para beber um café. Não tive coragem para pedir para tirar fotografias e os senhores que estavam ao balcão tinham pouco tempo para conversar. Bebi um café, comi um docinho de ovos e guardei o pacote de açúcar para recordação e a pensar que voltaria dai a uns dias para fazer uma foto reportagem… mas não tive tempo...

Pouco sei desta pastelaria, mas deixo aqui uma fotografia para que conhece bem contar uma história. Temos postais “de” Benfica para oferecer.

20/05/10

Small is (still) beautiful


Nunca frequentei o cinema Turim, por isso para mim esta notícia é mais prospectiva do que saudosista. Sou acérrima defensora dos pequenos espaços culturais que vão aparecendo pela cidade e que me parecem muito mais interessantes (e úteis) do que os grandes centros culturais. Por isso, foi com muito agrado que soube da abertura do Cine-Teatro Turim, que reabriu com a peça Cães (esses mesmos, os do Tarantino).
A actriz Anabela Moreira, mentora do projecto, diz ao DN: "Era para aqui que eu vinha brincar sem me conformar com o facto de neste palco só passarem filmes. Na minha percepção infantil isto só podia servir para fazer teatro". "Fazer nascer alguma coisa a partir do nada, é isso que está a acontecer aqui e é isso que nos mobiliza, que nos faz lutar até à exaustão mental e financeira"
A não perder o texto de Anabela Dias, no Ípsilon, de que deixo um excerto (e que me insprirou para o título):

Parou no tempo e não só porque o cinema esteve fechado e algumas lojas ficaram vazias. Parou no tempo porque o Centro Comercial Turim em Benfica é de um tempo que dificilmente voltará. E como ele, dentro dele, o Cinema Turim, que hoje reabre como novo Teatro Turim. A sua época áurea, como a do centro comercial, pertence aos anos 80 e entra nos anos 90. Vai continuar na cave e, com um novo glamour e o kitsch que não se quis perder, pretende ser um espaço cultural alternativo para "dar palco aos novos criadores" e também espaço de programação infantil.

O sonho é de Anabela Moreira, actriz que aqui viu os seus filmes de infância. O pai, Afonso Moreira, era e é dono de todo o espaço. Com ele e a irmã, Anabela não perdia as matinées infantis, como tantas crianças de Benfica que ainda o recordam como "lugar predilecto" de quando eram pequenas.

A actriz percebeu, há pouco tempo, o fascínio das pessoas pelos grandes espaços, como o Colombo, que levou a que muitos pequenos espaços comerciais - e os seus cinemas - ficassem condenados ao fim ou à decadência. É a pobreza dos bairros ali perto que leva as pessoas a procurar "um mundo onde podem sonhar", diz Anabela Moreira. Nos grandes centros comerciais, "as pessoas têm acesso às luzes, a algum luxo e conforto". Ou pelo menos a ilusão deles. Mas isso não significa que já não se possa dizer "small is beautiful" e que os pequenos espaços não possam reinventar-se e sobreviver.

O Benfica precisa destes espaços e aposto que tem público.

08/02/10

Fidelidade


Em 1958 colocava-se o bronze Fidelidade na Praceta de Benfica, escultura de Júlio Vaz Júnior. Assim o noticiava a revista Mundo Ilustrado.

02/02/10

Escreveu o Gin Tonic

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De Benfica sempre teve a ideia de que para o lado de lá, havia um outro mundo. Coisas da imaginação, ou influência dos primeiros livros do António Lobo Antunes que, vivia em Benfica, e ouvia a mãe dizer: “Vou às compras a Lisboa.”
Começou a ver os jogos do Benfica ainda no Campo Grande, na velha “estância de madeira”, onde hoje, supõe, ainda está o bingo do Sporting. Do Campo Grande olhava para os lados de Benfica e tudo eram quintas e quintas, a perder de vista. Para aqueles lados haveria, um dia, de nascer o Estádio da Luz.
Já aqui disse que a Benfica vai regularmente: ver o Glorioso, visitar a mãe, comprar peixe na banca do Sr. João, no Mercado de Benfica, as bolas de Berlim da “Mona Lisa”. Gosta de percorrer aquelas ruas, tanta gente, tanta gente, vida por todos os lados e ainda lojas de comércio tradicional, mas que aos poucos se vão extinguindo.
Acresce que, pelo tempo quente se junta com rapaziada do “Ié-Ié”, para troca de discos, novidades, coisas assim, e uns caracóis, uns tremoços, uns fininhos.
O poiso era o “Boa Esperança”, uma pequena cervejaria ao lado do “Edmundo”, restaurante com que nunca simpatizou, mas gostava dos “Beirões”, que já não existe, o prédio foi abaixo, estão lá a construir uma qualquer coisa. Os “Beirões”tinham uma cozinha honesta, quase caseira, há-de sempre lembrar as pataniscas de bacalhau com arroz de feijão, e quando a ementa não agradava, coisa rara, havia sempre a escapadela para o frango assado.
Em tempos de quartas-feiras europeias era nos "Beirões" que fazia o aquecimento. Tinha duas salas e ele, como não gosta de salas de comes com espelhos, ficava naquela onde no espeto assavam os frangos. Gostava de ver a azáfama do assador, das gentes que entravam para levar frangos, desenrrascanço para quem não teve tempo de preparar o jantar. E sentia-se bem a ouvir o carvão a estalar
Quase em frente dos “Beirões”, de quem vai a caminhar para as portas de Benfica, um “must” do pequeno comércio, tão tradicional em Benfica, uma pequenina casa de material eléctrico onde uma simpática e competente senhora, profissional de mão cheia, ainda vende aqueles interruptores, fichas, caixas de ligações, coisas antigas e não esses simplkex que agora para aí vendem e com os quais não se entende. Nunca sabe o nome das coisas, ainda não acabou de falar e eis a senhora a dizer: "já sei o que quer!"
Mas estava ele a dizer que o “Boa Esperança”, pelos calores, era poiso para tremoços e conversetas até ao dia em que não lhes apeteceu caracóis, apenas fininhos e tremoços, e aquele empregado que serve às mesas, sósia do Yul Brynner, disse que não, "às mesas só podem estar se comessem algo mais que tremoços".
Saímos porta fora para não mais voltar. Mais à frente, do outro lado da rua, quase a chegar à Junta de Benfica, encontrámos “ O Lingote”, e onde ninguém se importa que, pela tarde, uns maduros fiquem às mesas apenas a consumir fininhos e tremoços.
Pequenos pormenores que marcam as diferenças de que tanto gosta ou envelhecer, pouco a pouco, porque as coisas não são o que foram nem são o que são…

19/01/10

Anos 70

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Publicidade a algumas lojas de Benfica em 1978 na publicação Boa Noite.

Ainda existirão?

27/11/09

Por Benfica às quartas-feiras...

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As idas a Benfica, às quartas-feiras, ameaçavam pentearem-se de uma tendência para a rotina. Mas, a pouco e pouco, foram-se transformando. Sim, a visita à mãe sempre foi o ponto de partida e chegada. Depois começaram as idas ao Mercado de Benfica, à banca de peixe do Sr. João, logo a seguir, na "Mona Lisa" bica e bola de Berlim, por causa de coisas,versão sem creme...ficar uns minutinhos encostado ao balcão, com uma calma, uma tranquilidade Zen, a ver entrar e sair gente, a caminho dos empregos, de outras coisas...
O gosto de ver tanta gente nas ruas, a vivência, ainda, de um comércio tradicional que, noutros pontos da cidade, vai morrendo aos poucos, mas ali parece sobreviver. Tal como na velha Graça…
Já aqui falou da “Mona Lisa”. Ali perto do Mercado de Benfica. Um pasteleiro com mão,uma equipa de balcão “five stars”, sobra o companheiro que serve às mesas, com pouca simpatia, assim como se transportasse o mundo nas costas... mas sabemos que as perfeições não são deste mundo...
Ontem, enquanto ia saboreando a bica e a bola, convidaram-no a comprar os doces caseiros que por ali fazem. Para o caso, marmelada de maçã, doce de tomate. Franziu o nariz desconfiado ao "caseiro", mas um “experimente e verá”, convenceu-o.
Provou-os hoje. A marmelada de maçã bem agradável. O doce de tomate não se assemelha ao que a avó fazia, que tinha aquele travozinho amargo, certamente resultante da qualidade dos produtos de então, mas portou-se muito bem.
Chá Príncipe, pãezinhos de leite, a leitura de “O Gato de Muitas Caudas” de Ellery Queen, lá pelo meio, um compositor musical que afixou na porta: “Escusam de bater. Estou “teso”! Para pagar as contas tenho de escrever canções em sossego!”. A tarde cinzenta a desfazer-se lá fora.
Agora é só esperar por quarta-feira para, gostosamente, dar conta das provas, e dizer aos rapazes da "Mona Lisa" que os doces são mesmo de aconselhar. Depois, os 90 anos da mãe, farão dois grandes olhos, enquanto vai desfazendo o embrulinho com os “mil folhas”…
Ele,outra vez a contas com a mansa ansiedade de ver chegar as quartas-feiras...

Post de Gin-Tonic para o blog Dias que Voam e gentilmente oferecido ao Mercado de Bem-Fica

04/05/09

O Xota

Cada bairro tem o seu pedinte de estimação, aquele a quem damos o euro semanal e/ou as sandochas atiradas pela janela (desde que a altura do andar o permita).
o do meu é o antónio, vulgo "xota", vá-se lá saber porquê.
ontem pediu-me o euro, azar, ja lho tinha dado esta semana. respondi que ia fazer uma carne estufada que estaria pronta lá para as 9 e que nessa altura tocasse à campainha.
"ok joão, assim vou andando para casa cozer as batatas e já venho. olha, faz a carne com bastante vinho branco que fica mais saborosa. e lume brando para não ficar seca" e mais uns indicações que já não percebi sem disfarçar o meu sorriso nº 5 enquanto fechava a porta do prédio. e continuou até que deixei de ouvi-lo, já no elevador.
há uns tempos tinha-se queixado de uns rabos de peixe congelado que lhe tinham dado.
"Eh pa, oh joão, eles sabem que eu só gosto de pescanova".


(enviado pelo João)

07/02/09

O Muro








O nº 745 da Estrada de Benfica (do lado oposto da rua, quase em frente à Vila Ana e Vila Ventura) não constitui parte do Património Municipal, mas é uma antiga vivenda encimada por dois magníficos painéis de azulejos.

Para além de muito bonita, esta vivenda encontra-se bem conservada, fazendo-nos pensar em outros tempos, quando Benfica se encontrava "fora de portas" e era composta por quintas onde se ia apanhar ar puro e veranear.






Bela perspectiva da recuperação desta antiga casa senhorial, não fora o facto de o muro que sustenta o portão de acesso à mesma se encontrar prestes a tombar em cima de qualquer transeunte que por ali circule (o que ainda mais estranho é de imaginar, dado que nesta casa funciona um escritório de advogados)!...







02/02/09

FINALMENTE!!








Depois de um ano
, consegui obter uma resposta por parte do Departamento de Conservação dos Edifícios Particulares da Câmara Municipal de Lisboa (afinal, sempre foi benéfico ter enviado um e-mail directamente ao Director do mesmo!)...






A ver vamos, se não será apenas "fogo-de-vista" e, no final, as coisas ficarão como até agora tem estado, apesar de todas as vistorias que se possam realizar (devido a não se encontrarem os seus proprietários, ou por estes alegarem não ter verbas para as obras de recuperação)!...

Manter-vos-ei ao corrente de mais desenvolvimentos nesta "luta" (que, certamente, irá continuar - pelo menos da minha parte).






18/01/09

Salvem a Vila Ana e a Vila Ventura!




"(...) e fomos viver para um dos andares de uma das duas casas casas iguais, uma chamada Vila Ana outra chamada Vila Ventura, na Estrada de Benfica... quem vai no sentido das Portas [de Benfica], do lado direito.
Essas duas casas são curiosas pela singularidade, no fundo são das chamadas 'Casas do Brasileiro'. E por isso mesmo estão actualmente 'tombadas' como dizem no Brasil, estão consideradas como imóveis de interesse municipal, não podem ser deitadas abaixo... podem ser deitadas abaixo no interior, mas exteriormente têm que ficar com aquele mesmo aspecto. Justamente por serem 'Casas do Brasileiro', representativas de uma época e de um tipo de construção muito característico naquela altura, um quase chalet, porque a época é quase coincidente com a dos célebres chalets franceses. E as casas do brasileiro são quase todas nesse género.
E então, como é um par simétrico... par que não foram construídas exactamente gémeas... Eu tenho uma fotografia... nem sei onde, tenho-a para ali... inclusivamente duas fotografias antigas, em que numa delas se vê ainda só uma das casas e depois noutra fotografia já se vêem as duas. Fotografias da época da construção portanto (...)"

Entrevista a João António Lamas (realizada a 17/03/08).









Em início de 2008, enveredei uma longuíssima troca de e-mails a propósito do destino da Vila Ana e da Vila Ventura (dois palacetes, em plena Estrada de Benfica, que me fascinam desde criança)...

17/01/09

"Livrarte/Ulmeiro"... 40 anos a resistir





Em Benfica, existe ainda um Alfarrabista - repleto de História e de memórias de lutas por uma Causa - que teima em Resistir, depois de 40 anos...





Situada na Avenida do Uruguai, no Nº 13A A, a “Livrarte” iniciou, formalmente, o seu negócio na venda de livros, há cerca de 29 anos (por volta de 1969): “(...) iniciado pela “Ulmeiro”, que tinha Editora e a Livraria (...)”, como nos contou a D. Lúcia Ribeiro, proprietária desta casa.

A “Editora Ulmeiro” (como se chamava, então, à loja que alguns anos mais tarde viria a dar origem à “Livrarte”) poderia ser considerada, em finais dos anos 60, como uma Editora de vanguarda, na medida em que as suas publicações eram, essencialmente, livros de carácter político e interventivo, de ideais opostos aos do regime então vigente.

Nessa época conturbada do Salazarismo, e antes do 25 de Abril de 1974, esta era uma livraria “(...) marcadamente de contestação (...)”, segundo palavras da D. Lúcia.

Enquanto que a “Editora Ulmeiro” publicava livros de carácter considerado revolucionário para o Regime, a sua Livraria assumia um papel de núcleo de concentração dos intelectuais que queriam fazer ouvir as suas vozes contra o governo.
“Há ali um período em que era só política, pronto. Aí foi o auge da política. A gente queria era saber alguma coisa de política (...)”, e na “Ulmeiro” começaram a realizar-se sessões culturais de cariz político-informativo.

Nesta fase em que todos estavam de algum modo ligados à política (quer quisessem ou não, pois as suas vidas eram sempre regidas pela mesma), as sessões culturais de música e teatro, em que nomes sonantes como o de Carlos Paredes, Zeca Afonso e Mário Viegas participaram, sucediam-se umas atrás das outras: “Olhe, não tem conta as sessões que nós fizemos aqui culturais!”, diz-nos a D. Lúcia Ribeiro com uma certa réstia de saudade na voz.

Apesar desta sua acção, nunca foi partidária, nem esteve ligada a nenhum movimento político ou de contestação, mas as pessoas sempre associaram a Livraria aos movimentos contra o Regime que antecederam o 25 de Abril; como nos refere a D. Lúcia, “(...) não esteve ligada a nada, embora as pessoas nos conotassem, mas isso era inevitável!”, porque “Numa fase em que (...) toda a gente estava ligada à política (...) os que eram de direita diziam que éramos de esquerda, os que eram de esquerda como não éramos do PC ou não sei quê, diziam que éramos de direita.”

O próprio Zeca Afonso era amigo pessoal da D. Lúcia e do Sr. José Ribeiro (marido da D. Lúcia), facto que devido à importância que o seu nome teve na história do 25 de Abril fez com que a memória colectiva existente na zona de Benfica assimilasse, até aos nossos dias, a “Livrarte” como pertença de familiares do cantor. No entanto, o parentesco existente entre Zeca Afonso e o Sr. José Ribeiro era, como nos explicou a D. Lúcia e tivemos ocasião de constatar quando o seu marido entrou na loja (aquando de uma das nossas Entrevistas), “(...) só a semelhança física (...)” e “(...) uma grande relação de amizade e de parecença intelectual, a postura na vida (...)” entre ambos “(...) era muito parecida”.





Depois do 25 de Abril de 1974, quando os ânimos políticos e contestatários acalmaram, estas sessões culturais deixaram de ter razão de existir e “(...) aboliu-se isso completamente”. Mas a principal questão continuava a ser “(...) intervir culturalmente (...)” na sociedade, o que só foi possível com muitas outras sessões ao nível de autógrafos de autores e de leituras de poesia. Retomando-se, assim, o prosseguimento normal de uma Editora/Livraria.

Quatro anos após o 25 de Abril, em 1978, “(...) fizeram-se duas firmas diferentes... a “Ulmeiro” remeteu-se para o seu campo de Editora, que é aqui (...) no prédio ao lado; e a Livraria constituiu-se portanto, com o nome de “Livrarte” (...) Embora ficando ligados do ponto de vista de auxílio, digamos”. A D. Lúcia Ribeiro ficou à frente da “Livrarte”, enquanto o seu marido, o Sr. José Ribeiro permaneceu mais ligado à “Ulmeiro” e ao ramo editorial.

Inicialmente, a “Livrarte” só vendia livro novo (de literatura e escolar), tendo também uma secção de artigos de papelaria; mas há cerca de 11 anos, em 1987, empreendeu na transformação do seu negócio original, começando a “construir” uma secção destinada a objectos e livros antigos.

A D. Lúcia Ribeiro lembra-se bem dessa altura da sua vida, pois a mesma foi pautada por um outro marco histórico, este um acontecimento de carácter muito mais pessoal e que a emocionou bastante: “(...) Até que, exactamente, há 11 anos...e aí eu sei!... Foi quando nasceu a minha neta!!”.

1987 foi, também, o ano em que abriu as suas portas ao público, na zona de Benfica, o “Centro Comercial Fonte Nova”. Para a época que então se vivia, este local apresentava-se como um dos mais audazes na competição comercial, quer em termos da variedade de produtos apresentados nas suas diversas lojas, todas concentradas num único espaço, quer nos preços apresentados. Facto esse que terá contribuído em muito para a desvalorização, por parte do público, do tipo de comércio mais tradicional em que a “Livrarte” também estava incluída.

Esta “crise” terá sido, também, um impulsionador para a mudança que a “Livrarte” veio a incutir ao seu ramo de acção. “Numa crise qualquer... foi quando abriu o “Fonte Nova” ... (...) a necessidade aguça o engenho; e vai daí e toca de fugir do foco que estava a ir mais para baixo (...) e que tínhamos, pronto, o “Fonte Nova” com uma grande qualidade na altura... Era competitivo, por isso nós tivemos que nos virar para outros lados (...)”, diz-nos a D. Lúcia.

E a “Livrarte” largou o negócio de papelaria, e enfrentando os novos tempos que se avizinhavam, passou a dar apenas destaque ao livro novo, ao livro antigo e às “velharias” (ou antiguidades).
O negócio parecia ser bom e rentável, tanto do ponto de vista económico (pois nunca existiu nenhuma outra loja com aquelas características particulares na zona) quanto pessoal, pois como nos relata a D. Lúcia “(...) com muito gosto pessoal nesse tipo de coisas, porque já comprava para mim”.





Há cerca de um ano atrás, abriu, também, em Benfica, mais um Centro Comercial, o “Colombo”, o que terá criado “(...) um certo impacto aqui na zona (...)”.

Este foi mais um factor específico que veio incutir a mudança social na zona de Benfica. Um factor que teve tanta importância e repercussão que, a própria Junta de Freguesia teve de instalar alguns cartazes publicitários no intuito de fortalecer o “comércio tradicional”, que via assim perigar os seus negócios em detrimento do novo Centro Comercial.
De características arrojadas e uma política de marketing cada vez mais audaz (devido aos tempos que correm), uma das principais lojas deste Centro Comercial é a FNAC, uma empresa francesa de venda de livros, CD’s e material audio e video, com preços muito mais reduzidos do que as suas congéneres.

Na altura em que esta loja abriu, a D. Lúcia ficou, desde logo, ciente do facto de que isso iria ter repercussões drásticas na “Livrarte”. De facto, “(...) escusamos de mentir!... Há muito cliente que mudou em nome dos 10% e de haver lá tudo (...)”.
Contudo, o que nem a D. Lúcia nem ninguém esperava, é que muitos dos seus clientes “desertores” começassem a regressar novamente. Tal facto só encontra justificação numa frase que muitos deles declaram à D. Lúcia e aos seus “Colaboradores” (pessoas que a ajudam na Loja): “Nunca mais!! (...) Então eu quero dar uma prenda, eu explico para quem é e ninguém me aconselha nada!”.

Porque, contrariamente ao que parece suceder no caso do atendimento na FNAC, na “Livrarte” a relação que se estabelece com o cliente é algo de muito mais “(...) personalizado (...)”: - o cliente é aconselhado sobre aquilo que poderá ou não comprar (se quiser), consoante os seus próprios gostos pessoais. Todo este processo ou relação que se vai estabelecendo com os clientes parece ser muito gratificante a nível pessoal para quem está à frente de um negócio deste género: “E isso é muito gratificante. Isso vale tudo! (...) A gente não saberia que isto era verdade se as pessoas depois não viessem cá agradecer (...) E também lemos muito! Porque senão não saberíamos recomendar!”, diz-nos uma das Colaboradoras da loja, com quem conversámos.

Esta relação que se estabelece só se torna, de algum modo, possível neste tipo de comércio mais personalizado, em que, como nos disse uma das tais Colaboradoras da “Livrarte”, “(...) porque a leitura tem muito a ver com os primeiros livros que se lêem. E o que acontece muitas vezes é que há uma opinião a dar; há, no fundo, um estímulo à leitura e também ao crescimento pessoal. E uma conversa pode mudar uma vida! (...) Mudar um pouco o rumo de uma existência através do livro que se aconselha (...)”.





A “Livrarte” é constituída por dois andares: a loja e um rés-do-chão. No piso superior apresenta-se a secção de livros novos (onde os livros de ficção e de “(...) filosofias alternativas (...)” são os mais vendidos) e de livros antigos (podendo encontrar-se nesta parte livros de História; de autores portugueses pouco conhecidos dos anos 50 e 60, de que nem a Biblioteca Nacional dispõe; livros de Teatro e de Arte, monografias de Portugal; uma colecção de livros sobre África e uma de escritores brasileiros antigos) ; no piso inferior da loja está patente a secção de “velharias” e antiguidades, das quais também podemos ver alguns exemplares logo à entrada, no piso superior, na montra.

No que concerne ao público desta Livraria-Alfarrabista tão especial, há que fazer uma distinção entre os três sectores da mesma.
Em relação ao livro novo e antigo, o seu público é constituído, essencialmente, por “(...) gente muito jovem (...) que cada vez lê mais (...)”, estudiosos e universitários que estão a fazer teses ou outros trabalhos sobre um tema específico e os outros clientes que fazem parte de “(...) um dia-a-dia vulgarzinho de bairro (...)".

No que diz respeito às “velharias”, são compradas, basicamente, nas casas de particulares que por algum motivo se pretendem ver livres de objectos tão díspares como mobiliário, peças de ourivesaria, etc. Quem está à frente desta parte do “negócio” é, especialmente, a D. Lúcia que nos exprime o que sente em relação ao mesmo desta forma: “Isso é outro mundo, isso é outro planeta! (...) E depois é a vivência a que isto nos leva, as viagens a que isto nos leva a casa das pessoas... (...) As histórias são impressionantes, são mundos que nos atravessam! (...) muitas vezes ou é a velhice, já, em que as pessoas querem vender...e depois são os seus mundos, as suas histórias que nos transportam, não é?! Atiram para cima de nós! (...) e em cada casa é um mundo e uma história! E viver esse outro lado também é um fascínio terrível!!”.

Quanto aos compradores de “velharias” podem ser clientes muito diferentes, mas gostaríamos aqui de destacar um desses casos: - muitas vezes, é usual serem procuradas peças específicas (de mobiliário ou outras) por Companhias de Teatro ou artistas que pretendem realizar espectáculos; essas “velharias” são vendidas ou alugadas aos mesmos (que, quando concluído o espectáculo as devolvem, como tivemos oportunidade de observar aquando da realização de uma das entrevistas).





Quanto a este seu tipo de negócio tão sui generis, dentro do panorama alfarrabístico de Lisboa, a D. Lúcia diz-nos: “Não somos especializados, não é?! Não temos pretensões a especialização. (...) somos diferentes, temos aquilo que mais ninguém tem! Só não temos o supra-sumo daquilo que se considera o Alfarrabista, que são aqueles livros...(...)”. Estas suas características tão particulares associadas ainda à venda de livro novo (se bem que em pequena escala) terão, de certo modo, criado uma visão pouco lisonjeira do seu negócio, dentro do próprio meio alfarrabista, ou seja, entre os seus congéneres, como nos relata: “(...) mesmo trabalhando com coisas que eles consideram vulgares, a maior parte dos alfarrabistas só alfarrabistas (...)”.

De qualquer modo, o aspecto que considera mais importante, acima de tudo, nesta profissão, é o gosto pessoal, como exprimem bem estas suas afirmações: “(...) De qualquer modo somos diferentes e ainda vivemos no meio desta bagunçada toda e disto tudo... e é muito giro! Estar aqui é muito giro, para nós e para uma grande parte dos nossos clientes. É muito gratificante!! (...) pelo menos ter gosto naquilo que se faz (...)”.

Em relação ao futuro do seu negócio, afirma mesmo: “Projectos nunca nos faltam. Por isso é que não acabamos, se não, já tínhamos fechado esta “porcaria” toda e mudado de ramo...e passado para um Banco!”. Uma última alusão implícita ao facto de, actualmente, na zona de Benfica, quase todas as casas comerciais, que não dão lucro e fecham o seu negócio, estarem a ser compradas por Bancos, para aí se instalarem.

Actualmente, e como nos disse, a D. Lúcia só mudaria este seu negócio para mais uma coisa que muito a cativa: a criação de uma Galeria de Arte, para vender obras de Pintura Moderna de alguns jovens artistas ainda em início de carreira e pouco conhecidos.
Relembrando a acção interventiva que desenvolveram no passado, e como nos disse a D. Lúcia: “(...) aí é um gosto pessoal, também! Porque esta casa, há muitos anos, teve uma galeria de arte lá em baixo. E esse bichinho ficou”.


16/01/09

Lembram-se das Portas de Benfica?




Lembram-se das Portas de Benfica?
Da solene entrada na cidade de Lisboa, encabeçada por dois "castelinhos", onde outrora existiam guardas?

Graças ao progresso e desenvolvimento (assim como ao lucro fácil, que continua a imperar sobre tudo e todos, em detrimento dos verdadeiros valores), as Portas de Benfica vão transformar-se numa ilha no meio da CRIL...



Imagem de "Caixa D'Imagens"



Curioso que, ao visualizar esta imagem, me recordei que, aqui há uns tempos atrás, vi no telejornal da SIC (quando a rúbrica "Nós por Cá" ainda fazia parte do mesmo) um caso idêntico, no norte do país, onde numa vila (de que não me recordo o nome) uma casa ficara isolada no meio de uma rotunda.

Nessa altura, o caso fora apresentado como estonteante, surreal e digno de reclamação...
O que é normal face ao sui generis de tal "obra arquitectónica"!

Pena que, actualmente, face aos avanços destruidores da CRIL (e dos senhores que vão alcançar lucro com este negócio chorudo), os mass medias (e tantos outros) considerem que a palhaçada em que as Portas de Benfica se vão transformar é algo de normal.









02/01/09

Quinta da Granja










Circundada por prédios altaneiros, um terminal rodoviário, um centro comercial e um enorme hospital, ali bem perto da 2ª Circular, ergue-se a Quinta da Granja.

Alheia ao tempo que passa e aos avanços da modernidade, naquele espaço apenas impera ainda a vontade da natureza... e as lides rurais associadas a cada uma das estações do ano.

Antigamente, quando por ali passava todas as manhãs, a caminho do emprego, ficava largos momentos embevecida a olhar para aquele espaço natural imenso dentro da cidade, que o Homem ainda não conseguira usurpar.

Nunca ali vislumbrei vivalma, a não ser os parcos hortelões que por ali bem perto ainda cultivavam a sua subsistência em pequenas hortas urbanas.

Da Quinta da Granja de Baixo soube mais tarde que permanecia inabitada, em ruínas e votada ao abandono, como a grande maioria dos palácios e casas senhoriais de Benfica.
Mas e aquela outra casa branca, que se podia ver ao longe, quando por ali passávamos a pé? Será que ainda ali habitaria alguém?
Às vezes, dava-me vontade de lá ir espreitar.

Na Primavera, os campos enchiam-se de um verde frondoso, ao passo que a meio caminho da chegada do Verão, alguém areara todo aquele imenso terreno... vendo-se pequenos montes de erva apodrecida, por aqui e por ali.

Rezam as memórias dos mais idosos de Benfica (pelo menos de 2 senhores que uma vez escutei no autocarro), que os diversos herdeiros daquela Quinta não conseguem chegar a consenso... e daí a mesma ainda não ter sido vendida ao desbarato para gáudio de alguns promotores imobiliários.

Em ano de eleições camarárias, corre, por outro lado, a notícia que a Quinta da Granja vai dar lugar a um imenso Parque Urbano.
A ver vamos!...









31/12/08

Os Jogadores








Por volta das 14h, quando o Mercado de Benfica encerra, é vê-los chegar...

Numa azáfama incontrolável, apropriam-se das bancadas onde horas antes se vendiam tecidos e roupas, brinquedos e plásticos.
Os "almeidas" mal conseguem fazer o seu trabalho de limpeza urbana, tal não é a sofreguidão com que eles ali chegam, barrando-lhes o caminho.

Em diversos grupos de 7 a 8, ali ficam a tarde toda, cada grupo na sua bancada... a jogarem.

De cada vez que por ali passo e os vislumbro, não consigo evitar pensar se utilizarão aquelas bancadas para jogar imbuídos de algum misticismo, crendo que a sorte que os ciganos ali têm nas suas vendas lhes será transmitida nos jogos que encetam...

Ou se, afinal de contas, a sua utilização é bem mais prosaica, uma vez que não existem outros espaços amplos na freguesia de Benfica onde possam livremente jogar.





08/12/08

De Cinema a Teatro...








A informação que nos havia sido dada pelo nosso leitor MR sempre era verdade!...

O antigo Cinema Turim (da nossa infância), vai, em breve, passar a chamar-se Teatro José Viana, com algumas peças já anunciadas em cartaz.

Esperemos que as obras sejam rápidas e que este novo espaço cultural traga mais ânimo à freguesia.






21/08/08

Rua Emília das Neves






"Rua Emília das Neves", Artur Inácio Bastos (1961)
In Arquivo Municipal de Lisboa



Há 47 anos atrás era uma rua ampla de dois sentidos, ali quase às Portas de Benfica… hoje em dia, passou a ser de sentido único.
E, durante a semana, ao fim da tarde, não é raro ver os condutores em lutas renhidas para conseguirem atravancar (sim, porque estacionar é bem difícil!) as suas viaturas no ínfimo espaço ainda existente.

A casa familiar logo no fim da rua, antes de darmos a volta para a Estrada A-Damaia e para o Mercado de Benfica, foi substituída por uma Clínica Veterinária.
E ali logo ao lado ainda subsistem duas lojas, como noutros tempos.

Noutros tempos, foi uma rua repleta de vivendas lindíssimas, as quais, com o passar dos anos, foram dando lugar a prédios de 3 andares (inicialmente, habitados por famílias de militares).
A cada ano que passa os residentes octogenários vão partindo, sendo substituídos por famílias jovens.






Tal como outrora, hoje em dia, a Rua Emília das Neves é, sobretudo, uma típica rua de bairro, onde todos se conhecem e ainda existe alguma entreajuda (e coscuvilhice extrema) por parte dos vizinhos.
E é, também, a rua onde habito há já 3 anos!...