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21/04/10

Centro Educativo Navarro Paiva


Todos os dias passo à porta do Centro Educativo Navarro Paiva. Durante muito tempo aquele portão e aquelas redes encimadas por arame farpado foram para mim um mistério, porque não sabia muito bem o que se passava lá dentro. Por interesse profissional, chegou até mim uma notícia sobre o projecto Reinserção pela Arte, no qual Madalena Victorino tinha trabalhado e que era promovido pela Gulbenkiam. Foi aí que me apercebi do que realmente se passava ali.
Muitas vezes tento espreitar lá para dentro, mas só vejo seguranças e penso: "Caramba, será que os miúdos são assim tão perigosos?" Afinal que mundo é aquele, tão perto do sítio onde vivo? Que histórias têm estes miúdos, tão novos ainda, para contar?
Por isso, foi com surpresa que vi esta foto reportagem no Expresso. Os retratados não têm rosto, mas para mim, agora, têm um bocadinho mais de história.
E isto também é Benfica.

17/04/10

O jardim da paragem...

Este é o jardim onde iamos aos domingos em que não havia planos. Antes não era assim, não tinha nada destas diversões e escorregas novos.


Para nós sempre foi o jardim da paragem ou o parque. Há alguns anos estava rodeado por uma rede verde que devia ter 1m70, as portas estavam sempre abertas durante o dia. Neste jardim, havia logo à entrada um chafariz que servia, não apenas a quem brincava lá dentro, mas a qualquer transeunte que tivesse sede. Todo o chão era preenchido de areia e logo em frente à entrada havia um escorrega vermelho com uma base cor de aluminio. Mais à direita estavam os baloiços, velhinhos, com assento de madeira, uma tábua em frente que deslizava pelas correntes até baixo para nos impedir de cair para a frente e, para ganharmos balanço, agarravamo-nos a uma espécie de corrente traçada que mantinha os baloiços presos lá em cima. Mais em frente ao café Bonfim estavam as barras de ferro para fazer cambalhotas, havia 3 de tamanhos diferentes. Na parte de cima do jardim a rede misturava-se com alguns arbustos e aí estavam as casas de banho. Espalhados pelo jardim existiam vários banquinhos de madeira onde os adultos podiam vigiar as crianças ou os velhinhos podiam ver desfilar a vida alheia...

Uma das maiores atracções deste parque era o campo de basquete e talvez ainda hoje o seja.
Aos fins de semana havia sempre rapazes que corriam batendo a bola no chão e saltavam alto para a enfiarem dentro do cesto. Por vezes, pareciam fazer jogos “mais sérios” e nesses dias o jardim enchia-se de pessoas à volta da rede que delimitava o campo, gritando pela equipa que apoiavam.



Entretanto, com os anos, o jardim começou a sofrer algumas alterações. Tiraram a rede colocaram novas diversões e mais modernas e parece-me que o chafariz desapareceu... e, desta ultima vez que lá estive, voltei a ver que estava em obras, não sei como ficou no final... mas o campo de basquete parece que se mantem...

14/04/10

A Casa da Selva II


É, sem duvida, uma das minhas lojas preferidas em S. Domingos de Benfica. Em vias de extinção as lojas de café são cada vez menos numerosas pela cidade, por isso, considero a Casa da Selva uma relíquia. Esta magnifica loja, tem por proprietários um casal muito simpático. Nunca soube o nome deles, mas lembro-me muito bem de que o senhor da loja quando se dirigia aos clientes para os atender começava sempre por dizer “tenha a bondade”. Aqui lembro-me de comprar sobretudo bolinhos secos, vendidos ao kilo acondicionados dentro de grandes sacos de plástico transparentes e expostos em cima do balcão, quem entra, do lado esquerdo. A Casa da Selva está sempre cheia, sobretudo ao final do dia, aos Sábados e no Natal nem se fala. Magníficas broas espreitam pela pequena vitrina, abraçando chás e cafés vindos de toda a parte do mundo. Tudo aqui é bom. E como a loja esta sempre cheia vamo-nos aconchegado dentro do pequeno espaço e pensando que íamos ali comprar um kilo de bolinhos secos mas que afinal vamos levar mais duas variedades diferentes de chocolates e mais um tipo de chá que vai mesmo bem com aqueles bolinhos e que aquelas amêndoas parecem ser tão boas, porque não experimentá-las. Mas enquanto esperamos nem damos pelo passar do tempo, porque à direita há uma grande montra cheia de coisas para ver. E há também uma cadeirinha para quem não pode esperar de pé ou para quem gosta de ter tempo para conversar. Uma loja que nos faz voltar atrás no tempo, regresso aos sabores da infância, ao aconchego do inverno, com um atendimento exemplar dificil de encontrar nos dias que correm...

... e posto isto, so me resta esperar que a filha destes senhores, que, por vezes, também por ali viamos, nunca deixe aquelas deliciosas portas fecharem...

Mais histórias e fotografias da Casa da Selva pela Marta G. aqui

24/03/10

A vida dos outros (ou: Histórias das traseiras de nossas casas, parte 2)



Já tinha este post em mente há algum tempo, mas o texto da J. apressou a escrita. Eu também gosto dos locais por onde os prédios são menos vistos – as traseiras - e tenho paixão especial por coisas que só alguns podem ver, ou mesmo por fragmentos de locais que apenas deixam adivinhar o resto. Sou daquelas pessoas que, à noite, fico pasmada a olhar as janelas sem cortinas: posso vislumbrar apenas um candeeiro, a parte de cima de uma estante, mas logo na minha cabeça faço o retrato da casa e das pessoas que aí vivem. Ora, as minhas traseiras são um dos locais perfeitos para isso.
Os prédios, cujas fachadas dão para quatro ruas diferentes, formam um quadrado (um pouco torto, mas enfim) com quintais e pátios a que só os moradores dos vários rés-do-chão têm acesso. Isto faz com que quem viva por cima possa vislumbrar um pouco da vida quotidiana dos vizinhos.
Há dois verões atrás um casal do prédio ao lado ocupou o seu enorme terraço com uma piscina insuflável e aí passavam tardes de barriga ao léu, de molho na água que já devia estar mais que choca! E nós cá de cima a mirar o espectáculo, estupefactos com tanto à vontade! Também nas noites de Verão são comuns os churrascos ou jantaradas, onde é sempre possível escutar as mais diversas opiniões sobre os mais variados assuntos (no outro dia falava-se de partos). Actualmente, o que me entretém os dias é um vizinho que, não sei bem porquê, tem a maior parte do terreno. Terreno, sim: porque em vez de piscinas ou ladrilhos o senhor ocupa-se de uma verdadeira horta urbana! (e eu aqui, no terceiro andar a plantar ervas de cheiro em minúsculos vasinhos!) Todos os dias ali está – e até já o apanhei às 7h3o da manhã! – a plantar coisas, a brincar com os cães ou simplesmente a apanhar sol! Eu, da minha janela, vou acompanhando a crescer das favas e o ritmo das árvores: as figueiras, que agora começam muito timidamente a rebentar, o limoeiro carregado, a laranjeira e outras tantas… Aos Domingos chegam os netos e, no outro dia, passaram uma tarde inteira de volta de uma única caixa de cartão que fazia de fortaleza no meio da horta!
Alguém por aí tem acesso à mesma vista? Ou a outras semelhantes?

A Papelaria do "Celeiro"



(ou sera que tinha nome proprio?)

Aqui esta ela, a fotografia da desaparecida papelaria que ficava mesmo ao lado do Celeiro. É pena que tenha sido apanhada nesta perspectiva porque só apercebemos alguém a dar uma vista de olhos nas revistas... a senhora que durante anos lá trabalhou também ficou na foto... não podia ser de outra forma... é a senhora que durante anos espreitou por détras daquela janelinha minuscula que nos fazia pensar que so ela cabia la dentro...

Uns compraram aqui os primeiro maços de cigarros... eu, aqui, lembro-me de comprar carteirinhas de cromos...

e assim sendo, agora quem quiser comprar “artigos de tabacaria” terá que ir até à Cave ou até ao quiosque que fica em frente à Pizza Hut... se ainda existirem, um e outro...

21/03/10

Histórias de traseiras das nossas casas...


Para mim, as traseiras dos prédios sempre tiveram algo de misterioso e muitas vezes pensei que certas pessoas podiam ver através das suas janelas coisas que quem passa de fora nunca poderá saber. Estas são as traseiras da minha casa. Não se pode dizer que tenham grande vista, apesar da frestas do lado esquerdo deixarem ver um bocadinho do pulmão de Lisboa.

Sempre pensei que gostava de subir aos prédios que ficam ao lado de
uma das casas mais antigas de S. Domingos de Benfica, para saber como era a casa e o jardim visto de cima ou por trás. A história das minhas traseiras já a contei. Mas hoje, ao olhar para esta fotografia voltei a lembrar-me do que se dizia. Muitas vezes, quando era pequena, ficava intrigada a olhar para aquilo que em tempos, naquele quintal de baixo, tinha sido uma casa, destruída segundo contam por um incêndio... o poço, que ainda ali estava, deixava-me perplexa e na minha cabeça surgiam mil e uma histórias. Até hoje não sei se é verdade o que se conta ou o que se contou, que ali vivia uma família e que houve um incêndio, a casa ficou completamente queimada e morreu uma criança. As ervas foram crescendo, o quintal quase se transformou num matagal. E um dia, aquele bocado de terreno transformou-se numa espécie de parque de estacionamento de carros velhos, depois numa espécie de armazém para carros novos. Puseram lá dois cães que ladravam muito e assim ficou até hoje… quando pensamos que aqui há muitos anos atrás houvesse quem cultivasse legumes nestas terras….

Esta é a história do lado esquerdo das traseiras, a do lado direito é igualmente misteriosa, mas pelas melhores razões… trata-se das traseiras da única casa antiga que resta na Rua Montepio Geral, já contada
aqui)

E com esta curiosidade sobre aquilo que se pode ver através das janelas de trás desafio quem quiser a tirar uma foto das suas traseiras e/ou contar a sua história…

20/03/10

Parque do Calhau

Confesso que só conheci este Parque depois de adulta ( há uns 4, 5 anos atrás) e fiquei agradavelmente surpreendida com o espaço envolvente.

Parque do Calhau

Situado junto ao Bairro do Calhau, este é um Parque com uma ampla zona de recreio informal, tem ainda um um circuito de manutenção, zona de merendas e campo de jogos.





Aqui existe um dos poucos moinhos de Lisboa, o moinho das Três Cruzes, que é, por excelência, um miradouro sobre a zona Leste da Cidade.




Neste Parque está sediado o Centro Associativo do Calhau, constituído pela ASPEA, QUERCUS e CAAL.

Horário

. Aberto 24 horas
. Acessibilidades

Autocarros (Carris): 70


Texto e fotografias gentilmente oferecidas ao

Mercado de Bem-Fica por Claudia Henriques

16/03/10

A Conchita…


Há duas conchitas na minha vida, uma que compreende uma das maiores vergonhas da minha infância e a Conchita dos bons tempos da adolescência...

Tenho poucas recordações de quando era pequena, mas nunca me esquecerei daquele dia em que os meus pais foram beber um café à Conchita e me levaram com eles. Estavamos sentados numa mesa perto da janela e, terminado o café, eles levataram-se e foram pagar ao balcão. Eu continuei sentada no meu lugar, sonhadora, possivelmente a olhar para os comboios. De um lado para o outro corria uma miuda pequena, do balcão para a parede e da parede para o balcão fazendo muito barulho com as sandálias de borracha quando tocavam o chão. Não sei o que me terá aborrecido mais, mas levantei-me devagarinho, fiquei de pé junto à mesa e no momento em que ela passou a correr ao meu lado, estiquei o pé, ela tropeçou e caiu. Um berreiro que fez voltar todas as caras e vi a minha mãe tornar-se escarlate. E no meio da conchita, à frente de toda a gente, levei uma palmada no rabo que me ficou registada na memória até hoje.

Não sei se terá sido por isso que durante muito tempo deixei de ir à conchita e um dia, resolvi confrontar-me com os meus fantasmas. A Conchita tem uma esplanada mesmo à beira da estrada, onde a circulação é acelarada e onde todo o dia se ouve o barulho dos comboios... sempre tive a sensação de haver imensas coisas a acontecerem à volta, mas podermos continuar a ser anónimos. E um dia a Conchita mudou de proprietários, mudaram as cadeiras e as mesas, começaram a vender pão, faziam tostas mistas, em pão caseiro, deliciosas, e os bons bocados eram feitos com uma massa estupenda. Eu gostava de ir para ali estudar de manhã, sem saber muito bem porquê, conseguia concentrar-me bem. Assim, as manhãs eram dedicadas ao estudo e as tardes aos encontros com os amigos, na esplanada, ponto de encontro de vários grupos da zona...

A memória da miuda pequena que esticou o pé desapareceu e ficou o cheiro fresco do pão, a pastelaria quente pela manhã os fins de tarde mornos, a luz que entrava pelas janelas, a esplanada e os amigos... e, claro, o barulho dos comboios...

12/03/10

Memórias da Rua Inácio de Sousa


Parece que há por aqui muitos revivalistas e eu sou uma delas. Tantas coisas para contar sobre esta rua, mas uma história só, nunca seria suficiente. O que esta rua me faz imediatamente lembrar é a Samira, claro, o meu ponto de referência na Inácio de Sousa. Muitas tardes de Verão e fins-de-semana em... casa dela, tardes de férias (quando ainda duravam três meses) de gelados, chocolates, pastilhas e coca-colas no Sr. Ferreira tudo por conta do avô dela (ou na conta do avô dela) que um dia descobriu e se zangou “a sério”... a sério a sério não, porque era um senhor demasiado simpático para se zangar muito... e por isso, as compras continuaram, em menor quantidade e mais discretamente... tempos depois soubemos que vinha uma prima da Samira, e vimos chegar a Hélia, direitinha de Cabo Verde. A Hélia chegou e foi como se estivesse sempre estado ali. Passavamos os dias a passear na rua para cá e para lá, íamos encontrando a vizinhança, adoptamos a entrada de uma porta e encontramos ali uma espécie de assento para as nossas tardes. O lugar que escolhemos era estratégico para cruzarmos certas pessoas, como o rapaz que trabalhava na loja dos móveis. Não muito longe dali passava muita gente doida, a “maluca” dos óculos escuros (que quando houve o incêndio do Pastelinho, foi à CEBE pedir dinheiro para ajudar), o “Ramalho” com o seu carrinho de cartões, que por vezes falava sozinho outras vezes falavas com as árvores, mas falava muito alto e se estava num dia mau, insultava as pessoas na rua. O rapaz de cabelos compridos e do pacote de vinho na mão, Estrada de Benfica acima e abaixo. Quando eram horas de voltar para casa fechavamo-nos no quarto da Samira com a janelinha lá em cima, a conversar e ouvir música, e quando a casa estava mais vazia experimentavamos a roupa da Vanda, na salinha pequena, ao lado da sala de jantar e tiravamos fotografias... e nos últimos anos, a varanda tornou-se o nosso lugar preferido... já não me lembro exactamente em que momento é que isso aconteceu e como ficamos a saber. Talvez um dia tenhamos ido à janela e tenhamos tido uma espécie de miragem. Do outro lado da rua, três simpaticos rapazes (é o menos que se pode dizer) vindos de Sines para estudar em Lisboa, foram ocupar um apartamento mesmo em frente à janela onde passavamos muitas tardes e foi nesse dia que as contas do Sr. Ferreira começaram certamente a ser mais moderadas, porque o nosso lugar preferido era então a dita varanda azul. Passamos mesmo muito tempo a olhar para o outro lado, a observar os dias daqueles rapazes, penso que não tinham cortinados. Um dia um deles veio fumar à janela e, a partir desse dia, deixaram de ser uma vizinhança platónica...

10/03/10

Largo Conde Ottolini

Para o Rui, para a Gilia e para todos os moradores e ex-moradores deste largo!

Um prédio bonito na Estrada de Benfica...

Estas fotografias já foram tiradas no ano passado. Talvez, entretanto, algumas coisas tenham mudado. Parece que há tempos havia obras logo na esquina com as Galerias Benfica, antigo Habib.


Esta foi mais uma dessas manhãs em que fui à procura de uma reserva de fotografias para os meses que se iriam seguir. Nunca tinha parado antes a olhar para este prédio. Passei para o outro lado da estrada, o dia estava cinzento mas os azulejos castanhos, iluminavam-no. Olhei para as varandas, e depois para as águas fortadas, sempre gostei de águas furtadas a fazerem lembrar o livro de Frances Burnett, “A Princesinha”. Gostei dos azulejos, achei-os retro e aconchegantes... e de repente lembrei-me de uma loja que alguém teve a ousadia de abrir ali, em tempos, numa daquelas portas. Chamava-se qualquer coisa como “Mad Dog”. Tinha roupa original mas cara. Parece que não ficou aberta muito tempo. Depois olhei para a mercearia Santa Isabel, mergulhada na penumbra, mas quase todas as mercearias de que me lembro são assim...

Quem passa, não liga muito àquele comércio, mas quem conhece diz que a mercearia tem fruta muito boa e que a casa de pasto/tasca que vemos mesmo ao lado, apesar de pouco convidativa por fora, esta sempre cheia. A senhora serve deliciosos pratos, tipicamente portugueses, e mima os clientes com atenções.

06/03/10

Jardim de Inverno

Foi um dia antes de irmos embora... há sempre a sensação de que muitas coisas ficaram por fazer… mas vamos vivendo o momento, e quando o dia D chega, levamos a mão à testa e pensamos em tudo o que não fizemos.

Acordei, tomei banho e fui por ali fora… os passos levaram-me para os lados da praça. Mas já era tarde e havia pouca gente… o mercado estava vazio e as bancas desfalcadas, por causa da hora tardia. De maneira que pedi para tirar meia dúzia de fotografias, muito mal conseguidas, e sai à procura de algo que me enchesse a memoria antes de regressar a França… fui por ali, a olhar para todos os lados e a clicar em tudo o que detivesse o meu olhar mais de 3 segundos…












... a poucos metros dali, lembrei-me que podia fazer corta mato para voltar à estrada de Benfica… e, por momentos, tive a impressão de que entrava noutro mundo… ao inicio pensei “um jardim de Inverno” mas rapidamente mudei de ideias, tudo se tornou confuso, havia ali poesia e solidão… como se tudo estivesse desarrumado numa casa bonita…









clic, clic... clic clic… mas quem fez isto? Quem vem aqui? Volto atrás e tento encontrar respostas numa pessoa que me parece viver ali há muito tempo… “vêm para ai à noite, fazem barulho, há quem se queixe”… fico a pensar se será “o pessoal da praça”, termo usado para as pessoas que moravam mais para o lado do mercado e que passavam as tardes na esplanada do “Arabesco” e as noites no “Home” …








a verdade é que estava tudo muito bem distribuído, via-se alguma “arrumação” no meio da desarrumação... uma vassoura... um espelho... em todo o caso parecem pessoas com sede e que de vez em quando para aconchegarem o estômago, usam o micro ondas…













foi uma mistura de sensações, este lugar… um jardim comunitário e … humanitário, foi o que me pareceu...











05/03/10

A Colmeia


Esta é uma foto da Colmeia actual que tem muito pouco em comum com a que eu me lembro nos anos 60. A Riviera, a Colmeia e o Nilo eram "AS PASTELARIAS" que ficavam para além de Palhavã. Era aí que os pais íam beber café enquanto a criançada fazia corridas na rua que ía até à quinta do Largo Conde Ottolini. Posteriormente apareceram o Arabesco e o Califa que deram um toque de modernidade à zona e que, evidentemente, contribuiram para a decadência das restantes...
Na Colmeia tudo eram especialidades: as bolas de Berlim, os pastéis de nata... o bolo rei, com brindes que faziam o encanto da pequenada!

Gostava também de ter fotos da Colmeia, do tempo em que era um café/pastelaria com mesas em cima e na cave. Na cave havia uma telefonia enorme junto às escadas.

Texto da Helena, a quem agradecemos a gentileza, reconstituido a partir de dois dos seus comentarios deixados aqui no Mercado de Bem-Fica

03/03/10

Fotografia para a Helena

Eu ía poucas vezes à Pastelaria Colmeia... se passava por lá era com os meus pais, ou era porque o Arabesco estava cheio ou fechado... num comentário mais abaixo deixado pela Helena, realmente lembrei-me de uma espécie de mezzanine, em tempos, mas a verdade é que já há muito que não lá entro... Quem conhece a história da Colmeia? Tem especialidade?

02/03/10

A Tendinha - Churrasqueira


Para mim é A loja dos frangos de São Domingos de Benfica... quantas tardes depois de um dia de praia ou de piscina viemos aqui comprar um frango e batatas fritas Pála-Pála... cheira a calor... vamos pela sombra da Estrada de Benfica, a uma hora de almoço tardia, vamos na correnteza do comercio tradicional... o Sr. Ferreira, a retrosaria, a loja das malas, a perfumaria da Ju e do Nandim, a loja das loiças que chegou a ser uma ervanária, a drogaria, a Ourivesaria Onix, a Casa da Selva, a farmácia e pouco mais à frente... viramos à direita, passando pelo mercado e pelos dois largos com uma sombrinha agradável também. Se era nos fins de tarde de calor do Verão seguíamos pela Conde Almoster... chegavamos à porta e ja havia fila... mas aquele frango merecia a espera. O Sr. que la esta é o mesmo de sempre, uma simpatia e tinhamos sempre direito às perguntas “com ou sem molho picante? corto em quantas partes?”. Do lado direito do balcão as Pála-Pála em self service e atrás as bebidas. De regresso a casa, agora com o passo mais apressado, é o cheiro do petisco que pede... já imaginamos as mãos com a gordura do molho, porque isto de comer frango assado tem que ser à mão... uma bebida fresca e muitos guardanapos... e no cansaço bom do dia e de barriga cheia acabamos a noite a jogar jogos de sociedade...

01/03/10

A Fangela ou o Sr. Jaime



Foi num dia de Novembro, já no fim das férias. Na véspera tinha ido jantar a casa de uns amigos e conversa puxa conversa fiquei de passar uma entrevista do Lobo Antunes que tinha saído no Y ao Nuno. Como eu tinha gostado imenso de lê-la e queria guarda-la para mim, resolvi ir ao Sr. Jaime tirar uma fotocópia.

Quando cheguei à porta da papelaria achei estranho não ver o nome Fangela inscrito na placa. Entrei. Antes de parar em frente à máquina das fotocópias dei a volta à loja… há sempre tantas coisas para ver nas papelarias… entre os vários modelos de canetas e os cadernos, já se perde uma boa meia hora. Estranhamente achei tudo muito mais vazio. Subi à parte da livraria e achei-a pobrezinha… mas o que na verdade me chamou a atenção foi a ausência de caras conhecidas. Lembro-me bem do Sr. Jaime e de uma senhora na parte da papelaria, lembro-me da pessoa que estava mais vezes nas revistas e fotocopias e da senhora da livraria, claro, onde tantas vezes encomendei os meus livros escolares.

Eles eram todos uma simpatia, sobretudo as senhoras… não me lembro como se chamavam embora me lembre do Sr. Jaime trata-las pelos nomes. Era um serviço personalizado, com direito a explicação e conselhos…

Bem, depois desta enxurrada de memórias e de comparações com tempos antigos, lembrei-me que esta ali para a famosa fotocopia. Aproximei-me do aparelho e veio um rapaz que me perguntou o que desejava. Expliquei-lhe e ficou um bocadinho incomodado com o serviço e com o tamanho das páginas do Y. Um suspiro e um sorrisinho ao canto da boca e diz-me… “saía-lhe mais barato comprar o jornal”. Respondi-lhe que sabia mas que era um numero antigo e logo a seguir perguntei-lhe se a papelaria não pertencia às mesmas pessoas de antes. Ele disse-me “não… que dizer… mais ou menos”… e despedi-me com um “foi o que me pareceu, obrigada”….

20/02/10

O Mimo de Benfica


Não é das melhores fotografias, mas tenho que falar deste café. O Mimo de Benfica é para nós mais conhecido pelo café da paragem. Chamamos-lhe assim porque fica exactamente ao lado da paragem do autocarro. Antigamente existia aqui uma mercearia. Era escura, fresca e cheirava muito a frutas.

Comecei a frequentar o café da paragem todas as manhãs quando ia trabalhar. Enquanto bebia uma italiana, de pé, observava a vida do café. O Sr. João estava sempre ao balcão, de aparência impecável e sempre muito bem educado. A esposa, cujo nome desconheço, devia preparar o almoço na cozinha e de vez em quando apercebiamo-la. Por vezes, às horas de almoço, quando havia sempre mais movimento, ou aos fins de semana o filho vinha também dar uma ajuda.

No Mimo de Benfica, está tudo muito limpo e bem arrumado. Ainda servem os pedidos às mesas e para além da parte de café com pequena pastelaria e restauração rápida há um cantinho de especialidades regionais. A montra que fica de frente para o jardim mostra sempre sacos com bolinhos secos, caixas com queijadas e por vezes encontramos as deliciosas tortas de azeitão.

Aos dias de semana a minha passagem por aqui era rápida. Uma italiana, um copo com água e um bom bocado (bolo que começa a ser dificil de encontrar) observando tudo isto sem deixar de olhar para o relógio mesmo em frente ao balcão. Aos fins-de-semana o café tornava-se mais silencioso. Eu vinha pela manhã e instalava-me nas mesas mesmo ao lado da janela... um olho no público outro no movimento dos sábados da Estrada de Benfica... os autocarros vazios, as senhoras muito bem penteadas que regressavam do cabeleireiro a poucos metros dali, alguém que passa com um saco de compras da loja “dos indianos”, muitos carrinhos de lona, com rodinhas a transbordar de comércio tradicional, alhos franceses frescos do mercado e raminhos de salsa a espreitarem pelos cantos... e, do outro lado da estrada, o movimento de quem vai à “A Cave” comprar o jornal...

10/02/10

Passeando de autocarro...


Lembro-me do tempo em que a carreira 72 apareceu. Na altura não se sabia muito bem qual era o seu destino. Parece-me que chegava ao início da Estrada de Benfica, virava logo à esquerda e ía pela Rua Conde Almoster fora. Como eu raramente ía para aqueles lados, a não ser, anos antes, quando passava as tardes em casa da minha amiga Maria João, não percebia bem a utilidade do percurso. O 72 tinha estação terminal (e inicial) ao pé do 16C, autocarr(ito) que esperavamos pacientemente depois de acabaram as aulas na D. Pedro V. O 16C era daqueles autocarros pequenos... os mais pequeninos de todos com muito poucos lugares. Como viviamos quase todos para o mesmo lado, a nossa turma ficava “ensardinhada” logo no inicio do percurso.

Na paragem do Jardim Zoologico saía a Maria João, na paragem a seguir a Lucinda e a Alexandra, no Arabesco o Nuno Tiago, na paragem do Jardim do campo de Basket saía eu, a Paula e a Cristina (que ia a pé até ao Bairro Grandela para almoçar em casa da avó). Depois o 16C virava no sinal à direita e ia por ali acima. Passava pela Delfim Santos e na paragem a seguir descia o Gonçalo. No Califa descia o Vitor que ficava ali e a Sónia apanhava outro autocarro até ao Cemitério de Benfica. O 16C continuava até ao Bairro de Santa Cruz e ai desciam o Zé, a Inês e a Rosa, que ainda ia a pé até ao Bairro das Pedralvas.

Entretanto, deram sumiço ao 16C e para nossa grande indignação o 72 continuou a “rolar”. Hoje, vejo pela fotografia, o 72 transformou-se no 70 que se tornou um autocarro de “grande gabarito”, talvez devido à importância do percurso e afluência... e a carreira até aparece assinalada no guia de viagem francês “le guide du routard”, onde o Palácio Fronteira é visita vivamente recomendada.

Esta fotografia, de autoria de Pedro Almeida, é emprestada ao blog Diario do Tripulante (sem pedido, mas com a devida menção de autoria- se o autor não estiver de acordo, retira-la-ei) onde ha um simpático texto sobre a carreira 70 que liga a Serafina, o Monsanto e Sete Rios.

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