
Não há muito tempo atrás, existia aqui um sapateiro. Sempre achei muita graça aos sapateiros e sempre os vi como uma profissão para uma clientela menos consumista ou mais apegada às suas coisas. Acho-os preciosos e, olhando para estas portas fechadas, volto a constatar que é uma profissão em vias de extinção... assim como os engraxadores, que ainda não desapareceram por fazerem parte do charme da cidade ou dos hábitos de certas pessoas. Engraxadores em Benfica nunca vi, não sei se em tempos os houve, mas sapateiros há uns quantos. Há aquele em frente ao Jardim Zoologico (entrada da Estrada de Benfica) onde são muito simpáticos. Pela quantidades de sapatos nas prateleiras parecem ter clientela, apesar da montra já não ser o que era. Lembro-me de passar ali à frente e ver na vitrina uma série de malas, carteiras, porta moedas, chinelos em couro... depois, há aquele senhor no Bairro das Furnas e haverá certamente outros, como estes meio escondidos, por toda a freguesia. Alguns modernizaram-se e tornaram-se polivalentes, como o sapateiro do Fonte Nova. Este sapateiro era à moda antiga. Como em quase todas as lojas de sapateiros, tudo é em tons de preto e cinzento, cheira a graxa, as mãos que trabalham têm as unhas pretas, o avental sujo. Há sempre um radio a tocar e há bocadinhos dos mais variados materiais que acabarão, um dia, por ter uso. Não me lembro de ver aqui máquinas, mas certamente haveria alguma e o que era extremamente curioso é que não ainda há muito tempo atrás, este senhor, deixava as suas galinhas passearem alegremente aqui à porta.
Sabem onde ficava?
























e na primavera há um cheiro dos primeiros dias quentes, um cheiro forte das primeiras flores misturado com o ar morno….





