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18/09/11

A " Reserva" dos Índios


Os índios já são adolescentes, fizeram 19 anos no passado dia 11 de Setembro, tantos quantos o do "Parque Recreativo do Alto da Serafina" ou "Parque dos Índios" como muitas vezes é designado e que abriu portas em 1992. Estão portanto de Parabéns , como sabem todos os que já lá foram acompanhando crianças ou por si só, à procura no Monsanto de uma brisa fresca enquanto o ar abafado e pouco respirável do trânsito nas tardes quentes fica lá em baixo na cidade. Ou quem já lá foi piquenicar. Ou quem descobriu palavras novas inventadas pelas crianças pequenas , sim, porque o Parque tem um horário de Inverno e pode-se cair dentro de uma poça de "la(m)ba". Ou quem (des)espera pelo dia em que o Parque passa a funcionar em horário de Verão e se pode aproveitar os fins de tarde até às 20 horas. Ou quem já esteve na esplanada do restaurante Papagaio da Serafina. Para mim a "Serafina" se fosse um gosto era o dos pinhões soltos das pinhas e partidos com uma pedra. Se fosse um olhar poderia ser o do azul do tejo entre arvoredo. A funcionária Teresa é do princípio do Parque, lembra-se bem do dia da inauguração em que foram as escolas e as palavras de um casal "Que grande melão! " à procura da piscina, projectada mas nunca construída, onde agora são os insufláveis. E interrompeu a conversa para atender um pai e ir com ele à procura de um casaco do filho que terá sido deixado nas tendas . Como no primeiro dia. Nós "desculpamos" nunca terem contruído a piscina. Mas espero que a Câmara Municipal de Lisboa nunca se esqueça que os índios, continuam por lá!


imagem retirada de um "poster" da campanha promocional da abertura do Parque.

15/08/11

"Volta a Portugal em caricas"-brincadeiras de outros tempos

Nas férias de Verão da minha infância lisboeta, a malta do Largo, à estrada de Benfica, organizava uma brincadeira que conhecia a adesão de muitos de nós, quando se aproximava a Volta em Portugal em bicicleta.
Contávamos com um material que era um verdadeiro manancial, diremos nós agora, de reutilização : as caricas.Podiam ser da "Laranjina C", do "Vitasumo", da gasosa "Areeiro" , do "Sumol" , da "Sagres", da cerveja "Cuca", da "Canada Dry", da água de Carvalhelhos; fáceis de arranjar , no chão da esplanada da leitaria do srº Manel, ou noutro local qualquer. Procuravam-se as menos amolgadas pelo abre latas, para poderem deslizar melhor quando impelidas pelo piparote que lhes eram dadas pelos nossos dedos.
Escolhíamos seis ou sete caricas que se iriam juntar a mais 60, para deslizarem e tentarem manter-se a cada caricada, em cima de um banco de pedra com cerca de um metro de altura e 12 m de perímetro, forma irregular mas mais ou menos quadrangular, que circundava um canteiro com uma arvore de médio porte no interior. Para poderem cumprir a sua função na brincadeira, as caricas precisavam de ganhar peso e estabilidade e de serem identificadas, era o que fazíamos na fase de preparação . Primeiro cortávamos no topo as tampas de plástico que vedavam as garrafas de vinho de mesa, que pareciam pequenos chapéus e que tinham várias cores. Em seguida, aplicava-se a referida tampa de plástico por cima da carica, encaixava na perfeição e vedava. Depois, aplicava-se plasticina no espaço entre a borda da carica e a tampa.Para identificarmos as caricas, recortávamos dos cromos ( haviam colecções de cromos de ciclistas),a cabeça do corredor pretendido em redondo e aplicávamo-lo por dentro da carica (visível devido ao corte no topo da tampa), completando a identificação com o nome individual e o da equipa recortado de um jornal e colado com fita cola à tampa de plástico ou incrustada na plasticina. "Francisco Valada", "Peixoto Alves", "Joaquim Agostinho", "Fernando Mendes "," João Roque", "Leonel Miranda", "Américo Alves", "António Acúrsio", compunham o pelotão para esta Volta a Portugal “ sui – generis”. A brincadeira era organizada, havia várias etapas, umas mais longas outras mais curtas ( quer dizer, menos ou mais voltas ao banco quadrangular), com calendário, às vezes uma etapa de manhã outra à tarde, com prémio da montanha , prémio Laranjina C e Metas Volantes, nas quatro curvas do perímetro do circuito. Imaginemos 60 caricas em competição... A primeira a cair, não voltava à pista e era classificada na etapa com 60, a outra a seguir com 59, a primeira a cortar a meta com 1. Registava-se tudo etapa a etapa, faziam -se os somatórios. Entretínhamo-nos. Com competição à mistura.
Quando um de nós, dos mais habilidosos dava uma boa caricada e punha a sua à frente, ui !!! os outros não resistiam a comentários de atribuição causal do tipo " Tu tens é uma "g`anda latosa" ...!" ( referente a vaca leiteira; no "zodíaco" daqueles anos 60, era prognóstico de tipo claramente bafejado pela sorte ). As crianças são cruéis, lembro-me bem por isso que esse sortudo, que era o mais corpulento de nós e por isso justamente alcunhada por "Bomba" mais ternamente por "Bombita"numa caricada mais arriscada, desequilibrou-se para trás de mal sentado e só o vimos a fazer o pino que quase se matava. Enfim não foi nada de grave. Eu não tinha muito jeito, normalmente cabia-me a equipa do Tavira ou do Sangalhos, do meio da tabela,naquele tempo. Mas estas "Voltas a Portugal" eram memoráveis.

foto das caricas, retirada do blog http://coleccaodecaricas.blogspot.com
foto "Ases do Ciclismoretirada do blog http://cromos-de-caramelos.blogspot.com/2006/07/17-cromos-de-ciclistas.html"

21/09/10

" O Parque "


Domingo, 23 de Setembro de 2017
Foto de João Xavier.Não há duas sem três e voltei a este "post" , por razões muito especiais; um grupo de velhos amigos re-encontraram-se cerca de trinta e cinco anos depois , amigos de infância , amigos de adolescência. Confirmámos aquilo que já sabíamos ou seja a sobrevivência das amizades mas o que descobrimos de forma muito profunda foi a consciência da importância desempenhada por cada um na formação das pessoas que somos hoje. Nos idos dos anos 60 a finais de 80 do século passado, as crianças e os jovens passavam muito tempo na rua;  a par das nossas famílias, da escola, eventualmente da igreja, a " malta " foi um  poderoso meio de socialização, o lugar das maiores traquinices, onde pisávamos o risco, mas também nos confrontávamos com os nossos limites, por nivelar  no "corpo a corpo" as ficções e a realidade das outras instâncias. Nós éramos convidados das casas um dos outros , os nossos pais conheciam os nossos amigos, as casas dispunham-se à volta do largo, os prédios com janelas e varandas permitiam comunicar , ver e ser vistos, conhecer . Na fotografia somos alguns de nós mas podemos juntar mais, de diferentes gerações, e esperamos poder fazê-lo na próxima vez, pois será sempre uma descoberta e um prazer.
Fomos protagonistas da história que podem ler abaixo e temos um orgulho enorme de o ter sido, pela minha parte, não quero nada menos do que isso!
..em 1975, vivíamos um processo intenso de participação dos cidadãos em todas as esferas da vida. Os moradores mais antigos do Largo Conde de Bonfim, consideraram que o velho jardim central ao largo, já não cumpria a sua função de espaço de lazer e certamente em comissão popular, aproveitando a dinâmica de um vizinho empresário da construção civil, resolvem dotá-lo ou transforma-lo num parque infantil com uma multiplicidade de novos atractivos, a saber, um campo de jogos com balizas e tabelas de basquetebol, uma pista para atletismo ou bicicletas, um corredor para exercício físico de inspiração militar (subida de cordas, barreiras, equilíbrios…), zona de baloiços, uma biblioteca, pontuado aqui e ali por novos espaços verdes, bancos e mesas, e até um WC. O processo de planeamento do novo parque foi concorrido, muito vivido pelos moradores, em reuniões nocturnas na loja e arrecadação de materiais do vizinho empresário, e onde a malta adolescente também se fez ouvir, representada por um de nós, mais velho, que tinha ido à guerra colonial e voltara. A malta queria colaborar, o largo também nos pertencia, era nos bancos de jardim que nos encontrávamos na nossa adolescência nocturna, estávamos como peixes na água, mas não tínhamos desafogo económico, de modo geral não recebíamos mesadas dos pais, quando um de nós recebia uma nota partilhávamos com os outros e íamos ficando por ali. Toda a gente colaborou para a construção do parque infantil, disponibilizando tempo de fim de semana; o sapateiro deu da sua loja, a electricidade para os trabalhos --- mesmo acabando por ficar com o quadro eléctrico derretido--- os moradores, a mão de obra, o empresário de construção civil o seu saber - fazer especializado e materiais e certamente muitos outros contribuíram mas não me apercebi na altura… Alguns equipamentos lúdicos foram improvisados com materiais de construção, reutilizaram-se as pedras dos bancos que já lá estavam e dispostos em novos lugares e para novos usos, plantaram-se novas árvores. Isto em consonância com a Câmara Municipal já que o novo parque seria vigiado por funcionárias municipais assim como ficaria encarregue da manutenção dos espaços verdes. A nós, adolescentes, caberia a animação desportiva e cultural do parque e foi organizado um calendário de actividades, com horários estipulados, para todas as crianças que aparecessem e delas quisessem usufruir; cada um dos adolescentes monitorizava a actividade da sua preferência, treinos de voleibol, de futebol, corridas de atletismo ( Carlos Lopes era já popular e orgulho de todos nós só batido pelo Lasso Viren em Montreal) , actividades de leitura e alfabetização ( tínhamos um bairro da lata ao lado)… E lá estivemos orgulhosos, nas nossas animações, quando se realizou, a um domingo, uma jornada de trabalho nacional!....

Agradeço ao Srº Adão, sapateiro do largo, a forma tão prestável como em Abril de 2011 cedeu a foto que tinha emoldurada na sua loja e embora já reformado volta ainda hoje ao parque onde o encontrámos neste dia de Setembro sentado num banco pronto a desfiar memórias e tecer as suas considerações e sempre "vivaço" no relacionamento.
Dedico este texto à memória dos antigos moradores.
Aos actuais moradores do largo.
E como não pode deixar de ser, à  "malta" do Largo Conde de Bonfim .

12/09/10

Sport,Lisboa e Infância


Lugares de jogo da minha infância lisboeta, numa praceta , nos finais dos anos 60 e princípio dos 70, século XX." Vou para o jardim Mãe … " descia em saltos de sete degraus os lances de escada do 3º andar até ao rés do chão. Era o tempo em que o Verão tinha três meses, nas tardes de canícula, a partir das 4 e meia começava o futebol…Circundado por prédios de três andares, o jardim era o espaço mais amplo e apetecível para o futebol da malta, de solo empedrado ligeiramente inclinado mas macio, preferível ao alcatrão da estrada que circundava o jardim e que terminados os prédios confinavam com uma "quinta", lugar de duvidosa garagem, térreas barracas onde viviam pessoas, cresciam ervas por todo o lado, cascalho, cães e carreiros por onde se chegava às azinhagas .
A baliza sul era entre a pedra da bica , e a esquina do ressalto calcário que delineava o caminho de entrada e saída do jardim. Atrás, a Estrada de Benfica dos eléctricos e dos autocarros de dois andares da Carris. A baliza norte era delimitada por um dos lados de um banco quadrangular de pedra calcária, 3x3m, que circundava um canteiro com uma arvore de médio porte no interior. A criançada gostava de subir aquela árvore e lá ficar empoleirada, a salvo, provavelmente do mundo dos adultos, sítio para pensar ou apenas estar…
Nessas tardes intermináveis, os desafios, muda aos cinco acaba aos dez em regime de sessões contínuas, eram jogados por todos com entrega total, uns mais novos, outros mais velhos, e por vezes, juntava-se a nós um ou outro adulto , abrindo um parêntesis nessa sua condição. As contribuições dos crescidos que não resistiam a entrar em partidas tão renhidas eram por vezes assaz cómicas, como por exemplo o livre marcado " à Eusébio ", cheio de balanço, por um dos mais velhos que já tinha ido "às sortes" ; perante barreira assustada o remate acabava por parir um rato pois a bola voava por cima da arvore indo parar à loja do sapateiro no topo da praceta enquanto era o próprio sapato do marcador de livres a entrar na baliza improvisada. E era tudo a rir...Ou então o adulto obeso, de fato, resolve entrar na jogatana da malta, pleno de entrega, e desfaz-se em suor o que leva algum tempo para se dessedentar e recompor da camisa alagada e do pó nas calças. O jardim era nestas tardes verdadeiramente multi-usos pois enquanto a miudagem jogava à bola, nos bancos dos jardins, linhas limite de um lado e de outro do campo de jogo, avós sentavam-se com os seus netos normalmente crianças pequenas, criadas namoravam com magalas, … Por vezes a bola ressaltava na cabeça da" netinha ", iniciando o choro compulsivo da criança, a indignação da avó e as desculpas do "infractor" apressadas pela febre da refrega futebolística que urgia.
Esta actividade futebolística no jardim era pois actividade proibida . Os jogos desenrolavam-se na incerteza do aparecimento sub-reptício do encarregado da jardinagem, alcunhado como "o mau", capaz de nos subtrair a bola, de a retalhar com um canivete, aí tudo parava, escondia-se a bola "assobiava-se para o ar". Mas a cegada maior era quando aparecia a polícia, "a bófia", "os chuis", havia a possibilidade difusa de ir parar à esquadra, e aí é que era debandada da malta, em corrida desenfreada em direcção à quinta, por onde nos embrenhávamos em dias de maior aflição, ou escondendo-nos nas escadas dos prédios com portas ocasionalmente abertas.

dedico este texto à malta do " Conde de Bonfim "

24/08/10

Deserta esta a cidade

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Mês de Agosto em que a cidade é pertença de quem a deseja conscientemente percorrer. Tempo de êxodo urbano em fugaz suspensão da rigidez de horários, desaparecimento da «voragem empolgante» tal como a retratou Rodrigues Miguéis por tanto conhecer o bulício citadino…Mesmo com orçamentos contidos , a diária caravana através da ponte à procura de sol, de mar... No passado alguém afirmou que Coney Island se encontrava para os nova-iorquinos como a Costa para os lisboetas. Não sei se será legítima tal aproximação e há muito que não visito a praia da margem Sul … Surgiu o pensamento quando os olhos se fixaram num dos poucos locais a trazer uma certa nostalgia do bulício: o parque infantil expondo-se, sem sentido, quando afastado de risos e correrias de criança.

Despojado o local de cores e chilreios, ganham sentido fragmentos desta Elegia número onze:
[…]
- são os passos que fazem os caminhos.
Deserta está a cidade.
Se houvesse alguém andando sozinho
- para ele se acenderiam então, como um olhar, todas
as cores!
Porque a cidade está cega, também.
O que não é visto por ninguém
não sabe a cor do aspecto que tem.
[…]

Mário Quintana

17/04/10

O jardim da paragem...

Este é o jardim onde iamos aos domingos em que não havia planos. Antes não era assim, não tinha nada destas diversões e escorregas novos.


Para nós sempre foi o jardim da paragem ou o parque. Há alguns anos estava rodeado por uma rede verde que devia ter 1m70, as portas estavam sempre abertas durante o dia. Neste jardim, havia logo à entrada um chafariz que servia, não apenas a quem brincava lá dentro, mas a qualquer transeunte que tivesse sede. Todo o chão era preenchido de areia e logo em frente à entrada havia um escorrega vermelho com uma base cor de aluminio. Mais à direita estavam os baloiços, velhinhos, com assento de madeira, uma tábua em frente que deslizava pelas correntes até baixo para nos impedir de cair para a frente e, para ganharmos balanço, agarravamo-nos a uma espécie de corrente traçada que mantinha os baloiços presos lá em cima. Mais em frente ao café Bonfim estavam as barras de ferro para fazer cambalhotas, havia 3 de tamanhos diferentes. Na parte de cima do jardim a rede misturava-se com alguns arbustos e aí estavam as casas de banho. Espalhados pelo jardim existiam vários banquinhos de madeira onde os adultos podiam vigiar as crianças ou os velhinhos podiam ver desfilar a vida alheia...

Uma das maiores atracções deste parque era o campo de basquete e talvez ainda hoje o seja.
Aos fins de semana havia sempre rapazes que corriam batendo a bola no chão e saltavam alto para a enfiarem dentro do cesto. Por vezes, pareciam fazer jogos “mais sérios” e nesses dias o jardim enchia-se de pessoas à volta da rede que delimitava o campo, gritando pela equipa que apoiavam.



Entretanto, com os anos, o jardim começou a sofrer algumas alterações. Tiraram a rede colocaram novas diversões e mais modernas e parece-me que o chafariz desapareceu... e, desta ultima vez que lá estive, voltei a ver que estava em obras, não sei como ficou no final... mas o campo de basquete parece que se mantem...