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03/10/13

“ O Laranjal do Conde de Bonfim” ou "Recordar é Viver ! "


É difícil a mobilidade no largo, só com uma entrada, veículos sobre os passeios, a ambulância entra com precisão milimétrica para ir buscar o doente idoso.
As fachadas dos prédios do Largo Conde de Bonfim estão pintadas com cores pastel, o Parque Infantil não têm crianças a esta hora da manhã de Setembro, acantonadas nas escolas.
O tempo retrocede, na mesma coordenada geográfica. 

Um rapazinho aproveita os ramos da árvore do jardim, para testar a sua coragem e encontrar um refúgio; à tarde corria com os outros miúdos atrás de uma bola, últimos "cartuchos" das férias, coração a bombear o peito todo, tempo parecendo não ter fim. Os eléctricos tilintavam e guinavam sobre os carris da estrada de benfica. Por vezes, acompanhava a mãe a comprar flores na Quinta das Campainhas e planava sobre um ar cheiroso e perfumado. 
Noutra intersecção do tempo, no mesmo local, uma criança segura uma laranja na mão e o sol de fim de tarde escorre-lhe pelos dedos.
O laranjal era do Conde de Bonfim, para onde ia em certas tardes, mesmo ao lado da Quinta das Campainhas onde nascera e vivia.Conhecia bem aqueles campos, quando a seara estava alta, aí se escondia, a criadagem caminhando vereda acima, entre as oliveiras, até à eira e depois aparecia na vacaria para beber do leite acabado de mungir, leiteiras cheias para uso doméstico. No início do Verão apanhava rãs no regueiro junto ao muro.

Em 15 de Fevereiro de 1941, o dia do ciclone, o eucalipto de grande porte que ladeava o laranjal abateu-se sobre muro rosa da propriedade do Conde de Bonfim. Ficou muito impressionado o rapaz, que nos dias seguintes, ainda tentou fazer do eucalipto tombado a sede das suas brincadeiras.
A ambulância retirou-se, e desbloqueou a entrada para o largo, voltando-se a poder circular.


(Texto a partir de uma conversa  ocasional  e afortunada com  um antigo morador da Quinta das Campainhas,  ou "Palácio do Beau Sejour")

24/09/10

As quintas de Benfica

Convidou-me a J.F para escrever umas coisas sobre Benfica. Matutei um pouco sobre o que poderia ser interessante escrever e fixei-me no motivo porque comecei a comentar os vossos posts: o revelar de histórias antigas, abrir o baú do sótão e trazer à luz pérolas esquecidas ou desconhecidas. Lembrei-me de algo que havia perto da extinta estação da Cruz da Pedra, antes de rasgarem a Radial de Benfica. Talvez nunca tenham dado por um amontoado de pedras que por aí havia, restos de uma antiga quinta senhorial sobranceira à Igreja do convento dominicano, hoje Igreja da Força Aérea, e do Palácio dos Marqueses de Fronteira. O que sabem sobre essa e outras quintas? Têm fotos desse tempo?

Cristina

12/05/10

A Quinta da Granja

QUINTA DA GRANJA

Em Benfica a maioria dos monumentos resulta das quintas que se espalhavam pelo território. A título de exemplo salienta-se a Quinta da Granja.

Situada na Freguesia de Benfica, entre a Av. do Uruguai, a Av. Lusíada, a Av. Do Colégio Militar e a Rua Dr. José Baptista de Sousa, a Quinta da Granja já existiria no séc. XVII.

No século XIX, sob as mãos da família Van Zeller, entregavam-se essencialmente à produção de vinha, actividade agrícola que dominava nas muitas quintas agro-pastoris que havia nesta região periférica da cidade de Lisboa. Esta produção foi abandonada na segunda metade do século XIX, altura em que a plantação foi atacada pela filoxera. A partir desta data, a cultura de cereais passou a dominar, o que ainda acontece actualmente na parte da Quinta (a Granja de Cima), que, desde 1824 pertence à família Mesquita.

Este é um dos raros exemplos de unidade de produção agrícola que ainda permanece em actividade na cidade de Lisboa.

Esta actividade pode ser observada na Quinta da Granja de Cima em duas vertentes: - Anualmente pode assistir-se à preparação da terra para a sementeira do cereal que nesta altura do ano (primavera) já começa a amarelecer. Daqui a uns tempos virá a máquina fazer a ceifa à qual se segue a separação do grão da palha. Daí a umas semanas outra máquina procederá ao seu enfardamento. Esses fardos serão transportados para outras paragens.

- A Quinta da Granja de Cima tem vários caminhos que se dirigem para a casa grande, todos eles ladeados por grandes oliveiras nas quais se processa, no Inverno, à apanha da azeitona de uma forma manual. As mantas estendem-se pelo chão ao redor das árvores, varejam-se com uma grande vara. Depois é só tirar a folhagem que caiu e ensacar as azeitonas.

O espaço da quinta também é aproveitado pelo cidadão comum para passear os cães, as crianças, e até mesmo para a prática de aeromodelismo.

Nos terrenos adjacentes (a Quinta da Granja de Baixo), de propriedade municipal, foi inaugurado em 2009 o Parque da Quinta da Granja e que é um novo espaço de lazer e de contacto com a natureza. Aparentemente ainda há muito a fazer na interligação das hortas ali existentes e o jardim propriamente dito, mas o espaço está já muito agradável.

O edifício que se pode ver no ponto mais alto de todo aquele espaço ainda se mantém em ruínas mas há a previsão de que em 2012 deixe de estar ao abandono pois prevê-se que seja ali construída pela Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger (ASPA), uma residência de dois pisos destinada à formação profissional e reinserção social de 53 jovens portadores da síndrome de Asperger.

A Quinta da Granja que afinal é composta por dois espaços distintos, é um pequeno pulmão para Benfica e um óptimo espaço onde a paisagem ainda é verde.

Sílvia Souto

02/01/09

Quinta da Granja










Circundada por prédios altaneiros, um terminal rodoviário, um centro comercial e um enorme hospital, ali bem perto da 2ª Circular, ergue-se a Quinta da Granja.

Alheia ao tempo que passa e aos avanços da modernidade, naquele espaço apenas impera ainda a vontade da natureza... e as lides rurais associadas a cada uma das estações do ano.

Antigamente, quando por ali passava todas as manhãs, a caminho do emprego, ficava largos momentos embevecida a olhar para aquele espaço natural imenso dentro da cidade, que o Homem ainda não conseguira usurpar.

Nunca ali vislumbrei vivalma, a não ser os parcos hortelões que por ali bem perto ainda cultivavam a sua subsistência em pequenas hortas urbanas.

Da Quinta da Granja de Baixo soube mais tarde que permanecia inabitada, em ruínas e votada ao abandono, como a grande maioria dos palácios e casas senhoriais de Benfica.
Mas e aquela outra casa branca, que se podia ver ao longe, quando por ali passávamos a pé? Será que ainda ali habitaria alguém?
Às vezes, dava-me vontade de lá ir espreitar.

Na Primavera, os campos enchiam-se de um verde frondoso, ao passo que a meio caminho da chegada do Verão, alguém areara todo aquele imenso terreno... vendo-se pequenos montes de erva apodrecida, por aqui e por ali.

Rezam as memórias dos mais idosos de Benfica (pelo menos de 2 senhores que uma vez escutei no autocarro), que os diversos herdeiros daquela Quinta não conseguem chegar a consenso... e daí a mesma ainda não ter sido vendida ao desbarato para gáudio de alguns promotores imobiliários.

Em ano de eleições camarárias, corre, por outro lado, a notícia que a Quinta da Granja vai dar lugar a um imenso Parque Urbano.
A ver vamos!...









05/04/08

Quinta das Pedralvas



No início dos anos 70, a proprietária da Quinta das Pedralvas doou as suas terras à Câmara Municipal de Lisboa com a condição de serem utilizadas para habitação e fins sociais...

Do lado direito foi construído um bairro de renda económica com amplos espaços verdes. Longos anos mais tarde, foi, também, construído um bairro de prédios com inúmeros andares, para a classe média alta.
Do lado esquerdo, na confluência com a Amadora, nos anos 60, começaram a ser construídas habitações por imigrantes de Cabo-Verde e Angola, que os governantes da altura foram buscar aos seus países com o intuito de os colocar a trabalhar nas grandes construções que então se preconizavam para Portugal (ex. metropolitano de Lisboa)... mas "esquecendo-se" que, entre outras coisas, estes indivíduos necessitavam de casas onde habitar.

No meio, entre lados tão distintos, existiam hortas e jardins, trabalhados por pessoas que habitavam naquela zona... o último resquício do que outrora fora a Quinta das Pedralvas.



"Portas de Benfica - Pedralvas", [c. 1940]. Fotografia de Eduardo Portugal
in
Arquivo Municipal de Lisboa





"Quinta das Pedralvas", (1962). Fotografia de Goulart, Artur,
in
Arquivo Municipal de Lisboa





"Prédios em construção em Benfica", Fotografia de Goulart, Artur,
in
Arquivo Municipal de Lisboa





Quinta das Pedralvas, esta manhã.

O avanço da CRIL, de uma forma contra-natura, tem vindo a causar danos graves em termos ambientais, afectando igualmente de variadas formas os moradores.

Mais informações sobre o que tem vindo a acontecer... aqui.
A revolta dos moradores e as razões de protestarmos contra este traçado da CRIL... aqui.
Um belissímo texto sobre as pessoas que trabalhavam estas hortas e jardins... aqui.