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05/01/14

Eusébio da Silva Ferreira


Até aos primeiros anos da década de setenta, o futebol era muito central na vida dos portugueses, circunscrita que estava a sua liberdade para outros assuntos mais importantes. 
O Sport Lisboa e Benfica era vencedor sem grande oposição a nível nacional. Eu, com 10 ou 11 anos, pensava muitas vezes que era "especial", beliscava-me. Como é que se poderia ter tanta sorte ? Ser do clube campeão ( tantas vezes ) no país e no estrangeiro, de ter familiares tão ligados ao futebol do clube, e de viver tão perto do Estádio da Luz? 
Tinha por vezes compaixão silenciosa pelo meu tio Vilas, o único sportinguista da família, que apanhava robalos nas pescarias desportivas nas marginais dos seus tempos livres e que entristecia , manso, nas discussões familiares sobre bola. 
De São Domingos a Benfica estávamos no centro futebolístico da simpatia e da paixão clubista, muitos jogadores moravam lá, 
como no dia em que vi entrar na sala de aulas do externato, o Cavém, bi-campeão europeu, com o filho, e o professor a perguntar se alguém sabia o nome daquele senhor e eu a saber muito bem que ele jogava com o número dois nas costas e a fazer um brilharete respondendo sem hesitação, como a mais nada, respondi na ponta da língua na escola primária,
podíamo-nos cruzar com o extremo esquerdo Simões," o rato atómico", ao pé do Califa, ainda incrédulo a tentar explicar por gestos a um amigo, as palavras não serviam, como é que na véspera , depois de se recuperar três golos ao grande "Celtic" se perdeu ingloriamente com uma moeda ao ar, 
passávamos na praça Drº Nuno Pinheiro Torres a caminho da escola e olhávamos sempre embasbacados para o SAAB, amarelo canário do Eusébio, 
" Passem a bola ao preto …! " era o que eu ouvia nos momentos mais difíceis dos jogos mais decisivos, a meu lado nas bancadas, quando tudo parecia perdido, a esperança da multidão condensava-se
nos seus movimentos, como uma pantera , Eusébio da Silva Ferreira, 
" Passem a bola ao preto..." era um pedido e um reconhecimento, dentro do campo só não estava em pé de igualdade com os outros porque era o melhor.

Obrigado e Até Sempre, Eusébio da Silva Ferreira

 a partir de um post do Mercado de Bem-Fica
http://mercadodebemfica.blogspot.pt/2010/10/os-jogadores-de-futebol-do-benfica.html

17/03/12

Peça de colecção O Benfica Ilustrado


O BENFICA ILUSTRADO era revista muito atractativa para mim quando criança, o meu pai não a comprava mas eu encontrava-a em casa do meu avô. Como revista que era, tinha uma visualidade diferente do jornal, especialmente as capas com fotos a cores em formato grande dos meus ídolos do futebol. A primeira revista saíu em 1 de Outubro de 1957,como suplemento mensal do jornal O BENFICA , o número avulso custava 3 escudos e 50 centavos e saíu ininterruptamente até Setembro de 1966, altura em que foi suspensa porque as despesas eram superiores às receitas. A capa do Número 1 da revista é feita com Maria Helena Farelo campeã de ténis de mesa na equipa de senhoras.

09/01/11

O "rink" da Gomes Pereira


Na minha infância, a sede do Sport Lisboa e Benfica era na Avenida Gomes Pereira , logo a seguir à Fabrica Simões, para quem vem, como eu vinha, da estrada de Benfica, onde descia do eléctrico em que viajava desde São Domingos de Benfica, acompanhado pela Judite , a servir na minha casa , e que hoje todos os meus consideram da família sendo a inversa igualmente verdadeira .
As aulas de ginástica eram por volta das seis da tarde, nem sempre me apetecia ir, devia querer brincar , tal com o a minha filha não lhe apetece ir ao ballet ou a coro, por vezes íamos a andar quase a correr num "stress à anos 60"!,uma vez caí e parti um dente de leite, devia ter 4 ou 5 anos, acho que fiz duas épocas de ginástica no Benfica.
Várias vezes ao longo dos anos, tenho pensado que me tem sido muito útil esse tempo de ginástica, já que me deram uma essencial "gramática" físico-motora , que me tem dado imenso jeito. O rinque da sede do SLB, onde se jogava hóquei em patins, era onde eu fazia a maioria das minhas aulas de ginástica, e era circundado por uma bancada em cimento, de um dos lados, por uma bancada de madeira do lado oposto, e num dos topos, pelo peão.
Ao ver as fotografias reparo que o grupo era misto, quanto ao género, pelo menos nos saraus como o que a imagem reporta; naqueles anos 60 em Portugal, a coeducação dos sexos, no ensino oficial e particular, não era praticada, era mesmo proibida devido à influência da igreja na sociedade.
Nos dias de chuva, os professores, um homem e uma mulher, creio que casal, levavam-nos para um "ginásio", onde existiam plintos, cavalo com arções e outros equipamentos de ginástica.
Voltei à Gomes Pereira, várias vezes depois disso , a seguir ao 25 de Abril vi lá sessões estivais de cinema ao ar livre, e por volta dos trinta anos voltei a utilizar o rinque , alugado pelos fregueses e por malta amiga, para jogar futebol de salão, já depois de ter deixado de ser propriedade do clube, e passar a ser equipamento da Junta da Freguesia de Benfica . Foi nessa altura, que guiado pelas minhas memórias e nostalgias procurei o "ginásio" onde fazíamos os exercícios quando chovia; deparei-me incrédulo que esse espaço era afinal uma minúscula sala,pelo que me "revi" retroactivamente como Gulliver no país dos gigantes ou ali e naquele momento em Liliput, e lembrei-me do artista plástico e cartonista Sam, que brincava com as dimensões dos objectos do quotidiano para criar absurdo.

21/10/10

Os jogadores de futebol do Benfica


Até aos primeiros anos da década de setenta, o futebol era muito central na vida dos portugueses, circunscrita que estava a sua liberdade para outros assuntos mais importantes.
O Sport Lisboa e Benfica era vencedor sem grande oposição a nível nacional. Eu, com 10 ou 11 anos, pensava muitas vezes que era "especial", beliscava-me. Como é que se poderia ter tanta sorte ? Ser do clube campeão ( tantas vezes ) no país e no estrangeiro, de ter familiares tão ligados ao futebol do clube, e de viver tão perto do Estádio da Luz?
Tinha por vezes compaixão silenciosa pelo meu tio Vilas, o único sportinguista da família, que apanhava robalos nas pescarias desportivas nas marginais dos seus tempos livres e que entristecia , manso, nas discussões familiares sobre bola.
De São Domingos a Benfica estávamos no centro futebolístico da simpatia e da paixão clubista, muitos jogadores moravam lá,
como no dia em que vi entrar na sala de aulas do externato, o Cavém, bi-campeão europeu, com o filho, e o professor a perguntar se alguém sabia o nome daquele senhor e eu a saber muito bem que ele jogava com o número dois nas costas e a fazer um brilharete respondendo sem hesitação, como a mais nada, respondi na ponta da língua na escola primária,
podíamo-nos cruzar com o extremo esquerdo Simões," o rato atómico", ao pé do Califa, ainda incrédulo a tentar explicar por gestos a um amigo, as palavras não serviam, como é que na véspera , depois de se recuperar três golos ao grande "Celtic" se perdeu ingloriamente com uma moeda ao ar,
passávamos na praça Drº Nuno Pinheiro Torres a caminho da escola e olhávamos sempre embasbacados para o SAAB, amarelo canário do Eusébio,
" Passem a bola ao preto …! " era o que eu ouvia nos momentos mais difíceis dos jogos mais decisivos, a meu lado nas bancadas, quando tudo parecia perdido, a esperança da multidão condensava-se
nos seus movimentos, como uma pantera , Eusébio da Silva Ferreira,
" Passem a bola ao preto..." era um pedido e um reconhecimento, dentro do campo só não estava em pé de igualdade com os outros porque era o melhor.
Nos "furos" da escola preparatória, eu e os meus colegas iniciámos umas escapadelas ao antigo estádio da Luz para ver os treinos do "Benfica" e aproveitávamos para pedir autógrafos aos jogadores e admirar as " máquinas" em que se transportavam . Conhecíamos bem o estádio e os portões gradeados do lado do 3º anel que aos dias de semana estavam abertos e pelos quais nos esgueirávamos infiltrando-nos dentro do estádio, raramente avistando funcionários do clube, para nos instalarmos à socapa nos camarotes a assistir aos duros mas divertidos treinos ministrados pelo treinador inglês Jimmy Hagan, e às destrezas de Néne, Jordão, José Henriques , Bento e muitos outros .
Corria tudo sem problemas, excepto no dia em que os "penetras" no treino se manifestaram com pouco recato e com menor admiração pelas execuções dos craques, assobiando e apupando, o que apanhou desprevenidos os jogadores que não se sabiam observados e que estavam num curto período de resultados menos bons. E vai daí, com tamanho "stress" profissional, o Simões, na altura um dos jogadores mais veteranos, começou a lançar imprecações na nossa direcção, que àquela distância, fazia lembrar os balões sem palavras da Banda Desenhada com bombas de pavio acesso, correntes, frascos de veneno e raios o que provocou a nossa rápida retirada. A revolta dos ídolos era coisa difícil de sustentar...

03/10/10

" O Estádio "


O antigo estádio da Luz foi um local importante na geografia da minha infância, pois morava muito perto dele, num largo à estrada de benfica. Com os tempos, aprendi a "ler" os sons que vinham do estádio, como se fosse um índio a decifrar sinais de fumo na pradaria; a imagem não é completamente fílmica porque entre a minha casa e o estádio existiam quintas dedicadas à agricultura e lacticínios, campos de trigo e vacarias, ligadas por azinhagas empedradas, e que prolongavam a antiga Rua dos Soeiros, da estrada de Benfica à estrada da Luz . Mesmo que não tivesse ido à bola, perscrutava os sons desde o meu largo e interpretava-os, sabia se tinha sido golo do Benfica, qual o nível do entusiasmo das exibições e das vitórias, a irritação protestativa do público quando as coisas não corriam bem ou o silêncio barulhento dos maus resultados, os golos dos adversários nos jogos importantes. Comecei a aprender muito cedo, a primeira vez que fui ao estádio da luz em dia de jogo , tive medo, era muito pequeno, assustei-me com os gritos do público, os pés das pessoas contra o cimento das bancadas do terceiro anel, as manifestações efusivas aquando da marcação dos golos, talvez os protestos contra as decisões do árbitro e o bruáá desesperado quando a bola não entrava.
Hoje quando vou à bola no novo Estádio da Luz , já não vou pelas azinhagas de que restam apenas vestígios e já não passo pelas poucas quintas que sobrevivem mas se olhar com atenção para a direita na entrada dos Altos dos Moinhos do novo estádio sei exactamente onde se erguia o antigo Estádio da Luz.
Se "olhar com atenção", o meu avô ainda lá está a meu lado nos lugares cativos por baixo do 3º anel, nos dias e noites de jogos grandes, os vizinhos da bola a apertarem-se na bancada para o puto se puder sentar, o avô a dar joelhadas reflexas no neto, querendo muito chegar àquela bola, em movimentos inscritos no corpo de futebolista da década de trinta, enquanto mastigo rebuçados, é prá tosse otimel, é prá tosse , e o vizinho da fila de baixo à esquerda, o da voz rouca, desenrola o farnel ,
tínhamos que ir mais cedo nos jogos grandes, mesmo os sócios com lugar cativo como o meu pai e o meu avô, o estádio com sessenta mil pessoas esgotado,
farnel a sério com garrafão de 5 litros, o vizinho da voz rouca a oferecer do farnel, e a sorrir, enquanto o jogo não começava, e eu a pensar agora, que nunca lhe ofereci um rebuçado para a tosse,
nos jogos europeus a emoção era muita, era o somatório dos resultados de dois jogos, tínhamos estado em vantagem e agora já não, mas veio o terceiro golo e foi a alegria total, tudo a abraçar-se, mas o vizinho da fila de baixo à esquerda deitado com a comoção,
façam-lhe respiração boca a boca,
felizmente foi passageiro,
deixe lá o farnel e o garrafão de 5 litros,
o jogo a continuar e logo a seguir o Benfica faz 4-1 e depois a marcar o quinto, o delírio total,o vizinho ainda não estava bem recuperado, voltou a vacilar, mas nenhuma sombra passou pelo estádio…
Se fechar os olhos e me concentrar, acho que ainda posso ver o que via quando,
depois de uma soalheira tarde de bola na Luz , descendo a rua dos Soeiros com meu pai até à estrada de benfica,
fechava os olhos , ainda com as retinas impregnadas do verde do campo , das camisolas berrantes e de luz intensa e clara.

28/02/10

Outra peça de colecção




Alfinete de lapela com cerca de 2 cms de diâmetro e 4 cms de espigão em metal pintado a esmalte, comemorando o Bi-Campeão da época de 1961/1962 o BENFICA, que hoje descobri junto de miuta tralha, em Tomar no encontro nacional de coleccionadores, que aí tem lugar hoje 27 e amanhã 28 de Fevereiro de 2010..
Texto e imagem de Carlos Caria

01/02/10

O Campo de Sports do Bemfica



Assim era o campo de Jogos do Sport Lisboa e Bemfica em 1919.
Cliquem na imagem e façam uma viagem no tempo até há 81 anos atrás.

Ilustração Portugueza, 1919

16/05/08

SLB

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Ao "folhear" o Arquivo Municipal de Lisboa, encontrei esta foto.
Os nossos dois comentadores, Francisco e Anónimo, quererão comentar àcerca?
Depois incluia-se o texto neste post.
Um abraço!