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13/06/14

Os putos da minha rua




Quase 40 depois ainda vivo na rua onde nasci e decerto que ha quem viva aqui ha muito mais tempo do que eu. Ruas assim, com vizinhança que vive no mesmo prédio desde sempre, que viram crescer os filhos e os netos, os seus e os dos vizinhos parece que ja ha poucas. Mas a minha ainda esta de pé e viva. Provas disso ha muitas, mas a mais recente é a festa de Santo Antonio organizada ontem pelo putos que andavam de bina, conversavam à porta dos prédios até às tantas da manha, jogavam futebol "la atras" e basquete no campo do parque. Estes putos cresceram, sao adultos, agora, e quase que nao conseguem sair da daqui. Uns sairam, vivem em prédios ou casas de outros bairros, mas regressam sempre à Montepio Geral, para falar com os amigos, para visitarem os pais. Aqui encontra-se sempre alguém, sabe-se sempre das novidades. Ha tempo. Tratam os comerciantes pelos nomes proprios e por tu, viram lojas abrir e a fechar vêm lojas que, estoicas, mantêm as portas abertas, tiveram filhos ou vêem os filhos dos amigos crescerem. Talvez estes novos putos peguem nesta pequena aldeia no centro de Lisboa e nao deixem acabar festas como as de ontem. Uns mobilizaram-se para a organizaçao, era preciso arranjar mesas e cadeiras, fazer as compra... todos os anos a festa cresce. Muita gente, cheia de boa disposiçao de volta das bifanas, dos chouriços, das sardinhas, os grelhadores a fumegarem toda a noite, a comida sempre a sair, bebidas frescas. A rua decorada, uma banda especial que cantou e encantou os montepioenses e muita gente a conversar e a dançar. As maes, as irmas e as namoradas fizeram as sobremesas, os escuteiros trouxeram os manjericos e como o primeiro jogo do mundial começava exactamente no dia dos Santos Populares, nao faltaram as televisoes, emprestadas pelos vizinhos em ligaçoes improvisadas. Tinhamos tudo aqui, numa Rua de S. Domingos de Benfica e nao tinhamos confusao. Pode nao parecer, mas organizar uma festa assim, mesmo que seja so para uma rua pequena requer uma grande trabalheira, mas esta festa so foi possivel graças à generosidade de todas as pessoas que para ela contribuiram, com tempo, muito boa vontade e uma optima disposiçao. Quando viemos embora eram quase 3 da manha e os "putos" ainda ficaram na rua, para arrumarem tudo e tenho a certeza que a esta hora ja estao a pé… ou ainda estao a pé…

Ontem falaram-me em cerca de de 200 pessoas, mas eu acho que la estavam mais. No final da festa houve um agradecimento mais do que merecido a todos os que ajudaram a que esta festa fosse possivel e houve um brinde importante à felicidade!

Quando me lembro disto tudo, penso no evoluir das coisas, que os putos ja nao andam a brincar na rua, que ja nao se lhes poe alcunhas e penso em como eles sao importantes para a vida do bairro, para um bairro seguro, para um rumo nas vidas. Gosto da minha rua por isso tudo, ha sempre alguém que assobia la fora para chamar o outro, ha sempre alguém que passa de carro, apita e acena e gosto do facto de este quarteirao ter um campo de futebol e outro de basquete. Isto, que parece tao pouco é tao importante para o rumo de alguns miudos.

Tchim tchim! Um brinde aos putos do bairro, que eles existam sempre!

13/06/10

That's when good neighbours become gooood friends...


Lembro-me de ser pequena e de andar com a minha vizinha de baixo e com o meu vizinho do lado com uma lata do tipo mealheiro a pedir « uma moedinha para o Santo António ». Pedíamos a qualquer pessoa que cruzássemos na rua, entrávamos nos prédios, e batíamos às portas sempre com a mesma lenga-lenga. O Santo António era o nosso Santo do Verão, o que nos permitia comprar gelados e guloseimas na Dona Helena e no Senhor Ferreira nos dias que se seguiriam. Nessa altura toda a gente achava graça a este ritual e a maioria das pessoas contribuía para o nosso “Verão Azul”.

Os miúdos mais crescido lá da rua também andavam a pedir, eles com mais credibilidade do que nós, pois o pedido deles era para a organização da festa da rua e nós, os putos, acabávamos por ser mais ou menos uma pedra no sapato, pois se nos davam a nós, não iam depois dar-lhes a eles. A festa tinha lugar um bocadinho antes de chegar à Dona Helena, mesmo ao lado da janela da Dona Fernanda. Aí faziam uma espécie de um bar e do outro lado havia um assador. Lembro-me de o meu irmão e eu termos ido a essas festas umas duas ou três vezes… e depois acabaram. Anos sem Santo António na Montepio…

Os anos passaram… muitos anos… e aqueles que anos antes eram “os putos” tomaram conta da rua e continuam a perpetuar a festa… fazem isto cheios de boa vontade, gostam de agradar os vizinhos, do espírito da vizinhança… a rua é deles… os preparativos começam a desenhar-se uns dois dias antes. A vizinhança atenta começa a estacionar os carros em lugares estratégicos que depois se tornarão no espaço da festa. Muita gente participa, os comerciantes contribuem e nesses dias há muitos braços que preparam a noite. Há música improvisada, o caldo verde feito pela mãe do B. um bolo feito por outra vizinha, a sangria feita por um vizinho. Um empresta isto outro empresta aquilo e a coisa vai-se compondo. As raparigas cortam os papelinhos para enfeitarem a rua, outros trazem manjericos para simbolizar o dia e as pessoas vão chegando.

… pela noite dentro… a festa vai animada e penso no Valete e no Boli (coisas também do tempo em que toda a gente da rua tinha uma alcunha) que têm o coração na mão e nunca se esquecem da festa de Santo António na Montepio Geral… e apetece-me cantar

Neighbours, everybody needs good Neighbours
Just a friendly wave each morning, helps to make a better day
Neighbours, need to get to know each other
Next door is only a footstep away
Neighbours, everybody needs good Neighbours
With a little understanding, you can find the perfect blend
Neighbours, should be there for one another
That's when good Neighbours become good friends

Para ouvirem a musica cliquem
aqui!

30/05/09

Aqui vou eu...

com a promessa de passar por varios lugares onde nunca fui ou onde não vou ha muitos anos... com passagem pelo gabinete de estudos olisiponenses, pausa para almoçar na esplanada, dias de boa conversa, restaurantes e caracois... e a maquina fotografica sempre dentro do saco...

espero voltar com novidades... e aceito "encomendas"!