16/05/09

Palácio do Beau Séjour

Há muitas coisas para dizer sobre este lugar… mas hoje quando olhei para estas fotografias lembrei-me dos 16 anos, quando o Beau Séjour abriu ao publico as portas do palácio, com o seu jardim, o Gabinete de Estudos Olisiponenses, mas também um simpático restaurante com uma pequena esplanada.




















Não me lembro exactamente de como ficamos a saber deste novo lugar, mas passamos lá muito tempo, sobretudo na esplanada a comer scones com doce e chá ou a beber cafés… e era como se este lugar fosse só nosso porque, nos primeiros tempos, raramente apareciam outras pessoas. Primeiro fizémos um reconhecimento do lugar. Demos a volta ao jardim, fomos até ao corete, sentamo-nos nos bancos a ver os cisnes… era um lugar diferente e tranquilo, talvez pelo quadro. A Estrada de Benfica estava mesmo ali ao lado, a campainha a assinalar o recreio dos maristas e as vozes dos alunos nos intervalos quebravam esta tranquilidade, mas nós ficavamos por ali, na mesma.
















Quando vou a Lisboa regresso sempre a este lugar, em almoço de irmãos. A esplanada continua a mesma, as sugestões de ementa continuam a parecer saudáveis e por dentro não notei grandes mudanças a não ser a ausência das peças do Bordalo Pinheiro que estavam expostas e decoravam o interior. Na esplanada havia « preciosos cinzeiros Bordalo Pinheiro », lembro-me de serem verdes e de um dia termos partido um. Desculpamo-nos e perguntei ao senhor se podia ficar com os cacos. Ele disse que sim… colei-o e ainda deve estar lá em casa…

04/05/09

O Xota

Cada bairro tem o seu pedinte de estimação, aquele a quem damos o euro semanal e/ou as sandochas atiradas pela janela (desde que a altura do andar o permita).
o do meu é o antónio, vulgo "xota", vá-se lá saber porquê.
ontem pediu-me o euro, azar, ja lho tinha dado esta semana. respondi que ia fazer uma carne estufada que estaria pronta lá para as 9 e que nessa altura tocasse à campainha.
"ok joão, assim vou andando para casa cozer as batatas e já venho. olha, faz a carne com bastante vinho branco que fica mais saborosa. e lume brando para não ficar seca" e mais uns indicações que já não percebi sem disfarçar o meu sorriso nº 5 enquanto fechava a porta do prédio. e continuou até que deixei de ouvi-lo, já no elevador.
há uns tempos tinha-se queixado de uns rabos de peixe congelado que lhe tinham dado.
"Eh pa, oh joão, eles sabem que eu só gosto de pescanova".


(enviado pelo João)

Estrada de Benfica 411 e 413



Em tardes de caracóis fiquei muitas vezes sentada de frente para esta casa. Vejo-a desde pequena. Lembro-me de um casal de uma certa idade que lá vivia... cheguei a vê-los no jardim do lado que da para a Rua Sousa Loureiro. Mas os tempos passaram, suponho que ainda vive ali gente porque a casa foi pintada há pouco tempo e há cortinados nas janelas... para mim os cortinados nas janelas sempre foram indício das casas serem habitadas...

















Percebi recentemente que afinal estas duas fachadas não são apenas uma única casa... terei de lá voltar, tenho muita curiosidade de saber quem viveu aqui antes... mas gosto deste contraste de cores, gosto dos tons pastel com o cinzento. Gosto do portão de ferro e das janelas trabalhadas que se misturam com as folhas verdes... imagino que lá dentro há um jardim grande e selvagem... e gosto do trabalhado do terraço... gostava de ir lá acima espreitar...





































Mais fotografias e informações sobre estas casas em breve pelo Rui K.

Há 100 anos

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Era perigoso passear em Benfica...
O Mundo, 4 de Maio de 1909

03/05/09

O Bairro das Furnas

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Aqui viria a nascer o Bairro Social das Furnas, ao abrigo do decreto-lei nº 28912 de 1938, que criou os chamados bairros de casas desmontáveis. Outro dois exemplos desta iniciativa do Estado Novo foram os Bairros da Boavista e da Calçada. Estas duas primeiras imagens reportam-se a 1945, quando ainda existia a Quinta das Furnas que deu nome ao Bairro, que viria a ser construído em 28 de Maio de 1946.

Quem foi alojado nas Furnas? Famílias jovens (abaixo dos 40 anos), de fracos rendimentos e provenientes de zonas de barracas de Lisboa.

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As ruas tinham nomes de árvores ( Rua das Nogueiras, Rua dos Álamos, Rua dos Freixos por exemplo). As casas eram pré-fabricados de lusalite, todo o bairro aconchegado ao verde de Monsanto. Na fotografia vemos a rua das Nogueiras.

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No salão de festas desenvolviam-se actividades para promoção socio-cultural das famílias residentes, além das várias valências de apoio social indispensáveis . A comunidade era coesa e participativa. Esta era a assistência de um dos espectáculos que decorreram no salão de festas.
Esta é uma pequena evocação do que foi o Bairro das Furnas. Deixemos o novo bairro para outro dia.
Fotografias do AML de Lisboa

18/04/09

São Domingos de Benfica Ontem e Hoje (2)

São demasiado óbvias… ainda assim desafio-vos a encontrar as diferenças…

A primeira fotografia, é tão « clean » … e não é apenas por causa das cores. A fotografia mais recente foi tirada em Junho de 2008... ambas na Vila Grandela...



08/04/09

... outra "casa absoluta"...

Mais uma belíssima casa em São Domingos de Benfica… das últimas dentro do estilo que ainda por ali estão embora não nas melhores condições… mas ainda assim gosto dela…



… mais fotografias tiradas nas férias de Junho num dia cinzento… se fizessem um filme sobre os livros da Ana Teresa Pereira podia tão bem passar-se aqui… gosto de coisas selvagens e imperfeitas… e misteriosas e esta casa inspira-me isso tudo… parece-me que em tempos esteve aqui um laboratório também… já não me recordo ao certo… quando o mês de Junho chegar documentar-me-ei... nos primeiros tempos de rebeldia e saídas à noite chegamos a entrar pelo jardim … e ainda em tempos de rebeldia também chegou a ser ocupada por amigos… depois veio a saber-se da ocupação, vieram pessoas de vários sitios houve problemas e a casa voltou ao abandono…













Acho que seria o lugar ideal para se fazer uma biblioteca e não sei se não terão posto essa hipótese…. Das bibliotecas municipais, a que fica mais proxima de São Domingos é a Biblioteca Orlando Ribeiro, em Telheiras… com uma casa para os livros tão bonita mesmo ali…

03/04/09

Caracolada...

Contagem decrescente para as férias é quase sinónimo de contagem decrescente para a caracolada... embora este não seja "O" meu sitio preferido para as tardes de calor, boa conversa e bebida, é a minha segunda escolha e dos sitios de Benfica com bons petiscos... já de encontro marcado com o R. para Junho... Quem se junta a nós?

17/03/09

Beco da Botica

Aproximamo-nos a passos largos da Primavera, dos dias longos, cheios de luz e de cor… e tudo isto me fez pensar nestas fotografias tiradas no final das férias de Junho… eu tinha ido ao Corte Inglês e estava quase pronta para vir-me embora quando o j. me liga a dizer que vem ter comigo. Chegou no seu novo (velho) descapotável, em tempos o carro dos meus sonhos, quando percebia um bocadinho desse assunto… fomos por ali fora… cabelos ao vento, Bairro Azul abaixo, avenida dos hoteis, Estrada de Benfica… eu tinha a máquina na mão, a certeza de não voltar nos próximos meses e queria abastecer-me de fotografias. Então o j. disse-me « Conheces o Beco da Botica ?» eu não conhecia e ele levou-me… a entrada mesmo ali, por onde tantas vezes passei, certamente sem olhar… entramos por aquele novo mundo, cheio de casas baixinhas, umas antigas outras velhas, mas com árvores cheias de cor, flores e frutos. O céu estava azul e todo aquele contraste me agradou. Clique aqui, clique ali e sairam estas fotografias… num cantinho cheio de cor…

















































13/03/09

Para a J


Para captar as histórias simples das gentes dos bairros, não basta percorrê-los, ir lá de quando em vez. É preciso viver lá, sentir o cheiro, a gritaria, o silêncio também.
À parte os domingos de futebol, vai regularmente a Benfica. A irmã vive nas Pedralvas, também lá vive a mãe – fez há dias 90 anos! – e, pelo menos, uma vez por semana percorre Benfica. Vai a pé desde o metro até às Pedralvas. Gosta de Benfica, um bairro com gente nas ruas, com um pequeno comércio activo, dizem-lhe que já foi mais.

Normalmente visitava a mãe pela tarde, mas um dia aconteceu ir de manhã. Para fazer um pouco de tempo, como gosta de mercados, da vozearia, dos pregões, de todo aquela lufa-lufa e entrou pelo Mercado de Benfica dentro.
Ao dar a volta à praça demorou-se a observar as bancas de peixe. Uma chamou-lhe a atenção e ficou a olhar. Gostou da frescura do peixe , mas acima de tudo apreciou a calma, chamemos-lhe serenidade, do vendedor. Não aparenta mais de 70 anos e tem um gesto manso de falar com os fregueses, por vezes um sorriso. Gosta deste tipo de vendedores. Nada de espalhafatos porque o saber e a competência não necessitam de gritaria. Apeteceu-lhe comprar peixe. Chegado a casa, tendo comido o que comprara, confirmou as suas expectativas. Passou a ir a Benfica não só pela mãe, mas também pelo Mercado.
As bancas dos vendedores de peixe estão no centro do mercado. De quem ele fala encontra-se na parte interior do círculo. Trata-se da banca do Sr. João, sabe o nome porque assim lhe chamam os fregueses. Tem peixe de toda a qualidade, mas ele vai pelas corvinas, pelos pargos, pelos robalos, pelos besugos, pelos salmonetes, pelos sargos, sargos que nem sempre são fáceis de encontrar e todos provenientes do mar. Quando são de aviário, essa indicação está bem à vista, mas não é a especialidade do Sr. João. Importante: é a existência de um interessante equilíbrio entre o preço e a qualidade. Por exemplo no sábado os robalos estavam no “El Corte Inglês” a 20,00 euros o quilo, na quarta-feira o Sr. João tinha-os a 15,00 euros.



Diga-se, ainda, que o Sr. João tem uma simpática e eficiente ajudante, que arranja o peixe da maneira que o cliente quiser. Não é pormenor de somenos.
Esta quarta-feira o Sr. João tinha uns estupendos carapaus para assar. Não resistiu e comprou. Chegado a casa envolveu-os num molho à espanhola e em que substitui a salsa por coentros.
Com água na boca encerra o “post”.
Prometeu à J. dois “posts” sobre Benfica. Haverá mais um. O que ainda tem para contar de Benfica tornaria este “post” extenso e, como não anda aqui para maçar ninguém, voltará amanhã ou depois, o tempo necessário para alinhavar o resto da prosa.

By gin-tonic

“PRIMEIRO DE DOIS “POSTS”, SOBRE BENFICA, PROMETIDOS À J.



Se lhe perguntassem em que dia foi pela primeira vez a Benfica, responderia sem qualquer ponta de hesitação: 14 de Julho de 1953. Pela mão do avô foi assistir à colocação do primeiro tijolo da construção do futuro Estádio da Luz. Tinha 8 anos. Onde hoje está instalado todo aquele pesadelo de cimento que rodeia o Estádio, onde está agora situada a 2ª Circular”, tudo aquilo eram quintas e mais quintas com árvores e rebanhos de ovelhas a pastar.
A construção do Estádio foi uma epopeia, pois uma boa e grossa fatia do dinheiro para as obras, proveio dos sócios e adeptos. Lembra-se do Pavilhão do Benfica na Feira Popular, onde hoje está a Gulbenkian, com um mealheiro gigante para depósito de notas e moedas. Lembra-se de quando o Benfica não jogava em casa ir assistir ao andamento das obras e durante os trabalhos de terraplanagem ver os sócios de enxada na mão em que cada cavadela custava 20$00. Também a realização de almoços a que se seguiam intermináveis leilões. Lembra-se que foi leiloada uma gaiola de periquitos e uma garrafa de Vinho do Porto foi leiloada 11 vezes. Rifas e mais rifas disto, daquilo e daqueloutro e em que o que menos interessava eram os prémios. Tudo servia para angariar fundos. Para a campanha do cimento havia um enorme letreiro:” quem não deu que dê agora, quem já deu que torne a dar.”
Sente que é isto que fez do Benfica um clube popular. Mas do dia da inauguração do Estádio, ele não pode dizer: “Eu estive lá!” Não esteve. Ficou de castigo, qualquer coisa relacionada com a escola, erros nos ditados, indisciplina na aula, não lembra bem. Mais tarde em conversas com o pai deu para perceber que o castigo doeu mais ao pai do que a ele. Não sendo, de modo algum, adepto da pedagogia do castigo, admite que hoje o pouco que sabe, também o deve a alguns desses castigos...


O Benfica é a sua mais velha paixão. Outras perderam-se, a maior parte esquecidas, mas a do Benfica persiste e arderá com ele, porque muito cedo lhe imprimiram o vermelho nas veias: o do clube e não só. “O Benfica foi, na ditadura, uma das poucas alegrias colectivas e o único vermelho tolerado, embora sob a atenuante de “encarnado”, escreveu César Príncipe.
Lembram-se de Xanana Gusmão no pátio da prisão de Cipiunang, com um boné do Benfica na cabeça? Lembram-se do filme “Em Nome do Pai, realizado por Jim Sheridan, pai e filho a reencontrarem-se na cela de uma prisão de alta segurança londrina com um galhardete do Benfica pendurado na parede?
Junta-lhe o azulejo que o Sr. Jofre tem na sua oficina de sapateiro: “Quem não é do Benfica não é bom chefe de família”
Em matéria de futebol não se pode ser razoável, pior ainda quando isso resvala para o Benfica. Como escreveu um velho e querido amigo: “O Benfica não é um clube: é uma etnia da alma. Não é uma ideologia: é uma paixão. É ser tão irracional em nós como a nossa infância”, ou esta citação, lida já não sabe onde, do livro “ Segunda Oportunidade”, de Vítor Elias:
“- Vais para casa? Pergunta-lhe o Borges.
Ainda não – respondo. Sou capaz de beber um copo com uma amigo meu, falar um bocado do Glorioso.
Fazem vocês muito bem. Falar de Nosso Senhor ajuda qualquer pessoa a encontrar orientação.”


O “post” é ilustrado com um selo emitido pelos CTT e referente à conquista da primeira taça dos Campeões Europeus e com os bilhetes mais antigos que possui: um é o da inauguração da Luz, em Junho de 1958, o Benfica empatou a um golo com o Flamengo. O outro é o da festa de homenagem a José Águas, seu ídolo de infância no dia 5 de Setembro de 1963, o Benfica venceu o Porto por 3 a 2.
Vai larga a prosa, mas não quer terminar sem invocar a frase, ouvida àquele velho alentejano, encostado ao balcão dum tasco, em S. Francisco da Serra, a navalhinha petisqueira a cortar uma côdea para entalar um pedacinho de queijo:”é melhor ser do Benfica do que ser rico".
Feliz o bairro que tem um clube como este!

Escrito por Gin Tonic

10/03/09

As traseiras da Rua Montepio Geral

Há dias, em mails que troquei com o Rui (meu vizinho de rua… sei-o agora,) falavamos das traseiras, da Rua Montepio Geral. O Rui dizia que podia ser mais um dos post possíveis para ele oferecer ao Mercado, entrevistando o dono da horta, e eu fiquei a pensar naquelas « quintas » que são a vista das nossas janelas… e, por mero acaso, acabei por encontrar esta fotografia…

Esta era a horta do « meu » porteiro… lembro-me que tinha galinhas e alguns legumes, parece-me… hoje é um matagal, não sei a quem pertence o espaço, mas é possivel que acabe como o que está ao lado, uma espécie de armazém de carros ora novos ora desfeitos. Mas voltando ao porteiro, lembro-me de o ver muitas vezes aqui… outras vezes tornava-se invisível, pois entrava naquela casinha, que conseguimos ver à esquerda e ali ficava uma grande parte do tempo a arranjar malas e sapatos. Era a sua profissão, sapateiro. Só regressava a casa ao som da voz da sua esposa, a Dona Maria José, que ía à varanda e gritava « Mendes ! Mendes ! Ō Mendes » e lá vinha ele. Ouviamo-lo subir as escadas, às vezes ía parando em cada porta do prédio para entregar os sapatos que os vizinhos pediam para concertar, outras vezes ouviamos apenas o barulho da porta a fechar (vivier num prédio é assim, conhecemos o som de todas as portas)

Estas hortas (ou quintas) eram, para mim, misteriosas… a que hoje serve de depósito de carros, em tempos tinha um poço e lembro-me de vê-lo ainda. Lembro-me de umas pedras sobrepostas, como se fossem vestígios de casas que ali existiram em tempos… reza a história que naquele terreno morreu queimada, não sei se uma familia, se uma criança e desde então nunca mais aquele espaço foi ocupado…

Mas para a verdadeira história ficamos à espera da entrevista do Rui ao senhor da hora !

07/03/09

Bairro da Boavista à procura da sua história

Chegou hoje ao Mercado de Bem-Fica um mail do Joaquim que criou um blog sobre o Bairro da Boavista. Neste mail ela pergunta se temos informações sobre os proprietarios dos terrenos que deram origem a este bairro. Recentemente disseram-lhe que estes terrenos foram oferecidos pelo Duque de Bonfim e pela Marquesa de Benfica para que a Câmara Municipal de Lisboa e servisse deles para ajudar as pessoas mais carenciadas.

O Joaquim pergunta se conhecemos ou temos informação sobre a história do Duque e da Marquesa. Sugeri-lhe que passasse pelo Gabinete de Etudos Olisiponenses para documentar-se, mas se tiverem alguma informação o Joaquim agradece que a deixem aqui.

06/03/09

Memórias da Rua Dr. João Couto (3)



A entrada nos anos 90 marcam o declínio da rua enquanto espaço de partilha, palco da juventude. O Fonte Nova, a escola de condução ao lado e o Metro trouxeram carros e a rua lentamente passou a ser para todos. A desintegração dos grupos, os amigos de fora e as idas para a universidade onde muitos acabaram por partir para outros voos, o futebol acabou, as redes foram desmontadas e o campo foi reconvertido num jardim com fonte. As poucas crianças que nasciam já não iam brincar para a rua.
As bicicletas foram substituídas pelos nossos carros e neste momento, esta rua nada é mais que um gigantesco parque de estacionamento sem o mínimo de interesse. É uma rua seca, atulhada, banal.

E hoje estive lá a ler paredes riscadas e a tirar fotos. Encontrei o Artur, o último sobrevivente e o puto Xaxa, que vai ser pai. Lembrámos algumas das histórias. Rimos.
E quando pensei que aquela rua não passava agora de um cemitério de memórias, afinal e no puro acaso, pode funcionar como um ponto de encontro improvável.
Hei-de lá voltar, a ver quem encontro dessa vez.

Fim

Texto e fotografias de Rui Kalda