30/05/09

Aqui vou eu...

com a promessa de passar por varios lugares onde nunca fui ou onde não vou ha muitos anos... com passagem pelo gabinete de estudos olisiponenses, pausa para almoçar na esplanada, dias de boa conversa, restaurantes e caracois... e a maquina fotografica sempre dentro do saco...

espero voltar com novidades... e aceito "encomendas"!

26/05/09

São Domingos de Benfica ontem e hoje (4)

Lembro-me deste letreiro, a estrela fazia-o brilhar. Muitas vezes ouvia-se "mora para o lado das Peles"... mas nunca cheguei a saber o que ali se fazia, se tratamento de peles, se objectos em pele... o letreiro desapareceu, há quanto tempo não sei, e deu lugar a um cogumelo. Ao lado nasceram outras construções, em frente do prédio cresceu alguma vegetação, instalaram candeeiros altos, colocaram sinais de trânsito... mas ainda haverá ali peles?



16/05/09

Palácio do Beau Séjour

Há muitas coisas para dizer sobre este lugar… mas hoje quando olhei para estas fotografias lembrei-me dos 16 anos, quando o Beau Séjour abriu ao publico as portas do palácio, com o seu jardim, o Gabinete de Estudos Olisiponenses, mas também um simpático restaurante com uma pequena esplanada.




















Não me lembro exactamente de como ficamos a saber deste novo lugar, mas passamos lá muito tempo, sobretudo na esplanada a comer scones com doce e chá ou a beber cafés… e era como se este lugar fosse só nosso porque, nos primeiros tempos, raramente apareciam outras pessoas. Primeiro fizémos um reconhecimento do lugar. Demos a volta ao jardim, fomos até ao corete, sentamo-nos nos bancos a ver os cisnes… era um lugar diferente e tranquilo, talvez pelo quadro. A Estrada de Benfica estava mesmo ali ao lado, a campainha a assinalar o recreio dos maristas e as vozes dos alunos nos intervalos quebravam esta tranquilidade, mas nós ficavamos por ali, na mesma.
















Quando vou a Lisboa regresso sempre a este lugar, em almoço de irmãos. A esplanada continua a mesma, as sugestões de ementa continuam a parecer saudáveis e por dentro não notei grandes mudanças a não ser a ausência das peças do Bordalo Pinheiro que estavam expostas e decoravam o interior. Na esplanada havia « preciosos cinzeiros Bordalo Pinheiro », lembro-me de serem verdes e de um dia termos partido um. Desculpamo-nos e perguntei ao senhor se podia ficar com os cacos. Ele disse que sim… colei-o e ainda deve estar lá em casa…

04/05/09

O Xota

Cada bairro tem o seu pedinte de estimação, aquele a quem damos o euro semanal e/ou as sandochas atiradas pela janela (desde que a altura do andar o permita).
o do meu é o antónio, vulgo "xota", vá-se lá saber porquê.
ontem pediu-me o euro, azar, ja lho tinha dado esta semana. respondi que ia fazer uma carne estufada que estaria pronta lá para as 9 e que nessa altura tocasse à campainha.
"ok joão, assim vou andando para casa cozer as batatas e já venho. olha, faz a carne com bastante vinho branco que fica mais saborosa. e lume brando para não ficar seca" e mais uns indicações que já não percebi sem disfarçar o meu sorriso nº 5 enquanto fechava a porta do prédio. e continuou até que deixei de ouvi-lo, já no elevador.
há uns tempos tinha-se queixado de uns rabos de peixe congelado que lhe tinham dado.
"Eh pa, oh joão, eles sabem que eu só gosto de pescanova".


(enviado pelo João)

Estrada de Benfica 411 e 413



Em tardes de caracóis fiquei muitas vezes sentada de frente para esta casa. Vejo-a desde pequena. Lembro-me de um casal de uma certa idade que lá vivia... cheguei a vê-los no jardim do lado que da para a Rua Sousa Loureiro. Mas os tempos passaram, suponho que ainda vive ali gente porque a casa foi pintada há pouco tempo e há cortinados nas janelas... para mim os cortinados nas janelas sempre foram indício das casas serem habitadas...

















Percebi recentemente que afinal estas duas fachadas não são apenas uma única casa... terei de lá voltar, tenho muita curiosidade de saber quem viveu aqui antes... mas gosto deste contraste de cores, gosto dos tons pastel com o cinzento. Gosto do portão de ferro e das janelas trabalhadas que se misturam com as folhas verdes... imagino que lá dentro há um jardim grande e selvagem... e gosto do trabalhado do terraço... gostava de ir lá acima espreitar...





































Mais fotografias e informações sobre estas casas em breve pelo Rui K.

Há 100 anos

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Era perigoso passear em Benfica...
O Mundo, 4 de Maio de 1909

03/05/09

O Bairro das Furnas

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Aqui viria a nascer o Bairro Social das Furnas, ao abrigo do decreto-lei nº 28912 de 1938, que criou os chamados bairros de casas desmontáveis. Outro dois exemplos desta iniciativa do Estado Novo foram os Bairros da Boavista e da Calçada. Estas duas primeiras imagens reportam-se a 1945, quando ainda existia a Quinta das Furnas que deu nome ao Bairro, que viria a ser construído em 28 de Maio de 1946.

Quem foi alojado nas Furnas? Famílias jovens (abaixo dos 40 anos), de fracos rendimentos e provenientes de zonas de barracas de Lisboa.

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As ruas tinham nomes de árvores ( Rua das Nogueiras, Rua dos Álamos, Rua dos Freixos por exemplo). As casas eram pré-fabricados de lusalite, todo o bairro aconchegado ao verde de Monsanto. Na fotografia vemos a rua das Nogueiras.

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No salão de festas desenvolviam-se actividades para promoção socio-cultural das famílias residentes, além das várias valências de apoio social indispensáveis . A comunidade era coesa e participativa. Esta era a assistência de um dos espectáculos que decorreram no salão de festas.
Esta é uma pequena evocação do que foi o Bairro das Furnas. Deixemos o novo bairro para outro dia.
Fotografias do AML de Lisboa

18/04/09

São Domingos de Benfica Ontem e Hoje (2)

São demasiado óbvias… ainda assim desafio-vos a encontrar as diferenças…

A primeira fotografia, é tão « clean » … e não é apenas por causa das cores. A fotografia mais recente foi tirada em Junho de 2008... ambas na Vila Grandela...



08/04/09

... outra "casa absoluta"...

Mais uma belíssima casa em São Domingos de Benfica… das últimas dentro do estilo que ainda por ali estão embora não nas melhores condições… mas ainda assim gosto dela…



… mais fotografias tiradas nas férias de Junho num dia cinzento… se fizessem um filme sobre os livros da Ana Teresa Pereira podia tão bem passar-se aqui… gosto de coisas selvagens e imperfeitas… e misteriosas e esta casa inspira-me isso tudo… parece-me que em tempos esteve aqui um laboratório também… já não me recordo ao certo… quando o mês de Junho chegar documentar-me-ei... nos primeiros tempos de rebeldia e saídas à noite chegamos a entrar pelo jardim … e ainda em tempos de rebeldia também chegou a ser ocupada por amigos… depois veio a saber-se da ocupação, vieram pessoas de vários sitios houve problemas e a casa voltou ao abandono…













Acho que seria o lugar ideal para se fazer uma biblioteca e não sei se não terão posto essa hipótese…. Das bibliotecas municipais, a que fica mais proxima de São Domingos é a Biblioteca Orlando Ribeiro, em Telheiras… com uma casa para os livros tão bonita mesmo ali…

03/04/09

Caracolada...

Contagem decrescente para as férias é quase sinónimo de contagem decrescente para a caracolada... embora este não seja "O" meu sitio preferido para as tardes de calor, boa conversa e bebida, é a minha segunda escolha e dos sitios de Benfica com bons petiscos... já de encontro marcado com o R. para Junho... Quem se junta a nós?

17/03/09

Beco da Botica

Aproximamo-nos a passos largos da Primavera, dos dias longos, cheios de luz e de cor… e tudo isto me fez pensar nestas fotografias tiradas no final das férias de Junho… eu tinha ido ao Corte Inglês e estava quase pronta para vir-me embora quando o j. me liga a dizer que vem ter comigo. Chegou no seu novo (velho) descapotável, em tempos o carro dos meus sonhos, quando percebia um bocadinho desse assunto… fomos por ali fora… cabelos ao vento, Bairro Azul abaixo, avenida dos hoteis, Estrada de Benfica… eu tinha a máquina na mão, a certeza de não voltar nos próximos meses e queria abastecer-me de fotografias. Então o j. disse-me « Conheces o Beco da Botica ?» eu não conhecia e ele levou-me… a entrada mesmo ali, por onde tantas vezes passei, certamente sem olhar… entramos por aquele novo mundo, cheio de casas baixinhas, umas antigas outras velhas, mas com árvores cheias de cor, flores e frutos. O céu estava azul e todo aquele contraste me agradou. Clique aqui, clique ali e sairam estas fotografias… num cantinho cheio de cor…

















































13/03/09

Para a J


Para captar as histórias simples das gentes dos bairros, não basta percorrê-los, ir lá de quando em vez. É preciso viver lá, sentir o cheiro, a gritaria, o silêncio também.
À parte os domingos de futebol, vai regularmente a Benfica. A irmã vive nas Pedralvas, também lá vive a mãe – fez há dias 90 anos! – e, pelo menos, uma vez por semana percorre Benfica. Vai a pé desde o metro até às Pedralvas. Gosta de Benfica, um bairro com gente nas ruas, com um pequeno comércio activo, dizem-lhe que já foi mais.

Normalmente visitava a mãe pela tarde, mas um dia aconteceu ir de manhã. Para fazer um pouco de tempo, como gosta de mercados, da vozearia, dos pregões, de todo aquela lufa-lufa e entrou pelo Mercado de Benfica dentro.
Ao dar a volta à praça demorou-se a observar as bancas de peixe. Uma chamou-lhe a atenção e ficou a olhar. Gostou da frescura do peixe , mas acima de tudo apreciou a calma, chamemos-lhe serenidade, do vendedor. Não aparenta mais de 70 anos e tem um gesto manso de falar com os fregueses, por vezes um sorriso. Gosta deste tipo de vendedores. Nada de espalhafatos porque o saber e a competência não necessitam de gritaria. Apeteceu-lhe comprar peixe. Chegado a casa, tendo comido o que comprara, confirmou as suas expectativas. Passou a ir a Benfica não só pela mãe, mas também pelo Mercado.
As bancas dos vendedores de peixe estão no centro do mercado. De quem ele fala encontra-se na parte interior do círculo. Trata-se da banca do Sr. João, sabe o nome porque assim lhe chamam os fregueses. Tem peixe de toda a qualidade, mas ele vai pelas corvinas, pelos pargos, pelos robalos, pelos besugos, pelos salmonetes, pelos sargos, sargos que nem sempre são fáceis de encontrar e todos provenientes do mar. Quando são de aviário, essa indicação está bem à vista, mas não é a especialidade do Sr. João. Importante: é a existência de um interessante equilíbrio entre o preço e a qualidade. Por exemplo no sábado os robalos estavam no “El Corte Inglês” a 20,00 euros o quilo, na quarta-feira o Sr. João tinha-os a 15,00 euros.



Diga-se, ainda, que o Sr. João tem uma simpática e eficiente ajudante, que arranja o peixe da maneira que o cliente quiser. Não é pormenor de somenos.
Esta quarta-feira o Sr. João tinha uns estupendos carapaus para assar. Não resistiu e comprou. Chegado a casa envolveu-os num molho à espanhola e em que substitui a salsa por coentros.
Com água na boca encerra o “post”.
Prometeu à J. dois “posts” sobre Benfica. Haverá mais um. O que ainda tem para contar de Benfica tornaria este “post” extenso e, como não anda aqui para maçar ninguém, voltará amanhã ou depois, o tempo necessário para alinhavar o resto da prosa.

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