20/02/10

As águias


Os emblemas do Benfica,  são em metal sendo  o primeiro com cerca de 9cms de alto por 8 cms de largo, o segundo referente à secção de tiro com 12 cms de largo por 8 cms de alto, esmaltado, e o terceiro com cerca de 8 cms de alto por 7 cms de largo esmaltado, todos com um parafuso à retaguarda para fixação nas grelhas do radiadores.
Estes emblemas eram usados nos anos 50/60 nas grelhas dos radiadores dos automóveis antigos ou clássicos, emblemáticos do carinho  dos seus proprietários, sejam dos seu clube desportivos, seja da sua seguradora, seja da sua afficion à tauromaquia, ou religiosa, ou a instituições tais como colégio militar, pupilos exército, etc ,etc, etc.. Deixo aqui um  do Colégio Militar, em metal esmaltado com cerca de 10 cm,s de alto por 6 cms de largo também com parafuso à retaguarda para fixação.
Texto e imagens de Carlos Caria

Grandella

 
Alfinete de lapela da Grandella, 1911.
Descrição: O Alfinete de lapela da A Grandella, é fabricado em metal esmaltado com cerca de 2 cms de alto por 1 cm de largo e 4 cms de espigão do alfinete, com produção dos anos 50/60.
Imagem e texto  enviados pelo nosso amigo Carlos Caria

Os nomes das ruas

 
Os ilustres que deram nome às Ruas de Benfica. Hoje é dia se saber quem era  Curvo Semedo.
Do livro: Francos-Maçõess Ilustres nas Ruas de Lisboa, de Luís Mateus.

O Mimo de Benfica


Não é das melhores fotografias, mas tenho que falar deste café. O Mimo de Benfica é para nós mais conhecido pelo café da paragem. Chamamos-lhe assim porque fica exactamente ao lado da paragem do autocarro. Antigamente existia aqui uma mercearia. Era escura, fresca e cheirava muito a frutas.

Comecei a frequentar o café da paragem todas as manhãs quando ia trabalhar. Enquanto bebia uma italiana, de pé, observava a vida do café. O Sr. João estava sempre ao balcão, de aparência impecável e sempre muito bem educado. A esposa, cujo nome desconheço, devia preparar o almoço na cozinha e de vez em quando apercebiamo-la. Por vezes, às horas de almoço, quando havia sempre mais movimento, ou aos fins de semana o filho vinha também dar uma ajuda.

No Mimo de Benfica, está tudo muito limpo e bem arrumado. Ainda servem os pedidos às mesas e para além da parte de café com pequena pastelaria e restauração rápida há um cantinho de especialidades regionais. A montra que fica de frente para o jardim mostra sempre sacos com bolinhos secos, caixas com queijadas e por vezes encontramos as deliciosas tortas de azeitão.

Aos dias de semana a minha passagem por aqui era rápida. Uma italiana, um copo com água e um bom bocado (bolo que começa a ser dificil de encontrar) observando tudo isto sem deixar de olhar para o relógio mesmo em frente ao balcão. Aos fins-de-semana o café tornava-se mais silencioso. Eu vinha pela manhã e instalava-me nas mesas mesmo ao lado da janela... um olho no público outro no movimento dos sábados da Estrada de Benfica... os autocarros vazios, as senhoras muito bem penteadas que regressavam do cabeleireiro a poucos metros dali, alguém que passa com um saco de compras da loja “dos indianos”, muitos carrinhos de lona, com rodinhas a transbordar de comércio tradicional, alhos franceses frescos do mercado e raminhos de salsa a espreitarem pelos cantos... e, do outro lado da estrada, o movimento de quem vai à “A Cave” comprar o jornal...

A Estrada de BemFica em 1910

 
Almanaque Palhares, 1910

18/02/10

O ciclone


Não sei se alguém se recordará do ciclone que assolou Lisboa em 1941. As rajadas foram tão fortes que deram cabo dos medidores das rajadas de vento. Esta era uma pequena notícia sobre os danos provocados em Benfica por esta ocorrência publicada no Século de 16 de Fevereiro de 1941.
Clicar para ampliar.

12/02/10

O Bairro Grandella

O Grandella, conhecido sobretudo pelos armazéns no Chiado, foi uma obra que envolvia muito mais . A saber: fábricas (para se vender sem intermediários), bairro para os seus trabalhadores e creche e escola para os filhos, em suma um projecto social.





Ainda existem edifícios deste bairro, na Estrada de Benfica. Um deles já foi Museu da República.

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Esta é uma fotografia anterior a 1913 do edifício da escola. Ainda Monsanto não foi reflorestado. Vemos os trilhos do eléctrico, um rasgão na folha...
Páginas da Agenda Feminina Grandella para 1913.

10/02/10

Passeando de autocarro...


Lembro-me do tempo em que a carreira 72 apareceu. Na altura não se sabia muito bem qual era o seu destino. Parece-me que chegava ao início da Estrada de Benfica, virava logo à esquerda e ía pela Rua Conde Almoster fora. Como eu raramente ía para aqueles lados, a não ser, anos antes, quando passava as tardes em casa da minha amiga Maria João, não percebia bem a utilidade do percurso. O 72 tinha estação terminal (e inicial) ao pé do 16C, autocarr(ito) que esperavamos pacientemente depois de acabaram as aulas na D. Pedro V. O 16C era daqueles autocarros pequenos... os mais pequeninos de todos com muito poucos lugares. Como viviamos quase todos para o mesmo lado, a nossa turma ficava “ensardinhada” logo no inicio do percurso.

Na paragem do Jardim Zoologico saía a Maria João, na paragem a seguir a Lucinda e a Alexandra, no Arabesco o Nuno Tiago, na paragem do Jardim do campo de Basket saía eu, a Paula e a Cristina (que ia a pé até ao Bairro Grandela para almoçar em casa da avó). Depois o 16C virava no sinal à direita e ia por ali acima. Passava pela Delfim Santos e na paragem a seguir descia o Gonçalo. No Califa descia o Vitor que ficava ali e a Sónia apanhava outro autocarro até ao Cemitério de Benfica. O 16C continuava até ao Bairro de Santa Cruz e ai desciam o Zé, a Inês e a Rosa, que ainda ia a pé até ao Bairro das Pedralvas.

Entretanto, deram sumiço ao 16C e para nossa grande indignação o 72 continuou a “rolar”. Hoje, vejo pela fotografia, o 72 transformou-se no 70 que se tornou um autocarro de “grande gabarito”, talvez devido à importância do percurso e afluência... e a carreira até aparece assinalada no guia de viagem francês “le guide du routard”, onde o Palácio Fronteira é visita vivamente recomendada.

Esta fotografia, de autoria de Pedro Almeida, é emprestada ao blog Diario do Tripulante (sem pedido, mas com a devida menção de autoria- se o autor não estiver de acordo, retira-la-ei) onde ha um simpático texto sobre a carreira 70 que liga a Serafina, o Monsanto e Sete Rios.

Ler aqui !

08/02/10

Fidelidade


Em 1958 colocava-se o bronze Fidelidade na Praceta de Benfica, escultura de Júlio Vaz Júnior. Assim o noticiava a revista Mundo Ilustrado.

05/02/10

Academia Grandela


Quem não se lembra das grandes festas da Academia Grandela???
Uma Porta castanha (acho eu), geralmente com um gajo a cobrar bilhete. Depois de pagar eram dois lances de escadas no fim das mesmas havia uma máquina de flippers e por tras uma arcanoid...Os cumprimentos aconteciam logo ali, entre o oi e uma jola que iamos buscar. Havia de tudo mas, sem dúvida a música é que nos fazia lá estar tal como a partilha de amizades que esta nos proporcionava. Havia um espaço amplo para dançar e um pequeno palco. E ai em cima estava a Cabina de Som!!! Esse altar que muitos disputavam para passar as suas músicas preferidas...as nossas músicas! Dançávamos o mais que pudessemos e bebiamos ainda mais, mas sempre numa boa onda de nos divertirmos e curtir ao máximo. A Academia Grandela era o nosso "Clube Clandestino", onde nós putos de 14 e 15 anos mandavamos, onde nos sentiamos maiores, isto é, quando não havia campeonatos de Sueca.....ai nem os butes....Boas festas se passaram, boa gente conheci e ainda mantenho amizade...muitas saudades tenho dessas festas e muito feliz fico por nelas ter podido participar. Só quem era de Benfica tinha o previlégio de participar em tão Grande Evento!
Academia Grandela é um simbolo da nossa adolescência e algo que não nos devemos esqueçer.

Post gentilmente oferecido por Diogo Richart ao Mercado de Bem-Fica

02/02/10

Escreveu o Gin Tonic

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De Benfica sempre teve a ideia de que para o lado de lá, havia um outro mundo. Coisas da imaginação, ou influência dos primeiros livros do António Lobo Antunes que, vivia em Benfica, e ouvia a mãe dizer: “Vou às compras a Lisboa.”
Começou a ver os jogos do Benfica ainda no Campo Grande, na velha “estância de madeira”, onde hoje, supõe, ainda está o bingo do Sporting. Do Campo Grande olhava para os lados de Benfica e tudo eram quintas e quintas, a perder de vista. Para aqueles lados haveria, um dia, de nascer o Estádio da Luz.
Já aqui disse que a Benfica vai regularmente: ver o Glorioso, visitar a mãe, comprar peixe na banca do Sr. João, no Mercado de Benfica, as bolas de Berlim da “Mona Lisa”. Gosta de percorrer aquelas ruas, tanta gente, tanta gente, vida por todos os lados e ainda lojas de comércio tradicional, mas que aos poucos se vão extinguindo.
Acresce que, pelo tempo quente se junta com rapaziada do “Ié-Ié”, para troca de discos, novidades, coisas assim, e uns caracóis, uns tremoços, uns fininhos.
O poiso era o “Boa Esperança”, uma pequena cervejaria ao lado do “Edmundo”, restaurante com que nunca simpatizou, mas gostava dos “Beirões”, que já não existe, o prédio foi abaixo, estão lá a construir uma qualquer coisa. Os “Beirões”tinham uma cozinha honesta, quase caseira, há-de sempre lembrar as pataniscas de bacalhau com arroz de feijão, e quando a ementa não agradava, coisa rara, havia sempre a escapadela para o frango assado.
Em tempos de quartas-feiras europeias era nos "Beirões" que fazia o aquecimento. Tinha duas salas e ele, como não gosta de salas de comes com espelhos, ficava naquela onde no espeto assavam os frangos. Gostava de ver a azáfama do assador, das gentes que entravam para levar frangos, desenrrascanço para quem não teve tempo de preparar o jantar. E sentia-se bem a ouvir o carvão a estalar
Quase em frente dos “Beirões”, de quem vai a caminhar para as portas de Benfica, um “must” do pequeno comércio, tão tradicional em Benfica, uma pequenina casa de material eléctrico onde uma simpática e competente senhora, profissional de mão cheia, ainda vende aqueles interruptores, fichas, caixas de ligações, coisas antigas e não esses simplkex que agora para aí vendem e com os quais não se entende. Nunca sabe o nome das coisas, ainda não acabou de falar e eis a senhora a dizer: "já sei o que quer!"
Mas estava ele a dizer que o “Boa Esperança”, pelos calores, era poiso para tremoços e conversetas até ao dia em que não lhes apeteceu caracóis, apenas fininhos e tremoços, e aquele empregado que serve às mesas, sósia do Yul Brynner, disse que não, "às mesas só podem estar se comessem algo mais que tremoços".
Saímos porta fora para não mais voltar. Mais à frente, do outro lado da rua, quase a chegar à Junta de Benfica, encontrámos “ O Lingote”, e onde ninguém se importa que, pela tarde, uns maduros fiquem às mesas apenas a consumir fininhos e tremoços.
Pequenos pormenores que marcam as diferenças de que tanto gosta ou envelhecer, pouco a pouco, porque as coisas não são o que foram nem são o que são…

01/02/10

O Campo de Sports do Bemfica



Assim era o campo de Jogos do Sport Lisboa e Bemfica em 1919.
Cliquem na imagem e façam uma viagem no tempo até há 81 anos atrás.

Ilustração Portugueza, 1919

26/01/10

Querido Hiss




"A Menina Maria Virgínia Zanatti escrevia assim ao "Cidadão" Hiss um postal cheio de carinho. Presumo que tenha sido um cãozinho realojado. Agora onde era a Villa Silva Carvalho é que não sei ainda. Alguém pode esclarecer-me? Em S. Domingos de Benfica, era... "
Escrevia eu assim no Dias que Voam em 2008.
E o desenlace foi interessante. Escreveu-ne o neto de Maria Virgínia, que queria saber como arranjar o postal que a sua avó tinha enviado ao cidadão. Dei-lhe as premissas e ele adquiriu-o. O mundo é pequeno.

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O Califa é ali em baixo


Descobri que Benfica era mais do que o nome do clube pelo qual o meu pai torcia quando tinha para aí uns 7 ou 8 anos. Nessa altura fazia inúmeras vezes a viagem entre a casa dos meus pais, a minha casa, e a dos meus avós, que moravam em Queluz, num Fiat 124, daqueles quadrados como os desenhos da escola, branco ...frigorífico, lindo. A segunda circular terminava ali para os lados do Fonte Nova e nós saíamos sempre antes, em direcção ao Colégio Militar, Pontinha, Vendas Novas e Amadora, até ao destino. Mais tarde o percurso alterou-se e nós seguíamos em frente, passávamos pelo estádio, pelo viaduto do centro comercial e depois havia uma descida que passava por debaixo da linha do comboio, subia, curva e contra curvas até uns semáforos. Lembro-me destes semáforos porque de vez em quando havia fila e no pára arranca o carro ia abaixo, devido à inclinação.

Num desses almoços de domingo, em casa dos meus avós, o meu avô anunciou que ia voltar a correr, agora não em pista mas em estrada, que tinha uma prova daí a não sei quantos dias ali para os lados do Califa. Surpresa, o meu avô corria? Para além das corridinhas na praia, no
verão, nunca o tinha visto sequer mostrar interesse pela coisa. Parece que afinal, quando era mais novo, tinha sido atleta de velocidade do Atlético, com propostas para outros clubes de mais prestigio, mas que o amor à camisola o obrigaram a declinar. Havia fotos e tudo a comprovar o feito, em que parecia voar, os pés sem tocar no chão, muito magro, com cabelo e sem bigode e algumas medalhas. E o Califa o que era? Um café ali em Benfica. Benfica? Mas isso não é um clube? Eu cá sou do Belenenses... Na viagem de regresso a casa o meu pai explicou-me o que era Benfica, estás a ver estes prédios aqui, e apontava com a mão direita para o lado do Fonte Nova e para o outro, o Califa é ali em baixo. Espreitei mas não vi, estiquei o pescoço e nada. Era inverno e apesar de ser cedo já estava escuro. Lembro-me dos prédios e das janelas com luz, em que se podia ver o interior das casas ou parte delas, um cortinado aberto, uma nesga da cozinha, um móvel da sala. Durante muito tempo para mim Benfica passou a ser também isto, uma estrada, prédios para os quais se podia espreitar, um café que não podia ver.

Só entrei na pastelaria Califa, e não café como me tinham ensinado, muitos anos mais tarde, já o meu avô tinha na sala uma vitrina cheia de novas medalhas, taças, salvas e pequenos troféus em loiça, já a segunda circular estava completa e ligava à estrada de Sintra. Não me demorei muito e depois disso só mais umas duas ou três vezes. Entretanto casei-me em Benfica e só não moro lá por um acaso. O meu avô foi correr para outras estradas e a pastelaria entrou em obras, e reabriu. Ainda há dias em que não a posso ver, problema meu com certeza.

Post gentilmente oferecido pelo
Nuno Cruz ao Mercado de Bem-Fica aqui e aqui

24/01/10

são domingos de cafés (4)


A Balalaika é um dos "meus" cafés de Domingo. E pequeno e familiar, por vezes da a sensação de estarmos em casa das pessoas que la trabalham. Nos dias de Verão, a esplanada esta cheia. Tem a vantagem de estar à sombra no pico do calor e, apesar de ficar à beira da Estrada de Benfica, (talvez uma das mais barulhentas de Lisboa), distrai as vistas porque vai sempre passando alguém conhecido que conta as novidades ou se vai juntando à volta da mesa. Atras das vitrines, os bolos chamam por nos, parecem sempre frescos e têm um aspecto delicioso... o sabor não fica atras... é o caso da piramide de chocolate com uma cereja cristalizada no topo que la comi recentemente. Uma delicia, e um sabor cheio de recordações... digam o que disserem sobre estas piramides e os restos de bolos do dia anterior. Deixamos o interior para os dias de chuva onde os casais idosos vêm beber o cha. La dentro é apertado, as mesas são pequenas, mas a vitrine/janela deixa ver a Estrada e enquanto conversamos olhamos la para fora...

Esta fotografia foi tirada por acaso, e apanhou uma das personagens e Benfica, "o poeta". Não sei se era "o poeta" para o nosso grupo de amigos ou se ele era assim conhecido no bairro. Frequentavamos muitas vezes os mesmos cafés e fico contente por tê-lo apahado na fotografia, neste dia que passei em frente à Balalaika. Anos depois, ha coisas que continum na mesma, pessoas que continuam nos mesmos sitios, sentadas nas mesmas esplanadas...

19/01/10

Anos 70

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Publicidade a algumas lojas de Benfica em 1978 na publicação Boa Noite.

Ainda existirão?

09/01/10

São Domingos de Benfica às cores...

A freguesia de São Domingos de Benfica esta a envelhecer, é certo. Cada vez mais se vêem prédios velhos, sujos, sem vida, com placas de agências imobiliárias desde o ano anterior onde se lêem as palavras “vende-se” ou “aluga-se”. Os comércios de rua vão fechando, sobrevivem os cafés... afinal somos um povo de café... mas algumas pessoas parecem querer dar alguma cor ao bairro e foi com surpresa que no verão passado vi prédios pintados de fresco, nas mais variadas cores... pela Estrada de Benfica, no quarteirão do Mercado de São Domingos de Benfica... um arco iris duradouro!

30/12/09

Travessa de São Domingos de Benfica















Nessa manhã a ideia era irmos visitar os jardins do Palacio dos Marqueses de Fronteira. Tomamos o pequeno almoço na “Conchita” e como o J. nos tinha dito que havia uma passadeira que nos levava até ao outro lado da linha o passeio tornou-se ainda mais fácil. A travessia foi uma agradável descoberta. Lembrava-me daquele lugar dos tempos em que passava de carro com os meus pais pelo Monsanto. Tenho varias recordações “desse lado” mas hoje fico a meio caminho.

Os jardins do Palácio deixámo-los para outro dia, por causa do tempo, pois decidimos visitar a casa também, mas já era tarde. Conversámos um bocadinho com o senhor que se ocupa das visitas que nos desvendou algumas surpresas e propôs-nos voltarmos num dia de sol... parece que os jardins são ainda mais admiráveis.

Mas o passeio até lá foi deslumbrante pela visão desta magnífica casa que se enquadrava perfeitamente no cenário e na cor do céu, nesse dia. Podia ser Sintra. Gosto destas casas com plantas “atrevidas” que trepam e forram as fachadas e desenham as janelas, gosto da mistura destas duas cores, dos sóbrios cortinados brancos. Espreitando pelo portão vê-se uma escada antiga que leva à casa e mesmo ao lado uma espécie de pátio com um banco de pedra onde duas estátuas guardam um painel de azulejos.
















Quando regressámos do Palácio vimos o carro do carteiro. Atravessou a estrada e puxou um arame que fez tocar a campainha. Fiquei a observar a vida da casa. Uma senhora com um avental imaculado desceu as escadas, murmurou um discreto bom dia, aceitou as cartas e voltou para dentro... e por momentos julguei-me num filme do Manoel de Oliveira...

23/12/09

Presentes em S. Domingos de Benfica

Fotografia tirada da "janela da sala da 2a classe" da CEBE

Duas da tarde. O J. liga-me a dizer que encontrou as prendas que eu lhe pedi para comprar para a mãe. Fico surpreendida porque ontem tinha ido a um grande centro comercial e não tinha encontrado. Pergunto-lhe onde está e ele diz-me que está na Ouriversaria Onix, na Estrada de Benfica. Lembro-me desta ourivesaria desde sempre, mas sobretudo do tempo em que se usavam aneis de prata nos dez dedos das mãos. Era lá que o meu pai comprava presentes para a minha mãe e o meu irmão perpetuou esse hábito. Eu sei porque é que ele gosta de lá ir. Porque há poucas pessoas, porque é mesmo ao pé de casa e o atendimento é personalizado. A Ourivesaria Onix fica na correnteza de lojas da drogaria, da farmacia e dos cafés, chás e bolinhos. Penso que a loja ainda pertence ao mesmo senhor, que soube acompanhar os anos, e apesar de muito pequenina a loja tornou-se clara e moderna e talvez por isso seja das poucas que ainda tem as portas abertas...

27/11/09

Por Benfica às quartas-feiras...

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As idas a Benfica, às quartas-feiras, ameaçavam pentearem-se de uma tendência para a rotina. Mas, a pouco e pouco, foram-se transformando. Sim, a visita à mãe sempre foi o ponto de partida e chegada. Depois começaram as idas ao Mercado de Benfica, à banca de peixe do Sr. João, logo a seguir, na "Mona Lisa" bica e bola de Berlim, por causa de coisas,versão sem creme...ficar uns minutinhos encostado ao balcão, com uma calma, uma tranquilidade Zen, a ver entrar e sair gente, a caminho dos empregos, de outras coisas...
O gosto de ver tanta gente nas ruas, a vivência, ainda, de um comércio tradicional que, noutros pontos da cidade, vai morrendo aos poucos, mas ali parece sobreviver. Tal como na velha Graça…
Já aqui falou da “Mona Lisa”. Ali perto do Mercado de Benfica. Um pasteleiro com mão,uma equipa de balcão “five stars”, sobra o companheiro que serve às mesas, com pouca simpatia, assim como se transportasse o mundo nas costas... mas sabemos que as perfeições não são deste mundo...
Ontem, enquanto ia saboreando a bica e a bola, convidaram-no a comprar os doces caseiros que por ali fazem. Para o caso, marmelada de maçã, doce de tomate. Franziu o nariz desconfiado ao "caseiro", mas um “experimente e verá”, convenceu-o.
Provou-os hoje. A marmelada de maçã bem agradável. O doce de tomate não se assemelha ao que a avó fazia, que tinha aquele travozinho amargo, certamente resultante da qualidade dos produtos de então, mas portou-se muito bem.
Chá Príncipe, pãezinhos de leite, a leitura de “O Gato de Muitas Caudas” de Ellery Queen, lá pelo meio, um compositor musical que afixou na porta: “Escusam de bater. Estou “teso”! Para pagar as contas tenho de escrever canções em sossego!”. A tarde cinzenta a desfazer-se lá fora.
Agora é só esperar por quarta-feira para, gostosamente, dar conta das provas, e dizer aos rapazes da "Mona Lisa" que os doces são mesmo de aconselhar. Depois, os 90 anos da mãe, farão dois grandes olhos, enquanto vai desfazendo o embrulinho com os “mil folhas”…
Ele,outra vez a contas com a mansa ansiedade de ver chegar as quartas-feiras...

Post de Gin-Tonic para o blog Dias que Voam e gentilmente oferecido ao Mercado de Bem-Fica