08/03/10

Uma festa do Sport Lisboa e Bemfica




















Assim contada pela Ilustração Portugueza em Agosto de 1910.
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E reparai no que se vê do Bemfica da época.

06/03/10

Jardim de Inverno

Foi um dia antes de irmos embora... há sempre a sensação de que muitas coisas ficaram por fazer… mas vamos vivendo o momento, e quando o dia D chega, levamos a mão à testa e pensamos em tudo o que não fizemos.

Acordei, tomei banho e fui por ali fora… os passos levaram-me para os lados da praça. Mas já era tarde e havia pouca gente… o mercado estava vazio e as bancas desfalcadas, por causa da hora tardia. De maneira que pedi para tirar meia dúzia de fotografias, muito mal conseguidas, e sai à procura de algo que me enchesse a memoria antes de regressar a França… fui por ali, a olhar para todos os lados e a clicar em tudo o que detivesse o meu olhar mais de 3 segundos…












... a poucos metros dali, lembrei-me que podia fazer corta mato para voltar à estrada de Benfica… e, por momentos, tive a impressão de que entrava noutro mundo… ao inicio pensei “um jardim de Inverno” mas rapidamente mudei de ideias, tudo se tornou confuso, havia ali poesia e solidão… como se tudo estivesse desarrumado numa casa bonita…









clic, clic... clic clic… mas quem fez isto? Quem vem aqui? Volto atrás e tento encontrar respostas numa pessoa que me parece viver ali há muito tempo… “vêm para ai à noite, fazem barulho, há quem se queixe”… fico a pensar se será “o pessoal da praça”, termo usado para as pessoas que moravam mais para o lado do mercado e que passavam as tardes na esplanada do “Arabesco” e as noites no “Home” …








a verdade é que estava tudo muito bem distribuído, via-se alguma “arrumação” no meio da desarrumação... uma vassoura... um espelho... em todo o caso parecem pessoas com sede e que de vez em quando para aconchegarem o estômago, usam o micro ondas…













foi uma mistura de sensações, este lugar… um jardim comunitário e … humanitário, foi o que me pareceu...











05/03/10

A Colmeia


Esta é uma foto da Colmeia actual que tem muito pouco em comum com a que eu me lembro nos anos 60. A Riviera, a Colmeia e o Nilo eram "AS PASTELARIAS" que ficavam para além de Palhavã. Era aí que os pais íam beber café enquanto a criançada fazia corridas na rua que ía até à quinta do Largo Conde Ottolini. Posteriormente apareceram o Arabesco e o Califa que deram um toque de modernidade à zona e que, evidentemente, contribuiram para a decadência das restantes...
Na Colmeia tudo eram especialidades: as bolas de Berlim, os pastéis de nata... o bolo rei, com brindes que faziam o encanto da pequenada!

Gostava também de ter fotos da Colmeia, do tempo em que era um café/pastelaria com mesas em cima e na cave. Na cave havia uma telefonia enorme junto às escadas.

Texto da Helena, a quem agradecemos a gentileza, reconstituido a partir de dois dos seus comentarios deixados aqui no Mercado de Bem-Fica

04/03/10

O escondidinho de Benfica




















Num dia escuro e chuvoso, brilha a laranja que adorna o Leitão de Negrais e a amabilidade dos grelos salteados.
 Um belo restaurante em Benfica.

03/03/10

Fotografia para a Helena

Eu ía poucas vezes à Pastelaria Colmeia... se passava por lá era com os meus pais, ou era porque o Arabesco estava cheio ou fechado... num comentário mais abaixo deixado pela Helena, realmente lembrei-me de uma espécie de mezzanine, em tempos, mas a verdade é que já há muito que não lá entro... Quem conhece a história da Colmeia? Tem especialidade?

02/03/10

A Tendinha - Churrasqueira


Para mim é A loja dos frangos de São Domingos de Benfica... quantas tardes depois de um dia de praia ou de piscina viemos aqui comprar um frango e batatas fritas Pála-Pála... cheira a calor... vamos pela sombra da Estrada de Benfica, a uma hora de almoço tardia, vamos na correnteza do comercio tradicional... o Sr. Ferreira, a retrosaria, a loja das malas, a perfumaria da Ju e do Nandim, a loja das loiças que chegou a ser uma ervanária, a drogaria, a Ourivesaria Onix, a Casa da Selva, a farmácia e pouco mais à frente... viramos à direita, passando pelo mercado e pelos dois largos com uma sombrinha agradável também. Se era nos fins de tarde de calor do Verão seguíamos pela Conde Almoster... chegavamos à porta e ja havia fila... mas aquele frango merecia a espera. O Sr. que la esta é o mesmo de sempre, uma simpatia e tinhamos sempre direito às perguntas “com ou sem molho picante? corto em quantas partes?”. Do lado direito do balcão as Pála-Pála em self service e atrás as bebidas. De regresso a casa, agora com o passo mais apressado, é o cheiro do petisco que pede... já imaginamos as mãos com a gordura do molho, porque isto de comer frango assado tem que ser à mão... uma bebida fresca e muitos guardanapos... e no cansaço bom do dia e de barriga cheia acabamos a noite a jogar jogos de sociedade...

A senhora do Charquinho















Gosto destas senhorasde cabelo branco e sedoso, sempre em recorte azul celeste ou rosa bebé, atarefadas à janela. Apetece-me saudá-las e oferecer um cafézinho.
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O cão do Charquinho

Sempre que vou ao Escondidinho encontro-o. Ele sacode a cabeça lânguidamente e afasta-se pela praceta adentro. Não sei se é cão ou cadela, mas certamente é um habitante de elite do Bairro do Charquinho.

01/03/10

A Fangela ou o Sr. Jaime



Foi num dia de Novembro, já no fim das férias. Na véspera tinha ido jantar a casa de uns amigos e conversa puxa conversa fiquei de passar uma entrevista do Lobo Antunes que tinha saído no Y ao Nuno. Como eu tinha gostado imenso de lê-la e queria guarda-la para mim, resolvi ir ao Sr. Jaime tirar uma fotocópia.

Quando cheguei à porta da papelaria achei estranho não ver o nome Fangela inscrito na placa. Entrei. Antes de parar em frente à máquina das fotocópias dei a volta à loja… há sempre tantas coisas para ver nas papelarias… entre os vários modelos de canetas e os cadernos, já se perde uma boa meia hora. Estranhamente achei tudo muito mais vazio. Subi à parte da livraria e achei-a pobrezinha… mas o que na verdade me chamou a atenção foi a ausência de caras conhecidas. Lembro-me bem do Sr. Jaime e de uma senhora na parte da papelaria, lembro-me da pessoa que estava mais vezes nas revistas e fotocopias e da senhora da livraria, claro, onde tantas vezes encomendei os meus livros escolares.

Eles eram todos uma simpatia, sobretudo as senhoras… não me lembro como se chamavam embora me lembre do Sr. Jaime trata-las pelos nomes. Era um serviço personalizado, com direito a explicação e conselhos…

Bem, depois desta enxurrada de memórias e de comparações com tempos antigos, lembrei-me que esta ali para a famosa fotocopia. Aproximei-me do aparelho e veio um rapaz que me perguntou o que desejava. Expliquei-lhe e ficou um bocadinho incomodado com o serviço e com o tamanho das páginas do Y. Um suspiro e um sorrisinho ao canto da boca e diz-me… “saía-lhe mais barato comprar o jornal”. Respondi-lhe que sabia mas que era um numero antigo e logo a seguir perguntei-lhe se a papelaria não pertencia às mesmas pessoas de antes. Ele disse-me “não… que dizer… mais ou menos”… e despedi-me com um “foi o que me pareceu, obrigada”….

28/02/10

“O túnel” ou "A passagem"


Este lugar é de passagem (quase) obrigatória para quem vive na Rua Montepio Geral. Chamamos-lhe “O túnel”. Durante muito tempo esteve fechado, não sei o que havia lá dentro, talvez pertencesse à “oficina do Zé” e um dia decidiram abri-lo. A vizinhança correu para ver como era, uns seguiam por ali naturalmente, outros espreitavam a medo e seguiam pelo caminho do costume… mas logo o lado prático fez com que fizesse parte do nosso percurso diário. Ao inicio parecia um lugar sujo, mas alguns moradores foram pintando os prédios e os muros à volta e começou a ficar com melhor aspecto. Com o tempo fizeram uma rampa para as pessoas com mobilidade reduzida, vieram os pombos e o que parecia inicialmente uma espécie de pátio interior acabou por ser de todos.

Mas à noite as coisas podem tornam-se estranhas… é um sitio escuro e de recantos e, por isso, por vezes, vemos por ali grupos de pessoas menos agradáveis, aparecem com frequência coisas escritas na parede, cheira a mijo de quem passou por ali e encontrou um lugar discreto para se aliviar. outras vezes vêem-se por ali namorados muito colados…


E depois noutras ocasiões ainda é lugar propicio a outras coisas, como no Carnaval, por exemplo… há balões de agua que voam das janelas sem que tenhamos tempo de ver de onde vêm… no Outono as folhas do chão misturadas com a chuva colam-se aos sapatos…


Apesar de tudo (e alguns dirão que sou doida) há aqui um silencio especial aos fins de semana. Aos sábados cheia a roupa lavada e vemos uma parte da vida das pessoas estendida à janela…

e na primavera há um cheiro dos primeiros dias quentes, um cheiro forte das primeiras flores misturado com o ar morno….
Por isto tudo cheguei, por vezes, a achar este lugar quase agradável e cheguei a pensar que o podiam tornar ainda mais agradável se ali fizessem uma esplanada.

… mas acho que gosto deste lugar… sobretudo na primavera e no Outono ao fim da tarde, quando o dia começa a desaparecer...

Outra peça de colecção




Alfinete de lapela com cerca de 2 cms de diâmetro e 4 cms de espigão em metal pintado a esmalte, comemorando o Bi-Campeão da época de 1961/1962 o BENFICA, que hoje descobri junto de miuta tralha, em Tomar no encontro nacional de coleccionadores, que aí tem lugar hoje 27 e amanhã 28 de Fevereiro de 2010..
Texto e imagem de Carlos Caria

23/02/10

Celebrar a adivinhar

Reconheceis esta rua?

O Sapateiro


















Ia eu apressada, algures na zona de Benfica e deparo com esta janela e uma cara sorridente a olhar-me lá de dentro. Pedi licença, fotografei o senhor sapateiro, fiz festas ao gato e ao cão e aqueci a alma. E com estas imagens queria também dar um miminho hoje à J.
Mas agora resta-me perguntar. Onde é este sapateiro?

Dois anos de Mercado de Bem-Fica

Mais um ano de estorias e imagens... viajando por Benfica, pelas ruas, pelo tempo...

Aos que viajam connosco, colaboradores e leitores deixamos duas plantas, uma fatia de bolo, porque boas patelarias em Benfica ja percebemos que não faltam... e um grande obrigado!

22/02/10

Mil Folhas em Benfica




A maior parte das vezes passa, apenas, os olhos pelos jornais e manda-os para dentro de um cesto de vime, que tem ao canto da sala, para leitura futura ou de nunca mais.

Quando o cesto está deitar por fora faz a limpeza e, por vezes, folheia alguns dos jornais.
É o caso do “I” de 13 de Novembro do ano passado, e só há dias reparou que falava, entre outros crimes de lesa colesterol, dos “Mil-Folhas” da “MonaLisa”.

Quase poderia garantir que das vezes que, por aqui, já falou de Benfica, sempre veio à baila a “Pastelaria Mona Lisa”. E até já colocou fotografia das bolas de Berlim..
O Texto do “I”, da autoria de Tiago Pais, fala do pecado da gula e de algumas das coisas que ao pecado conduzem: pasteis de Belém, pasteis de Cerveja, queijadas da Sapa “croissants” do Careca , cookies do Starbucks, travesseiros da Piriquita e, senhoras minhas e meus senhores: Os Mil-Folhas da Mona lisa.
Assim:
“O mil-folhas é o bolo da infância de muita gente. E o bolo que muita gente escolhe quando quer regressar à infância. Porque reúne em pouco mais de cem gramas (num cenário ideal) a proporção certa de chocolate, creme de ovos e massa folhada. O melhor de três mundos. E assumimos uma escolha sem complexos: o mil-folhas da pastelaria Mona Lisa, em Benfica, sem dúvida uma das zonas mais ricas da cidade em matéria de bolos. Chocolate verdadeiro, numa camada grossa e doce de ovos a sério, em quantidades generosas. Imbatível”

Post de Gin-Tonic para o Dias que Voam e gentilmente oferecido ao Mercado de Bem-Fica

20/02/10

As águias


Os emblemas do Benfica,  são em metal sendo  o primeiro com cerca de 9cms de alto por 8 cms de largo, o segundo referente à secção de tiro com 12 cms de largo por 8 cms de alto, esmaltado, e o terceiro com cerca de 8 cms de alto por 7 cms de largo esmaltado, todos com um parafuso à retaguarda para fixação nas grelhas do radiadores.
Estes emblemas eram usados nos anos 50/60 nas grelhas dos radiadores dos automóveis antigos ou clássicos, emblemáticos do carinho  dos seus proprietários, sejam dos seu clube desportivos, seja da sua seguradora, seja da sua afficion à tauromaquia, ou religiosa, ou a instituições tais como colégio militar, pupilos exército, etc ,etc, etc.. Deixo aqui um  do Colégio Militar, em metal esmaltado com cerca de 10 cm,s de alto por 6 cms de largo também com parafuso à retaguarda para fixação.
Texto e imagens de Carlos Caria

Grandella

 
Alfinete de lapela da Grandella, 1911.
Descrição: O Alfinete de lapela da A Grandella, é fabricado em metal esmaltado com cerca de 2 cms de alto por 1 cm de largo e 4 cms de espigão do alfinete, com produção dos anos 50/60.
Imagem e texto  enviados pelo nosso amigo Carlos Caria

Os nomes das ruas

 
Os ilustres que deram nome às Ruas de Benfica. Hoje é dia se saber quem era  Curvo Semedo.
Do livro: Francos-Maçõess Ilustres nas Ruas de Lisboa, de Luís Mateus.

O Mimo de Benfica


Não é das melhores fotografias, mas tenho que falar deste café. O Mimo de Benfica é para nós mais conhecido pelo café da paragem. Chamamos-lhe assim porque fica exactamente ao lado da paragem do autocarro. Antigamente existia aqui uma mercearia. Era escura, fresca e cheirava muito a frutas.

Comecei a frequentar o café da paragem todas as manhãs quando ia trabalhar. Enquanto bebia uma italiana, de pé, observava a vida do café. O Sr. João estava sempre ao balcão, de aparência impecável e sempre muito bem educado. A esposa, cujo nome desconheço, devia preparar o almoço na cozinha e de vez em quando apercebiamo-la. Por vezes, às horas de almoço, quando havia sempre mais movimento, ou aos fins de semana o filho vinha também dar uma ajuda.

No Mimo de Benfica, está tudo muito limpo e bem arrumado. Ainda servem os pedidos às mesas e para além da parte de café com pequena pastelaria e restauração rápida há um cantinho de especialidades regionais. A montra que fica de frente para o jardim mostra sempre sacos com bolinhos secos, caixas com queijadas e por vezes encontramos as deliciosas tortas de azeitão.

Aos dias de semana a minha passagem por aqui era rápida. Uma italiana, um copo com água e um bom bocado (bolo que começa a ser dificil de encontrar) observando tudo isto sem deixar de olhar para o relógio mesmo em frente ao balcão. Aos fins-de-semana o café tornava-se mais silencioso. Eu vinha pela manhã e instalava-me nas mesas mesmo ao lado da janela... um olho no público outro no movimento dos sábados da Estrada de Benfica... os autocarros vazios, as senhoras muito bem penteadas que regressavam do cabeleireiro a poucos metros dali, alguém que passa com um saco de compras da loja “dos indianos”, muitos carrinhos de lona, com rodinhas a transbordar de comércio tradicional, alhos franceses frescos do mercado e raminhos de salsa a espreitarem pelos cantos... e, do outro lado da estrada, o movimento de quem vai à “A Cave” comprar o jornal...

A Estrada de BemFica em 1910

 
Almanaque Palhares, 1910

18/02/10

O ciclone


Não sei se alguém se recordará do ciclone que assolou Lisboa em 1941. As rajadas foram tão fortes que deram cabo dos medidores das rajadas de vento. Esta era uma pequena notícia sobre os danos provocados em Benfica por esta ocorrência publicada no Século de 16 de Fevereiro de 1941.
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12/02/10

O Bairro Grandella

O Grandella, conhecido sobretudo pelos armazéns no Chiado, foi uma obra que envolvia muito mais . A saber: fábricas (para se vender sem intermediários), bairro para os seus trabalhadores e creche e escola para os filhos, em suma um projecto social.





Ainda existem edifícios deste bairro, na Estrada de Benfica. Um deles já foi Museu da República.

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Esta é uma fotografia anterior a 1913 do edifício da escola. Ainda Monsanto não foi reflorestado. Vemos os trilhos do eléctrico, um rasgão na folha...
Páginas da Agenda Feminina Grandella para 1913.

10/02/10

Passeando de autocarro...


Lembro-me do tempo em que a carreira 72 apareceu. Na altura não se sabia muito bem qual era o seu destino. Parece-me que chegava ao início da Estrada de Benfica, virava logo à esquerda e ía pela Rua Conde Almoster fora. Como eu raramente ía para aqueles lados, a não ser, anos antes, quando passava as tardes em casa da minha amiga Maria João, não percebia bem a utilidade do percurso. O 72 tinha estação terminal (e inicial) ao pé do 16C, autocarr(ito) que esperavamos pacientemente depois de acabaram as aulas na D. Pedro V. O 16C era daqueles autocarros pequenos... os mais pequeninos de todos com muito poucos lugares. Como viviamos quase todos para o mesmo lado, a nossa turma ficava “ensardinhada” logo no inicio do percurso.

Na paragem do Jardim Zoologico saía a Maria João, na paragem a seguir a Lucinda e a Alexandra, no Arabesco o Nuno Tiago, na paragem do Jardim do campo de Basket saía eu, a Paula e a Cristina (que ia a pé até ao Bairro Grandela para almoçar em casa da avó). Depois o 16C virava no sinal à direita e ia por ali acima. Passava pela Delfim Santos e na paragem a seguir descia o Gonçalo. No Califa descia o Vitor que ficava ali e a Sónia apanhava outro autocarro até ao Cemitério de Benfica. O 16C continuava até ao Bairro de Santa Cruz e ai desciam o Zé, a Inês e a Rosa, que ainda ia a pé até ao Bairro das Pedralvas.

Entretanto, deram sumiço ao 16C e para nossa grande indignação o 72 continuou a “rolar”. Hoje, vejo pela fotografia, o 72 transformou-se no 70 que se tornou um autocarro de “grande gabarito”, talvez devido à importância do percurso e afluência... e a carreira até aparece assinalada no guia de viagem francês “le guide du routard”, onde o Palácio Fronteira é visita vivamente recomendada.

Esta fotografia, de autoria de Pedro Almeida, é emprestada ao blog Diario do Tripulante (sem pedido, mas com a devida menção de autoria- se o autor não estiver de acordo, retira-la-ei) onde ha um simpático texto sobre a carreira 70 que liga a Serafina, o Monsanto e Sete Rios.

Ler aqui !

08/02/10

Fidelidade


Em 1958 colocava-se o bronze Fidelidade na Praceta de Benfica, escultura de Júlio Vaz Júnior. Assim o noticiava a revista Mundo Ilustrado.

05/02/10

Academia Grandela


Quem não se lembra das grandes festas da Academia Grandela???
Uma Porta castanha (acho eu), geralmente com um gajo a cobrar bilhete. Depois de pagar eram dois lances de escadas no fim das mesmas havia uma máquina de flippers e por tras uma arcanoid...Os cumprimentos aconteciam logo ali, entre o oi e uma jola que iamos buscar. Havia de tudo mas, sem dúvida a música é que nos fazia lá estar tal como a partilha de amizades que esta nos proporcionava. Havia um espaço amplo para dançar e um pequeno palco. E ai em cima estava a Cabina de Som!!! Esse altar que muitos disputavam para passar as suas músicas preferidas...as nossas músicas! Dançávamos o mais que pudessemos e bebiamos ainda mais, mas sempre numa boa onda de nos divertirmos e curtir ao máximo. A Academia Grandela era o nosso "Clube Clandestino", onde nós putos de 14 e 15 anos mandavamos, onde nos sentiamos maiores, isto é, quando não havia campeonatos de Sueca.....ai nem os butes....Boas festas se passaram, boa gente conheci e ainda mantenho amizade...muitas saudades tenho dessas festas e muito feliz fico por nelas ter podido participar. Só quem era de Benfica tinha o previlégio de participar em tão Grande Evento!
Academia Grandela é um simbolo da nossa adolescência e algo que não nos devemos esqueçer.

Post gentilmente oferecido por Diogo Richart ao Mercado de Bem-Fica

02/02/10

Escreveu o Gin Tonic

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De Benfica sempre teve a ideia de que para o lado de lá, havia um outro mundo. Coisas da imaginação, ou influência dos primeiros livros do António Lobo Antunes que, vivia em Benfica, e ouvia a mãe dizer: “Vou às compras a Lisboa.”
Começou a ver os jogos do Benfica ainda no Campo Grande, na velha “estância de madeira”, onde hoje, supõe, ainda está o bingo do Sporting. Do Campo Grande olhava para os lados de Benfica e tudo eram quintas e quintas, a perder de vista. Para aqueles lados haveria, um dia, de nascer o Estádio da Luz.
Já aqui disse que a Benfica vai regularmente: ver o Glorioso, visitar a mãe, comprar peixe na banca do Sr. João, no Mercado de Benfica, as bolas de Berlim da “Mona Lisa”. Gosta de percorrer aquelas ruas, tanta gente, tanta gente, vida por todos os lados e ainda lojas de comércio tradicional, mas que aos poucos se vão extinguindo.
Acresce que, pelo tempo quente se junta com rapaziada do “Ié-Ié”, para troca de discos, novidades, coisas assim, e uns caracóis, uns tremoços, uns fininhos.
O poiso era o “Boa Esperança”, uma pequena cervejaria ao lado do “Edmundo”, restaurante com que nunca simpatizou, mas gostava dos “Beirões”, que já não existe, o prédio foi abaixo, estão lá a construir uma qualquer coisa. Os “Beirões”tinham uma cozinha honesta, quase caseira, há-de sempre lembrar as pataniscas de bacalhau com arroz de feijão, e quando a ementa não agradava, coisa rara, havia sempre a escapadela para o frango assado.
Em tempos de quartas-feiras europeias era nos "Beirões" que fazia o aquecimento. Tinha duas salas e ele, como não gosta de salas de comes com espelhos, ficava naquela onde no espeto assavam os frangos. Gostava de ver a azáfama do assador, das gentes que entravam para levar frangos, desenrrascanço para quem não teve tempo de preparar o jantar. E sentia-se bem a ouvir o carvão a estalar
Quase em frente dos “Beirões”, de quem vai a caminhar para as portas de Benfica, um “must” do pequeno comércio, tão tradicional em Benfica, uma pequenina casa de material eléctrico onde uma simpática e competente senhora, profissional de mão cheia, ainda vende aqueles interruptores, fichas, caixas de ligações, coisas antigas e não esses simplkex que agora para aí vendem e com os quais não se entende. Nunca sabe o nome das coisas, ainda não acabou de falar e eis a senhora a dizer: "já sei o que quer!"
Mas estava ele a dizer que o “Boa Esperança”, pelos calores, era poiso para tremoços e conversetas até ao dia em que não lhes apeteceu caracóis, apenas fininhos e tremoços, e aquele empregado que serve às mesas, sósia do Yul Brynner, disse que não, "às mesas só podem estar se comessem algo mais que tremoços".
Saímos porta fora para não mais voltar. Mais à frente, do outro lado da rua, quase a chegar à Junta de Benfica, encontrámos “ O Lingote”, e onde ninguém se importa que, pela tarde, uns maduros fiquem às mesas apenas a consumir fininhos e tremoços.
Pequenos pormenores que marcam as diferenças de que tanto gosta ou envelhecer, pouco a pouco, porque as coisas não são o que foram nem são o que são…