24/03/10

A vida dos outros (ou: Histórias das traseiras de nossas casas, parte 2)



Já tinha este post em mente há algum tempo, mas o texto da J. apressou a escrita. Eu também gosto dos locais por onde os prédios são menos vistos – as traseiras - e tenho paixão especial por coisas que só alguns podem ver, ou mesmo por fragmentos de locais que apenas deixam adivinhar o resto. Sou daquelas pessoas que, à noite, fico pasmada a olhar as janelas sem cortinas: posso vislumbrar apenas um candeeiro, a parte de cima de uma estante, mas logo na minha cabeça faço o retrato da casa e das pessoas que aí vivem. Ora, as minhas traseiras são um dos locais perfeitos para isso.
Os prédios, cujas fachadas dão para quatro ruas diferentes, formam um quadrado (um pouco torto, mas enfim) com quintais e pátios a que só os moradores dos vários rés-do-chão têm acesso. Isto faz com que quem viva por cima possa vislumbrar um pouco da vida quotidiana dos vizinhos.
Há dois verões atrás um casal do prédio ao lado ocupou o seu enorme terraço com uma piscina insuflável e aí passavam tardes de barriga ao léu, de molho na água que já devia estar mais que choca! E nós cá de cima a mirar o espectáculo, estupefactos com tanto à vontade! Também nas noites de Verão são comuns os churrascos ou jantaradas, onde é sempre possível escutar as mais diversas opiniões sobre os mais variados assuntos (no outro dia falava-se de partos). Actualmente, o que me entretém os dias é um vizinho que, não sei bem porquê, tem a maior parte do terreno. Terreno, sim: porque em vez de piscinas ou ladrilhos o senhor ocupa-se de uma verdadeira horta urbana! (e eu aqui, no terceiro andar a plantar ervas de cheiro em minúsculos vasinhos!) Todos os dias ali está – e até já o apanhei às 7h3o da manhã! – a plantar coisas, a brincar com os cães ou simplesmente a apanhar sol! Eu, da minha janela, vou acompanhando a crescer das favas e o ritmo das árvores: as figueiras, que agora começam muito timidamente a rebentar, o limoeiro carregado, a laranjeira e outras tantas… Aos Domingos chegam os netos e, no outro dia, passaram uma tarde inteira de volta de uma única caixa de cartão que fazia de fortaleza no meio da horta!
Alguém por aí tem acesso à mesma vista? Ou a outras semelhantes?

A Papelaria do "Celeiro"



(ou sera que tinha nome proprio?)

Aqui esta ela, a fotografia da desaparecida papelaria que ficava mesmo ao lado do Celeiro. É pena que tenha sido apanhada nesta perspectiva porque só apercebemos alguém a dar uma vista de olhos nas revistas... a senhora que durante anos lá trabalhou também ficou na foto... não podia ser de outra forma... é a senhora que durante anos espreitou por détras daquela janelinha minuscula que nos fazia pensar que so ela cabia la dentro...

Uns compraram aqui os primeiro maços de cigarros... eu, aqui, lembro-me de comprar carteirinhas de cromos...

e assim sendo, agora quem quiser comprar “artigos de tabacaria” terá que ir até à Cave ou até ao quiosque que fica em frente à Pizza Hut... se ainda existirem, um e outro...

21/03/10

Histórias de traseiras das nossas casas...


Para mim, as traseiras dos prédios sempre tiveram algo de misterioso e muitas vezes pensei que certas pessoas podiam ver através das suas janelas coisas que quem passa de fora nunca poderá saber. Estas são as traseiras da minha casa. Não se pode dizer que tenham grande vista, apesar da frestas do lado esquerdo deixarem ver um bocadinho do pulmão de Lisboa.

Sempre pensei que gostava de subir aos prédios que ficam ao lado de
uma das casas mais antigas de S. Domingos de Benfica, para saber como era a casa e o jardim visto de cima ou por trás. A história das minhas traseiras já a contei. Mas hoje, ao olhar para esta fotografia voltei a lembrar-me do que se dizia. Muitas vezes, quando era pequena, ficava intrigada a olhar para aquilo que em tempos, naquele quintal de baixo, tinha sido uma casa, destruída segundo contam por um incêndio... o poço, que ainda ali estava, deixava-me perplexa e na minha cabeça surgiam mil e uma histórias. Até hoje não sei se é verdade o que se conta ou o que se contou, que ali vivia uma família e que houve um incêndio, a casa ficou completamente queimada e morreu uma criança. As ervas foram crescendo, o quintal quase se transformou num matagal. E um dia, aquele bocado de terreno transformou-se numa espécie de parque de estacionamento de carros velhos, depois numa espécie de armazém para carros novos. Puseram lá dois cães que ladravam muito e assim ficou até hoje… quando pensamos que aqui há muitos anos atrás houvesse quem cultivasse legumes nestas terras….

Esta é a história do lado esquerdo das traseiras, a do lado direito é igualmente misteriosa, mas pelas melhores razões… trata-se das traseiras da única casa antiga que resta na Rua Montepio Geral, já contada
aqui)

E com esta curiosidade sobre aquilo que se pode ver através das janelas de trás desafio quem quiser a tirar uma foto das suas traseiras e/ou contar a sua história…

20/03/10

Parque do Calhau

Confesso que só conheci este Parque depois de adulta ( há uns 4, 5 anos atrás) e fiquei agradavelmente surpreendida com o espaço envolvente.

Parque do Calhau

Situado junto ao Bairro do Calhau, este é um Parque com uma ampla zona de recreio informal, tem ainda um um circuito de manutenção, zona de merendas e campo de jogos.





Aqui existe um dos poucos moinhos de Lisboa, o moinho das Três Cruzes, que é, por excelência, um miradouro sobre a zona Leste da Cidade.




Neste Parque está sediado o Centro Associativo do Calhau, constituído pela ASPEA, QUERCUS e CAAL.

Horário

. Aberto 24 horas
. Acessibilidades

Autocarros (Carris): 70


Texto e fotografias gentilmente oferecidas ao

Mercado de Bem-Fica por Claudia Henriques

16/03/10

A Conchita…


Há duas conchitas na minha vida, uma que compreende uma das maiores vergonhas da minha infância e a Conchita dos bons tempos da adolescência...

Tenho poucas recordações de quando era pequena, mas nunca me esquecerei daquele dia em que os meus pais foram beber um café à Conchita e me levaram com eles. Estavamos sentados numa mesa perto da janela e, terminado o café, eles levataram-se e foram pagar ao balcão. Eu continuei sentada no meu lugar, sonhadora, possivelmente a olhar para os comboios. De um lado para o outro corria uma miuda pequena, do balcão para a parede e da parede para o balcão fazendo muito barulho com as sandálias de borracha quando tocavam o chão. Não sei o que me terá aborrecido mais, mas levantei-me devagarinho, fiquei de pé junto à mesa e no momento em que ela passou a correr ao meu lado, estiquei o pé, ela tropeçou e caiu. Um berreiro que fez voltar todas as caras e vi a minha mãe tornar-se escarlate. E no meio da conchita, à frente de toda a gente, levei uma palmada no rabo que me ficou registada na memória até hoje.

Não sei se terá sido por isso que durante muito tempo deixei de ir à conchita e um dia, resolvi confrontar-me com os meus fantasmas. A Conchita tem uma esplanada mesmo à beira da estrada, onde a circulação é acelarada e onde todo o dia se ouve o barulho dos comboios... sempre tive a sensação de haver imensas coisas a acontecerem à volta, mas podermos continuar a ser anónimos. E um dia a Conchita mudou de proprietários, mudaram as cadeiras e as mesas, começaram a vender pão, faziam tostas mistas, em pão caseiro, deliciosas, e os bons bocados eram feitos com uma massa estupenda. Eu gostava de ir para ali estudar de manhã, sem saber muito bem porquê, conseguia concentrar-me bem. Assim, as manhãs eram dedicadas ao estudo e as tardes aos encontros com os amigos, na esplanada, ponto de encontro de vários grupos da zona...

A memória da miuda pequena que esticou o pé desapareceu e ficou o cheiro fresco do pão, a pastelaria quente pela manhã os fins de tarde mornos, a luz que entrava pelas janelas, a esplanada e os amigos... e, claro, o barulho dos comboios...

14/03/10

A importãncia de se chamar Ernesto...



Pelo menos por aqui, parece que Ernesto é um nome a manter. Tudo por dentro a ser remodelado e, no entanto, o toldo com o nome mantém-se. Nunca entrei na loja de roupa do Sr. Ernesto mas chamou-me a atenção a publicidade improvisada e caseira que os novos donos decidiram fazer nas montras da futura loja. Em toalhas de papel quadradas escreveram a marcador o anúncio de que ali iria crescer algo novo, diferente e que até ia criar postos de trabalho!!! Fizeram até um concurso para quem adivinhasse o que ali iria nascer: uma loja da segurança social, uma loja do chinês, uma sex-shop, uma boutique... Quem ganhasse teria como prémio uma viagem!! Afinal, a velha boutique dará lugar a uma nova e a Senhora Maria Nereida Carlota, vencedora do concurso, ganhou uma viagem de 28 dos Prazeres à Graça (de certeza que em nenhum sítio do mundo existe um meio de transporte que leve as pessoas dos prazeres à graça e eu acho que é um grande passeio!!)

Enfim, não fosse a publicidade e se calhar nem daria conta da mudança! Assim, pelo menos, ainda consegui apanhar os toldos com o belíssimo lettering.

PS - Ah, e para que conste, a minha tia, que nem é de Benfica mas que vem cá todas as semanas, disse-me que chegou a comprar lá camisas de homem muito boas e baratas. Agora já não há! Na Estrada de Benfica há sempre alguma coisa a mudar, é impressionante!

12/03/10

Memórias da Rua Inácio de Sousa


Parece que há por aqui muitos revivalistas e eu sou uma delas. Tantas coisas para contar sobre esta rua, mas uma história só, nunca seria suficiente. O que esta rua me faz imediatamente lembrar é a Samira, claro, o meu ponto de referência na Inácio de Sousa. Muitas tardes de Verão e fins-de-semana em... casa dela, tardes de férias (quando ainda duravam três meses) de gelados, chocolates, pastilhas e coca-colas no Sr. Ferreira tudo por conta do avô dela (ou na conta do avô dela) que um dia descobriu e se zangou “a sério”... a sério a sério não, porque era um senhor demasiado simpático para se zangar muito... e por isso, as compras continuaram, em menor quantidade e mais discretamente... tempos depois soubemos que vinha uma prima da Samira, e vimos chegar a Hélia, direitinha de Cabo Verde. A Hélia chegou e foi como se estivesse sempre estado ali. Passavamos os dias a passear na rua para cá e para lá, íamos encontrando a vizinhança, adoptamos a entrada de uma porta e encontramos ali uma espécie de assento para as nossas tardes. O lugar que escolhemos era estratégico para cruzarmos certas pessoas, como o rapaz que trabalhava na loja dos móveis. Não muito longe dali passava muita gente doida, a “maluca” dos óculos escuros (que quando houve o incêndio do Pastelinho, foi à CEBE pedir dinheiro para ajudar), o “Ramalho” com o seu carrinho de cartões, que por vezes falava sozinho outras vezes falavas com as árvores, mas falava muito alto e se estava num dia mau, insultava as pessoas na rua. O rapaz de cabelos compridos e do pacote de vinho na mão, Estrada de Benfica acima e abaixo. Quando eram horas de voltar para casa fechavamo-nos no quarto da Samira com a janelinha lá em cima, a conversar e ouvir música, e quando a casa estava mais vazia experimentavamos a roupa da Vanda, na salinha pequena, ao lado da sala de jantar e tiravamos fotografias... e nos últimos anos, a varanda tornou-se o nosso lugar preferido... já não me lembro exactamente em que momento é que isso aconteceu e como ficamos a saber. Talvez um dia tenhamos ido à janela e tenhamos tido uma espécie de miragem. Do outro lado da rua, três simpaticos rapazes (é o menos que se pode dizer) vindos de Sines para estudar em Lisboa, foram ocupar um apartamento mesmo em frente à janela onde passavamos muitas tardes e foi nesse dia que as contas do Sr. Ferreira começaram certamente a ser mais moderadas, porque o nosso lugar preferido era então a dita varanda azul. Passamos mesmo muito tempo a olhar para o outro lado, a observar os dias daqueles rapazes, penso que não tinham cortinados. Um dia um deles veio fumar à janela e, a partir desse dia, deixaram de ser uma vizinhança platónica...

10/03/10

Tardes de Leitura


Gostava realmente de ter tempo suficiente para poder participar em grupos de leitura; ler os livros antecipadamente para depois discutir e partilhar ideias com quem tinha feito o mesmo. Também fico contente que existam pólos culturais em Benfica com iniciativas de qualidade. Por isso, o meu dia começou bem quando, na Antena 2, divulgaram o grupo de leitura que a partir de hoje e nas próximas quartas-feiras vai ter lugar no Palácio Fronteira, tendo como tema central o teatro português do século XX. Aqui fica o programa:

10.03.2010 - "Mar" de Miguel Torga, por Clara Rocha.
24.03.2010 - "D. João e a Máscara" de António Patrício, por Fátima Freiras Morna.
07.04.2010 - "O Doido e a Morte" de Raul Brandão, por Maria João Reynaud.
21.04.2010 - "O Judeu" de Bernardo Santareno, por Maria João Almeida.
05.05.2010 - "A Palavra é de Oiro" de Augusto Abelaira, por Paula Morão
19.05.2010 - "Paixão Segundo Max" de José Maria Vieira Mendes, por José Maria Vieira Mendes.

Local: Palácio Fronteira, Largo São Domingos de Benfica, 1 - 1500-554 Lisboa.
Informações: Tel: 217784599 (assuntos culturais) Fax: 217780357. Email: fcfa-cultura@netcabo.pt


E é de aproveitar para (re)visitar este fantástico palácio!

Na imagem: fotografia da biblioteca do Palácio Fronteira, por Candida Höfer.

Largo Conde Ottolini

Para o Rui, para a Gilia e para todos os moradores e ex-moradores deste largo!

Um prédio bonito na Estrada de Benfica...

Estas fotografias já foram tiradas no ano passado. Talvez, entretanto, algumas coisas tenham mudado. Parece que há tempos havia obras logo na esquina com as Galerias Benfica, antigo Habib.


Esta foi mais uma dessas manhãs em que fui à procura de uma reserva de fotografias para os meses que se iriam seguir. Nunca tinha parado antes a olhar para este prédio. Passei para o outro lado da estrada, o dia estava cinzento mas os azulejos castanhos, iluminavam-no. Olhei para as varandas, e depois para as águas fortadas, sempre gostei de águas furtadas a fazerem lembrar o livro de Frances Burnett, “A Princesinha”. Gostei dos azulejos, achei-os retro e aconchegantes... e de repente lembrei-me de uma loja que alguém teve a ousadia de abrir ali, em tempos, numa daquelas portas. Chamava-se qualquer coisa como “Mad Dog”. Tinha roupa original mas cara. Parece que não ficou aberta muito tempo. Depois olhei para a mercearia Santa Isabel, mergulhada na penumbra, mas quase todas as mercearias de que me lembro são assim...

Quem passa, não liga muito àquele comércio, mas quem conhece diz que a mercearia tem fruta muito boa e que a casa de pasto/tasca que vemos mesmo ao lado, apesar de pouco convidativa por fora, esta sempre cheia. A senhora serve deliciosos pratos, tipicamente portugueses, e mima os clientes com atenções.

08/03/10

Uma festa do Sport Lisboa e Bemfica




















Assim contada pela Ilustração Portugueza em Agosto de 1910.
Clicar para ampliar.
E reparai no que se vê do Bemfica da época.

06/03/10

Jardim de Inverno

Foi um dia antes de irmos embora... há sempre a sensação de que muitas coisas ficaram por fazer… mas vamos vivendo o momento, e quando o dia D chega, levamos a mão à testa e pensamos em tudo o que não fizemos.

Acordei, tomei banho e fui por ali fora… os passos levaram-me para os lados da praça. Mas já era tarde e havia pouca gente… o mercado estava vazio e as bancas desfalcadas, por causa da hora tardia. De maneira que pedi para tirar meia dúzia de fotografias, muito mal conseguidas, e sai à procura de algo que me enchesse a memoria antes de regressar a França… fui por ali, a olhar para todos os lados e a clicar em tudo o que detivesse o meu olhar mais de 3 segundos…












... a poucos metros dali, lembrei-me que podia fazer corta mato para voltar à estrada de Benfica… e, por momentos, tive a impressão de que entrava noutro mundo… ao inicio pensei “um jardim de Inverno” mas rapidamente mudei de ideias, tudo se tornou confuso, havia ali poesia e solidão… como se tudo estivesse desarrumado numa casa bonita…









clic, clic... clic clic… mas quem fez isto? Quem vem aqui? Volto atrás e tento encontrar respostas numa pessoa que me parece viver ali há muito tempo… “vêm para ai à noite, fazem barulho, há quem se queixe”… fico a pensar se será “o pessoal da praça”, termo usado para as pessoas que moravam mais para o lado do mercado e que passavam as tardes na esplanada do “Arabesco” e as noites no “Home” …








a verdade é que estava tudo muito bem distribuído, via-se alguma “arrumação” no meio da desarrumação... uma vassoura... um espelho... em todo o caso parecem pessoas com sede e que de vez em quando para aconchegarem o estômago, usam o micro ondas…













foi uma mistura de sensações, este lugar… um jardim comunitário e … humanitário, foi o que me pareceu...











05/03/10

A Colmeia


Esta é uma foto da Colmeia actual que tem muito pouco em comum com a que eu me lembro nos anos 60. A Riviera, a Colmeia e o Nilo eram "AS PASTELARIAS" que ficavam para além de Palhavã. Era aí que os pais íam beber café enquanto a criançada fazia corridas na rua que ía até à quinta do Largo Conde Ottolini. Posteriormente apareceram o Arabesco e o Califa que deram um toque de modernidade à zona e que, evidentemente, contribuiram para a decadência das restantes...
Na Colmeia tudo eram especialidades: as bolas de Berlim, os pastéis de nata... o bolo rei, com brindes que faziam o encanto da pequenada!

Gostava também de ter fotos da Colmeia, do tempo em que era um café/pastelaria com mesas em cima e na cave. Na cave havia uma telefonia enorme junto às escadas.

Texto da Helena, a quem agradecemos a gentileza, reconstituido a partir de dois dos seus comentarios deixados aqui no Mercado de Bem-Fica

04/03/10

O escondidinho de Benfica




















Num dia escuro e chuvoso, brilha a laranja que adorna o Leitão de Negrais e a amabilidade dos grelos salteados.
 Um belo restaurante em Benfica.

03/03/10

Fotografia para a Helena

Eu ía poucas vezes à Pastelaria Colmeia... se passava por lá era com os meus pais, ou era porque o Arabesco estava cheio ou fechado... num comentário mais abaixo deixado pela Helena, realmente lembrei-me de uma espécie de mezzanine, em tempos, mas a verdade é que já há muito que não lá entro... Quem conhece a história da Colmeia? Tem especialidade?

02/03/10

A Tendinha - Churrasqueira


Para mim é A loja dos frangos de São Domingos de Benfica... quantas tardes depois de um dia de praia ou de piscina viemos aqui comprar um frango e batatas fritas Pála-Pála... cheira a calor... vamos pela sombra da Estrada de Benfica, a uma hora de almoço tardia, vamos na correnteza do comercio tradicional... o Sr. Ferreira, a retrosaria, a loja das malas, a perfumaria da Ju e do Nandim, a loja das loiças que chegou a ser uma ervanária, a drogaria, a Ourivesaria Onix, a Casa da Selva, a farmácia e pouco mais à frente... viramos à direita, passando pelo mercado e pelos dois largos com uma sombrinha agradável também. Se era nos fins de tarde de calor do Verão seguíamos pela Conde Almoster... chegavamos à porta e ja havia fila... mas aquele frango merecia a espera. O Sr. que la esta é o mesmo de sempre, uma simpatia e tinhamos sempre direito às perguntas “com ou sem molho picante? corto em quantas partes?”. Do lado direito do balcão as Pála-Pála em self service e atrás as bebidas. De regresso a casa, agora com o passo mais apressado, é o cheiro do petisco que pede... já imaginamos as mãos com a gordura do molho, porque isto de comer frango assado tem que ser à mão... uma bebida fresca e muitos guardanapos... e no cansaço bom do dia e de barriga cheia acabamos a noite a jogar jogos de sociedade...

A senhora do Charquinho















Gosto destas senhorasde cabelo branco e sedoso, sempre em recorte azul celeste ou rosa bebé, atarefadas à janela. Apetece-me saudá-las e oferecer um cafézinho.
Clicar para ampliar.

O cão do Charquinho

Sempre que vou ao Escondidinho encontro-o. Ele sacode a cabeça lânguidamente e afasta-se pela praceta adentro. Não sei se é cão ou cadela, mas certamente é um habitante de elite do Bairro do Charquinho.

01/03/10

A Fangela ou o Sr. Jaime



Foi num dia de Novembro, já no fim das férias. Na véspera tinha ido jantar a casa de uns amigos e conversa puxa conversa fiquei de passar uma entrevista do Lobo Antunes que tinha saído no Y ao Nuno. Como eu tinha gostado imenso de lê-la e queria guarda-la para mim, resolvi ir ao Sr. Jaime tirar uma fotocópia.

Quando cheguei à porta da papelaria achei estranho não ver o nome Fangela inscrito na placa. Entrei. Antes de parar em frente à máquina das fotocópias dei a volta à loja… há sempre tantas coisas para ver nas papelarias… entre os vários modelos de canetas e os cadernos, já se perde uma boa meia hora. Estranhamente achei tudo muito mais vazio. Subi à parte da livraria e achei-a pobrezinha… mas o que na verdade me chamou a atenção foi a ausência de caras conhecidas. Lembro-me bem do Sr. Jaime e de uma senhora na parte da papelaria, lembro-me da pessoa que estava mais vezes nas revistas e fotocopias e da senhora da livraria, claro, onde tantas vezes encomendei os meus livros escolares.

Eles eram todos uma simpatia, sobretudo as senhoras… não me lembro como se chamavam embora me lembre do Sr. Jaime trata-las pelos nomes. Era um serviço personalizado, com direito a explicação e conselhos…

Bem, depois desta enxurrada de memórias e de comparações com tempos antigos, lembrei-me que esta ali para a famosa fotocopia. Aproximei-me do aparelho e veio um rapaz que me perguntou o que desejava. Expliquei-lhe e ficou um bocadinho incomodado com o serviço e com o tamanho das páginas do Y. Um suspiro e um sorrisinho ao canto da boca e diz-me… “saía-lhe mais barato comprar o jornal”. Respondi-lhe que sabia mas que era um numero antigo e logo a seguir perguntei-lhe se a papelaria não pertencia às mesmas pessoas de antes. Ele disse-me “não… que dizer… mais ou menos”… e despedi-me com um “foi o que me pareceu, obrigada”….

28/02/10

“O túnel” ou "A passagem"


Este lugar é de passagem (quase) obrigatória para quem vive na Rua Montepio Geral. Chamamos-lhe “O túnel”. Durante muito tempo esteve fechado, não sei o que havia lá dentro, talvez pertencesse à “oficina do Zé” e um dia decidiram abri-lo. A vizinhança correu para ver como era, uns seguiam por ali naturalmente, outros espreitavam a medo e seguiam pelo caminho do costume… mas logo o lado prático fez com que fizesse parte do nosso percurso diário. Ao inicio parecia um lugar sujo, mas alguns moradores foram pintando os prédios e os muros à volta e começou a ficar com melhor aspecto. Com o tempo fizeram uma rampa para as pessoas com mobilidade reduzida, vieram os pombos e o que parecia inicialmente uma espécie de pátio interior acabou por ser de todos.

Mas à noite as coisas podem tornam-se estranhas… é um sitio escuro e de recantos e, por isso, por vezes, vemos por ali grupos de pessoas menos agradáveis, aparecem com frequência coisas escritas na parede, cheira a mijo de quem passou por ali e encontrou um lugar discreto para se aliviar. outras vezes vêem-se por ali namorados muito colados…


E depois noutras ocasiões ainda é lugar propicio a outras coisas, como no Carnaval, por exemplo… há balões de agua que voam das janelas sem que tenhamos tempo de ver de onde vêm… no Outono as folhas do chão misturadas com a chuva colam-se aos sapatos…


Apesar de tudo (e alguns dirão que sou doida) há aqui um silencio especial aos fins de semana. Aos sábados cheia a roupa lavada e vemos uma parte da vida das pessoas estendida à janela…

e na primavera há um cheiro dos primeiros dias quentes, um cheiro forte das primeiras flores misturado com o ar morno….
Por isto tudo cheguei, por vezes, a achar este lugar quase agradável e cheguei a pensar que o podiam tornar ainda mais agradável se ali fizessem uma esplanada.

… mas acho que gosto deste lugar… sobretudo na primavera e no Outono ao fim da tarde, quando o dia começa a desaparecer...

Outra peça de colecção




Alfinete de lapela com cerca de 2 cms de diâmetro e 4 cms de espigão em metal pintado a esmalte, comemorando o Bi-Campeão da época de 1961/1962 o BENFICA, que hoje descobri junto de miuta tralha, em Tomar no encontro nacional de coleccionadores, que aí tem lugar hoje 27 e amanhã 28 de Fevereiro de 2010..
Texto e imagem de Carlos Caria