21/04/10

Centro Educativo Navarro Paiva


Todos os dias passo à porta do Centro Educativo Navarro Paiva. Durante muito tempo aquele portão e aquelas redes encimadas por arame farpado foram para mim um mistério, porque não sabia muito bem o que se passava lá dentro. Por interesse profissional, chegou até mim uma notícia sobre o projecto Reinserção pela Arte, no qual Madalena Victorino tinha trabalhado e que era promovido pela Gulbenkiam. Foi aí que me apercebi do que realmente se passava ali.
Muitas vezes tento espreitar lá para dentro, mas só vejo seguranças e penso: "Caramba, será que os miúdos são assim tão perigosos?" Afinal que mundo é aquele, tão perto do sítio onde vivo? Que histórias têm estes miúdos, tão novos ainda, para contar?
Por isso, foi com surpresa que vi esta foto reportagem no Expresso. Os retratados não têm rosto, mas para mim, agora, têm um bocadinho mais de história.
E isto também é Benfica.

17/04/10

O jardim da paragem...

Este é o jardim onde iamos aos domingos em que não havia planos. Antes não era assim, não tinha nada destas diversões e escorregas novos.


Para nós sempre foi o jardim da paragem ou o parque. Há alguns anos estava rodeado por uma rede verde que devia ter 1m70, as portas estavam sempre abertas durante o dia. Neste jardim, havia logo à entrada um chafariz que servia, não apenas a quem brincava lá dentro, mas a qualquer transeunte que tivesse sede. Todo o chão era preenchido de areia e logo em frente à entrada havia um escorrega vermelho com uma base cor de aluminio. Mais à direita estavam os baloiços, velhinhos, com assento de madeira, uma tábua em frente que deslizava pelas correntes até baixo para nos impedir de cair para a frente e, para ganharmos balanço, agarravamo-nos a uma espécie de corrente traçada que mantinha os baloiços presos lá em cima. Mais em frente ao café Bonfim estavam as barras de ferro para fazer cambalhotas, havia 3 de tamanhos diferentes. Na parte de cima do jardim a rede misturava-se com alguns arbustos e aí estavam as casas de banho. Espalhados pelo jardim existiam vários banquinhos de madeira onde os adultos podiam vigiar as crianças ou os velhinhos podiam ver desfilar a vida alheia...

Uma das maiores atracções deste parque era o campo de basquete e talvez ainda hoje o seja.
Aos fins de semana havia sempre rapazes que corriam batendo a bola no chão e saltavam alto para a enfiarem dentro do cesto. Por vezes, pareciam fazer jogos “mais sérios” e nesses dias o jardim enchia-se de pessoas à volta da rede que delimitava o campo, gritando pela equipa que apoiavam.



Entretanto, com os anos, o jardim começou a sofrer algumas alterações. Tiraram a rede colocaram novas diversões e mais modernas e parece-me que o chafariz desapareceu... e, desta ultima vez que lá estive, voltei a ver que estava em obras, não sei como ficou no final... mas o campo de basquete parece que se mantem...

14/04/10

A Casa da Selva II


É, sem duvida, uma das minhas lojas preferidas em S. Domingos de Benfica. Em vias de extinção as lojas de café são cada vez menos numerosas pela cidade, por isso, considero a Casa da Selva uma relíquia. Esta magnifica loja, tem por proprietários um casal muito simpático. Nunca soube o nome deles, mas lembro-me muito bem de que o senhor da loja quando se dirigia aos clientes para os atender começava sempre por dizer “tenha a bondade”. Aqui lembro-me de comprar sobretudo bolinhos secos, vendidos ao kilo acondicionados dentro de grandes sacos de plástico transparentes e expostos em cima do balcão, quem entra, do lado esquerdo. A Casa da Selva está sempre cheia, sobretudo ao final do dia, aos Sábados e no Natal nem se fala. Magníficas broas espreitam pela pequena vitrina, abraçando chás e cafés vindos de toda a parte do mundo. Tudo aqui é bom. E como a loja esta sempre cheia vamo-nos aconchegado dentro do pequeno espaço e pensando que íamos ali comprar um kilo de bolinhos secos mas que afinal vamos levar mais duas variedades diferentes de chocolates e mais um tipo de chá que vai mesmo bem com aqueles bolinhos e que aquelas amêndoas parecem ser tão boas, porque não experimentá-las. Mas enquanto esperamos nem damos pelo passar do tempo, porque à direita há uma grande montra cheia de coisas para ver. E há também uma cadeirinha para quem não pode esperar de pé ou para quem gosta de ter tempo para conversar. Uma loja que nos faz voltar atrás no tempo, regresso aos sabores da infância, ao aconchego do inverno, com um atendimento exemplar dificil de encontrar nos dias que correm...

... e posto isto, so me resta esperar que a filha destes senhores, que, por vezes, também por ali viamos, nunca deixe aquelas deliciosas portas fecharem...

Mais histórias e fotografias da Casa da Selva pela Marta G. aqui

12/04/10

O passado e o futuro













O encontro entre o eléctrico e o Metropolitano.
Sete Rios
Foto de Eduardo Goulart, AML

09/04/10

Sol e recordações




Revolvendo o papel velho, que junto cá em casa e em cima do qual os gatos fazem prazenteiras sestas ao sol, encontro numa revista Voga de 1947 este reclame ao Colégio Instituto Lusitano.
E cito: Para ambos os sexos, com sedes separadas, situadas no melhor clima de Lisboa,

06/04/10

05/04/10

A senhora




Andava eu pela Estrada de Benfica e deparei-me com esta senhora. Muito maquilhada, cheia de rendas e adereços de pele, uma boina animava-lhe o cabelo, pulseiras, colares e brincos de feição.Fiquei a pensar quem tinha sido ela e que histórias teria para contar. Teria mais de oitenta anos. Só me restou tirar-lhe uma fotografia enquanto ela se afastava lentamente, contornando os diversos obstáculos no passeio

02/04/10

Benfica a preto e branco














Este pequeno trecho de Benfica recorda como era esta estrada há muitos anos atrás. O preto e branco serve bem para uma viagem no tempo.

01/04/10

Casa da Selva



Só vivo há três anos em Benfica. Toda a minha infância e adolescência foram passadas em Sacavém, um sítio bem diferente deste, mas não em tudo... Lembro-me, quando era pequena, de ir pela mão da minha avó a uma loja junto ao mercado. Recordo-me que era minúscula, escura e que tinha um óptimo cheiro. Adorava aquele aroma quente e reconfortante que se sentia logo na rua. A minha avó saía de lá com uns pacotes de papel e dizia que o melhor café era dali. A avaliar pelo cheiro, era mesmo.
Acho que essa loja se chamava Casa de Cafés da Portela, que hoje em dia tem imensas sucursais, mas nenhuma semelhante à da minha infância. Por isso, quando passo pela Casa da Selva na Estrada de Benfica, lembro-me sempre desse aroma que sentia em Sacavém e por momentos penso que a loja é exactamente a mesma, apenas mudou de sítio. As montras deliciosas, os frutos secos, os cafés, os chás e sobretudo o cheiro continuam lá. Oxalá nunca feche.

Ah, imperdível passar por lá esta Páscoa, claro!

Benfica é assim















Colorida a loja explode pelas ruas. E alegra o passante.
Viva o pequeno-comércio!

24/03/10

A vida dos outros (ou: Histórias das traseiras de nossas casas, parte 2)



Já tinha este post em mente há algum tempo, mas o texto da J. apressou a escrita. Eu também gosto dos locais por onde os prédios são menos vistos – as traseiras - e tenho paixão especial por coisas que só alguns podem ver, ou mesmo por fragmentos de locais que apenas deixam adivinhar o resto. Sou daquelas pessoas que, à noite, fico pasmada a olhar as janelas sem cortinas: posso vislumbrar apenas um candeeiro, a parte de cima de uma estante, mas logo na minha cabeça faço o retrato da casa e das pessoas que aí vivem. Ora, as minhas traseiras são um dos locais perfeitos para isso.
Os prédios, cujas fachadas dão para quatro ruas diferentes, formam um quadrado (um pouco torto, mas enfim) com quintais e pátios a que só os moradores dos vários rés-do-chão têm acesso. Isto faz com que quem viva por cima possa vislumbrar um pouco da vida quotidiana dos vizinhos.
Há dois verões atrás um casal do prédio ao lado ocupou o seu enorme terraço com uma piscina insuflável e aí passavam tardes de barriga ao léu, de molho na água que já devia estar mais que choca! E nós cá de cima a mirar o espectáculo, estupefactos com tanto à vontade! Também nas noites de Verão são comuns os churrascos ou jantaradas, onde é sempre possível escutar as mais diversas opiniões sobre os mais variados assuntos (no outro dia falava-se de partos). Actualmente, o que me entretém os dias é um vizinho que, não sei bem porquê, tem a maior parte do terreno. Terreno, sim: porque em vez de piscinas ou ladrilhos o senhor ocupa-se de uma verdadeira horta urbana! (e eu aqui, no terceiro andar a plantar ervas de cheiro em minúsculos vasinhos!) Todos os dias ali está – e até já o apanhei às 7h3o da manhã! – a plantar coisas, a brincar com os cães ou simplesmente a apanhar sol! Eu, da minha janela, vou acompanhando a crescer das favas e o ritmo das árvores: as figueiras, que agora começam muito timidamente a rebentar, o limoeiro carregado, a laranjeira e outras tantas… Aos Domingos chegam os netos e, no outro dia, passaram uma tarde inteira de volta de uma única caixa de cartão que fazia de fortaleza no meio da horta!
Alguém por aí tem acesso à mesma vista? Ou a outras semelhantes?

A Papelaria do "Celeiro"



(ou sera que tinha nome proprio?)

Aqui esta ela, a fotografia da desaparecida papelaria que ficava mesmo ao lado do Celeiro. É pena que tenha sido apanhada nesta perspectiva porque só apercebemos alguém a dar uma vista de olhos nas revistas... a senhora que durante anos lá trabalhou também ficou na foto... não podia ser de outra forma... é a senhora que durante anos espreitou por détras daquela janelinha minuscula que nos fazia pensar que so ela cabia la dentro...

Uns compraram aqui os primeiro maços de cigarros... eu, aqui, lembro-me de comprar carteirinhas de cromos...

e assim sendo, agora quem quiser comprar “artigos de tabacaria” terá que ir até à Cave ou até ao quiosque que fica em frente à Pizza Hut... se ainda existirem, um e outro...

21/03/10

Histórias de traseiras das nossas casas...


Para mim, as traseiras dos prédios sempre tiveram algo de misterioso e muitas vezes pensei que certas pessoas podiam ver através das suas janelas coisas que quem passa de fora nunca poderá saber. Estas são as traseiras da minha casa. Não se pode dizer que tenham grande vista, apesar da frestas do lado esquerdo deixarem ver um bocadinho do pulmão de Lisboa.

Sempre pensei que gostava de subir aos prédios que ficam ao lado de
uma das casas mais antigas de S. Domingos de Benfica, para saber como era a casa e o jardim visto de cima ou por trás. A história das minhas traseiras já a contei. Mas hoje, ao olhar para esta fotografia voltei a lembrar-me do que se dizia. Muitas vezes, quando era pequena, ficava intrigada a olhar para aquilo que em tempos, naquele quintal de baixo, tinha sido uma casa, destruída segundo contam por um incêndio... o poço, que ainda ali estava, deixava-me perplexa e na minha cabeça surgiam mil e uma histórias. Até hoje não sei se é verdade o que se conta ou o que se contou, que ali vivia uma família e que houve um incêndio, a casa ficou completamente queimada e morreu uma criança. As ervas foram crescendo, o quintal quase se transformou num matagal. E um dia, aquele bocado de terreno transformou-se numa espécie de parque de estacionamento de carros velhos, depois numa espécie de armazém para carros novos. Puseram lá dois cães que ladravam muito e assim ficou até hoje… quando pensamos que aqui há muitos anos atrás houvesse quem cultivasse legumes nestas terras….

Esta é a história do lado esquerdo das traseiras, a do lado direito é igualmente misteriosa, mas pelas melhores razões… trata-se das traseiras da única casa antiga que resta na Rua Montepio Geral, já contada
aqui)

E com esta curiosidade sobre aquilo que se pode ver através das janelas de trás desafio quem quiser a tirar uma foto das suas traseiras e/ou contar a sua história…

20/03/10

Parque do Calhau

Confesso que só conheci este Parque depois de adulta ( há uns 4, 5 anos atrás) e fiquei agradavelmente surpreendida com o espaço envolvente.

Parque do Calhau

Situado junto ao Bairro do Calhau, este é um Parque com uma ampla zona de recreio informal, tem ainda um um circuito de manutenção, zona de merendas e campo de jogos.





Aqui existe um dos poucos moinhos de Lisboa, o moinho das Três Cruzes, que é, por excelência, um miradouro sobre a zona Leste da Cidade.




Neste Parque está sediado o Centro Associativo do Calhau, constituído pela ASPEA, QUERCUS e CAAL.

Horário

. Aberto 24 horas
. Acessibilidades

Autocarros (Carris): 70


Texto e fotografias gentilmente oferecidas ao

Mercado de Bem-Fica por Claudia Henriques

16/03/10

A Conchita…


Há duas conchitas na minha vida, uma que compreende uma das maiores vergonhas da minha infância e a Conchita dos bons tempos da adolescência...

Tenho poucas recordações de quando era pequena, mas nunca me esquecerei daquele dia em que os meus pais foram beber um café à Conchita e me levaram com eles. Estavamos sentados numa mesa perto da janela e, terminado o café, eles levataram-se e foram pagar ao balcão. Eu continuei sentada no meu lugar, sonhadora, possivelmente a olhar para os comboios. De um lado para o outro corria uma miuda pequena, do balcão para a parede e da parede para o balcão fazendo muito barulho com as sandálias de borracha quando tocavam o chão. Não sei o que me terá aborrecido mais, mas levantei-me devagarinho, fiquei de pé junto à mesa e no momento em que ela passou a correr ao meu lado, estiquei o pé, ela tropeçou e caiu. Um berreiro que fez voltar todas as caras e vi a minha mãe tornar-se escarlate. E no meio da conchita, à frente de toda a gente, levei uma palmada no rabo que me ficou registada na memória até hoje.

Não sei se terá sido por isso que durante muito tempo deixei de ir à conchita e um dia, resolvi confrontar-me com os meus fantasmas. A Conchita tem uma esplanada mesmo à beira da estrada, onde a circulação é acelarada e onde todo o dia se ouve o barulho dos comboios... sempre tive a sensação de haver imensas coisas a acontecerem à volta, mas podermos continuar a ser anónimos. E um dia a Conchita mudou de proprietários, mudaram as cadeiras e as mesas, começaram a vender pão, faziam tostas mistas, em pão caseiro, deliciosas, e os bons bocados eram feitos com uma massa estupenda. Eu gostava de ir para ali estudar de manhã, sem saber muito bem porquê, conseguia concentrar-me bem. Assim, as manhãs eram dedicadas ao estudo e as tardes aos encontros com os amigos, na esplanada, ponto de encontro de vários grupos da zona...

A memória da miuda pequena que esticou o pé desapareceu e ficou o cheiro fresco do pão, a pastelaria quente pela manhã os fins de tarde mornos, a luz que entrava pelas janelas, a esplanada e os amigos... e, claro, o barulho dos comboios...

14/03/10

A importãncia de se chamar Ernesto...



Pelo menos por aqui, parece que Ernesto é um nome a manter. Tudo por dentro a ser remodelado e, no entanto, o toldo com o nome mantém-se. Nunca entrei na loja de roupa do Sr. Ernesto mas chamou-me a atenção a publicidade improvisada e caseira que os novos donos decidiram fazer nas montras da futura loja. Em toalhas de papel quadradas escreveram a marcador o anúncio de que ali iria crescer algo novo, diferente e que até ia criar postos de trabalho!!! Fizeram até um concurso para quem adivinhasse o que ali iria nascer: uma loja da segurança social, uma loja do chinês, uma sex-shop, uma boutique... Quem ganhasse teria como prémio uma viagem!! Afinal, a velha boutique dará lugar a uma nova e a Senhora Maria Nereida Carlota, vencedora do concurso, ganhou uma viagem de 28 dos Prazeres à Graça (de certeza que em nenhum sítio do mundo existe um meio de transporte que leve as pessoas dos prazeres à graça e eu acho que é um grande passeio!!)

Enfim, não fosse a publicidade e se calhar nem daria conta da mudança! Assim, pelo menos, ainda consegui apanhar os toldos com o belíssimo lettering.

PS - Ah, e para que conste, a minha tia, que nem é de Benfica mas que vem cá todas as semanas, disse-me que chegou a comprar lá camisas de homem muito boas e baratas. Agora já não há! Na Estrada de Benfica há sempre alguma coisa a mudar, é impressionante!

12/03/10

Memórias da Rua Inácio de Sousa


Parece que há por aqui muitos revivalistas e eu sou uma delas. Tantas coisas para contar sobre esta rua, mas uma história só, nunca seria suficiente. O que esta rua me faz imediatamente lembrar é a Samira, claro, o meu ponto de referência na Inácio de Sousa. Muitas tardes de Verão e fins-de-semana em... casa dela, tardes de férias (quando ainda duravam três meses) de gelados, chocolates, pastilhas e coca-colas no Sr. Ferreira tudo por conta do avô dela (ou na conta do avô dela) que um dia descobriu e se zangou “a sério”... a sério a sério não, porque era um senhor demasiado simpático para se zangar muito... e por isso, as compras continuaram, em menor quantidade e mais discretamente... tempos depois soubemos que vinha uma prima da Samira, e vimos chegar a Hélia, direitinha de Cabo Verde. A Hélia chegou e foi como se estivesse sempre estado ali. Passavamos os dias a passear na rua para cá e para lá, íamos encontrando a vizinhança, adoptamos a entrada de uma porta e encontramos ali uma espécie de assento para as nossas tardes. O lugar que escolhemos era estratégico para cruzarmos certas pessoas, como o rapaz que trabalhava na loja dos móveis. Não muito longe dali passava muita gente doida, a “maluca” dos óculos escuros (que quando houve o incêndio do Pastelinho, foi à CEBE pedir dinheiro para ajudar), o “Ramalho” com o seu carrinho de cartões, que por vezes falava sozinho outras vezes falavas com as árvores, mas falava muito alto e se estava num dia mau, insultava as pessoas na rua. O rapaz de cabelos compridos e do pacote de vinho na mão, Estrada de Benfica acima e abaixo. Quando eram horas de voltar para casa fechavamo-nos no quarto da Samira com a janelinha lá em cima, a conversar e ouvir música, e quando a casa estava mais vazia experimentavamos a roupa da Vanda, na salinha pequena, ao lado da sala de jantar e tiravamos fotografias... e nos últimos anos, a varanda tornou-se o nosso lugar preferido... já não me lembro exactamente em que momento é que isso aconteceu e como ficamos a saber. Talvez um dia tenhamos ido à janela e tenhamos tido uma espécie de miragem. Do outro lado da rua, três simpaticos rapazes (é o menos que se pode dizer) vindos de Sines para estudar em Lisboa, foram ocupar um apartamento mesmo em frente à janela onde passavamos muitas tardes e foi nesse dia que as contas do Sr. Ferreira começaram certamente a ser mais moderadas, porque o nosso lugar preferido era então a dita varanda azul. Passamos mesmo muito tempo a olhar para o outro lado, a observar os dias daqueles rapazes, penso que não tinham cortinados. Um dia um deles veio fumar à janela e, a partir desse dia, deixaram de ser uma vizinhança platónica...

10/03/10

Tardes de Leitura


Gostava realmente de ter tempo suficiente para poder participar em grupos de leitura; ler os livros antecipadamente para depois discutir e partilhar ideias com quem tinha feito o mesmo. Também fico contente que existam pólos culturais em Benfica com iniciativas de qualidade. Por isso, o meu dia começou bem quando, na Antena 2, divulgaram o grupo de leitura que a partir de hoje e nas próximas quartas-feiras vai ter lugar no Palácio Fronteira, tendo como tema central o teatro português do século XX. Aqui fica o programa:

10.03.2010 - "Mar" de Miguel Torga, por Clara Rocha.
24.03.2010 - "D. João e a Máscara" de António Patrício, por Fátima Freiras Morna.
07.04.2010 - "O Doido e a Morte" de Raul Brandão, por Maria João Reynaud.
21.04.2010 - "O Judeu" de Bernardo Santareno, por Maria João Almeida.
05.05.2010 - "A Palavra é de Oiro" de Augusto Abelaira, por Paula Morão
19.05.2010 - "Paixão Segundo Max" de José Maria Vieira Mendes, por José Maria Vieira Mendes.

Local: Palácio Fronteira, Largo São Domingos de Benfica, 1 - 1500-554 Lisboa.
Informações: Tel: 217784599 (assuntos culturais) Fax: 217780357. Email: fcfa-cultura@netcabo.pt


E é de aproveitar para (re)visitar este fantástico palácio!

Na imagem: fotografia da biblioteca do Palácio Fronteira, por Candida Höfer.

Largo Conde Ottolini

Para o Rui, para a Gilia e para todos os moradores e ex-moradores deste largo!