22/07/12

os scones do beau séjour

hoje de manha fiz scones e lembrei-me do beau séjour.



eu devia ter uns dezasseis anos e decobri o palacio, os jardins e a cafetaria do beau séjour. a cafetaria do beau séjour, na altura era completamente fora daquilo que estavamos habituados dos cafés e pastelarias portuguesas, tinha um estilo diferente e na lista tinha coisas originais. costumava passar por la depois das aulas onde me encontrava com outros amigos que viviam na zona. ficavamos sentados na esplanada nos dias de sol e la dentro nos dias de inverno. mas la dentro, as mesas eram muito pequeninas e apertadas. a cafetaria manteve sempre o mesmo aspecto, excepto no facto de recentemente ja nao ter a loiça do bordalo pinheiro em exposiçao e para venda. é isso mesmo, nos primordios da abertura da cafetaria, havia um movel no lado esquerdo, entre as duas janelas, recheado de peças do bordalo pinheiro e, la fora, nas mesas da esplanada, os cinzeiros também eram dele. a descoberta dos scones foi uma coisa maravilhosa e desde entao so tinhamos boas razoes para passar as tardes ali. este mês de maio voltei ao beau sejour. pensei que muitas vezes esquecemo-nos dos sitios bonitos que temos ao pé de casa e nao os aproveitamos. para contrariar isso, pus-me a caminho do palacio e parecia que toda a gente tinham ido de férias. os tapetes arejavam ao sol e a cafetaria estava fechada. nao sei se para férias se para sempre. quero muito acreditar que seja a primeira. fiquei parada em frente à porta a pensar "e agora" como se fosse aquele o ultimo café de benfica ou como se fosse aquele o mais bonito espaço para beber café em benfica. fiquei desorientada e pus-me numa sessao de cliques aos tapetes... aquele espaço ao mesmo tempo tao calmo e tao abandonado... e tao cheio de potencial...
vim-me embora a pensar nos dias cinzentos e na mesa junto à primeira janela, quando se entra, à equerda. quantas vezes estive ali sentada a comer scones e a ver a chuva cair la fora...

01/07/12

Uma Cena Infantil no Palácio Marquês da Fronteira e Alorna

Com 4 anos de idade, o Marquês de Fronteira e Alorna empreende uma viagem de Benfica ao Palácio de Mafra para ser apresentado ao futuro rei D.João VI



excerto do artigo de Rogério Fernandes, Notes About Children´s , publicado na revista
Educação e Pesquisa, São Paulo, v 26, nº1 p 87-97, Jan-Jun 2000

(adaptação livre do texto para português de Portugal )


" A narrativa auto-biográfica, do mesmo modo que outros ego-documentos, constitue uma das fontes mais ricas para a reconstrução histórica do passado infantil dos adultos. Perante os silêncios sem história das crianças que somos, é preciso recorrer às memórias vivas das crianças que fomos.
A infância do Marquês de Fronteira e d’Alorna parece ter deixado traços muito vivos na sua memória. Nascido em 1802, ficou órfão quando estava prestes a completar cinco anos. Sendo impossível entregar a sua tutela à avó materna, a Condessa d’Oyenhausen, futura Marquesa de Alorna, pelo facto de se encontrar exilada em Inglaterra, receberia esse encargo um dos seus tios, o Marquês de Belas. Este, recorda o Marquês de Fronteira e de Alorna, graças às influências de que dispunha no Príncipe Regente, o futuro D. João VI, consegue que "eu, seu pupilo primogénito, fosse agraciado com os títulos da casa de meus antepassados, bens da Coroa e direitos banais que a mesma desfrutava, os quais rendiam para cima de 14 000$000 r [éi]s. por ano" (Alorna, 1926, p.6).Para tanto, era necessário que a criança, apesar de ter menos de cinco anos, se dirigisse a Mafra e fosse apresentada a Sua Alteza. Depois dessa formalidade, todos os direitos ficavam reconhecidos e os Fronteira e Alorna podiam continuar a beneficiar sem sobressaltos da sua considerável fortuna.
O que vai ser essa deslocação a Mafra a partir do palácio de Benfica onde o jovem órfão vivia, assim como a própria cerimónia de que seria protagonista, é descrito pelo Marquês com um admirável senso de discreto humor. Em primeiro lugar, a evocação do veículo e da ocupação do seu espaço interno, de que seguramente a parte menos cómoda era a que cabia ao herdeiro primogénito dessa grande casa:
Saí de noite de Benfica, meio a dormir, em uma sege, acompanhado por um íntimo amigo de meu Pai (…) e por Mr. Fabre, meu guarda-roupa, emigrado francês.
A jornada, segundo as minhas reminiscências, não foi das mais cómodas. A sege, uma das mais antigas de meu Pai e talvez de meu Avô, feita naturalmente de propósito para estas viagens, era estreita e não oferecia outra vantagem, além da sua solidez, para resistir aos baldões dos péssimos caminhos (…).
Os meus companheiros ocupavam uma boa parte do veículo, não só porque eram bem fornecidos de carnes, mas porque iam embuçados em grandes capotes; e o resto ia por tal forma cheio com as condeças e sacos com a minha toilette de Corte e com as grandes latas de gulodices que o velho copeiro de meu Pai (…) para ali tinha metido, que pouco espaço ficava para me assentar, indo por isso quase sempre no colo de um deles
.
Se as condições no habitáculo eram já de si mesmas altamente incómodas para a criança, esta situação negativa agravava-se pela velocidade a que se conduzia o veículo. Ela tornava-se tanto mais perigosa quanto eram eivados de perigos os desvios e inclinações da estrada, designadamente na ladeira de Cheleiros, ainda hoje caracterizada por uma encosta muito acentuada. Assim recorda o Marquês de Fronteira e de Alorna, não sem alguma imprecisão, o acidente ocorrido durante a viagem:
Naquela época era moda o viajar a toda a brida e, embora os amos quisessem o contrário, os bolieiros não obedeciam: o cavalo da sela conservava-se sempre a galope, enquanto o das varas ia a trote rasgado. Nestas viagens a Mafra aconteciam muitas vezes desgraças terríveis. Na descida de Cheleiros caiu-me o cavalo das varas, escapando eu por milagre de sair pela sege fora, e ficar talvez morto. Este acontecimento atrasou alguma coisa a jornada e não me lembra o meio de que se serviram para a podermos continuar.
Uma vez em Mafra, é recebido com todo o desvelo pelos empregados da Casa Real, que guardavam excelente memória de seu Pai e lamentavam a sua morte prematura. Mas os direitos psicológicos da criança, por assim dizer, recuperam o seu lugar e logo a partir desse momento fazem-se ouvir sem mais inibições:
Logo que cheguei, entrei a gritar pelas criadas que tinha deixado em Benfica e, apesar dos esforços que empregavam e promessas que me faziam, não podiam socegar-me.
Os adultos iniciam então uma estratégia de sedução da criança, a fim de a persuadirem a aceitar as convenções do lugar:
Levaram-me ao colo para o quarto de outro tio que residia na Corte e era então Ministro dos Negócios Estrangeiros (…) e aí, depois de grandes promessas, presentes de bonitos e muito doce, conseguiram despir-me o fato de viagem, um pouco original (pois era um chapéu cinzento com grande laço azul e encarnado, um baju verde com alamares de oiro, grandes folhos caídos na camisa, calções de veludilho preto com grandes laços brancos caídos, meias cor de carne, e sapatos com laços brancos) e vestiram-me à Corte.
A parte mais trabalhosa do serviço coube naturalmente a Monsieur Fabre, o francês exilado que ganhava a vida como guarda-roupa do pequeno Marquês. Ele próprio o confessa ao escrever:
Foi isto negócio difícil para o meu guarda-roupa, porque, tendo eu o cabelo comprido e anelado, e sendo preciso pôr uma cabeleira empoada e de rabicho, não como a do grande Marquês de Pombal, mas do mesmo género, ainda que em miniatura, eu, a quem ela incomodava, queria a todos os momentos tirá-la, correndo assim o risco de se perder o trabalho que o cabeleireiro tivera em Benfica para arranjar aquela obra.
O infantil rebelava-se, pois, contra o convencionalismo dos adultos, incapazes de medir as distâncias entre os dois universos em presença. Tal rebelião manifestava-se em todas as oportunidades:
A muito custo conseguiram acomodar-me. Vestiram-me uma camisa com grandes punhos e bofes de renda de França, um pescocinho branco apertado por uma fivela de aço, uns calções de veludo preto com fivelas de aço e laços pretos, meias de seda branca, sapatos pretos com grandes saltos encarnados e abotoadura de madrepérola, espadim com copos de aço, e chapéu elástico de plumas brancas.
Assim vestida e armada, a criança com menos de cinco anos entrava no mundo da ficção adulta sem que pudesse, nessa época, descodificá-la. Ele próprio o confessa ao revelar como galgava de um ápice até ao topo a escadaria das hierarquias nobiliárquicas:
Nunca fui ao Paço sem espada, porque nunca fui Moço Fidalgo, tendo gozado, desde a idade de cinco anos, as honras de Grande do Reino.
Havia, no entanto, que consumar a cerimónia de iniciação que no Paço de Mafra se representava. À distância dos anos, o Marquês de Fronteira evoca-a com um sentimento irónico, na sucessão de terrores em que ela se constituiu:
Conduzido por meu tutor e tios, encaminhei-me para a sala de recepção do Príncipe Regente, sendo acompanhado pelos meus dois companheiros de jornada até onde a etiqueta da Corte lhes permitia, mas, apenas os perdi de vista, desatei num berreiro de choro, sem querer seguir por diante, gritando por meu irmão de quem nunca me tinha separado, e por Mr. Fabre, meu guarda roupa. Logo que avistei S. A., tremi de medo, tal foi a impressão que me causou a sua fealdade, mas, conhecendo quase todos os que o cercavam, porque ou eram meus parentes ou amigos de meu Pai, tranquilisei-me.
A cena vai atingir o seu vértice cómico e equívoco, precisamente no acto seguinte, rememorado nestes termos:
Sua Alteza costumava fazer sempre a mesma pergunta às crianças que, na minha posição, lhe eram apresentadas, e era ela: Para que lhe serve a espada que traz à cinta? Meu tio tinha-me ensinado a resposta que eu, à força de me ser repetida, decorei, e, quando S. A., segundo a etiqueta, me fez a pergunta, respondi de pronto: Para defender a V. A.! O Príncipe nem para mim olhou, e estou hoje convencido de que nem ouviu a minha resposta.
Logo que respondi, gritei por Mr. Fabre, e S.A., persuadindo-se de que eu tinha levado comigo um frade, disse para meu tio: Chamem o Frade! Meu tio disse-lhe que era pelo meu guarda-roupa que eu chamava e que não era frade.
Esta atmosfera burlesca envolve a cena capital em que a criança, travestida de adulto e transportada para um mundo adulto mas fictício, recupera os direitos à sua própria infantilidade. "

29/06/12

A música de Carlos Paredes



Durante uma parte dos anos setenta e inícios dos 80, nos meus verdes anos,  Carlos Paredes o guitarrista que "amava demais a música para viver dela" viveu na Estrada de Benfica no nº 403, mesmo em frente ao Largo Conde de Bonfim. 
Era com admiração que o via sair de casa, com o estojo da sua guitarra portuguesa e apanhar um táxi, imaginava eu para  um ensaio ou para um espectáculo, ou para a Liberdade...  Dizia-se que trabalhava num hospital a arquivar radiografias, uma espécie de Fernando Pessoa a trabalhar no escritório do Vasques.
 Por vezes em curtos passeios nocturnos não se coíbia de se aproximar da malta adolescente se lhes via nas mãos uma viola, queria saber que músicas tocávamos e gostávamos. Era uma época em que se ouvia a música tradicional portuguesa chamada de intervenção, a par dos grupos de rock anglo saxónicos, ainda não havia muito a educação para escutar com atenção a música instrumental, no caso de Paredes, com instrumentos próximos de um Fado ainda não re-inventado.
Durante varios anos tive em casa uma cassete, gravada por cima de outra música qualquer e sem caixa, com música de Carlos Paredes, sei agora que era o LP Carlos Paredes, Guitarra Portuguesa  de 1967; tocou muitas vezes no meu rádio gravador "Hitachi", que comprei com um dinheiro que herdei de meu avô materno, Francisco.


15/05/12

Rodando pela estrada de benfica ....a caminho de Sintra

" Não, Cruges não se arrependia. Até achava delicioso o passeio, gostara sempre muito de Sintra...Todavia não se lembrava bem, tinha apenas uma vaga ideia de grandes rochas e nascentes de águas vivas...E terminou por confessar que desde os nove anos não voltara a Sintra. O quê ! o maestro não conhecia Sintra? Então era necessário ficarem lá, fazer as peregrinações clássicas, subir à Pena, ir beber água à Fonte dos Amores, barquejar na Várzea...
-- A mim o que me está a apetecer muito é Seteais; e a manteiga fesca.

-- Sim, muita manteiga -- disse Carlos. --E burros, muitos burros ... Enfim, uma écloga!
 O break rodava na Estrada de Benfica: iam passando muros enramados de quintas, casarões tristonhos de vidraças quebradas, vendas com o seu maço de cigarros à porta dependurado de uma guita: e a menor árvore, qualquer bocado de relva com papoulas, um fugitivo longe de colina verde, encantavam Cruges. Há que tempos que ele não via o campo! "

in Os Maias, Eça de Queirós
Biblioteca Visão, vol 1

foto http://jorgesilva.fotosblogue.com/7785/Estrada-de-Benfica-1889/

02/05/12

São Domingos de Benfica na Agenda Cultural de Lisboa


Este destaque sobre São Domingos de Benfica já saiu na Agenda Cultural de Abril. Sobre muitos destes sítios já se falou aqui no Mercado: sobre o Arabesco, o Palácio Beau Séjour, a Casa da Selva ou a Casa do Cavaleiro à Porta.
Mas ainda há muito mais a conhecer: eu, por exemplo, não conhecia a Quinta Nova da Conceição!

28/04/12

25 de Abril na estrada de benfica

Em 25 de Abril de 1974 acordei a ouvir minha tia avó na altura com 71 anos, dizer à minha mãe que as revoluções deixavam tudo na mesma, ela que já tinha vivido a queda da monarquia e todas as convulsões da 1ª Republica . A minha mãe recebera logo de manhã, antes de sair para o trabalho um telefonema de uma sua comadre que acedia a informações directas do cunhado, controlador aéreo do Aeroporto da Portela, que ficasse em casa e se abastecesse de alimentos, não se sabia se seria preciso.
Nesse dia aprendi junto à rádio com meu pai o que queria dizer  a palavra "eufemismo", como é que "Direcção Geral de Segurança" tinha substituído e se referia à "PIDE".  E também aprendi em "Curso Acelerado De Todas As Coisas Que Não Sabia Porque Quase Ninguém Falava" o que significava PIDE.
Sei que nesse dia a minha mãe se foi abastecer num supermercado na rua Padre Francisco Alvares, o meu pai levou-me depois do almoço ao Liceu D.Pedro V para se ver que não havia aulas, depois ele seguiu para a Gulbenkian para ver também que não havia congresso . Mas na Estrada de Benfica haviam cravos e pessoas que se saudavam  com alegria com nunca antes vira. No dia 26 de Abril, vindo do liceu e depois de ter percorrido toda a zona arrelvada no centro da praça de Sete-Rios em direcção à estação do metropolitano e às paragem dos eléctricos percebi uma concentração de pessoas que se apinhavam , junto a uma casa apalaçada, nº 241 da Estrada de Benfica.  Acerquei-me juntando-me à multidão e fiquei a saber que a casa era a escola técnica da PIDE; os militares estavam a capturar pides, e estes chegavam escoltados e muito  acossados pelas pessoas que se amontoavam mas lá entravam a salvo e a custo no edifício. Um pouco mais tarde, no largo onde eu morava em São Domingos de Benfica, a minha vizinha do lado  lançava impropérios ameaçadores da varanda quando percebeu que os militares iam buscar alguém da Legião Portuguesa, o vizinho do prédi em frente e a fúria fê-la descer num ápice do 3º andar à rua.  
Nessa tarde percebi que os militares, não eram bárbaros . Em minha opinião, é por isso que  podemos explicar ainda hoje o 25 de Abril aos nossos filhos e aos nossos netos, e eles querem saber, porque precisamente ainda lhes chegam esses ecos. E podemos lançar e apanhar os cravos !
cartaz

Vieira da Silva / sem data in

25 de Abril 30 Anos 100 Cartazes

Diário de Notícias

17/03/12

Peça de colecção O Benfica Ilustrado


O BENFICA ILUSTRADO era revista muito atractativa para mim quando criança, o meu pai não a comprava mas eu encontrava-a em casa do meu avô. Como revista que era, tinha uma visualidade diferente do jornal, especialmente as capas com fotos a cores em formato grande dos meus ídolos do futebol. A primeira revista saíu em 1 de Outubro de 1957,como suplemento mensal do jornal O BENFICA , o número avulso custava 3 escudos e 50 centavos e saíu ininterruptamente até Setembro de 1966, altura em que foi suspensa porque as despesas eram superiores às receitas. A capa do Número 1 da revista é feita com Maria Helena Farelo campeã de ténis de mesa na equipa de senhoras.

23/02/12

4 anos de Mercado de Bem-Fica

O Mercado de Bem-Fica faz hoje 4 anos. Tem tido menos posts é certo, mas queremos continuar a contar coisas e queremos que todos os que moram ou morarem em S. Domingos de Benfica e Benfica venham também aqui contar.


Uns com menos tempo, outros longe outros com menos vontade de sair à rua, mas continuamos aqui, e eu mesma, apesar de um bocadinho (grande) hibernada continuo a acreditar neste espaço e espero que desse lado também!


Parabéns mercadores e fregueses!

07/02/12

Por aqui também se namora




Ainda não conheço o espaço, mas a sua presença no programa "Enamorados por Lisboa" chamou-me à atenção. Ora vejam:
Quiosque Alfacinha de Gema (Parque do Bensáude)
11 de Fevereiro, 15h : Workshop Feitiços de Amor

Receitas de feitiçaria e encantamento. Organização: Jessi Leal, autora do livro SEGREDOS DE UMA FEITIÇEIRA

12 de Fevereiro, 15h: Workshop 1+1 =3

A fórmula perfeita para uma relação a doisConversas sobre experiências vivenciais nas relações humanas e amorosas. Organização: Cristina Leal, autora do livro "Entre Nós"

18 de Fevereiro, 15h; Serenata Ensemble, Música no Parque

Orquestra de Flautas do Conservatório de Lisboa. Enseble de Música de Câmara do Conservatório de Lisboa

Alfacinha Love Jazz

Coro Glee Jazz do Conservatório de Lisboa. Organização: Conservatório de Lisboa

19 de Fevereiro, 15h: Alfacinha Love Jazz

Combos de Jazz da escola de Jazz do Conservatório de Lisboa. Organização: Conservatório de Lisboa

Mesmo que não seja para estas actividades, o parque vale bem a pena uma visita e namorar (por enquanto) ainda é gratuito!

A fotografia é da página do Facebook do Quiosque Alfacinha de Gema

05/02/12

"A Colmeia"

A Colmeia é uma pastelaria com presença antiga na Estrada de Benfica. Ia lá algumas vezes com meus pais há 40 e tal anos e recordo-me de uma das "noites triunfais" da minha infância quando no Carnaval aproveitei uma distracção de todos para lançar a confusão generalizada com um estalinho estrategicamente lançado do meio da sala, originando o grito assustado de uma flausina que usava o telefone público, o salto do meu pai a fazer com que entornasse na camisa a bica que bebia ao balcão. A Colmeia foi remodelada e reabriu há uns meses e tal como eu, outros clientes actuais e antigos assomaram-se na altura à porta para espreitar as alterações. Gostei do que vi e entrei , chamaram-me a atenção as gavetas em madeira com janela de vidro para guardar biscoitos, chocolates, como nas confeitarias tradicionais, os armários e especialmente os lustres no tecto criando uma luminosidade "quente" como de uma casa de chá. Pedindo autorização para tirar umas fotos, foi oportunidade para conhecer o novo proprietário srº Paulo Mendes, que me esclareceu ser o ano de 1957 o da inauguração da Colmeia. Infelizmente estas remodelações actuais, já não conseguiram encontrar vestígios dessa época inicial mas nota-se a ideia de recrear o ambiente caloroso dos antigos cafés em que apetecia estar, havia uma clientela fiel e uma vivência humanizada ligada ao bairro. Numa segunda visita, desci os degraus para a sala de cave, aproveitada para sala de refeições e não me surpreendi por encontrar nas suas paredes quadros com cópias de fotografias antigas da Estrada de Benfica.

Pastelaria Colmeia
Estrada de Benfica, 319-A
1500-075 Lisboa

13/01/12

20/12/11

A Garrafeira São João


O Natal está mesmo aí à porta e, mais do que em qualquer data do ano, é altura de pretextos para almoços e jantares com a familia, com os amigos e para a troca de presentes. Na minha familia decidiram que no Natal se fazia assim: os rapazes levam as garrafas de vinho, as raparigas tratam dos doces e os anfitriões ocupam-se do jantar. Gosto dessa ideia da partilha de tarefas natalícias. Parece que há um cuidado especial na escolha das bebidas e das sobremesas e na confecção da comida para essa noite.
Há pouco tempo atrás, tivemos um jantar e queriamos ir à loja Gourmet do Fonte Nova, que tem um funcionário super simpatico e profissional, para comprarmos uma boa garrafa de vinho. Estavamos no trânsito a caminho do centro comercial quando paramos na fila, precisamente em frente a uma garrafeira na Rua Professor Reinaldo dos Santos. Estavamos a olhar para ela pela primeira vez e decidimos ir lá espreitar. É certo que é um local diferente da Gourmet do Fonte Nova, é um lugar que se situa entre a loja e o armazém. Já tinhamos uma ideia do que queriamos comprar, mas perante a surpresa de tamanha escolha optamos por experimentar novos vinhos pelos bons conselhos de uma das senhoras da loja. Pensamos que realmente era uma boa ideia haver uma garrafeira em Benfica que, embora esteja bastante escondida, já ali existe há 5 anos. Lá dentro têm todo o tipo de bebidas alcoolicas (excepto cervejas) e foi assim que acabamos por sair de lá com 3 garrafas de vinho e ainda compramos um favaios para termos em casa. Ficamos perplexos com os preços. É que apesar de ser uma loja/armazém de rua têm preços mais baratos do que nos supermercados mais em conta. Pensamos que seria uma boa opção passarmos a comprar ali as bebidas: várias possibilidades de escolha, preços acessiveis e atendimento personalizado e nós a contribuirmos para que o comércio de rua não desapareça.
Por isso, se estão por Benfica ou São Domingos de Benfica, se têm almoços e jantares, se querem oferecer um presente ou comprar boas bebidas para terem em casa, vale a pena dar um salto à Garrafeira São João.


Um bocadinho de historia aqui e a fotografia foi retirada daqui

14/12/11

A Rua do Montepio Geral e os anos 80


Ontem em conversa com uma amiga lá da rua a propósito da relação entre uma caneta bic e uma cassete vieram-me à ideia uma catrefada de recordações. Ora, não sei vocês, mas para mim, aquela imagem de rebobinar as cassetes com as canetas bic é tremenda. Tardes inteiras a querer ouvir as mesmas músicas e o rebobinador a não funcionar e nós ali de caneta enfiada a andar para trás com a fita... santa paciência! E como lembrou ela, muito bem, a desencravar a fita que por vezes se enrolava na cabeça do leitor e ficava em acordeão e lá se ía a música. Lembro-me disto na Rua Montepio Geral, em tardes tórridas do mês de agosto. Nessa época em que as férias demoravam 3 meses, em que nos deliciavamos com os gelados de água e corantes da Olá no Pastelinho, em que o “dedo” custava doze e quinhentos. Era o tempo em que lá na rua todos os miúdos tinham alcunhas, era o kikas, o galinhas, o gordo, o caixa d’óculos, o puto estupido e tantas outras que já não me lembro.





No calor e no silêncio desses dias, ouviam-se músicas aos berros das janelas escancaradas, cheirava a sardinhas, os miúdos íam bater à porta a pedir uma moedinha para o santo antonio e la iamos outra vez para o pastelinho comer gelados ou para a mercearia do senhor ferreira comprar os doces da berra. Andavamos de bicicleta até os nossos pais virem gritar por nós à janela, jogavamos ao lencinho à noite, ou íamos para casa uns dos outros. À tarde ora passavamos o tempo a ligar para o Agora Escolha para ver as nossas séries preferidas ora ligavamos para casa das pessoas a dizer coisas do genero: estou, é de casa do sr. leão? É para dizer que vamos entregar a jaula”. Havia a mercearia da Dona Helena, a mercearia da Dona Nia e do Sr. Augusto, o talho do Pedro, a padaria da Dona Deolinda que depois passou a ser da Dona Inês, a loja dos estores, os carrinhos da ligier, o estofador, as duas oficinas. Havia o Lord que era o pastor alemão do dono de uma das oficinas e que se atirava para cima de mim e da minha vizinha do 2° andar quando a cadela dela, a Nani, estava com o cio. Nós inventavamos as mais variadíssimas coisas para ele não vir atrás de nós e assim nasceu a lenga lenga “São Romão, São Romão entre mim e o cão” que dita duas vezes de seguida era suposto exercer um feitiço sobre o Lord e ele deveria dar meia volta e não nos chatear. Que boas recordações estas da Rua Montepio Geral e que orgulho em ter vivido na década de 80. Hoje em dia, quando regresso a casa, ainda me cruzo com alguns vizinhos que na altura eram os meus amigos da rua e cruzo-me com os amigos do meu irmão que ainda pertencem a esses tempos das alcunhas. Aqueles que eram “os putos lá da rua” cresceram e muitos continuam a viver ou a ir lá regularmente. Este ano, disseram-me que muitos dos que casaram e foram viver para outros lugares acabaram por regressar à Montepio Geral, como se houvesse ali um sentimento de aconchego...

A Casa de Saúde de Benfica

Já aqui mostrámos anúncios a esta casa de saúde. Este postal data dos anos vinte.
Clicar para ampliar.

11/12/11

Vale a pena morar num bairro assim

Crescer num bairro com alma é uma herança que transportamos vida e fora e que dá origem a iniciativas como este blog. Um bairro com alma é uma toca de Alice onde não cessamos de descobrir caminhos, histórias e personagens que alimentam a imaginação. Claro que há uns quantos aspectos que causam alguma irritação, mas essa existe na exacta medida do afecto que nutrimos pela rua cujo nome escrevemos com zelo na caderneta da escola ou no boletim de vacinas.
Em S. Domingos há vários locais mágicos que valem um passeio mais atento e muitas das vezes constituem o tal lavar da alma que os afazeres do dia-a-dia negam com o imperativo do "agora não". Deixe-me levá-lo pela "mão" e registe algumas moradas onde, tenho a certeza, quererá voltar.
Conhece o parque Bensaúde ou o Palácio Beau Séjour? O palácio Fronteira e os seus jardins setecentistas, a mata de Monsanto e os seus trilhos de bicicleta? Já subiu ao alto da Serafina e contemplou o rio, a ponte e metade da cidade adormecida lá em baixo? Já percorreu o Jardim Zoológico de lés a lés e descobriu os locais mais recônditos e inspiradores do nosso imaginário infantil?
Já provou os bábás do Califa, os pastéis de Chaves do Arabesco ou os Scones com passas do Sr João, ao lado da CEBE e do Fernão Mendes Pinto? Já se deliciou com o apetitoso frango do churrasco da Delícia de Benfica,logo ao lado? Já levou para casa as tartes de maçã, nata ou pêssego da padaria da D. Cilinha na Travessa de S. Domingos? Já comprou queijos, fruta ou vegetais, pão alentejano, no Sr. Ferreira, junto à cabine telefónica do outro lado da estrada? Já sentiu o sabor do açúcar baunilhado e a canela a derreter-se na boca à primeira dentada de um pastelinho de nata na confeitaria do mesmo nome? Siga o cheiro a café e peça para embrulhar as farripas de laranja envolvidas em chocolate da casa dos cafés, os bolos sortidos para o chá, as amêndoas de geleia de fruta na altura da Páscoa ou as broas castelares em Dezembro.
Rendeu-se? Os itinerários são muitos e não se esgotam aqui. Saia sempre com tempo, liberte os sentidos e deixe-se perder. Acredite, vale a pena morar num bairro assim.

06/12/11

O estádio

Passar Página, nova livraria em Benfica


Quando regressei de férias a Lisboa, no mês de Junho, fiz uma óptima descoberta. Benfica tem mais uma livraria e uma livraria original. Era dia de eleições, o meu irmão ía votar à Escola Delfim Santos e, como não me apetecia estar nas filas de voto e aquela nova porta me chamou a atenção, fui lá espreitar. Foi desta maneira que descobri a Passar Página. Na altura, lembro-me de ter pensado que a livraria tinha poucos livros, mas ainda não sabia que tinha aberto apenas no mês de Maio. Como havia pouca gente para votar fiquei por ali pouco tempo.


Fui novamente de férias no mês de Novembro e o acaso quis que voltasse a entrar neste espaço, numa manhã de greve que me escapou. Dei com o nariz no metro do Alto dos Moinhos, quando pensava ir dar uma volta à feira da ladra. Não me tendo apetecido esperar que as portas do metro abrissem, voltei para trás. Pensei em ir beber um café ao Colombia e nesse instante, o meu olhar escapa-se para a direita e então lembro-me da tal livraria. Por curiosidade volto a entrar. Sento-me ao fundo, na parte da cafetaria, peço um café e um pastel de nata e fico a observar. O café está cheio e a livraria movimentada. Desde a última vez que lá tinha passado cresceu. Está cheia, é uma livraria generalista, com novidades, romance e livros infantis mas também com algum ensaio. Há boas escolhas. Depois do café perco-me nos livros infantis. E vou circulando por entre as mesas. Vejo que há jornais à disposição para quem quiser ler enquanto bebe um café, há uma esplanada, há mantas que se podem levar para a esplanada em dias de sol frios, mas há sobretudo bons livros e também boa mesa... e afinal de contas é uma livraria nova, uma livraria de bairro, em Benfica... sorrio ao ver os clientes que olham para as mesas e para as prateleiras, que folheiam à procura de um livro (ultimamente vejo as livrarias desertas). O atendimento é profissional e muito simpático. Penso que não me apetece mais comprar livros na Fnac, penso que enquanto os 5% de desconto não me fizerem grande diferença comprarei na livraria do meu bairro que tem bom atendimento, que traz pessoas para a rua... e tenho esperança que outras pessoas pensem também assim e que desta forma estas livrarias possam continuar a existir!

Vale a pena ir espreitar a Passar Página,
Rua Maestro Frederico de Freitas, 5 A e B
(mesmo em frente à escola Delfim Santos)


As fotografias para ilustrar este post foram retiradas da página do Facebook da livraria Passar Página

19/10/11

Andar na escola num outro tempo

O externato era num rés do chão de quatro assoalhadas adaptado a escola, num prédio situado num largo com jardim, em São Domingos de Benfica. O "Se´sôr", abreviatura de senhor professor, vivia no 1º andar desse mesmo prédio, andava com uma cana comprida na mão, fumava "Definitivos", segurando o cigarro com os dedos amarelos, por vezes a cinza caia no chão.
Era tudo muito auditivo, a palavra do professor, as tabuadas cantadas, a leitura dos textos em voz alta, restava pouco para o visual ! Muita repetição nos cadernos, a escrita em duas linhas, a aritmética no papel quadriculado , não me lembro de caderno de desenho a partir da 2ª classe, relegado para o espaço em branco do cabeçalho por cima das cópias, vá lá, 3 centímetros, a ilustrar. Gostava do exercício da cópia de palavras difíceis numa tira de papel pautado, dividida ao meio, à esquerda o modelo bem escrito, à direita o espaço para copiar correctamente, era o " linguado ", gostava destas palavras que imaginava preencherem a "espinha do peixe".
Da casa do professor no 1º andar, vinha às quintas feiras de manhã a telefonia para o programa musical da emissora nacional, pegado em peso, cuidado com o estrado, no lugar do "Se`sôr" a telefonia, em cima da secretária, tínhamos de esperar que as válvulas aquecessem para o hino nacional, para a marcha da mocidade portuguesa, lá íamos "marchando e rindo…cantando, levados " sim levados, o pretinho Barnabé…a loja do mestre André...o burrinho que ia para ..., carregadinho de …! Nós gostávamos desta meia hora de audio, era uma quebra da rotina das cópias , dos ditados, os" tanques " enchiam-se à tarde de problemas de aritmética.

18/09/11

A " Reserva" dos Índios


Os índios já são adolescentes, fizeram 19 anos no passado dia 11 de Setembro, tantos quantos o do "Parque Recreativo do Alto da Serafina" ou "Parque dos Índios" como muitas vezes é designado e que abriu portas em 1992. Estão portanto de Parabéns , como sabem todos os que já lá foram acompanhando crianças ou por si só, à procura no Monsanto de uma brisa fresca enquanto o ar abafado e pouco respirável do trânsito nas tardes quentes fica lá em baixo na cidade. Ou quem já lá foi piquenicar. Ou quem descobriu palavras novas inventadas pelas crianças pequenas , sim, porque o Parque tem um horário de Inverno e pode-se cair dentro de uma poça de "la(m)ba". Ou quem (des)espera pelo dia em que o Parque passa a funcionar em horário de Verão e se pode aproveitar os fins de tarde até às 20 horas. Ou quem já esteve na esplanada do restaurante Papagaio da Serafina. Para mim a "Serafina" se fosse um gosto era o dos pinhões soltos das pinhas e partidos com uma pedra. Se fosse um olhar poderia ser o do azul do tejo entre arvoredo. A funcionária Teresa é do princípio do Parque, lembra-se bem do dia da inauguração em que foram as escolas e as palavras de um casal "Que grande melão! " à procura da piscina, projectada mas nunca construída, onde agora são os insufláveis. E interrompeu a conversa para atender um pai e ir com ele à procura de um casaco do filho que terá sido deixado nas tendas . Como no primeiro dia. Nós "desculpamos" nunca terem contruído a piscina. Mas espero que a Câmara Municipal de Lisboa nunca se esqueça que os índios, continuam por lá!


imagem retirada de um "poster" da campanha promocional da abertura do Parque.

10/09/11

Bairro do Calhau


Do Bairro do Calhau tenho poucas recordações. Lembro-me de uns amigos do tempo da escola que lá viviam. Sabia que o Bairro do Calhau ficava do outro lado da linha do comboio e, nessa altura, não havia passadeira aérea para lá se chegar mais rapidamente. Tinha que se ir até à “fonte”, onde muitos benfiqueiros faziam fila para se abastecerem de agua aos sabados de manhã (diziam que era melhor), e depois, então, voltar para trás.










Durante muito, muito tempo pensei que o Bairro do Calhau fossem aquelas casas que ficavam mesmo ao lado da antiga entrada para a Mata de S. Domingos de Benfica... alias, o que conheço desse lado de S. Domingos de Benfica descobri, de passear a olhar e com imensa pena minha por ser tão tarde, so ha coisa de 3 anos. Quando vou a Lisboa preciso de regressar sempre com imagens, na maquina fotografica, na minha cabeça, mas as fotografias, so as tiro no ultimo dia.














Peço ao meu irmão para ir comigo e peço-lhe para entrarmos por aquelas ruas pequeninas, estreitas, tão familiares. O Bairro do Calhau é um pedaço de tranquilidade na cidade, um mundo à parte... não me dissessem os meus olhos que estavamos em Benfica, não acreditava que podia existir um lugar assim. No silêncio da tarde passeamos de carro pelo bairro, tão calmo, com a roupa estendida em frente às portas, vasos pequenos a decorar as bermas das ruas, flores que se vêem por cima dos muros das casas... tudo tem cores tão doces... as casas baixinhas, umas mais modernas do que outras, pintadas de amarelo e cor de rosa, que acabam por misturar-se com o azul do céu e com a luz do sol...

















... e depois, toda a historia desta sitio... e o novo que se mistura com o antigo...

05/09/11

o cheiro dos eucaliptos ou o primeiro dia de escola...




hoje começa a escola. de manhã desci à vila e ja se ouvim e viam imensas crianças nas ruas, de mochilas novas. penso no meu primeiro dia de escola... penso que chorei, telefonaram à minha avo para me ir buscar e ela foi a correr consolar-me. da escola da rua das trinas lembro-me de que tinha uma professora severa, lembro-me de ter aprendido a escrever a caneta de tinta permanente e lembro-me de termos plantado uma arvore e de nos terem dito que dali a 20 anos seria uma arvore grande... gostava de la voltar e ver se ela ainda la esta...




dois anos mais tarde mudei de escola e fui para a cebe. sobre esta casa maravilhosa nunca terei palavras suficientes para descrever o magnifico tempo que la passei... mas relembro o primeiro dia... estava cinzento, humido, cheirava a terra molhada... e cheirava a canetas e cadernos novos também. o meu irmão ia para a infantil, nunca tinha andado na escola antes e levava o pateta debaixo do braço. a minha sala, a da 3a classe, ficava no primeiro andar. as duas janelas davam para a entrada da escola e para uma grande arvore cujas folhas conseguiamos tocar de dentro da sala. pouco depois de estarmos instalados, uma senhora entrou para trazer o meu irmão para perto de mim porque ele estava a chorar. eu também queria tanto chorar, mas quase que não respirava com medo que me caisse uma lagrima. então aconcheguei-o, a ele e ao pateta, debaixo do meu braço e as lagrimas evaporaram com o calor. no recreio da cebe havia muitos pneus, uma arvore onde podiamos fazer imensas coisas, um telheiro com um rochedo feito de esponja... também havia muitos canteiros e os frutos que caiam dos eucaliptos permitiam-nos fazer as mais diversas brincadeiras. nunca me esquecerei desses frutos tão graciosos e que cheiravam tão bem. por vezes punhamos uma mão-cheia dentro dos bolsos dos casacos e traziamo-los para casa para prolongar as brincadeiras e o sentimento de aconchego que a casa cor-de-rosa nos proporcionava...


a fotografia dos frutos de eucalipto foi gentilmente emprestada pela vera joão espinha (merci!). são tão bonitos, exactamente como na minha imaginação... ha muito tempo que não pego num...

a primeira fotografia é tirada do livro "daniel et valérie", dos primeiros tempos de escola do rapaz ca de casa.

15/08/11

"Volta a Portugal em caricas"-brincadeiras de outros tempos

Nas férias de Verão da minha infância lisboeta, a malta do Largo, à estrada de Benfica, organizava uma brincadeira que conhecia a adesão de muitos de nós, quando se aproximava a Volta em Portugal em bicicleta.
Contávamos com um material que era um verdadeiro manancial, diremos nós agora, de reutilização : as caricas.Podiam ser da "Laranjina C", do "Vitasumo", da gasosa "Areeiro" , do "Sumol" , da "Sagres", da cerveja "Cuca", da "Canada Dry", da água de Carvalhelhos; fáceis de arranjar , no chão da esplanada da leitaria do srº Manel, ou noutro local qualquer. Procuravam-se as menos amolgadas pelo abre latas, para poderem deslizar melhor quando impelidas pelo piparote que lhes eram dadas pelos nossos dedos.
Escolhíamos seis ou sete caricas que se iriam juntar a mais 60, para deslizarem e tentarem manter-se a cada caricada, em cima de um banco de pedra com cerca de um metro de altura e 12 m de perímetro, forma irregular mas mais ou menos quadrangular, que circundava um canteiro com uma arvore de médio porte no interior. Para poderem cumprir a sua função na brincadeira, as caricas precisavam de ganhar peso e estabilidade e de serem identificadas, era o que fazíamos na fase de preparação . Primeiro cortávamos no topo as tampas de plástico que vedavam as garrafas de vinho de mesa, que pareciam pequenos chapéus e que tinham várias cores. Em seguida, aplicava-se a referida tampa de plástico por cima da carica, encaixava na perfeição e vedava. Depois, aplicava-se plasticina no espaço entre a borda da carica e a tampa.Para identificarmos as caricas, recortávamos dos cromos ( haviam colecções de cromos de ciclistas),a cabeça do corredor pretendido em redondo e aplicávamo-lo por dentro da carica (visível devido ao corte no topo da tampa), completando a identificação com o nome individual e o da equipa recortado de um jornal e colado com fita cola à tampa de plástico ou incrustada na plasticina. "Francisco Valada", "Peixoto Alves", "Joaquim Agostinho", "Fernando Mendes "," João Roque", "Leonel Miranda", "Américo Alves", "António Acúrsio", compunham o pelotão para esta Volta a Portugal “ sui – generis”. A brincadeira era organizada, havia várias etapas, umas mais longas outras mais curtas ( quer dizer, menos ou mais voltas ao banco quadrangular), com calendário, às vezes uma etapa de manhã outra à tarde, com prémio da montanha , prémio Laranjina C e Metas Volantes, nas quatro curvas do perímetro do circuito. Imaginemos 60 caricas em competição... A primeira a cair, não voltava à pista e era classificada na etapa com 60, a outra a seguir com 59, a primeira a cortar a meta com 1. Registava-se tudo etapa a etapa, faziam -se os somatórios. Entretínhamo-nos. Com competição à mistura.
Quando um de nós, dos mais habilidosos dava uma boa caricada e punha a sua à frente, ui !!! os outros não resistiam a comentários de atribuição causal do tipo " Tu tens é uma "g`anda latosa" ...!" ( referente a vaca leiteira; no "zodíaco" daqueles anos 60, era prognóstico de tipo claramente bafejado pela sorte ). As crianças são cruéis, lembro-me bem por isso que esse sortudo, que era o mais corpulento de nós e por isso justamente alcunhada por "Bomba" mais ternamente por "Bombita"numa caricada mais arriscada, desequilibrou-se para trás de mal sentado e só o vimos a fazer o pino que quase se matava. Enfim não foi nada de grave. Eu não tinha muito jeito, normalmente cabia-me a equipa do Tavira ou do Sangalhos, do meio da tabela,naquele tempo. Mas estas "Voltas a Portugal" eram memoráveis.

foto das caricas, retirada do blog http://coleccaodecaricas.blogspot.com
foto "Ases do Ciclismoretirada do blog http://cromos-de-caramelos.blogspot.com/2006/07/17-cromos-de-ciclistas.html"

09/08/11

Estar na tarde de Benfica

É um sábado como outro qualquer, mas antecede o fecho para merecidas férias  dum restaurante de que muito gostamos, o Escondidinho do Charquinho. Está calor e apetece alongar um belo almoço de bacalhau com broa, beberricando um verde tinto pelo entrar da tarde fora. Na mesa ao lado, caras familiares, pois todos nos conhecemos por ali. Antes tinha-se sentado na nossa mesa, um estivador reformado que nos contou a sua história de vida. Olhos claros e inquietos, acompanhava o desenrolar das conversas com atenção e comentava. Morar num quarto andar com dificuldade de locomoção não é fácil, mas ele lá vai indo sem aceitar ajudas.
Os temas da mesa ao lado,são futebol, grande aglutinador de emoções e afectos, antigos restaurantes, amigos que se foram. O Miguel não consegue deixar de contribuir, Benfica, memórias de infância e sorri. Parece que entrámos num microcosmo, em que tudo decorre num ritmo lento e afável. Parece-me bem.

03/08/11

Histórias de comerciantes


imagem retirada daqui

Já por aqui tinhamos falado há uns tempos atrás, no cartão freguês, iniciativa dos comerciantes e da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica (JFSDB) que oferece descontos de 10% nas lojas que aderiram a este projecto. É uma óptima ideia para os comerciantes que atraem mais clientes, para os clientes que podem beneficiar de produtos mais baratos e para o bairro que tem mais pessoas na rua. Em Março de 2010, enviei um mail à Junta de Freguesia a dizer o que é que o nosso blog fazia: que éramos voluntários, gostavamos do bairro e de contar histórias sobre ele, que desta maneira o valorizavamos e o “imortalizavamos”, que o faziamos graciosamente e que gostavamos de saber se a JFSDB podia fazer referência ao nosso blog no site deles ou nos boletins informativos de forma a que tivessemos mais gente a participar. Nunca tivemos resposta ao mail e também nunca aparecemos no site deles, mas continuamos a existir. Hoje fico agradavelmente surpreendida com uma nova iniciativa da JFSDB. Têm no site, desde o mês de Maio, uma rubrica intitulada “Comerciante do mês” que tem por objectivo divulgar a história da loja de cada comerciante que colabora no cartão freguês, como e quando surgiu o comércio, há quanto tempo estão no bairro. É de facto uma óptima iniciativa, só tenho pena que a nossa ideia, com o mesmo fundo, também fosse igualmente boa e eles nunca se tenham mostrado interessados em divulgar. Em todo o caso parabéns pela iniciativa, o site já disponibiliza 3 histórias, lê-las aqui, aqui e aqui

27/07/11

Chá de Rosas


Nessa tarde de domingo resolvemos ir espreitar o Chá de Rosas. Uma amiga tinha-me falado nele e queria mostrar-mo, por isso, pusemos pernas a andar, ou melhor, as rodas do carro a girar e subimos um pouco mais acima do metro do Alto dos Moinhos. O salão de chá fica por baixo das arcadas, do lado esquerdo, dos predios mais recentes de São Domingos de Benfica. Antes de entrarmos reparamos que o Chá de Rosas é muito mais do que um salão de chá, no letreiro lemos também restaurante e biblioteca. Tem uma esplanada de cores frescas que à tarde esta à sombrinha, no entanto, desta vez decidimos ficar la dentro, porque ha mais coisas para ver. Quando se entra, e apesar do site dizer que o estilo é inspirado na provence francesa, achamos que o ambiente é muito inglês. O espaço é composto por duas salas, uma primeira com mesas e cadeiras e muita leitura disponivel, sobretudo revistas, e a segunda sala, mais luminosa, onde estão o balcão, a cozinha, casa de banho e também tem algumas mesas. Nos ficamos na primeira sala, encostadas à janela. Consultamos a lista, fomos pelos chas e pelos scones, mas nessa tarde não ha scones, ha outros bolinhos muito parecidos que também se comem com manteiga e doce. Pedimos um cha e um sumo de laranja natural e ali ficamos a conversar e a folhear revistas. Chega um casal que conversa amigavelmente com a proprietaria do salão, parecem habitués. Queremos aproveitar o resto da tarde e, por isso, decidimos que é hora de ir embora. Vamos pagar ao balcão e damos dois dedos de conversa com a senhora, muito simpatica, que nos diz que o salão ja tem as portas abertas ha 3 anos e que surgiu de uma paixão pelos prazeres da vida, do gosto pela cozinha... fala-nos dos bolos frescos que faz diariamente, diferentes de dia para dia de acordo com a inspiração... que bom haver lugares assim em São Domingos de Benfica. Nos fomos pelos doces, mas o site revela pequenos pratos vegetarianos, saladas, especialidades que deixam com agua na boca e com vontade de la voltar, quando eles regressarem das férias, para experimentar os “salgados”.

O Chá de Rosas tem um site e um blog que vão ja para a nossa lista aqui ao lado.

26/07/11

S. Domingos de Benfica



Neste ultimo regresso a S. Domingos de Benfica reparei em algumas alterações no bairro. Umas em coisas que ja têm aqui no blog "bilhetinhos" e outras coisas novas... nas ultimas vezes que regressava tinha a sensação, cada vez mais, que S. Domingos dormia, mas desta vez vi novidades e fiquei contente. Contudo, digo-me que ainda havia tanta coisa que se podia fazer pelo bairro... e pensei "e se enviasses uma ideia para projecto lançado pela Câmara Municipal de Lisboa?", mas apos confirmação, nesta iniciativa apenas a freguesia de Benfica esta contemplada, São Domingos ficou de fora, e no entanto...


Vou passeando por Lisboa, vou observando os bairros, as diferenças entre eles, aqueles onde apetece viver... Campo de Ourique, por exemplo, se não tivesse a minha historia toda inscrita no bairro que onde em tempos estavam as quintas e casas de campo dos reis, gostava de poder morar em Campo de Ourique. É um bairro que vive, as pessoas têm vontade de sair, as ruas estão repletas de comercios, de cafés de restaurantes de padarias, tem um jardim e esta perto de tudo em Lisboa... é um bairro em quadricula, o que torna certas coisas mais faceis e outras menos, como é o caso dos transportes publicos. S. Domingos de Benfica é em comprimento, com uma optima rede de transportes, Estrada de Benfica fora vão desfilando agora poucos comercios... "são eles que fazem viver os bairros", penso... mas, as portas vao fechando... certamente pela proximidade dos centros comerciais, como o Fonte Nova e mais tarde o Colombo onde é tão facil encontrar tudo no mesmo lugar e por vezes, a preços mais competitivos. Aqui no bairro, cafés e pastelarias temos em quantidade e bons, com especialidades, à vontade do freguês, é caso para dizer, mas comércios... tirando alguns antigos que felizmente se mantêm em vida o que vai abrindo são lojas de sofas, centros de nutrição, centros de fotocopias, lojas de moveis, centros de fitness... enfim... coisas que não são de utilização e consumo diarios e que trazem as pessoas para a rua... ha as lojas de chineses que movimentam os domingos...

Não é facil ousar abrir um comércio numa altura destas e num bairro que não esta a crescer em conjunto nesse sentido, no entanto, novas iniciativas e uma ou outra porta despertam a curiosiade e trazem agumas pessoas para a rua... o Minipreço fecha às 21h agora, do outro lado do passeio abriu um café novo, na Rua Montepio Geral abriu uma nova esteticista, la em cima ao pé do café Columbia, em frente à Escola Delfim Santos, ha uma nova livraria. Mas também ha a livraria Numeros Simétricos, um bocadinho escondida, mas que tem as portas abertas. Quando entrei la neste dia, todo o espaço era dedicado à livraria, hoje é metade papelaria e metade livraria...

... e fiz outra agradavel descoberta, mas deixo para depois...