23/04/10

21/04/10

Centro Educativo Navarro Paiva


Todos os dias passo à porta do Centro Educativo Navarro Paiva. Durante muito tempo aquele portão e aquelas redes encimadas por arame farpado foram para mim um mistério, porque não sabia muito bem o que se passava lá dentro. Por interesse profissional, chegou até mim uma notícia sobre o projecto Reinserção pela Arte, no qual Madalena Victorino tinha trabalhado e que era promovido pela Gulbenkiam. Foi aí que me apercebi do que realmente se passava ali.
Muitas vezes tento espreitar lá para dentro, mas só vejo seguranças e penso: "Caramba, será que os miúdos são assim tão perigosos?" Afinal que mundo é aquele, tão perto do sítio onde vivo? Que histórias têm estes miúdos, tão novos ainda, para contar?
Por isso, foi com surpresa que vi esta foto reportagem no Expresso. Os retratados não têm rosto, mas para mim, agora, têm um bocadinho mais de história.
E isto também é Benfica.

17/04/10

O jardim da paragem...

Este é o jardim onde iamos aos domingos em que não havia planos. Antes não era assim, não tinha nada destas diversões e escorregas novos.


Para nós sempre foi o jardim da paragem ou o parque. Há alguns anos estava rodeado por uma rede verde que devia ter 1m70, as portas estavam sempre abertas durante o dia. Neste jardim, havia logo à entrada um chafariz que servia, não apenas a quem brincava lá dentro, mas a qualquer transeunte que tivesse sede. Todo o chão era preenchido de areia e logo em frente à entrada havia um escorrega vermelho com uma base cor de aluminio. Mais à direita estavam os baloiços, velhinhos, com assento de madeira, uma tábua em frente que deslizava pelas correntes até baixo para nos impedir de cair para a frente e, para ganharmos balanço, agarravamo-nos a uma espécie de corrente traçada que mantinha os baloiços presos lá em cima. Mais em frente ao café Bonfim estavam as barras de ferro para fazer cambalhotas, havia 3 de tamanhos diferentes. Na parte de cima do jardim a rede misturava-se com alguns arbustos e aí estavam as casas de banho. Espalhados pelo jardim existiam vários banquinhos de madeira onde os adultos podiam vigiar as crianças ou os velhinhos podiam ver desfilar a vida alheia...

Uma das maiores atracções deste parque era o campo de basquete e talvez ainda hoje o seja.
Aos fins de semana havia sempre rapazes que corriam batendo a bola no chão e saltavam alto para a enfiarem dentro do cesto. Por vezes, pareciam fazer jogos “mais sérios” e nesses dias o jardim enchia-se de pessoas à volta da rede que delimitava o campo, gritando pela equipa que apoiavam.



Entretanto, com os anos, o jardim começou a sofrer algumas alterações. Tiraram a rede colocaram novas diversões e mais modernas e parece-me que o chafariz desapareceu... e, desta ultima vez que lá estive, voltei a ver que estava em obras, não sei como ficou no final... mas o campo de basquete parece que se mantem...

14/04/10

A Casa da Selva II


É, sem duvida, uma das minhas lojas preferidas em S. Domingos de Benfica. Em vias de extinção as lojas de café são cada vez menos numerosas pela cidade, por isso, considero a Casa da Selva uma relíquia. Esta magnifica loja, tem por proprietários um casal muito simpático. Nunca soube o nome deles, mas lembro-me muito bem de que o senhor da loja quando se dirigia aos clientes para os atender começava sempre por dizer “tenha a bondade”. Aqui lembro-me de comprar sobretudo bolinhos secos, vendidos ao kilo acondicionados dentro de grandes sacos de plástico transparentes e expostos em cima do balcão, quem entra, do lado esquerdo. A Casa da Selva está sempre cheia, sobretudo ao final do dia, aos Sábados e no Natal nem se fala. Magníficas broas espreitam pela pequena vitrina, abraçando chás e cafés vindos de toda a parte do mundo. Tudo aqui é bom. E como a loja esta sempre cheia vamo-nos aconchegado dentro do pequeno espaço e pensando que íamos ali comprar um kilo de bolinhos secos mas que afinal vamos levar mais duas variedades diferentes de chocolates e mais um tipo de chá que vai mesmo bem com aqueles bolinhos e que aquelas amêndoas parecem ser tão boas, porque não experimentá-las. Mas enquanto esperamos nem damos pelo passar do tempo, porque à direita há uma grande montra cheia de coisas para ver. E há também uma cadeirinha para quem não pode esperar de pé ou para quem gosta de ter tempo para conversar. Uma loja que nos faz voltar atrás no tempo, regresso aos sabores da infância, ao aconchego do inverno, com um atendimento exemplar dificil de encontrar nos dias que correm...

... e posto isto, so me resta esperar que a filha destes senhores, que, por vezes, também por ali viamos, nunca deixe aquelas deliciosas portas fecharem...

Mais histórias e fotografias da Casa da Selva pela Marta G. aqui

12/04/10

O passado e o futuro













O encontro entre o eléctrico e o Metropolitano.
Sete Rios
Foto de Eduardo Goulart, AML

09/04/10

Sol e recordações




Revolvendo o papel velho, que junto cá em casa e em cima do qual os gatos fazem prazenteiras sestas ao sol, encontro numa revista Voga de 1947 este reclame ao Colégio Instituto Lusitano.
E cito: Para ambos os sexos, com sedes separadas, situadas no melhor clima de Lisboa,

06/04/10

Como descreviam Benfica em 1933

















Fotografia de Eduardo Portugal, AML e texto retirado de Guia de Portugal Artístico, 1933

05/04/10

A senhora




Andava eu pela Estrada de Benfica e deparei-me com esta senhora. Muito maquilhada, cheia de rendas e adereços de pele, uma boina animava-lhe o cabelo, pulseiras, colares e brincos de feição.Fiquei a pensar quem tinha sido ela e que histórias teria para contar. Teria mais de oitenta anos. Só me restou tirar-lhe uma fotografia enquanto ela se afastava lentamente, contornando os diversos obstáculos no passeio

02/04/10

Benfica a preto e branco














Este pequeno trecho de Benfica recorda como era esta estrada há muitos anos atrás. O preto e branco serve bem para uma viagem no tempo.

01/04/10

Casa da Selva



Só vivo há três anos em Benfica. Toda a minha infância e adolescência foram passadas em Sacavém, um sítio bem diferente deste, mas não em tudo... Lembro-me, quando era pequena, de ir pela mão da minha avó a uma loja junto ao mercado. Recordo-me que era minúscula, escura e que tinha um óptimo cheiro. Adorava aquele aroma quente e reconfortante que se sentia logo na rua. A minha avó saía de lá com uns pacotes de papel e dizia que o melhor café era dali. A avaliar pelo cheiro, era mesmo.
Acho que essa loja se chamava Casa de Cafés da Portela, que hoje em dia tem imensas sucursais, mas nenhuma semelhante à da minha infância. Por isso, quando passo pela Casa da Selva na Estrada de Benfica, lembro-me sempre desse aroma que sentia em Sacavém e por momentos penso que a loja é exactamente a mesma, apenas mudou de sítio. As montras deliciosas, os frutos secos, os cafés, os chás e sobretudo o cheiro continuam lá. Oxalá nunca feche.

Ah, imperdível passar por lá esta Páscoa, claro!

Benfica é assim















Colorida a loja explode pelas ruas. E alegra o passante.
Viva o pequeno-comércio!