Mostrar mensagens com a etiqueta Colaborações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Colaborações. Mostrar todas as mensagens

24/08/10

Deserta esta a cidade

Image and video hosting by TinyPic

Mês de Agosto em que a cidade é pertença de quem a deseja conscientemente percorrer. Tempo de êxodo urbano em fugaz suspensão da rigidez de horários, desaparecimento da «voragem empolgante» tal como a retratou Rodrigues Miguéis por tanto conhecer o bulício citadino…Mesmo com orçamentos contidos , a diária caravana através da ponte à procura de sol, de mar... No passado alguém afirmou que Coney Island se encontrava para os nova-iorquinos como a Costa para os lisboetas. Não sei se será legítima tal aproximação e há muito que não visito a praia da margem Sul … Surgiu o pensamento quando os olhos se fixaram num dos poucos locais a trazer uma certa nostalgia do bulício: o parque infantil expondo-se, sem sentido, quando afastado de risos e correrias de criança.

Despojado o local de cores e chilreios, ganham sentido fragmentos desta Elegia número onze:
[…]
- são os passos que fazem os caminhos.
Deserta está a cidade.
Se houvesse alguém andando sozinho
- para ele se acenderiam então, como um olhar, todas
as cores!
Porque a cidade está cega, também.
O que não é visto por ninguém
não sabe a cor do aspecto que tem.
[…]

Mário Quintana

16/07/10

A vida (também) é feita de pequenos nadas


Na esplanada e a fazer tempo para um pequeno compromisso, leio o jornal.Dentro do café, amontoam-se clientes com ar de quem vai dar início a mais um dia de trabalho: esta parte da cidade não é dada ao turismo nem se encontra ainda de férias - penso…Saboreando a generosa e rara pausa, sem preocupação com o serviço de atendimento, apetece ficar ao sol sem olhar para o relógio, evocando tempos distantes em que fazia questão de nem utilizar este "contador de tempo".Poucos minutos depois, um senhor de cabelos brancos, ar distinto e traje de executivo a não destoar da restante clientela, dirige-se-me em tom afável «como vou lá dentro pagar, posso fazer o seu pedido…». Em tempos que correm, estranha-se por uma fracção de segundos qualquer solícita e desconhecida oferta. Talvez a minha expressão traidora se tenha revelado durante o breve pensamento. Insiste então com sorriso espontâneo «não me custa nada». Apercebo-me de imediato da genuína amabilidade. Pouco depois, chega o segundo pequeno-almoço (já que o primeiro foi tomado ainda “de madrugada”). Fechado o jornal, fico a pensar em simples gestos como este, desinteressados e de uma leveza como a da manhã de hoje. São também estes pequenos nadas que melhoram, muitas vezes, o resto do dia, fazendo lembrar um refrão - «a vida (também) é feita de pequenos nadas».Acabo de ver que a esplanada ficou deserta. Todos devem ter dado início a mais uma manhã de trabalho.

Post da Teresa para o blog Dias que Voam e gentilmente oferecido ao Mercado de Bem-Fica

20/03/10

Parque do Calhau

Confesso que só conheci este Parque depois de adulta ( há uns 4, 5 anos atrás) e fiquei agradavelmente surpreendida com o espaço envolvente.

Parque do Calhau

Situado junto ao Bairro do Calhau, este é um Parque com uma ampla zona de recreio informal, tem ainda um um circuito de manutenção, zona de merendas e campo de jogos.





Aqui existe um dos poucos moinhos de Lisboa, o moinho das Três Cruzes, que é, por excelência, um miradouro sobre a zona Leste da Cidade.




Neste Parque está sediado o Centro Associativo do Calhau, constituído pela ASPEA, QUERCUS e CAAL.

Horário

. Aberto 24 horas
. Acessibilidades

Autocarros (Carris): 70


Texto e fotografias gentilmente oferecidas ao

Mercado de Bem-Fica por Claudia Henriques

05/03/10

A Colmeia


Esta é uma foto da Colmeia actual que tem muito pouco em comum com a que eu me lembro nos anos 60. A Riviera, a Colmeia e o Nilo eram "AS PASTELARIAS" que ficavam para além de Palhavã. Era aí que os pais íam beber café enquanto a criançada fazia corridas na rua que ía até à quinta do Largo Conde Ottolini. Posteriormente apareceram o Arabesco e o Califa que deram um toque de modernidade à zona e que, evidentemente, contribuiram para a decadência das restantes...
Na Colmeia tudo eram especialidades: as bolas de Berlim, os pastéis de nata... o bolo rei, com brindes que faziam o encanto da pequenada!

Gostava também de ter fotos da Colmeia, do tempo em que era um café/pastelaria com mesas em cima e na cave. Na cave havia uma telefonia enorme junto às escadas.

Texto da Helena, a quem agradecemos a gentileza, reconstituido a partir de dois dos seus comentarios deixados aqui no Mercado de Bem-Fica

22/02/10

Mil Folhas em Benfica




A maior parte das vezes passa, apenas, os olhos pelos jornais e manda-os para dentro de um cesto de vime, que tem ao canto da sala, para leitura futura ou de nunca mais.

Quando o cesto está deitar por fora faz a limpeza e, por vezes, folheia alguns dos jornais.
É o caso do “I” de 13 de Novembro do ano passado, e só há dias reparou que falava, entre outros crimes de lesa colesterol, dos “Mil-Folhas” da “MonaLisa”.

Quase poderia garantir que das vezes que, por aqui, já falou de Benfica, sempre veio à baila a “Pastelaria Mona Lisa”. E até já colocou fotografia das bolas de Berlim..
O Texto do “I”, da autoria de Tiago Pais, fala do pecado da gula e de algumas das coisas que ao pecado conduzem: pasteis de Belém, pasteis de Cerveja, queijadas da Sapa “croissants” do Careca , cookies do Starbucks, travesseiros da Piriquita e, senhoras minhas e meus senhores: Os Mil-Folhas da Mona lisa.
Assim:
“O mil-folhas é o bolo da infância de muita gente. E o bolo que muita gente escolhe quando quer regressar à infância. Porque reúne em pouco mais de cem gramas (num cenário ideal) a proporção certa de chocolate, creme de ovos e massa folhada. O melhor de três mundos. E assumimos uma escolha sem complexos: o mil-folhas da pastelaria Mona Lisa, em Benfica, sem dúvida uma das zonas mais ricas da cidade em matéria de bolos. Chocolate verdadeiro, numa camada grossa e doce de ovos a sério, em quantidades generosas. Imbatível”

Post de Gin-Tonic para o Dias que Voam e gentilmente oferecido ao Mercado de Bem-Fica

05/02/10

Academia Grandela


Quem não se lembra das grandes festas da Academia Grandela???
Uma Porta castanha (acho eu), geralmente com um gajo a cobrar bilhete. Depois de pagar eram dois lances de escadas no fim das mesmas havia uma máquina de flippers e por tras uma arcanoid...Os cumprimentos aconteciam logo ali, entre o oi e uma jola que iamos buscar. Havia de tudo mas, sem dúvida a música é que nos fazia lá estar tal como a partilha de amizades que esta nos proporcionava. Havia um espaço amplo para dançar e um pequeno palco. E ai em cima estava a Cabina de Som!!! Esse altar que muitos disputavam para passar as suas músicas preferidas...as nossas músicas! Dançávamos o mais que pudessemos e bebiamos ainda mais, mas sempre numa boa onda de nos divertirmos e curtir ao máximo. A Academia Grandela era o nosso "Clube Clandestino", onde nós putos de 14 e 15 anos mandavamos, onde nos sentiamos maiores, isto é, quando não havia campeonatos de Sueca.....ai nem os butes....Boas festas se passaram, boa gente conheci e ainda mantenho amizade...muitas saudades tenho dessas festas e muito feliz fico por nelas ter podido participar. Só quem era de Benfica tinha o previlégio de participar em tão Grande Evento!
Academia Grandela é um simbolo da nossa adolescência e algo que não nos devemos esqueçer.

Post gentilmente oferecido por Diogo Richart ao Mercado de Bem-Fica

02/02/10

Escreveu o Gin Tonic

Image and video hosting by TinyPic













De Benfica sempre teve a ideia de que para o lado de lá, havia um outro mundo. Coisas da imaginação, ou influência dos primeiros livros do António Lobo Antunes que, vivia em Benfica, e ouvia a mãe dizer: “Vou às compras a Lisboa.”
Começou a ver os jogos do Benfica ainda no Campo Grande, na velha “estância de madeira”, onde hoje, supõe, ainda está o bingo do Sporting. Do Campo Grande olhava para os lados de Benfica e tudo eram quintas e quintas, a perder de vista. Para aqueles lados haveria, um dia, de nascer o Estádio da Luz.
Já aqui disse que a Benfica vai regularmente: ver o Glorioso, visitar a mãe, comprar peixe na banca do Sr. João, no Mercado de Benfica, as bolas de Berlim da “Mona Lisa”. Gosta de percorrer aquelas ruas, tanta gente, tanta gente, vida por todos os lados e ainda lojas de comércio tradicional, mas que aos poucos se vão extinguindo.
Acresce que, pelo tempo quente se junta com rapaziada do “Ié-Ié”, para troca de discos, novidades, coisas assim, e uns caracóis, uns tremoços, uns fininhos.
O poiso era o “Boa Esperança”, uma pequena cervejaria ao lado do “Edmundo”, restaurante com que nunca simpatizou, mas gostava dos “Beirões”, que já não existe, o prédio foi abaixo, estão lá a construir uma qualquer coisa. Os “Beirões”tinham uma cozinha honesta, quase caseira, há-de sempre lembrar as pataniscas de bacalhau com arroz de feijão, e quando a ementa não agradava, coisa rara, havia sempre a escapadela para o frango assado.
Em tempos de quartas-feiras europeias era nos "Beirões" que fazia o aquecimento. Tinha duas salas e ele, como não gosta de salas de comes com espelhos, ficava naquela onde no espeto assavam os frangos. Gostava de ver a azáfama do assador, das gentes que entravam para levar frangos, desenrrascanço para quem não teve tempo de preparar o jantar. E sentia-se bem a ouvir o carvão a estalar
Quase em frente dos “Beirões”, de quem vai a caminhar para as portas de Benfica, um “must” do pequeno comércio, tão tradicional em Benfica, uma pequenina casa de material eléctrico onde uma simpática e competente senhora, profissional de mão cheia, ainda vende aqueles interruptores, fichas, caixas de ligações, coisas antigas e não esses simplkex que agora para aí vendem e com os quais não se entende. Nunca sabe o nome das coisas, ainda não acabou de falar e eis a senhora a dizer: "já sei o que quer!"
Mas estava ele a dizer que o “Boa Esperança”, pelos calores, era poiso para tremoços e conversetas até ao dia em que não lhes apeteceu caracóis, apenas fininhos e tremoços, e aquele empregado que serve às mesas, sósia do Yul Brynner, disse que não, "às mesas só podem estar se comessem algo mais que tremoços".
Saímos porta fora para não mais voltar. Mais à frente, do outro lado da rua, quase a chegar à Junta de Benfica, encontrámos “ O Lingote”, e onde ninguém se importa que, pela tarde, uns maduros fiquem às mesas apenas a consumir fininhos e tremoços.
Pequenos pormenores que marcam as diferenças de que tanto gosta ou envelhecer, pouco a pouco, porque as coisas não são o que foram nem são o que são…

26/01/10

O Califa é ali em baixo


Descobri que Benfica era mais do que o nome do clube pelo qual o meu pai torcia quando tinha para aí uns 7 ou 8 anos. Nessa altura fazia inúmeras vezes a viagem entre a casa dos meus pais, a minha casa, e a dos meus avós, que moravam em Queluz, num Fiat 124, daqueles quadrados como os desenhos da escola, branco ...frigorífico, lindo. A segunda circular terminava ali para os lados do Fonte Nova e nós saíamos sempre antes, em direcção ao Colégio Militar, Pontinha, Vendas Novas e Amadora, até ao destino. Mais tarde o percurso alterou-se e nós seguíamos em frente, passávamos pelo estádio, pelo viaduto do centro comercial e depois havia uma descida que passava por debaixo da linha do comboio, subia, curva e contra curvas até uns semáforos. Lembro-me destes semáforos porque de vez em quando havia fila e no pára arranca o carro ia abaixo, devido à inclinação.

Num desses almoços de domingo, em casa dos meus avós, o meu avô anunciou que ia voltar a correr, agora não em pista mas em estrada, que tinha uma prova daí a não sei quantos dias ali para os lados do Califa. Surpresa, o meu avô corria? Para além das corridinhas na praia, no
verão, nunca o tinha visto sequer mostrar interesse pela coisa. Parece que afinal, quando era mais novo, tinha sido atleta de velocidade do Atlético, com propostas para outros clubes de mais prestigio, mas que o amor à camisola o obrigaram a declinar. Havia fotos e tudo a comprovar o feito, em que parecia voar, os pés sem tocar no chão, muito magro, com cabelo e sem bigode e algumas medalhas. E o Califa o que era? Um café ali em Benfica. Benfica? Mas isso não é um clube? Eu cá sou do Belenenses... Na viagem de regresso a casa o meu pai explicou-me o que era Benfica, estás a ver estes prédios aqui, e apontava com a mão direita para o lado do Fonte Nova e para o outro, o Califa é ali em baixo. Espreitei mas não vi, estiquei o pescoço e nada. Era inverno e apesar de ser cedo já estava escuro. Lembro-me dos prédios e das janelas com luz, em que se podia ver o interior das casas ou parte delas, um cortinado aberto, uma nesga da cozinha, um móvel da sala. Durante muito tempo para mim Benfica passou a ser também isto, uma estrada, prédios para os quais se podia espreitar, um café que não podia ver.

Só entrei na pastelaria Califa, e não café como me tinham ensinado, muitos anos mais tarde, já o meu avô tinha na sala uma vitrina cheia de novas medalhas, taças, salvas e pequenos troféus em loiça, já a segunda circular estava completa e ligava à estrada de Sintra. Não me demorei muito e depois disso só mais umas duas ou três vezes. Entretanto casei-me em Benfica e só não moro lá por um acaso. O meu avô foi correr para outras estradas e a pastelaria entrou em obras, e reabriu. Ainda há dias em que não a posso ver, problema meu com certeza.

Post gentilmente oferecido pelo
Nuno Cruz ao Mercado de Bem-Fica aqui e aqui