31/03/08

A Casa da Palmeira





Rua Cláudio Nunes, Nº 60




Conheço-a desde miúda, quando a minha mãe vinda do emprego me ia buscar a casa dos meus avós e subíamos toda a Cláudio Nunes, até chegarmos a nossa casa.

A meio caminho desta longa rua, que termina no Cemitério de Benfica, ali ficava ela, sempre muito arranjada aesar do tempo que teimava em corroer os seus materiais.

Nunca soube quem ali morava, nem me lembro de algum dia ali ter vislumbrado alguém. Apenas a fui conhecendo sempre como a "Casa da Palmeira", devido à enorme árvore desta espécie, que compunha o desenho do seu lado esquerdo.




27/03/08

Há casas que não mudam!...




"Prédio para demolição - Rua Ernesto da Silva, 38"; Goulart, Artur; 1965
in
Arquivo Municipal de Lisboa




Rua Ernesto da Silva, Nº 38... 43 anos depois.

É bom saber que, apesar do título da fotografia mais antigo, afinal, o prédio não chegou a ser demolido!

É uma das casas térreas mais bonitas daquela rua! Sempre que por lá passo, fico contemplativa a olhar as suas inúmeras plantas e os magníficos vasos marejados de pequenos azulejos.

Ao lado e por detrás, estendia-se, noutros tempos, a primeira habitação da família Lobo Antunes... antes de o avô (dos actuais representantes da família) ter ganho por 2 vezes a lotaria e ter comprado o "casarão" da Estrada de Benfica.





26/03/08

À semelhança do que tem vindo a fazer a T., leitora do nosso mercado, deixo aqui estas imagens e pergunto

Onde é? Em que partes da cidade podemos encontrar estas imagens?











22/03/08


... à esquerda o n°13 (em grande plano), onde um dia, o casal que para lá foi morar, para o 1° andar, construiu a primeira marquise. mais ao fundo o n°17, onde havia uma rapariga que passava as noites quentes de verão a cantar na varanda das traseiras... nesta altura o n°15 ainda não estava construido... apenas conseguimos ver uma cerca ao abandono... foi para lá que fui morar há 32 anos...

21/03/08

Marchas Populares de Benfica - 2008





Longe vão os tempos em que a marcha de Benfica entrava na Avenida, na noite de Santo António, com a sua imagem de marca: o burro, que caracterizava esta antiga zona saloia.

Hoje em dia, para se conseguir angariar figurantes para a marcha, é necessário que o "Fófó" (como, carinhosamente, é conhecido o Clube Futebol Benfica) alicie os eventuais candidatos com o sorteio de uma "viagem de sonho".



19/03/08

Chafariz de Benfica





"Chafariz de Benfica"; Passaporte, António; 1901-1983
in
Arquivo Municipal de Lisboa





Chafariz de Benfica, na esquina da Estrada de Benfica com a Estrada das Garridas.

Não tão bonito (e bem estimado) como o seu congénere em São Domingos de Benfica, ainda assim, continua a ser o ponto de venda de pinheiros no Natal (uma das imagens mais bonitas dessa época).

Outrora, numa das pequenas casas térreas que se situavam nas suas traseiras (hoje substituídas por prédios de inúmeros andares), funcionou o primeiro "Tele-Clube" da freguesia, onde as famílias se juntavam ao serão para assistir a programas de televisão (quando a existência desse aparelho nos lares portugueses ainda era muito rara).





17/03/08

Ex-Quartel... para quando Biblioteca?






Aqui ficava o antigo quartel do Regimento dos Sapadores Bombeiros de Benfica, antes de se terem mudado para as suas novas instalações.

Aqui, começou, também, o meu gostinho pela Antropologia, quando aí realizei a minha primeira entrevista a um bombeiro (para um trabalho sobre profissões na escola primária).

Actualmente, o edifício encontra-se, aparentemente, ao abandono, apesar de no ano passado ter sido aprovada pela Câmara Municipal de Lisboa a criação de uma biblioteca municipal neste antigo quartel.



16/03/08

Comércio "moderno" em Benfica...

Com o aparecimento de novos e grandes centros comerciais, o comércio tradicional vai desaparecendo. Mesmo os bairros familiares, também eles são cada vez em menor número. Criam-se novos condomínios em descampados e à volta deles crescem centros comerciais... de vez em quando abre uma padaria... e um café, é obrigatório! … e todas aquelas lojas de rua e aquele ritual do sair de uma loja entrar noutra (com o cesto ou o carrinho das compras, dos de lona) e cada uma ter a sua especialidade vai caindo no esquecimento.


Em Benfica, há uns anos atrás surgiu o Centro Comercial Fonte Nova. Lojas e mais lojas, cafés, um supermercado, livraria, cabeleireiro, perfumaria, cinemas… uma verdadeira inovação… fui lá muitas vezes, por ser perto da minha casa, e porque acabava por ser um centro familiar e isso agradava-me bastante. Vi muitas coisas alterarem-se neste centro porque cheguei a trabalhar na Livraria Castil alguns anos. Com a abertura do Colombo, aos poucos, as lojas começaram a fechar e no lugar destas apareciam outras e a constância que havia inicialmente desapareceu por completo. Hoje em dia, quando lá vou não sei que loja vou encontrar, mas sei de certeza que a Loja Gourmet ainda lá está e promete ficar.



A Loja Gourmet do Fonte Nova surgiu há 2 ou 3 anos aproximadamente. O conceito das lojas gourmet é engraçado, porque é uma espécie de comércio moderno e de luxo cheio de produtos artesanais. Nesta pequena mas deliciosa loja onde todos os metros quadrados estão bem aproveitados, encontramos produtos dos quatro cantos do mundo. Ao entrar na loja os nossos olhos deliciam-se com as bolachas artesanais em pacotinhos também eles artesanais ou em belíssimas caixas tipo anos 50 e com a variedade de chás. À medida que vamos avançando encontramos uma diversidade de massas coloridas, vinhos, queijos, patês, cruzamo-nos com as conservas em latas lindas que não apetece deitar fora; mais à frente há chocolates que são planetas, rebuçados de ovo, compotas, águas em garrafas design com cristais, e muitas outras coisas. Para além dos produtos comestíveis, nesta loja podemos ainda comprar copos onde se bebe um bom vinho. É que beber um vinho num copo pensado para esse fim, traz um prazer muito maior do que beber o mesmo vinho num copo normal… e apesar da Loja Gourmet ser recente e fazer parte de um tipo de comércio e vida modernos o Diogo gosta que os clientes que lá vão se sintam como se estivessem numa mercearia…













Vale mesmo a pena ir lá espreitar... na loja há cestos para fazer as compras… e o Diogo tem sempre uma receita na manga… uma “mercearia” muito moderna!

Loja Gourmet / Rota de Iguarias

Centro Comercial Fonte Nova, Loja 53 - Estrada de Benfica

15/03/08

"Modas Fica Bem"



Outrora, o letreiro carcomido pelo tempo permanecia iluminado quando anoitecia.
Agora, apenas, ali jaz, olhando de frente para os seus concorrentes directos, do outro lado da rua.





É uma das lojas mais antigas de Benfica, a resistente do bastião da velha guarda (posto alcançado desde que, no ano passado, a Loja Simões - mesmo em frente -, encerrou as suas portas ao público).

Aqui pode encontrar-se vestuário do mais variado (dentro do género), a módicos preços. Peças de roupa antigas expostas em mostruário, como se de um museu do traje antigo se tratasse.



Todos os dias por ali passo, ao final da tarde. E nunca me recordo de lá ter visto vivalma. Apenas 3 empregados, com indumentária idêntica à vendida naquela loja, diligentemente, retiram os mostruários exteriores com as peças-relíquias... numa rotineira e infindável repetição de gestos passados.

As "Modas Fica-Bem" parecem ter ficado encalacradas num tempo que não é o seu, em pleno centro da Estrada de Benfica, ali mesmo ao lado da Igreja...
Mas merecem o devido destaque aqui no blog, quanto mais não seja por o seu nome ser a retroversão do nosso!



14/03/08

Azulejos






Anacronismo visual?
Ou necessidade que alguém sentiu de preservar o Passado a todo o custo?



Rua Cláudio Nunes, Nº 45
(incluído no Inventário de Património Municipal)




13/03/08

Igreja de Benfica


Para a Marta.





"Igreja de Nossa Senhora do Amparo", [19--], Guedes, Paulo
in Arquivo Municipal de Lisboa




Sobranceira, em pleno centro de Benfica, ergue-se a Igreja de Nossa Senhora do Amparo, padroeira da freguesia.




Painel de Azulejos retratando antigas profissões.
Pintura de Eva Nunes e José Luís Campino (1997).




"Cruzeiro da Igreja de Benfica", [ant. 1939], Portugal, Eduardo,
in
Arquivo Municipal de Lisboa



Do lado nascente, o adro da Igreja enobrecido por um belo cruzeiro, que provinha da Igreja velha... e um painel de azulejos mais recente, obra da Junta de Freguesia de Benfica.

Ao longe, por detrás do cruzeiro, a Loja Simões encerrou as suas portas ao público, depois de muita resistência face às novas lojas de roupa dos chineses.
No entanto, o edifício no seu todo foi recuperado, dando lugar no lado oposto a um escritório de advogados e a uma padaria (com a sua imensa e alta chaminé).

E apenas as árvores, que foram crescendo cada vez mais, ali persistem, testemunhando o contínuo passar do tempo...





A encimar o adro nascente da Igreja de Benfica, a famosa e antiquíssima Casa do Adro (da família Maya)... e a sua tília, memória de tantas gerações que por ali passaram.
Uma benção para os olhos, sempre que por ali passamos!...






12/03/08

A descobrir...




"Benfica através dos Tempos", Padre Álvaro Proença - Lisboa, Editora Ulmeiro (1964). 521 págs.




Escrito pelo padre que me baptizou na Igreja de Benfica, há muitos anos atrás.
Alguém que também se apaixonou por Benfica e pela sua história.

Já encomendado... e à espera de o descobrir!






11/03/08

Estrada de Benfica, Nº 529





"Estrada de Benfica, 527-529" (1972), Silveira, Nuno Barros Roque da
in
Arquivo Municipal de Lisboa



Porque nem tudo é mau em termos de preservação do património arquitectónico, em Benfica...
Hoje deixo-vos aqui com um exemplo da recuperação que o Instituto Politécnico de Lisboa efectuou para a sua sede.

Diferente do original, mas, igualmente, bonito!

Projecto do Arquitecto João Luis Carrilho da Graça.






10/03/08

Comércio Asiático

É um dos símbolos da mudança nos bairros e são como os cafés em S. Domingos de Benfica, encontramo-los em todas as paragens de autocarro...

... de Sete Rios ao Califa: temos o restaurante chinês "Europa Ásia" (se não me engano), um pouco antes da porta do Jardim Zoológico, do lado da Estrada de Benfica; na paragem seguinte (onde foi tirada esta fotografia) existe agora uma loja chinesa que veio substituir um outro restaurante chinês pequenino (era na altura o meu preferido); um pouco mais acima, em frente ao Arabesco, outra loja chinesa veio substituir a LIN, a minha loja de roupa preferida (logo a seguir aos Porfírios), onde todos os sábados levava a minha mãe, depois de irmos à "praça" com o pretexto de lhe "mostrar só uma coisa"... na paragem seguinte (a minha), em frente ao jardim que preencheu tantos dos meus domingos, outra loja veio substituir um grande armazém de electrodomésticos; na seguinte, mais uma loja veio substituir a antiga esquadra da polícia; na seguinte, mas do outro lado do passeio, em frente à "Balalaica"... não sei o que veio substituir...

Há já algum tempo que entraram nos nossos dias, muitas vezes fazem-me parar e tirar a máquina da mala, como neste dia, para fotografar as embalagens tão diferentes das nossas, com cores dos anos 70, tão kitsch...

08/03/08

Cinema Turim



Já existia muito tempo antes de ter sido criado o Centro Comercial Fonte Nova (com as suas 3 salas de cinema), ou de se pensar sequer que o Centro Comercial Colombo iria abrir na freguesia de Benfica.

O Cinema Turim foi o local predilecto da infância de muitos jovens trintões!...
Não há ninguém que aqui tenha vivido que não se recorde desse local com um misto de ternura e de saudade.



Neste cinema, instalado no R/c de um pequenissímo centro comercial, passávamos as tardes a ver os últimos filmes que tinham saído, numa sala pequenina, com fabulosos cadeirões de veludo vermelho (as melhores poltronas que alguma vez viria a experimentar em qualquer outra sala de cinema de Lisboa).
Quando entrávamos, o écran encontrava-se ainda coberto por um pano, também ele, de veludo vermelho, onde se encontravam fixos uma série de anúncios publicitários do comércio local.
Nesse tempo idílico, ainda não existiam pipocas dentro dos cinemas (que benesse dos deuses!), mas comíamos chocolates Kit-Kat à saída da sala, depois de uma tarde bem passada.
Nas vésperas de Natal, o Cinema Turim encontrava-se sempre apinhado de crianças e pais ou avós, que faziam fila à porta para assistirem à nova película infantil que estrearia nessa quadra festiva.
E, em época normal, havia sempre dois filmes em exibição, a horários diferentes, em várias sessões.



Depois, com o passar dos tempos, e a abertura de novos centros comerciais com salas de cinema mais apetrechadas e espaçosas, o Cinema Turim deu origem a uma sala de retaguarda, onde apenas eram projectados os filmes que já tinham saído de cartaz nos outros cinemas.
Nessa altura, o meu irmão ainda por lá passou uma ou duas vezes, eu já não. O veludo das poltronas estava coçado e a alcatifa outrora resplandecente jazia agora suja e gasta pelos espectadores de outros tempos.




No fatídico dia 1 de Agosto de 2007, o Cinema Turim encerrou as suas portas ao público. E com elas, fechou, também, um importante capítulo na infância de muitos de nós.

Um belo sábado de manhã, em Janeiro do presente ano, ao passar pela entrada do Centro Comercial Turim, onde o cinema com o mesmo nome se encontrava instalado, deparo-me com dois indivíduos que tentavam colar um letreiro naquilo que foram o painel de anúncio dos filmes em cartaz. À sua volta, uma série de idosos curiosos miravam o que os indivíduos faziam. Um enorme cartaz onde se podia ler a inscrição "Igreja Maná de Benfica" acabava de ser colocado, para grande surpresa e ultraje dos mirones, que comentavam a blasfémia de um tal propósito mesmo ali, em frente à Igreja de Benfica.

Mais tarde, vim a saber, por portas e travessas (ou melhor, pelos meus avós, que andam sempre muito bem informados nestas coisas), que a Igreja Maná alugara a antiga sala do Cinema Turim para realizar as suas celebrações de culto aos sábados de manhã.
Uma semana depois, o famoso cartaz foi retirado do antigo espaço onde em letras garrafais vermelhas apareciam os nomes dos filmes em cartaz.
Quanto à Igreja Maná, não sei se permanece escondida na sala junto às bobines de filmes bem antigos... Mas, de facto, é um duro golpe para as memórias de infância de tantos de nós!...



Uma boa reportagem sobre o Cinema Turim, a ler aqui.




07/03/08

Vila Ana e Vila Ventura








Falar de Benfica sem mencionar as suas antigas casas apalaçadas, não é falar de Benfica!...

Em plena Estrada de Benfica, no nº 674... do lado esquerdo a Vila Ana (1ª foto), separada alguns escassos metros, do lado direito a Vila Ventura (3ª foto).

Aqui falei sobre elas a primeira vez. E aqui voltei a falar.

Gostava de discorrer de uma forma mais detalhada sobre a histórias destas duas Vilas aqui no Mercado... sobre os seus ancestrais habitantes, sobre as vivências destas 2 magníficas casas. Infelizmente, outros compromissos de uma amiga (cuja família é bem antiga em Benfica, conhecendo de trás para a frente todas as suas histórias - e prometeu contar-me tudo sobre estas Vilas) têm vindo a protelar que a minha curiosidade de antropóloga seja saciada.

Sendo assim, enquanto tal não é possível, deixo-vos aqui as imagens dessas casas apalaçadas que, como résteas do Passado, ficaram encalacradas no esquecimento (e na recuperação - apesar de fazerem parte do dito "Inventário Municipal de Património", anexo ao PDM de Lisboa)...
Fazendo, no entanto, as minhas delícias imaginárias, sempre que passo por elas (resta dizer-vos que moro mesmo muito perto das mesmas).



"Panorâmica sobre Benfica" (1970); Geraldes, João Brito
in Arquivo Municipal de Lisboa



"Estrada de Benfica, nº 666 a 680"; Goulart, João H.
in Arquivo Municipal de Lisboa




Brevemente, no Mercado, toda a história da Vila Ana e da Vila Ventura... in próximos capítulos.