02/01/09

Quinta da Granja










Circundada por prédios altaneiros, um terminal rodoviário, um centro comercial e um enorme hospital, ali bem perto da 2ª Circular, ergue-se a Quinta da Granja.

Alheia ao tempo que passa e aos avanços da modernidade, naquele espaço apenas impera ainda a vontade da natureza... e as lides rurais associadas a cada uma das estações do ano.

Antigamente, quando por ali passava todas as manhãs, a caminho do emprego, ficava largos momentos embevecida a olhar para aquele espaço natural imenso dentro da cidade, que o Homem ainda não conseguira usurpar.

Nunca ali vislumbrei vivalma, a não ser os parcos hortelões que por ali bem perto ainda cultivavam a sua subsistência em pequenas hortas urbanas.

Da Quinta da Granja de Baixo soube mais tarde que permanecia inabitada, em ruínas e votada ao abandono, como a grande maioria dos palácios e casas senhoriais de Benfica.
Mas e aquela outra casa branca, que se podia ver ao longe, quando por ali passávamos a pé? Será que ainda ali habitaria alguém?
Às vezes, dava-me vontade de lá ir espreitar.

Na Primavera, os campos enchiam-se de um verde frondoso, ao passo que a meio caminho da chegada do Verão, alguém areara todo aquele imenso terreno... vendo-se pequenos montes de erva apodrecida, por aqui e por ali.

Rezam as memórias dos mais idosos de Benfica (pelo menos de 2 senhores que uma vez escutei no autocarro), que os diversos herdeiros daquela Quinta não conseguem chegar a consenso... e daí a mesma ainda não ter sido vendida ao desbarato para gáudio de alguns promotores imobiliários.

Em ano de eleições camarárias, corre, por outro lado, a notícia que a Quinta da Granja vai dar lugar a um imenso Parque Urbano.
A ver vamos!...









4 comentários:

Pedro disse...

Grandes esperanças. Esperemos não ter uma desilusão...

Alexa disse...

A ver vamos, Pedro... em ano de eleições tudo é possível!
Um abraço

Francisco disse...

Andei um pouco arredado daqui. Mas, sempre que posso deito um "olhinho" à minha terra, à terra da minha origem. E, a Quinta da Granja é aquela quinta que sempre me fascinou, aquele pedacinho de campo preso dentro da cidade. Muitas noites, ainda hoje, passo por ali, a pé, naqueles passeios pós jantar, para descontrair após um dia mais ou menos exaustivo. E, quase sempre, paro um pouco a admirar aquele pedaço de campo, teimosamente sobrevivente ao avanço da cidade. E, todas as vezes penso quanto tempo ele irá sobreviver. Já vi um projecto de urbanização para aquele local. Ouvi dizer que só não está em vias de facto devido à contenda entre os herdeiros. Mas, não acredito que, mesmo em ano de eleições, ali construam um parque urbano. O que está previsto para ali é mais uma invasão de cimento e areia, com uma zona verde que estará incluída no projecto e que não será mais que um parque de estacionamento ou mais umas torres. Não acredito em políticos nem em promessas dos mesmos. Limito-me a verificar, entre promessas feitas e os resultados finais, o que realmente foi cumprido.
Até os meus filhos, nascidos e criados na cidade, ficam admirados com a sobrevivência deste pedaço rural. Mas, perco as esperanças de algum dia poder vir a mostrar aos meus netos algo mais que pequenos jardins abandonados, com alguns bancos de pedra partidos e vandalizados onde idosos se sentam, com fontanários partidos e sem serem cuidados, apenas aproveitados por uns quantos para passear os seus animais de estimação, fazendo desses espaços autênticos campos para os animais defecarem. Já fui optimista, já sonhei. Hoje, face ao que me tem sido dado constactar, não consigo acreditar. Mas, gostava, adorava mesmo, que Benfica se mantivesse um pouco mais fresca, mais limpa, mais pura. Parque urbano? Sim, se faz favor! Mesmo enquadrado entre a selva de cimento pareceria um oásis no meio de um deserto. Mas, desculpem lá o cepticismo, não acredito!

Alexa disse...

Muito obrigada pela sua partilha, Francisco!

Compreendo o seu cepticismo em relação a eventuais mudanças de Benfica para melhor.

Só tenho pena (e não leve a mal o que vou dizer) é que as pessoas se fiquem de braços cruzados face ao seu cepticismo e não critiquem para e não enviem as suas queixas a quem de direito... não protestem perante as situações que estão mal.

Um abraço