18/01/09

Salvem a Vila Ana e a Vila Ventura!




"(...) e fomos viver para um dos andares de uma das duas casas casas iguais, uma chamada Vila Ana outra chamada Vila Ventura, na Estrada de Benfica... quem vai no sentido das Portas [de Benfica], do lado direito.
Essas duas casas são curiosas pela singularidade, no fundo são das chamadas 'Casas do Brasileiro'. E por isso mesmo estão actualmente 'tombadas' como dizem no Brasil, estão consideradas como imóveis de interesse municipal, não podem ser deitadas abaixo... podem ser deitadas abaixo no interior, mas exteriormente têm que ficar com aquele mesmo aspecto. Justamente por serem 'Casas do Brasileiro', representativas de uma época e de um tipo de construção muito característico naquela altura, um quase chalet, porque a época é quase coincidente com a dos célebres chalets franceses. E as casas do brasileiro são quase todas nesse género.
E então, como é um par simétrico... par que não foram construídas exactamente gémeas... Eu tenho uma fotografia... nem sei onde, tenho-a para ali... inclusivamente duas fotografias antigas, em que numa delas se vê ainda só uma das casas e depois noutra fotografia já se vêem as duas. Fotografias da época da construção portanto (...)"

Entrevista a João António Lamas (realizada a 17/03/08).









Em início de 2008, enveredei uma longuíssima troca de e-mails a propósito do destino da Vila Ana e da Vila Ventura (dois palacetes, em plena Estrada de Benfica, que me fascinam desde criança)...

3 comentários:

Marcos disse...

Cara Alexa e restantes participantes e leitores deste blog,

conheço as casas em questão devido a lá ter entrado "à socapa", pois tenho uma curiosidade por casas devolutas. Conversei também com uma senhora idosa que habita o rés-do-chão da casa da direita.
Segundo a senhora me informou, as casas pertencem ao mesmo indivíduo/empresa que construiu os prédios imediatamente atrás, tendo inclusive destruíndo parte do quintal das casas.
Deste modo, o proprietário não colabora indirectamente com os especuladores ao não fazer obras. Ele é o especulador!

Alexa disse...

Caro Marco: muitíssimo obrigada pela importante informação que aqui nos deixou!
Segundo me disseram, a senhora que habitava a Vila Ventura, com quem o Marco terá falado, foi para um lar recentemente.
O que acho mais estranho nisto tudo é que o proprietário destas Vilas seja um construtor (mas, porventura, os herdeiros das mesmas, lhe terão vendido o que não queriam)... eventualmente, terá algum interesse em ali construir mais prédios, o que acho estranho se for permitido, na medida em que constituem património municipal (apesar de pertença de terceiros).

De qualquer forma, como já obtive resposta por parte da C.M.Lisboa, vou continuar a "importuná-los" usando a informação que o Marco aqui nos deixou, para ver o que me dizem.

Muito importante seria que as pessoas se unissem e fizessem um abxio-assinado (ou qualquer coisa do género), para tentar salvar este património.
Vivi um ano em Paris e por lá, contrariamente a Lisboa, preservam-se os edifícios antigos, ricos em história...
Pena que por cá, a nossa consciência social não nos faça agir (pelo menos à grande maioria)!

São disse...

Boa noite,

Gostaria de acrescentar, também que todo o terreno envolvente na rua das mesmas vilas pertence ao mesmo dono, que por acaso reside num dos edifícios dessa mesma rua.
Sou da mesma opinião que se deveria reconstruir algum do património, contudo como nós bem sabemos o nosso património está muito degradado, o que originava grandes custos a nível interior,exterior e de fundações. Por estas razões, Lisboa precisa mais neste momento de um verdadeiro e bom plano urbanístico, até porque 95% dos edifícios construídos no nosso país não possuem qualquer tipo de estudos a nível projectual são apenas quatro paredes com alguns vãos feitos às "três pancadas"e só apenas 5% é arquitectura. Assim como, também acho que por estes motivos deveriam ser todos feitos de "raíz".
Para mim é tudo uma questão evolutiva, até porque como nós bem sabemos estamos ainda muito atrasados em relação ao resto da Europa e mundo.
Também se deveria dar mais "crédito" aos arquitectos para que esta evolução tenha início, até porque o nosso país como bem sabemos está "velho" e de certo modo nós também começamos a ficar idênticos.