26/01/10

Querido Hiss




"A Menina Maria Virgínia Zanatti escrevia assim ao "Cidadão" Hiss um postal cheio de carinho. Presumo que tenha sido um cãozinho realojado. Agora onde era a Villa Silva Carvalho é que não sei ainda. Alguém pode esclarecer-me? Em S. Domingos de Benfica, era... "
Escrevia eu assim no Dias que Voam em 2008.
E o desenlace foi interessante. Escreveu-ne o neto de Maria Virgínia, que queria saber como arranjar o postal que a sua avó tinha enviado ao cidadão. Dei-lhe as premissas e ele adquiriu-o. O mundo é pequeno.

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O Califa é ali em baixo


Descobri que Benfica era mais do que o nome do clube pelo qual o meu pai torcia quando tinha para aí uns 7 ou 8 anos. Nessa altura fazia inúmeras vezes a viagem entre a casa dos meus pais, a minha casa, e a dos meus avós, que moravam em Queluz, num Fiat 124, daqueles quadrados como os desenhos da escola, branco ...frigorífico, lindo. A segunda circular terminava ali para os lados do Fonte Nova e nós saíamos sempre antes, em direcção ao Colégio Militar, Pontinha, Vendas Novas e Amadora, até ao destino. Mais tarde o percurso alterou-se e nós seguíamos em frente, passávamos pelo estádio, pelo viaduto do centro comercial e depois havia uma descida que passava por debaixo da linha do comboio, subia, curva e contra curvas até uns semáforos. Lembro-me destes semáforos porque de vez em quando havia fila e no pára arranca o carro ia abaixo, devido à inclinação.

Num desses almoços de domingo, em casa dos meus avós, o meu avô anunciou que ia voltar a correr, agora não em pista mas em estrada, que tinha uma prova daí a não sei quantos dias ali para os lados do Califa. Surpresa, o meu avô corria? Para além das corridinhas na praia, no
verão, nunca o tinha visto sequer mostrar interesse pela coisa. Parece que afinal, quando era mais novo, tinha sido atleta de velocidade do Atlético, com propostas para outros clubes de mais prestigio, mas que o amor à camisola o obrigaram a declinar. Havia fotos e tudo a comprovar o feito, em que parecia voar, os pés sem tocar no chão, muito magro, com cabelo e sem bigode e algumas medalhas. E o Califa o que era? Um café ali em Benfica. Benfica? Mas isso não é um clube? Eu cá sou do Belenenses... Na viagem de regresso a casa o meu pai explicou-me o que era Benfica, estás a ver estes prédios aqui, e apontava com a mão direita para o lado do Fonte Nova e para o outro, o Califa é ali em baixo. Espreitei mas não vi, estiquei o pescoço e nada. Era inverno e apesar de ser cedo já estava escuro. Lembro-me dos prédios e das janelas com luz, em que se podia ver o interior das casas ou parte delas, um cortinado aberto, uma nesga da cozinha, um móvel da sala. Durante muito tempo para mim Benfica passou a ser também isto, uma estrada, prédios para os quais se podia espreitar, um café que não podia ver.

Só entrei na pastelaria Califa, e não café como me tinham ensinado, muitos anos mais tarde, já o meu avô tinha na sala uma vitrina cheia de novas medalhas, taças, salvas e pequenos troféus em loiça, já a segunda circular estava completa e ligava à estrada de Sintra. Não me demorei muito e depois disso só mais umas duas ou três vezes. Entretanto casei-me em Benfica e só não moro lá por um acaso. O meu avô foi correr para outras estradas e a pastelaria entrou em obras, e reabriu. Ainda há dias em que não a posso ver, problema meu com certeza.

Post gentilmente oferecido pelo
Nuno Cruz ao Mercado de Bem-Fica aqui e aqui

24/01/10

são domingos de cafés (4)


A Balalaika é um dos "meus" cafés de Domingo. E pequeno e familiar, por vezes da a sensação de estarmos em casa das pessoas que la trabalham. Nos dias de Verão, a esplanada esta cheia. Tem a vantagem de estar à sombra no pico do calor e, apesar de ficar à beira da Estrada de Benfica, (talvez uma das mais barulhentas de Lisboa), distrai as vistas porque vai sempre passando alguém conhecido que conta as novidades ou se vai juntando à volta da mesa. Atras das vitrines, os bolos chamam por nos, parecem sempre frescos e têm um aspecto delicioso... o sabor não fica atras... é o caso da piramide de chocolate com uma cereja cristalizada no topo que la comi recentemente. Uma delicia, e um sabor cheio de recordações... digam o que disserem sobre estas piramides e os restos de bolos do dia anterior. Deixamos o interior para os dias de chuva onde os casais idosos vêm beber o cha. La dentro é apertado, as mesas são pequenas, mas a vitrine/janela deixa ver a Estrada e enquanto conversamos olhamos la para fora...

Esta fotografia foi tirada por acaso, e apanhou uma das personagens e Benfica, "o poeta". Não sei se era "o poeta" para o nosso grupo de amigos ou se ele era assim conhecido no bairro. Frequentavamos muitas vezes os mesmos cafés e fico contente por tê-lo apahado na fotografia, neste dia que passei em frente à Balalaika. Anos depois, ha coisas que continum na mesma, pessoas que continuam nos mesmos sitios, sentadas nas mesmas esplanadas...

19/01/10

Anos 70

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Publicidade a algumas lojas de Benfica em 1978 na publicação Boa Noite.

Ainda existirão?

09/01/10

São Domingos de Benfica às cores...

A freguesia de São Domingos de Benfica esta a envelhecer, é certo. Cada vez mais se vêem prédios velhos, sujos, sem vida, com placas de agências imobiliárias desde o ano anterior onde se lêem as palavras “vende-se” ou “aluga-se”. Os comércios de rua vão fechando, sobrevivem os cafés... afinal somos um povo de café... mas algumas pessoas parecem querer dar alguma cor ao bairro e foi com surpresa que no verão passado vi prédios pintados de fresco, nas mais variadas cores... pela Estrada de Benfica, no quarteirão do Mercado de São Domingos de Benfica... um arco iris duradouro!