24/03/10

A vida dos outros (ou: Histórias das traseiras de nossas casas, parte 2)



Já tinha este post em mente há algum tempo, mas o texto da J. apressou a escrita. Eu também gosto dos locais por onde os prédios são menos vistos – as traseiras - e tenho paixão especial por coisas que só alguns podem ver, ou mesmo por fragmentos de locais que apenas deixam adivinhar o resto. Sou daquelas pessoas que, à noite, fico pasmada a olhar as janelas sem cortinas: posso vislumbrar apenas um candeeiro, a parte de cima de uma estante, mas logo na minha cabeça faço o retrato da casa e das pessoas que aí vivem. Ora, as minhas traseiras são um dos locais perfeitos para isso.
Os prédios, cujas fachadas dão para quatro ruas diferentes, formam um quadrado (um pouco torto, mas enfim) com quintais e pátios a que só os moradores dos vários rés-do-chão têm acesso. Isto faz com que quem viva por cima possa vislumbrar um pouco da vida quotidiana dos vizinhos.
Há dois verões atrás um casal do prédio ao lado ocupou o seu enorme terraço com uma piscina insuflável e aí passavam tardes de barriga ao léu, de molho na água que já devia estar mais que choca! E nós cá de cima a mirar o espectáculo, estupefactos com tanto à vontade! Também nas noites de Verão são comuns os churrascos ou jantaradas, onde é sempre possível escutar as mais diversas opiniões sobre os mais variados assuntos (no outro dia falava-se de partos). Actualmente, o que me entretém os dias é um vizinho que, não sei bem porquê, tem a maior parte do terreno. Terreno, sim: porque em vez de piscinas ou ladrilhos o senhor ocupa-se de uma verdadeira horta urbana! (e eu aqui, no terceiro andar a plantar ervas de cheiro em minúsculos vasinhos!) Todos os dias ali está – e até já o apanhei às 7h3o da manhã! – a plantar coisas, a brincar com os cães ou simplesmente a apanhar sol! Eu, da minha janela, vou acompanhando a crescer das favas e o ritmo das árvores: as figueiras, que agora começam muito timidamente a rebentar, o limoeiro carregado, a laranjeira e outras tantas… Aos Domingos chegam os netos e, no outro dia, passaram uma tarde inteira de volta de uma única caixa de cartão que fazia de fortaleza no meio da horta!
Alguém por aí tem acesso à mesma vista? Ou a outras semelhantes?

5 comentários:

Helena disse...

Acho que são as traseiras tb da Cândido Figueiredo. Antes havia um 'cocker' castanho e há pouco tempo reparei que andava por essas hortas\quintal um cãozinho mais novo. Nestas traseiras também estão as instalações de uma igreja, não é? E antes, nesse terraço com uma grande piscina, havia um casal com um casal de cães....
Guerra?

J. disse...

marta as tuas traseiras são tão arranjadinhas... ;)

poder ter um quintal, um espaço para pousar uma "chaise longue" para apanhar sol ou mesmo uma piscina (ainda que insuflavel) são as vantagens (na cidade) de quem vive no rés do chão ;) embora isso traga também desvantagens...

Marta G. disse...

É verdade, Helena! São mesmo essas as traseiras. A igreja chama-se Logos, ainda não percebi bem que tipo é. E o cocker não tem aparecido, mas felizmente que o casal com os dois cães saiu porque era muito desleixado. São umas traseiras muito tranquilas, J.!
Somos vizinhas Helena?

Helena disse...

Já vivi lá, num dos prédios da Cândido Figueiredo, durante uns 2 anos. Num 3º andar de um prédio virado para Monsanto, com um sol e uma luz fabulosos durante toda a tarde. As traseiras são tranquilissimas, excepto aos domingos à tarde qd há 'concertos' da igreja!E volta e meia, aparece uma águia que poisa, muitas vezes, nos topos dos prédios da rua dessa igreja.
Agora,vivo num sitio um bocadi-n-h-o diferente...no Chile. Mas vou frequentemente à minha Benfica!

Helena disse...
Este comentário foi removido pelo autor.