27/02/09

São Domingos de Benfica ontem e hoje (1)

No início, ou no meu início era assim… não me lembro do letreiro a dizer « Laboratórios de Benfica », mas lembro-me destes portões e sobretudo do cheiro intenso a quimicos, que por vezes se fazia sentir, quando vinha da escola…

Depois o laboratório fechou e vieram as obras que deram origem a esta obra prima da arquitectura… passou-se um mês de Junho, um de Novembro, outro de Junho e cada vez que voltamos vemos este painel…

24/02/09

O que se ergueu aqui?

esta quase que merece prémio!


Pela T. soube do 1º aniversário do “Mercado de Bem-Fica” (no final deste post colocou uma brincadeira aniversariante, salut!) e isso trouxe-lhe à memoria que, quando por aqui falou da “Parreirinha do Chile”, prometera à J. que falaria de outras catedrais lisboetas de bifanas, a nadarem naquela molhanga, não se sabe de quanto tempo, bifanas mais a coser que a fritar, cenas eventualmente chocantes para estômagos sensíveis.. A ideia era o “Beira-Gare, pelas bifanas, mas também por um petisco da casa, prazer seu, gostosura de tantos dias que já correram.
Reuniu a equipa costumeira e lá se foi de armas e bagagens para o “Beira-Gare”, mas
ia-lhe dando uma coisinha má. Quando se pediram as sandes de isca com cebola, o empregado acenou lentamente com a cabeça, disse à turba que já não faziam. Perdeu clientela, disse, e continuou a explicar que mesmo bifanas só a malta velha, os novos já acham as bifanas um horror e voltaram-se para coisas que não fazem mal.
Agora ele diz para quem não saiba: no “Beira-Gare”uma sandes de isca com cebola era um “must” do colesterol. Isca frita com cebola bem refogada, ou esturgida, como dizem os minhotos. De as lágrimas começarem a correr, de prazer, cara abaixo. Dizia o Dudu, que quando se desse a primeira trinca numa daquelas sandes de isca deveria ouvir-se o “Hallelujah “do “Messias” de Haendel, sim uma imensa aleluia, júbilo por gostos únicos, talvez prazeres que matam, mas não andamos cá para outra coisa e o inferno é já ali.
Mas acabaram. Ficou assim meio sem graça a olhar para os compinchas, a sentirem-se órfãos perdidos, todos a concluírem, em silêncio, que o mundo como o conheceram e amaram está a desaparecer Decididamente estão a matar tudo o que de bom esta cidade tinha. Privam-nos destas coisinhas, causam-nos desassossegos, põem-nos tristes. Vão todos morrer com saúde. Tempo para lembrar o Bertrand Russel quando confessou que a última vez que tinha feito exercício físico foi para acompanhar o funeral de uma amigo seu que tinha morrido a fazer “jogging”, ou aquele provérbio irlandês: “life is a bitch… and then you die.”
Claro que atacámos umas bifanas, os fininhos costumeiros, mas nada daquilo soube ao que deveria saber. O fim das iscas com cebola, no “Beira-Gare”, estavam atravessadas na garganta.
Para sempre?

23/02/09

Um Ano de Mercado de Bem-Fica



Faz hoje um ano que o Mercado de Bem-Fica, com este post, abriu as suas portas. Um ano depois um post sobre o mesmo lugar, numa fotografia de que gosto muito tirada no verão passado. Fazendo um balanço, vários posts se sucederam ao longo deste ano, estórias, história, adivinhas, cores, imagens, recordações, tudo o que tinhamos "prometido"... Entrada de novos colaboradores, saída de uns, regresso de outros, o mercado vai mudando, crescendo.

A todos os leitores que por aqui têm passado e deixado as suas ideias, opiniões estórias e os seus conhecimentos um grande obrigado... como este é um mercado especial e com fregueses também eles especiais, as portas estão sempre abertas, em qualquer dia da semana e a qualquer hora do dia.

Voltamos a deixar o desafio lançado inicialmente, se tiverem estórias das freguesias de São Domingos de Benfica e de Benfica para contar podem tornar-se colaboradores deste mercado ou tão simplesmente enviar estórias, recordações ou episodios para o mail mercadodebemfica@gmail.com
, é com grande entusiasmo que os publicamos e que este blog ficará mais rico.

Para terminar um brinde ao mercado, aos seus colaboradores e visitantes com um vinho, que já tínhamos bebido
nesta ocasião, a condizer!


E vamos adivinhar...


Ainda vos lembrais? Onde era? Como se chamava?

Está provado cientificamente. Tentar adivinhar faz bem ao cérebro:)

Um ano

Foi graças a este espaço, que tive o prazer de conhecer a J. Há momentos de sorte na blogosfera e este foi um deles.
Agora que o Mercado faz um ano de existência, também nós comemoramos um ano de conhecimento e relembramos as comezainas do Verão e o prazer que foi conhecermo-nos irl, conjuntamente com outros amigos.
Longa e prazeirenta vida ao Mercado, porque esta é uma casa que privilegia a vida e as suas alegrias.

O lugar de Benfica

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Contemplei por largo tempo esses pomposos indícios de uma grandeza passada, até que a depressão do terreno me ocultou os últimos arcos, chegando então ao lugar de Benfica. As povoações à roda de Lisboa estão cheias de palácios e casas de campo de fidalgos portugueses e de ricos habitantes da capital. Estes edifícios, frequentemente construídos no melhor gosto, cercados de agradáveis jardins, fornecem aos arrabaldes de Lisboa um encanto especial (...) quando algumas elegantes casas de campo, e um palácio que pertence ao Marquês de Fronteira excitaram a minha atenção. Este último é edificado em estilo italiano e tem uma aparência exterior sumamente bela . Posteriormente passei muitas horas agradáveis nesta casa, cuja dona é uma das senhoras mais amáveis e mais espirituosas da sua terra.

Felix Lichnowsky excerto do livro "Portugal , Recordações do ano de 1842", Edição Frenesi.
Gravura:A quinta de Gerard de Visme, em São Domingos de Benfica, incluíndo a quinta do Marquês de Fronteira. Gravura do museu da Cidade, de Wells em 1794

18/02/09

Afinal de contas o que se vende aqui ?


A Rua Montepio Geral sempre foi uma rua de pequenos comércios. Quando entravamos pelo sentido da circulação dos carros encontravamos à esquerda a peixaria, depois a mercearia da Dona Nia e do Sr. Augusto, depois o talho do Pedro. Mais adiante, ao meio da rua, a oficina do Zé e uma loja de estofos. Atravessando para o outro lado e voltando para trás, um lar, depois a padaria, depois a loja dos móveis, depois a mercearia da Dona Helena, e mais à frente a oficina do Sr. Garcia… mas isto era antes… porque desde Junho que não vejo a peixaria, a Dona Nia trespassou a mercearia, a loja dos estofos desde que ardeu e reabriu nunca mais foi a mesma, a padaria fechou. A mercearia da Dona Helena assim como as oficinas mantêm-se e a loja dos móveis parece-me que também, mas o negócio não lhes vale pela montra… em todo o caso da vontade de parar… afinal de contas o que se vende aqui ?

17/02/09

Contextualizar o Califa



Clicar na imagem para ampliar.


Contra a crise e a favor do comércio tradicional, senhoras e senhores, o cartão freguês!



Algumas descobertas hoje no site da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica. A primeira foi a do próprio site, bastante mais moderno em relação ao que existia anteriormente, e o novo cartão freguês. Este cartão que custa 2.50€ permite aos moradores da freguesia beneficiarem de inúmeros descontos. Existe aqui uma lista de todos os comércios e empresas que aderiram ao cartão freguês, embora eu não consiga visualizá-la correctamente (talvez vocês consigam). Percorrendo o site descobri ainda que o centro cultural oferece igualmente um desconto de 10% na apresentação do cartão.

A iniciativa é interessante… esperamos que tanto os moradores como os comerciantes e empresarios ganhem com ela. Fica a ideia para quem ainda não sabia !

16/02/09

Manger...

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Comer, cette manière agréable de satisfaire à un besoin impérieux, como dissse uma mulher gastrónoma muito instruída e espirituosa (...)
Felix Lichnowsky no seu inteligente e apaixonante livro "Portugal , Recordações do ano de 1842", Edição Frenesi.

Quem adivinha o restaurante e bairro?

15/02/09

Adivinhais onde é?

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O Cinema Turim...

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Não fechou assim há tantos anos. Em 2001 ainda funcionava. Agora liquidaram-no em troca de um Centro Comercial. Mas estas fotografias evocam o espaço algo kitch deste cinema, antes da sua transformação. Uma pequenina sala das muitas que desapareceram por toda a Lisboa.
Investe-se em tudo o que é grande: escolas, esquadras, hospitais e até cinemas.
As cidades adormecem cedo envolvidas no doce aconchego da tecnologia.

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Para os benfiquistas mais velhos!







Alguns benfiquistas mais antigos se lembrarão destas casitas por certo. Estavam lá ainda há uns 20 anos. O soi disant progresso engoliu-as, como a muitas outras. Reconheceis? Onde se situavam? Ainda resta uma!
Se clicarem na imagem ela fica maior:)
Errata: Muito mais que vinte..Talvez uns 30 ou quarenta anos. O tempo voa.

Adivinhais?

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Para que serve este pequeno edifício e onde se encontra?

07/02/09

O Muro








O nº 745 da Estrada de Benfica (do lado oposto da rua, quase em frente à Vila Ana e Vila Ventura) não constitui parte do Património Municipal, mas é uma antiga vivenda encimada por dois magníficos painéis de azulejos.

Para além de muito bonita, esta vivenda encontra-se bem conservada, fazendo-nos pensar em outros tempos, quando Benfica se encontrava "fora de portas" e era composta por quintas onde se ia apanhar ar puro e veranear.






Bela perspectiva da recuperação desta antiga casa senhorial, não fora o facto de o muro que sustenta o portão de acesso à mesma se encontrar prestes a tombar em cima de qualquer transeunte que por ali circule (o que ainda mais estranho é de imaginar, dado que nesta casa funciona um escritório de advogados)!...







02/02/09

FINALMENTE!!








Depois de um ano
, consegui obter uma resposta por parte do Departamento de Conservação dos Edifícios Particulares da Câmara Municipal de Lisboa (afinal, sempre foi benéfico ter enviado um e-mail directamente ao Director do mesmo!)...






A ver vamos, se não será apenas "fogo-de-vista" e, no final, as coisas ficarão como até agora tem estado, apesar de todas as vistorias que se possam realizar (devido a não se encontrarem os seus proprietários, ou por estes alegarem não ter verbas para as obras de recuperação)!...

Manter-vos-ei ao corrente de mais desenvolvimentos nesta "luta" (que, certamente, irá continuar - pelo menos da minha parte).