27/01/11
25/01/11
Hyper China

Foi um domingo de manhã, fui beber um café à Balalaika e depois dei um passeio por ali. Estava bom tempo e apetecia caminhar e observar no bairro. A minha esteticista tinha-me falado nuns vernizes de boa qualidade e baratos que vendiam na nova loja de chineses e sugeriu-me que eu fosse la espreitar. Segui o conselho e quando voltava do café da manhã em vez de tomar o caminho da Estrada de Benfica, fui pelas ruas de tras até chegar à Conde Almoster.

Era impossivel não encontrar a loja. O aspecto exterior saia fora do look habitual das lojas de chineses, com os candeeiros a decorar as portas, era "ocidentalizado". Entrei dei uma volta, passeei pelos corredores, vi os vernizes e vim de la com uns ganchos. A rapariga que estava à caixa era jovem e era também a dona da loja. Paguei os ganchos e expliquei-lhe o habitual, que fazia parte de um blog que escreve textos sobre o bairro e que achava interessante escrever sobre a loja dela. Perguntei-lhe se se importava que falassemos um bocadinho e ela disse-me que podia ser.
Entao pusemo-nos à conversa, ela disse-me que tinha 24 anos que ja estava em portugal ha 10 anos. Normalmente os chineses vêm ter com familia ou pessoas conhecidas que ja têm nos sitios para onde vão trabalhar. Começou por trabalhar em restaurantes chineses de familiares, depois em lojas de chineses, mas que a vida é muito complicada. Ganha-se pouco, as despesas são muitas, as ajudas e facilidades em coisas simples como bancos, medicos, etc. são poucas e é dificil ter uma vida de familia. Quando se trata de um casal, cada membro trabalha numa loja ou restaurante de chineses e cada um dorme em casa dos seus patrões porque não têm meios de financeiros para terem a sua propria casa. Encontram-se apenas uma vez por semana, nos dias em que têm folga. Quando chegam a casa continuam a trabalhar, tratam da roupa, do jantar, da loiça, arrumam a casa, dormem e no dia seguinte é tempo de voltar ao trabalho outra vez.

Esta loja surgiu pela vontade de terem uma vida propria, de ter intimidade, viver com o marido, mas de alguma forma acabam por se encontrar na mesma situação, embora tenha outra posição, pois a empregada que trabalha para ela, também chinesa, mora em sua casa. Depois de alguma experiência em Portugal pensou em abrir e gerir a sua propria loja. Para isso, começaram por fazer uma espécie de estudo de mercado mas pelos seus proprios meios. Normalmente vão de bairro em bairro, vêem o movimento, vêem o tipo de lojas de chineses que ja existem, onde estão localizadas, que produtos vendem, e optam por determinado sitio. Depois vem o processo burocratico. Não pedem emprestimos ao banco porque são sempre recusados, é a familia que lhes empresta a totalidade do dinheiro para o investimento e eles vão-lhes pagando de acordo com as suas possibilidades, é por isso que trabalham todos os dias, porque têm que reembolsar uma grande quantia e estar parado é um luxo. Para além de terem que reembolsar este emprestimo, sustentam os pais e os sogros, na China, e pagam as despesas mensais normais, em Portugal. Perguntei-lhe se tinham prazos limitados para reembolsar os emprestimos às familias e ela respondeu-me que na China quando se fazem estes negocios de familia não é como em Portugal em que se fazem papeis, assinam-se contratos etc. Para eles, é normal a familia emprestar dinheiro e eles terão a loja aberta o tempo necessario até terminarem de reembolsa-los. No caso dela, a familia emprestou-lhe o valor necessario ao investimento, mas achou que a loja não estava muito bem localizada.
Nas lojas de chineses, ao contrario do que muitas pessoas pensam, não vendem apenas artigos que vêm da China, muitos produtos vêm de Espanha, de Italia e algumas coisas de Portugal. A mercadoria não vem directamente destes paises, vem sim de grandes armazéns onde muitos comerciantes de abastecem.
A vida social da comunidade chinesa é praticamente inexistente, vão criando amizades com clientes habituais, mas pouco profundas porque para eles o tempo não é para gastar com amigos ou a passar dias agradaveis, o tempo é para trabalhar, para pagar dividas e so depois disso é que começam os dias de prazer.
A loja começou a ficar movimentada, agradeci e antes de sair perguntei como se chamava. como a fonetica me era pouco familiar pedi-lhe que me escrevesse o nome num papel ao que ela respondeu que preferia não fazê-lo por não ter a certeza de como se escrevia...
A vida social da comunidade chinesa é praticamente inexistente, vão criando amizades com clientes habituais, mas pouco profundas porque para eles o tempo não é para gastar com amigos ou a passar dias agradaveis, o tempo é para trabalhar, para pagar dividas e so depois disso é que começam os dias de prazer.
A loja começou a ficar movimentada, agradeci e antes de sair perguntei como se chamava. como a fonetica me era pouco familiar pedi-lhe que me escrevesse o nome num papel ao que ela respondeu que preferia não fazê-lo por não ter a certeza de como se escrevia...
Hyper China
Rua Conde Almoster
S. Domingos de Benfica
Etiquetas:
Comércio
23/01/11
As novas freguesias de Lisboa
Esta é a proposta, em debate público, da nova organização das freguesias de Lisboa.
De 53 iremos passar para 24 freguesias. Benfica e São Domingos permanecerão. Interessante ver que são das maiores de Lisboa, quer em número de habitantes, quer de edifícios.
22/01/11
A escola 110
O post do João Xavier sobre o Professor Martins e as eleições de amanhã recordaram-me os meus quatro anos na escola 110, a lendária escola das escadinhas. :) Um porque me lembrou a D. Ângela (a minha professora primária) e as segundas porque aí retornarei amanhã para, a par do dever de cidadania, me deslumbrar com um pequeno museu que guarda zelosamente acessórios do meu tempo. (Finjo ignorar a possibilidade de me tornar também uma peça de museu!) Sim, porque nem o mobiliário é o mesmo ( adorava as secretárias de madeira com o tampo de dobradiças!) e os recursos já são outros. Ainda assim, não resisto à onda de saudosismo que me invade, afinal eu fui feliz ali e a memória guarda alguns desses momentos, mais que não seja as brincadeiras na hora do recreio ou os preparativos para a festa de Natal ou do final do ano.
Chegar à 110 implicava alguns riscos e muito esforço. Eu morava na rua do mercado de S. Domingos e lá seguia, em grupo de cinco ou seis, sem a supervisão de um adulto ( outros tempos... todos os pais já tinham seguido para os seus empregos), rua acima, depois de atravessar a Estrada de Benfica, a guardar o fôlego para subir as escadinhas.
Recordo o meu primeiro companheiro de carteira, do clã Partidário, o meu primeiro bilhetinho de amor (que me deixou vermelha que nem um tomate), os ditados, a cantilena da tabuada, os projectos de Meio Físico, as composições e os trabalhos manuais, as declamações de poemas e os teatrinhos, as cantigas de roda, o elástico, a corda, o mata, o toca e foge, Simão diz, o macaquinho do chinês, o lenço, a cabra-cega... e tantas outras das quais guardo uma vaga lembrança. Algumas eram motivo de torneio, quer no recreio, quer mais tarde, já na Cecília Meireles, depois do lanche, quando as mães podiam ir deitando o olho às brincadeiras de rua.
Amanhã lá estarei para cumprir o meu dever cívico. Lá verei o menino de pedra a guardar o portão da entrada da António Nobre, sempre concentrado na sua leitura; lerei as composições dos meus "novos colegas" de classe, verei os seus projectos e os seus sucessos registados nas tabelas da sala e espreitarei para o recreio, quase ouvindo os gritos das muitas crianças que ali têm passado. Às vezes bem me apetecia poder "fazer de conta" que era a Maia do Espaço 1999 e transformava-me noutra coisa, mais conveniente às circunstâncias e aos desafios do momento.
Este texto tem duas dedicatórias.
A primeira à D. Ângela, minha professora, que me ensinou a arte de contar histórias e a gostar de partilhá-las. A segunda à Fia, à Paula e ao Xico, à Fatinha e à Isabel, às Carlas, à Guilhermina e ao Carlos, à Natércia, à Teresa, ao Pedro e à Sandra, meus companheiros de brincadeiras na Cecília Meireles.
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Chegar à 110 implicava alguns riscos e muito esforço. Eu morava na rua do mercado de S. Domingos e lá seguia, em grupo de cinco ou seis, sem a supervisão de um adulto ( outros tempos... todos os pais já tinham seguido para os seus empregos), rua acima, depois de atravessar a Estrada de Benfica, a guardar o fôlego para subir as escadinhas.
Recordo o meu primeiro companheiro de carteira, do clã Partidário, o meu primeiro bilhetinho de amor (que me deixou vermelha que nem um tomate), os ditados, a cantilena da tabuada, os projectos de Meio Físico, as composições e os trabalhos manuais, as declamações de poemas e os teatrinhos, as cantigas de roda, o elástico, a corda, o mata, o toca e foge, Simão diz, o macaquinho do chinês, o lenço, a cabra-cega... e tantas outras das quais guardo uma vaga lembrança. Algumas eram motivo de torneio, quer no recreio, quer mais tarde, já na Cecília Meireles, depois do lanche, quando as mães podiam ir deitando o olho às brincadeiras de rua.
Amanhã lá estarei para cumprir o meu dever cívico. Lá verei o menino de pedra a guardar o portão da entrada da António Nobre, sempre concentrado na sua leitura; lerei as composições dos meus "novos colegas" de classe, verei os seus projectos e os seus sucessos registados nas tabelas da sala e espreitarei para o recreio, quase ouvindo os gritos das muitas crianças que ali têm passado. Às vezes bem me apetecia poder "fazer de conta" que era a Maia do Espaço 1999 e transformava-me noutra coisa, mais conveniente às circunstâncias e aos desafios do momento.
Este texto tem duas dedicatórias.
A primeira à D. Ângela, minha professora, que me ensinou a arte de contar histórias e a gostar de partilhá-las. A segunda à Fia, à Paula e ao Xico, à Fatinha e à Isabel, às Carlas, à Guilhermina e ao Carlos, à Natércia, à Teresa, ao Pedro e à Sandra, meus companheiros de brincadeiras na Cecília Meireles.
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21/01/11
A Lição

O professor já topara, o puto atrasado e com pouca vontade em começar o aquecimento, enquanto os colegas esperavam sentados no chão, nas suas posições na sala que funcionava como se fosse um ginásio. "OH ! SEU ZÉQUINHA …"ouvia-se então a voz do professor a troar pelo ar, o puto retardatário ainda arrastar-se com o frio da manhã, a enfiar o blusão, ainda não estava a perceber, se fosse preciso o professor aproximava-se e abria muito os olhos, "SEEUU... ZÉQUIIIiNHA ...!!!", podia-se sentir o seu hálito , e o puto lá percebia ... Era a sério, mas era "uma coisa teatral, de meter medo" , o que fazia o Professor Martins , no resto dava lições. Na Escola Preparatória Pedro de Santarém, acabada de inaugurar em Benfica, mesmo no início de 70, foi o professor que me marcou mais em três anos.
Nas aulas do Professor Martins desenvolviamos durante a semana o Atletismo e o Voleibol, e aos sábados participávamos nas actividades "circum-escolares" do desporto escolar. Eu adorava futebol , nunca o joguei nas aulas de ginástica mas em troca fiquei com os gestos técnicos indispensáveis à prática de desportos que não conhecia; as manchetes, os puxanços, os vóleis, primeiro o domínio individual, depois os jogos e em seguida a competição. O atletismo fazia-se à volta da escola, nas corridas longas, marcaram-se as pistas para a velocidade , atrás das oficinas.
Na porta envidraçada de acesso ao bufete dos alunos, nessa manhã de segunda -feira, estava afixada uma nota do Profº Martins, sobre os resultados do desporto escolar de fim de semana. "No corta-
-mato realizado no domingo passado no Campo Grande, conseguimos o 3º lugar. A equipa esteve incompleta, sem Xavier e Hilário".
Durante a semana anterior tínhamos treinado para o corta-mato, saía-nos os bofes pela boca, eu sempre gostara de correr, desembaraçava-me nas corridas de resistência, lutava pelo primeiro lugar mas nem sempre o conseguia, o professor incitava-nos. Estava convocado para o corta-mato, no domingo às 10 horas! Acontece que eu gostava muito de futebol e aos domingos ia com o meu avô à Luz , ver o Benfica; começava às onze da manhã com os juniores, à tarde os seniores, era o programa completo de futebol " à antiga portuguesa". Enganei-me de propósito na hora da convocatória do corta mato, para o perder, e seguir para o futebol ,a tempo de ver o jogo dos juniores , ou seja , preferi a bancada à competição.
Na segunda feira lá estava a notícia no vidro afixado, e havia uma parte que era "toda ela para mim"; eu pertencia à equipa de atletismo do Pedro de Santarém, a minha presença podia ter feito a diferença . O professor Martins nunca me pediu explicações da minha ausência, não foi preciso, a Lição estava dada.
Dedico este texto à memória do Professor Martins
foto retirada do sites.esjgf.com/esjgf/historia-1/.../escola-basica-2-3-pedro-de-santarem
15/01/11
Fecham uns abrem outros...

... foi um dia de Novembro, certamente ao subir até ao Alto dos Moinhos para apanhar o metro, que reparei na frutaria / mercearia 7 Lagoas. Não me recordo o que existia antes neste lugar, o largo sempre me pareceu tão calmo… para além do sapateiro e do externato que ficava (e talvez ainda fique) no cantinho, lembro-me de poucos comércios ou serviços. Neste dia também reinava a tranquilidade… talvez a mercearia ainda seja pouco conhecida, as daqui do bairro começam a desaparecer aos poucos, já são poucas, mas esta veio juntar-se ao comercio tradicional de São Domingos de Benfica. A 7 Lagoas parece estar aberta ao Domingo também ou pelo menos houve um Domingo em que passei por lá e as portas estavam abertas, o que é sempre útil quando se precisa de um raminho de salsa, de umas cebolas ou de sal … onde fica? No Largo Conde de Bonfim!
11/01/11
Conferência no Gabinete de Estudos Olisiponenes * Beau Séjour
CONVITE CONFERÊNCIA: "Lojas da Baixa e do Chiado enquanto património vivo e imaterial ” Guilherme Pereira e Judite Reis * 19 de Janeiro, 18:00 horas

As lojas pela proximidade com o público, representam bem uma cultura e identidade específica numa cidade. Com este mote o GEO - Gabinete de Estudos Olisiponenses, iniciou em 2008, um levantamento a todo o comércio existente neste inicio de século, uma investigação, ainda em curso, numa recolha sector a sector, que pode acompanhar no site
Esta conferência é um convite para seguir os nossos passos num regresso a um passado de histórias olvidadas, de cenários românticos, onde o dourado escureceu com o tempo, mas não esmoreceu com a modernidade.
E não é preciso puxar muito pela imaginação, nem recuar muito no tempo, para reencontrar a Baixa e Chiado de uns e de outros, de ontem e de hoje.
A abordagem contemplará os comércios enquanto património material (fachadas, decoração, mobiliário, marcas, publicidade, e não só); e as lojas como património cultural, nas suas origens, actividades, saberes, profissões, modas, usos e costumes. Será feita uma ilustração com recurso a exemplos de estabelecimentos mais emblemáticos e notáveis.
Ao encontro da Baixa e Chiado das lojas de hoje e de sempre, paleta de histórias vivas e imateriais pela voz dos protagonistas.
GEO - Gabinete de Estudos Olisiponenses
Palácio do Beau Séjour
Estrada de Benfica, 368, 1500-100 Lisboa
Informações: 21 770 11 24 / 21 770 11 20
Datas: 19 de Janeiro
Horário: 18:00
Destinatários: Público em geral
Esta conferência é um convite para seguir os nossos passos num regresso a um passado de histórias olvidadas, de cenários românticos, onde o dourado escureceu com o tempo, mas não esmoreceu com a modernidade.
E não é preciso puxar muito pela imaginação, nem recuar muito no tempo, para reencontrar a Baixa e Chiado de uns e de outros, de ontem e de hoje.
A abordagem contemplará os comércios enquanto património material (fachadas, decoração, mobiliário, marcas, publicidade, e não só); e as lojas como património cultural, nas suas origens, actividades, saberes, profissões, modas, usos e costumes. Será feita uma ilustração com recurso a exemplos de estabelecimentos mais emblemáticos e notáveis.
Ao encontro da Baixa e Chiado das lojas de hoje e de sempre, paleta de histórias vivas e imateriais pela voz dos protagonistas.
GEO - Gabinete de Estudos Olisiponenses
Palácio do Beau Séjour
Estrada de Benfica, 368, 1500-100 Lisboa
Informações: 21 770 11 24 / 21 770 11 20
Datas: 19 de Janeiro
Horário: 18:00
Destinatários: Público em geral
O Mercado de Bem-Fica agradece a informação a Simon e deixa a sugestão aos leitores
09/01/11
O "rink" da Gomes Pereira

Na minha infância, a sede do Sport Lisboa e Benfica era na Avenida Gomes Pereira , logo a seguir à Fabrica Simões, para quem vem, como eu vinha, da estrada de Benfica, onde descia do eléctrico em que viajava desde São Domingos de Benfica, acompanhado pela Judite , a servir na minha casa , e que hoje todos os meus consideram da família sendo a inversa igualmente verdadeira .
As aulas de ginástica eram por volta das seis da tarde, nem sempre me apetecia ir, devia querer brincar , tal com o a minha filha não lhe apetece ir ao ballet ou a coro, por vezes íamos a andar quase a correr num "stress à anos 60"!,uma vez caí e parti um dente de leite, devia ter 4 ou 5 anos, acho que fiz duas épocas de ginástica no Benfica.
Várias vezes ao longo dos anos, tenho pensado que me tem sido muito útil esse tempo de ginástica, já que me deram uma essencial "gramática" físico-motora , que me tem dado imenso jeito. O rinque da sede do SLB, onde se jogava hóquei em patins, era onde eu fazia a maioria das minhas aulas de ginástica, e era circundado por uma bancada em cimento, de um dos lados, por uma bancada de madeira do lado oposto, e num dos topos, pelo peão.
Ao ver as fotografias reparo que o grupo era misto, quanto ao género, pelo menos nos saraus como o que a imagem reporta; naqueles anos 60 em Portugal, a coeducação dos sexos, no ensino oficial e particular, não era praticada, era mesmo proibida devido à influência da igreja na sociedade.
Nos dias de chuva, os professores, um homem e uma mulher, creio que casal, levavam-nos para um "ginásio", onde existiam plintos, cavalo com arções e outros equipamentos de ginástica.
Voltei à Gomes Pereira, várias vezes depois disso , a seguir ao 25 de Abril vi lá sessões estivais de cinema ao ar livre, e por volta dos trinta anos voltei a utilizar o rinque , alugado pelos fregueses e por malta amiga, para jogar futebol de salão, já depois de ter deixado de ser propriedade do clube, e passar a ser equipamento da Junta da Freguesia de Benfica . Foi nessa altura, que guiado pelas minhas memórias e nostalgias procurei o "ginásio" onde fazíamos os exercícios quando chovia; deparei-me incrédulo que esse espaço era afinal uma minúscula sala,pelo que me "revi" retroactivamente como Gulliver no país dos gigantes ou ali e naquele momento em Liliput, e lembrei-me do artista plástico e cartonista Sam, que brincava com as dimensões dos objectos do quotidiano para criar absurdo.
01/01/11
Rua da Venezuela – 5 Tostões

A Rua da Venezuela, em Benfica, tem histórias por contar. A que hoje aqui deixo é bem simples, tão simples quanto a própria rua.
Certo dia entrou no café “5 Tostões”, na Rua da Venezuela, um homem integralmente vestido de branco. Os seus cabelos brancos, ligeiramente longos, o ar cordial, a sua tez escura, a roupa folgada, o calçado achinelado e o ser bom conversador, completavam a figura
Adivinhais quem é este poeta brasileiro que em finais de 70, depois do seu exílio no Chile, viveu uns anos na Rua da Venezuela e com quem, no “5 Tostões”, a juventude do bairro tanto conversou?
Foto de Fernanda Serra Azul
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